Soja: USDA surpreende, mas Chicago fecha estável nesta 5ª após já ter cenário precificado

Publicado em 12/07/2018 18:25 e atualizado em 12/07/2018 20:44
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Os novos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) chegaram, supreenderam, mas o mercado da soja na Bolsa de Chicago fechou o pregão desta quinta-feira (12) com estabilidade e do lado positivo da tabela. As posições mais negociadas fecharam o dia com pequenos ganhos de 0,50 a 1 ponto. O julho/18 encerrou os negócios, mais uma vez, com US$ 8,30 por bushel. 

O mercado viu a confirmação de um aumento da produção americana de 116,48 milhões para 117,3 milhões de toneladas, com a produtividade subindo para 54,7 sacas por hectare. Dessa forma, subiram ainda os estoques finais de 10,48 para 15,77 milhões de toneladas, bem acima das expectativas dos traders de 13,36 milhões. 

Assim, a produção mundial 2018/19 também foi revisada para cima, passando de 355,24 para 359,49 milhões de toneladas, com os estoques finais globais também subindo muito, de 87,02 para 98,27 milhões de toneladas. 

Ao mesmo tempo, o USDA cortou ainda as exportações norte-americanas do novo ano comercial de forma muito considerável, com o número ficando em 55,52 milhões de toneladas, contra 62,32 milhões do boletim de junho. 

Mesmo com tudo isso, as cotações conseguiram se equilibrar e fechar a sessão com variações bastante limitadas, uma vez que, segundo explicam analistas e consultores, boa parte dos números já estaria precificada e, apesar do aumento, ficaram quase que em linha com as expectativas dos traders. 

“Parece que o USDA fez um trabalho excepcionalmente minucioso de antecipar os efeitos das tarifas chinesas nos mercados globais de soja, mas os elevados níveis de estoques finais vêm como uma surpresa. Este relatório parece ser uma continuação do mercado antecipando a perfeição na próxima safra, o que significa que o foco a partir deste ponto será se a produtividade irá confirmar ou não essa tendência positiva", diz Sal Gilbertie, analista de mercado e proprietário da consultoria internacional Teucrium Trading em entrevista ao Agriculture.com. 

Outro ponto que chamou a atenção do analista de mercado sênior da Price Futures Group, Jack Scoville, foi o corte severo na demanda com a baixa nas exportações norte-americanas da nova safra. 

Confira os números completos do boletim do USDA desta quinta-feira:

>> USDA eleva oferta e estoques de soja nos EUA e no mundo, Chicago reage com cautela

Ademais, segue pesando sobre os preços todas as questões que envolvem a disputa comercial entre chineses e americanos e os novos e mais recentes desdobramentos dessa guerra. 

A China anunciou, nesta quinta, uma baixa em sua previsão das importações de soja para o ano comercial 2018/19 - que começa em 1º de outubro - para 93,85 milhões de toneladas. Ao ser confirmado, esse número será de 1,8 milhão de toneladas - ou 2% - menor do que a estimativa anterior do Minitério da Agricultura do país asiático. Haverá também uma baixa em relação à atual temporada, onde as importações estão estimadas pelo órgão em 95,97 milhões de toneladas. 

Neste ano comercial, os chineses respondem por somente 17% da soja vendida pelos EUA, bem menor do que a média de 60% da última década, segundo uma análise feita pela Reuters Internacional. Na outra ponta, os chineses têm ampliado de forma intensa e bastante significativa suas compras no Brasil. 

Leia mais:

>> China reduz estimativa para importação de soja na temporada 2018/19

Mercado Brasileiro

No Brasil, o mercado teve um dia nada homogêneo para os preços diante do comportamento de Chicago, da estabilidade do dólar e de uma nova e boa alta dos prêmios. No terminal de Paranaguá, os prêmios subiram entre 3,6% e 4,55% somente nesta quinta, com as primeiras posições de entrega entre US$ 2,30 e US$ 2,40 por bushel sobre os valores praticados na CBOT. 

Ainda assim, a soja para março/11 fechou com baixa de 8,47% em R$ 81,00 por saca no terminal paranaense, enquanto a disponível subiu 1,11% para R$ 81,00. Em Rio Grande, alta de 0,35% no spot e de 0,57% para agosto, com valores de R$ 86,30 e R$ 87,50 por saca. 

No interior do país, altas e baixas consideráveis foram registradas entre as praças de comercialização. Enquanto Castro/PR e Rondonópolis /MT subiram mais de 1%, para R$ 88,00 e R$ 77,00 por saca, respectivamente, São Gabriel do Oeste/MS encerrou os negócios com baixa de 2,74% e indicativo em R$ 71,00.

USDA BAIXISTA COM MERCADO EXAUSTO, por AgResources

O relatório do USDA foi divulgado nesta quinta sem grandes surpresas. O novos números foram considerados neutro/baixista para a soja e altista para o milho e trigo.

Logo após a publicação, as cotações futuras de soja aqui em Chicago sofreram pressão, a qual foi aliviada ao longo do dia.

A especulação presenciou um corte intenso das exportações estadunidenses, que foram reduzidas para 55,52 MTs para o ano comercial 2018/19. No entanto, o vigente embate político-comercial dos EUA alimenta as expectativas de uma demanda mundial medíocre pela sua oleaginosa.

A ARC lembra que países da Europa e alguns da Ásia (em exceção a China) tem aproveitado os baixos preços de oferta norte-americana para adicionar compras inesperadas.

Além do mais, o Departamento de Agricultura dos EUA também reduziu suas expectativas de preços médios sazonais em US$0,75/bu para um ponto mediano em US$9,25/bu.

CLIMA - AMÉRICA DO NORTE

Os mapas climáticos atualizados nesta quinta trazem a confirmação da chegada de uma frente fria sobre o Centro-Norte dos Estados Unidos. Com este novo padrão, que suprime a massa de ar quente de alta pressão pré-estabelecida sobre o Centro do país, as chuvas voltam a regar os solos secos do Cinturão Agrícola, já neste fim de semana que se aproxima.

A umidade do solo da principal região sojicultora norteamericana tem se retraído desde o fim de junho, quando um padrão climático árido se estacionou sobre a área.

O período de estiagens não foi extenso, com efeitos mínimos às expectativas de produtividade.

A ARC alerta que com a volta das precipitações nesta segunda metade de julho, o desenvolvimento da safra deverá permanecer saudável.

Não foi descartado a possibilidade de uma nova produção cheia 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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