Grãos: Mercado acompanha embate entre migração para a soja e o Prevent Plant

Publicado em 06/06/2019 16:44
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Enquanto o mercado discute sobre a realidade e o futuro da área de plantio de soja e milho da nova safra dos EUA, os preços da oleaginosa amenizaram as perdas registradas na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira (6) e terminaram o dia com estabilidade. O clima no Corn Belt permanece no centro dos negócios. 

Assim, os futuros da commodity fecharam este pregão recuando entre 0,75 e 2 pontos nos principais vencimentos, com o julho cotado a US$ 8,68 e o agosto, US$ 8,75 por bushel. Mais cedo, as baixas passavam dos 9 pontos nos contratos mais negociados. 

Os traders acompanham os movimentos dos produtores norte-americanos que estão, agora, em momentos cruciais de decisão. 

"A esperança de uma trégua das chuvas que permita com que os campos sequem e permitam a migração do milho para a soja ainda existe entre alguns. Isso acontece ao mesmo tempo em que há produtores que ainda insistem no milho, em campos encharcados ou ainda aqueles que já consideram deixar boa parte para receber o seguro do Prevent Plant", explica o analista sênior do Farm Futures, Bryce Knorr. 

É um momento de impasse e, principalmente, de confusão entre os agricultores. Diante de tantas adversidades, especialistas norte-americanos em seguro agrícola relatam que muitas informações divergentes sobre o programa, o que cria ainda mais incerteza e dificuldade de decisão entre os produtores norte-americanos neste momento. 

Em relato ao Farm Futures, um produtor do leste de Iowa falou sobre seus trabalhos de campo. "Acabo de concluir o replantio de 100 acres por conta do excesso de umidade e da germinação muito fraca. E tenho ouvido também sobre alguma soja precoce também tendo que ser replantada. Mais acres destinados aos Preven Plant para muitos produtores", disse. 

A situação mais grave é a do milho neste momento. A janela ideal para o plantio - e que conta com cobertura do seguro - já está encerrada em todo o país e demanda determinações por parte dos agricultores. Assim, Knorr orienta os americanos. 

"Foque na comercialização da safra velha, enquanto toma decisões sobre replantio, Prevent Plant ou mudança para a soja. Com os custos de produção incertos para a nova safra, é arriscado. Só tome decisões agora com a certeza de produtividade ou de preços mais otimistas", diz. 

Ao mesmo tempo, acredita que o USDA, em 11 de junho quando divulga seu novo boletim mensal de oferta e demanda, possa vir a reduzir sua estimativa para a produtividade da soja em cerca de 2 bushels por acre por conta do plantio extremamente atrasado. 

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"Os traders seguem lutando com as estimativas de área e os produtores tendo de se decidir entre migrar para a soja ou escolher pelo seguro", reforça. 

Além disso, na próxima segunda-feira (10), o USDA ainda chega com suas primeiras impressões sobre as condições das lavouras norte-americanas. Números que traidiconalmente começam a sair em maio devem chegar na próxima semana e podem trazer ainda mais intensidade e volatilidade ao mercado internacional de grãos.

PREVISÃO DO TEMPO

As próximas semanas continuarão a ser de chuvas nos Estados Unidos. A diferença das últimas semanas, no entanto, é que agora os maiores acumulados são esperados mais a Sul e Leste dos EUA. 

Ainda assim, de acordo com o mapa do NOAA atualizado nesta quinta-feira para o período até 13 de junho, estados entre os maiores produtores de grãos como Indiana, Iowa, Illinois, Missouri, Nebraska, as Dakotas, Minnesota e Wisconsin ainda deverão receber mais precipitações. Os volumes esperados variam de 6,5 a 25,4 mm, como ilustra a imagem a seguir. 

NOAA 7 dias

Nas previsões mais alongadas ainda se observa, também de acordo com informações vindas do NOAA, mais períodos de chuvas acima da média para o cinturão e temperaturas que seguem abaixo da média para esta época do ano, o que acaba sendo mais um problema para as lavouras norte-americanas. 

NOAA EUA Alongada

Mapas da esquerda - Precipitações / Mapas da Direita - Chuvas - Fonte: NOAA

"Nos próximos 5 dias, as leituras estão em convergência, com índices pluviométricos intensos confinados ao Sudeste dos Estados Unidos, trazendo danos às lavouras do Delta do Mississippi", explica o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira. 

Para o executivo, caso as chuvas se confirmem menos intensas em estados como Iowa, Illinois e Wisconsin, o novo reporte semanal de acompanhamento de safras do USDA pode trazer uma evolução considerável do plantio nos EUA até o domingo 8 de junho.

O QUE DIZEM OS PRODUTORES

Ainda como explica o diretor da ARC, o debate sobre o futuro da área norte-americana continua, porém, "são necessárias maiores confirmações sobre a saúde atual da safra norte-americana".

Enquanto isso, os produtores americanos continuam relatando seus problemas nas redes sociais e as imagens e declarações impressionam. 

"Às vezes me pergunto se todos estes acres de milho recém plantados nesta semana mal compensaram os recém inundados campos de milho germinadoe que teriam que ser subtraídos dos números de avanço do plantio. Eu sei que podemos ter feito ALGUM progresso, mas vocês também têm que contar com esses acres 'negativos'", disse Marlin Bohling, um tradicional repórter norte-americano especializado em commodities. 

EUA 1

A foto é de Justin Kelly, no Twitter, e mostra campos em Bureau County, Illinois. "Deveriam estar prontos para o plantio", diz. 

EUA 3

Foto: Twitter Market Dude Marlin

EUA 4

Foto: Twitter west Bureau Farms - Princeton, Illinois

EUA 2

Foto: Twitter Dan Erickson - Altona, Illinois 

EUA 6

"Ainda nada de plantio neste campo", foto no Twitter de Heath Kimbrell - Sunray, Texas

EUA 7

Foto: Twitter Rob Colby - Princeton, Illinois

 

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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