EUA têm eleições de meio mandato nesta 3ª e pleito pode mexer com preços

Publicado em 05/11/2018 17:05 e atualizado em 05/11/2018 18:12
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Nesta terça-feira (6), acontecem nos Estados Unidos as chamadas eleições de meio mandato. Nelas serão definidos novos representantes para o Congresso norte-americano em 2019 e, em meio a uma guerra comercial com a China que prejudicou severamente os mercados agrícolas do país, o presidente Donald Trump vem trabalhando para atrair os eleitores republicanos entre os produtores rurais, apesar de tudo. 

Na semana passada, Trump estimulou altas importantes de mais de 30 pontos somente em um pregão na Bolsa de Chicago depois de dizer em sua conta no Twitter que havia concluído "uma conversa muito boa" com o presidente chinês, Xi Jinping. Sem notícias novas, os traders se apegaram a isso e promoveram um forte movimento especulativo no mercado. 

Neste início de semana, Trump voltou a dizer que a China estaria pronta para fechar um acordo com os Estados Unidos, mais uma vez em sua conta na rede social. Mas, novamente voltou a falar sobre como os chineses prejudicaram a economia norte-americana. 

"Nós colocamos tarifas sobre 250 bilhões de dólares, taxamos eles, os produtos que vêm para os Estados Unidos e temos muito mais a fazer, mas eles querem fechar um acordo e nós podemos fazer o acordo certo, um acordo que seja justo nós faremos. De outra forma, não vamos fazer", disse Trump no Twitter.

Enquanto isso, o presidente segue em campanha Estados Unidos a fora e, apesar de toda a confusão, principalmente no mercado da soja, há ainda uma boa parcela dos agricultores americanos que seguem apoiando-o. 

"Há fortes indícios que uma maioria de opositores de Trump serão eleitos, incentivando com que o atual presidente estadunidense busque maneiras de cativar o eleitorado nesta reta final de campanha. Em outras palavras, o momento especulativo na soja pode ser jogada política para restaurar a popularidade do republicano no meio agrícola - uma conclusão sobre o tema será observada no fim de novembro, no encontro do G20", alertam os analistas da ARC Mercosul.

"Trump é o que é. O presidente é pomposo, arrogante, mas está fazendo o que disse que faria em sua campanha e está alcançando resultados no comércio", disse à agência internacional Bloomberg Don Latham, representante da 10ª geração de uma família de produtores rurais em Iowa, em plena colheita da soja e do milho. Apesar de trazer sua nova safra ao mercado em um momento difícil, afirma que manterá seu voto republicano nesta terça. 

A Bloomberg trouxe os resultados de uma pesquisa feita com 600 agricultores comrciais da empresa Agri-Pulse e que mostrou que 79% deles apoia ou apoia fortemente o presidente, mesmo depois de iniciada a disputa comercial com a nação asiática ter levado os preços da soja aos menores níveis em mais de uma década. 

"Acredita-se enfrentando a China, retrabalhando os acordos comerciais, o presidente garanta por mais tempo o apoio do setor . O sentimento é de que ações como esta podem causar estranahmento e 'dor' no curto prazo, mas de que no longo os resultados serão bons, com importantes benefícios estruturais", explica o analsta de risco global da consultoria internacional Verisk Maplecroft, Arun Pillai-Essex à Bloomberg. 

Ainda assim, o estudo mostrou que os produtores esperam que a administração de Trump foque mais nas exportações e termine a guerra comercial com a China. 

Além disso, especialistas afirmam ainda que é provável que Trump não anuncie mesmo um acordo antes das eleições para que não passe a imagem de que estaria tentando influenciar os eleitores antes do pleito desta terça. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o economista chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, comentou as expectativas para as eleições americanas. Veja:

>> Bolsa em alta, inflação controlada, anúncio de novos investimentos, dólar com viés de baixa; o Brasil resiste às incertezas

Ainda segundo analistas e consultores internacionais, os próximos passos de Donald Trump e os resultados das eleições poderão, de fato, ajudar a direcionar as cotações, principalmente da soja, no mercado internacional.

Em entrevista ao The New York Times, o produtor Brandon Hokama, cuja família conta com 3,5 mil acres na Dakota do Nore estima que irá precisar de um preço de equilíbrio de US$ 8,75 por bushel. Neste mesmo período no ano passado, o valor era de quase US$ 10,00, enquanto hoje os elevadores locais - que são unidades recebedoras de grãos - ofertam preços abaixo de US$ 7,00. 

Os insumos que geralmente são comprados no final do ano para a próxima safra, como sementes e fertilizantes, não estão sendo adquiridos na mesma velocidade este ano. Para 2019, a família Hokama planeja plantar a metade da área que foi semeada com a oleaginosa nesta temporada. O objetivo é dedicar mais espaço ao milho no ano que vem, e ao trigo, pela primeira vez em duas duas décadas tamanha a preocupação com o impacto da guerra comercial - e sua possibilidade de continuação - sobre os preços da soja. 

O produtor acredita ainda que, neste ambiente muitos produtores deverão tomar decisões semelhantes, o que poderia saturar o mercado do milho no ano que vem. "Para o ano que vem, o objetivo é apenas equilibrar", diz. 

Ainda sem acordo com a China, cresce a pilha de soja não comercializada no Corn Belt. A colheita está em pleno desenvolvimento, há mais de 70% da área já com seus trabalhos de campo concluídos, porém, as vendas estão bem mais lentas do que em anos anteriores, tal qual os embarques. Em números trazidos nesta segunda-feira (5), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que no acumulado da temporada, os embarques americanos já totalizam 8.578,243 milhões de toneladas, contra mais de 14 milhões do ano passado, nesse mesmo período.

Segundo a instituição, o total de soja já comprometido nos EUA é de 21.450,7 milhões de toneladas, contra mais de 30,3 milhões do ano passado, nesse mesmo período. A estimativa do USDA para toda a temporada é de que o país exporte 56,07 milhões de toneladas. 

Leia também:

>> China importa 28% mais soja do Brasil e segue evitando mercado dos EUA

Com informações da Bloomberg e do The New York Times

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Eduardo Lima Porto Porto Alegre - RS

    Excelente matéria!!! Parabéns Carla Mendes!!!

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