Encontro de Xi e Trump e estoques trimestrais dos EUA no centro das atenções esta semana

Publicado em 23/06/2019 10:51 e atualizado em 24/06/2019 13:26
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A próxima semana será de muitas novidades para o mercado internacional de grão e uma série de outros produtos uma vez que toma o centro das atenções o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na reunião do G20 que acontece de 28 a 29 de junho em Osaka no Japão. E a volatilidade se intensifica e as especulações aumentam uma vez que o encontro reúne os principais presidentes e primeiros ministros das mais importantes economias do mundo, ao lado de líderes do cenário financeiro global. 

A notícia de que os presidentes americano e chinês poderão se encontrar já provocou uma importante reação positiva entre as ações mundo a fora na semana passada. Quando o assunto é soja, porém, as reações foram bem mais limitadas, com o mercado dividindo suas atenções com o adverso clima no Meio-Oeste americano, fato que tem sido o principal combustível para o andamento das cotações na Bolsa de Chicago. 

Veja como caminha o mercado da soja nesta segunda-feira (24):

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O quadro climático desfavorável provocou um recente rally entre as cotações da soja, do milho e do trigo na CBOT - principalmente no milho, onde as perdas já são mais claras e podem passar de 40 milhões de toneladas -, porém, pode ter um pouco menos de  espaço entre as observações dos traders diante do desenvolvimento das conversas entre China e Estados Unidos e também da divulgação de um relatório de estoques trimestrais dos EUA na próxima sexta-feira, ambos as duas informações muito relacionadas. 

Ainda assim, mantém-se no radar dos participantes do mercado já que para a oleaginosa o desenvolvimento das lavouras está só começando e diante das previsões que indicam mais chuvas para o Corn Belt pelo menos até o final deste mês. 

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GUERRA COMERCIAL X ESTOQUES EUA

Em função do conflito comercial entre China e Estados Unidos, que já dura mais de um ano, os norte-americanos vêem carregando estoques historicamente altos e, no dia 28 de junho, os números dos trimestrais no dia 1º do mesmo mês serão atualizados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). E os números preocupam, como explica o analista de mercado da Agrinvest Marcos Araújo. 

"Entre dezembro e fevereiro, de acordo com um termo usado pelo USDA, houve o desaparecimento de 17 milhões de toneladas de soja para que se fechasse a equação dos estoques em 1º de março de 2019. E de fevereiro para cá, com todo esse problema logístico nos EUA, comprometeu o escoamento dos grãos norte-americanos, que ficaram represados em algum lugar ou nas barcaças nos rios ou armazéns. Então, é bem provável que o USDA possa, no boletim dessa próxima sexta-feira, 'encontrar' todo esse volume e elevar os estoques finais americanos, muito acima do que o mercado espera, podendo ser um balde de água fria para o mercado, exercendo pressão de baixa sobre os preços", diz Araújo. 

Altos estoques também são esperados nos EUA diante da demanda por soja da nação asiática estar completamente focada no mercado brasileiro. De janeiro a maio o Brasil já embarcou mais de 40 milhões de toneladas do grão e a maior parte tem destino China. Até o final de julho, o line-ups estão completamente esgostados para os portos do Brasil e, para os meses seguintes, há o claro interesse comprador por parte das tradings, na busca de garantir essa matéria-prima ao maior comprador mundial da oleaginosa. 

Apesar de um crescimento ligeiramente menor da economia chinesa e de um surto de difícil controle da Peste Suína Africana, doença que vem dizimando planteis em vários países asiáticos e, principalmente a China, a demanda da população por carnes segue crescendo de forma muito consistente. De acordo com dados divulgados pela agência internacional de notícias Bloomberg, o consumo per capita de proteína animal entre os chineses dobrou de 1990 a 2016. Mundialmente, esse número apresentou um aumento de 'apenas' 25%. 

Os números mostram, portanto, que a China necessita garantir suas compras de soja, porém, mantém seu foco em fornecedores alternativos, ainda evitando a oferta dos Estados Unidos, provocando esses acúmulo dos estoques. E caso um acordo entre Xi e Trump não apareça nos próximos meses, estoques finais historicamente altos são esperados também para a temporada 2019/20. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), em seu último boletim, estimou os estoques finais da próxima safra em 28,44 milhões de toneladas, mesmo que haja uma frustração da produção em função do clima adverso. 

EXPECTATIVAS PARA O ENCONTRO

As opiniões sobre o encontro dos presidentes estão divididas neste momento. A única convergência entre elas é de que qualquer sinalização de uma retomada das negociações - paradas desde maio, quando os EUA aumentaram as tarifações sobre a China e o país retaliou - seria uma boa notícia para a economia mundial, já severamente afetada pela disputa e pelas incertezas que carrega ao continuar. 

"A reunião entre Trump e Xi na cúpula do G20 no Japão tem o potencial de reformular dramaticamente as perspectivas para as tensões comerciais", disseram Carl Riccadonna, Yelena Shulyatyeva e Eliza Winger, especialistas da Bloomberg Economics. 

Entre analistas brasileiros, a expectativa de um acordo entre os presidentes é muito distante. Tanto para Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting, como para Ginaldo de Sousa, diretor do Grupo Labhoro, o que pode acontecer no final desta semana é apenas uma conversa e talvez uma retomada das negociações efetivamente. "Um acordo ainda está longe", disseram ambos os especialistas. 

Assim, durante toda a semana os investidores e demais participantes do mercado seguirão intensificando suas especulações sobre a reunião, que também conta com mais encontros importantes entre líderes mundiais. Assim, olho vivo e proteção aos seus preços nos próximos dias!

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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