Soja fecha em forte alta na CBOT com fundos, clima e demanda e puxa preços nos portos do BR

Publicado em 27/12/2016 17:38
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O mercado internacional da soja aproveitou a volta do fim de semana prolongado para recuperar boa parte das perdas da última semana e fechou a sessão desta terça-feira (27) com altas de mais de 20 pontos na Bolsa de Chicago. O avanço permitiu que as primeiras posições recuperassem o patamar dos US$ 10,00 por bushel, enquanto o maio/17, referência para a nova safra brasileira, busca retomar a casa dos US$ 10,30. 

Os preços da soja nos portos brasileiros pegaram carona no intenso avanço em Chicago e subiram. No terminal de Rio Grande, a oleaginosa fechou o dia com R$ 78,50 no disponível, subindo 4,53%, e com  R$ 80,20 por saca, no mercado futuro, com alta de 2,04%.

Segundo explicaram analistas e consultores de mercado, a disparada da commodity neste pregão se dá, em partes, por um movimento de recuperação depois das baixas recentes - somente na última semana, o recuo passou de 4% entre as principais posições - além da influência do clima na América do Sul e do retorno dos fundos investidores à pinta compradora do mercado diante de valores mais baixos.

"Os fundos de investimento saíram na semana passada, devido ao feriado do Natal, mas agora estão retomando a compra. Além dos preços que tinham caído muito e agora estão retornando à media", explica o economista da Apexsim, Guilherme Zanin. "Os fundos estão apostando em favor da soja", completa. 

Movimento dos fundos no mercado da soja na última semana - Fonte: Apexsim Inteligência e Mercado

Movimento dos fundos no mercado da soja na última semana - Fonte: Apexsim Inteligência e Mercado

*com base nos relatórios CFTC das bolsas americanas

Clima na América do Sul

Sobre o clima na América do Sul, as opiniões são divergentes entre os especialistas, principalmente sobre as última chuvas que chegaram na Argentina. E essa incerteza sobre o real impacto dessas condições climáticas é que acentua a volatilidade do andamento das cotações em Chicago. 

Por todo o final de semana, chuvas fortes foram registradas em importantes regiões produtoras da Argentina, com volumes que chegaram a superar os 100 mm. "Essas chuvas são extremamente reparadoras e devem permitir o avanço do plantio de soja e milho no país", explica a analista de mercado Andrea Sousa Cordeiro, da Labhoro Corretora. Inclusive, muitos pontos já sofrem com inundações, as quais podem ser prejudiciais caso o quadro não dê uma trégua. 

Entretanto, o Sudeste argentino ainda sofre com chuvas insuficientes e, dessa forma, seguem as ameaças às lavouras da região, já que não se amenizou o déficit hídrico como era esperado. "A contrapartida do que, no geral, tem sido chuvas muito generosas, é o sudeste de Buenos Aires, que segue em seca", disse à Reuters German Heinzenknecht, meteorologista da Consultoria de Climatologia Aplicada, que acrescentou que áreas do centro-sul da província também precisam de mais água.

Já para o Brasil, as próximas semanas preocupam mais. O tempo está mais seco na região Nordeste e pode registrar menos chuvas em pontos do Centro-Oeste, além do já conhecido clima seco no Rio Grande do Sul. 

"Algumas casas consultoras parecem seguir engajadas em apostar em anomalias climáticas para a América do Sul, agora falando sobre o clima quente e menos chuvoso no Brasil", explica ainda Andrea Cordeiro. 

A atenção sobre o país, portanto, é redobrada nesta semana. 

"Uma forte massa de ar quente predomina no Brasil. Esta última semana de 2016 será marcada por calor intenso na maior parte do país. Uma frente fria consegue avançar neste início de semana somente sobre parte do Sul do Brasil e logo é desviada para o oceano, devido à atuação de um bloqueio  atmosférico", informa a Climatempo em seu boletim semanal. 

Demanda

Ainda nesta terça-feira, o mercado em Chicago foi favorecido pela demanda mais uma vez. O novo reporte semanal de embarques de grãos trouxe números fortes para a soja, embora dentro das expectativas dos traders, e ajudando o avanço das cotações. 

Na semana encerrada em 22 de dezembro, os EUA embarcaram 1.710,188 milhão de toneladas, contra expectativas que variavam de 1,4 a 1,8 milhão de toneladas. No acumulado do ano comercial, os embarques da oleaginosa já somam 31.376,361 milhões de toneladas, acima do registrado no mesmo período do ano anterior, de 26.313,035 milhões. 

Mercado Nacional

No Brasil, há poucas referências de preços dado o período de festas de final de ano. Essa é, afinal, a última semana de 2016. Embora os futuros tenham registrado ganhos expressivos em Chicago, a pouca movimentação do dólar acabou pesando sobre o andamento do mercado doméstico. 

A moeda americana, em um dia de baixo volume de negócios, encerrou com queda de 0,05% e valendo R$ 3,2736. "O mercado ficou parado nesta sessão, morno", comentou um operador de câmbio de uma corretora nacional à Reuters. 

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Assim, os preços cederam também no interior do país e chegaram a perder até 3,23% em praças como Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso. No Oeste da Bahia e em Londrina, no Paraná, os preços subiram 0,78% e 1,49%. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

    Quase todo final de mes,... trimestre.. semestre.. e anualmente, os fundos fecham seus balancos...e recebem participação por resultado... e, em consequencia, os preços sobem, para cair nos primeiros dias do próximo... e aí vem os papagaios que não conseguem enxergar um palmo na frente do nariz, estufam o peito e falam em demanda... aí, depois, quando cai, inventam outra papagaida para justificar a PRIMEIRA... E POR AÍ VAI..

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    • HELIO LUIZ HOFFMANNTANGARÁ DA SERRA - MT

      Lembrem-se que os fundos, de todos os tipos, ganham até 4% a.a. sobre o valor total. Qualquer alta no final de cada periodo citado pelo Dalzir, representa lucro adicional p/ eles. Olho Vivo.

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