China já comprou 20 navios de soja do Brasil somente nesta semana

Publicado em 15/08/2019 11:31

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Enquanto Donald Trump e Xi Jinping continuam conversando, trocando ligações e mensagens, a China realizou, somente nesta semana, a compra de cerca de 20 navios brasileiros de soja. As informações partem do SIMConsult e os números e movimentações confirmam a continuidade do protagonismo do Brasil como maior exportador mundial da oleaginosa e principal fornecedor para o maior comprador global.

A concentração da demanda da nação asiática no Brasil tem resultado em prêmios mais fortes, melhores oportunidades de negócio e isso converge ainda com a recente disparada do dólar frente ao real e com os desdobramentos da guerra comercial entre chineses e americanos, que seguem bem distantes de um acordo. 

"O preço é o mais alto do ano e a China comprou 17 navios de soja brasileira ontem. Na semana foram 20. A ração para frango cresceu 15% e o preço do suíno expandiu as criações para o norte e nordeste com melhora na produção para o terceiro trimestre na China. Ou seja, houve um aumento do consumo de milho e farelo de soja", explica Liones Severo, diretor do SIMConsult. 

A necessidade da China da soja do Brasil e o potencial que o país ainda tem de exportar volumes de soja tem sido motivo de revisitação aos números da temporada brasileira, como noticiou a Reuters nesta quarta-feira (14). Afinal, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o Brasil não teria condições de exportar 72 milhões de toneladas de soja este ano, como estima a Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais. 

Leia mais:

>> China testa balanço da soja do Brasil, Conab reavalia números de safras

Ainda segundo números apurados pelo SIMConsult, a China já embarcou 39,575 milhões de toneladas d soja do Brasil de janeiro a julho deste ano. No mesmo período de 2018 eram pouco mais de 46,3 milhões. 

"Sim, a importação chinesa é menor este ano. No ano passado, exportamos 69,380 milhões de toneladas de soja para a China, este ano podemo chegar a, no máximo, 58 milhões. E faz todo sentido essa diferença. A oferta total do Brasil em 2018 - de produção mais estoque inicial - foi de 127,3 milhões de toneladas, e este ano a oferta total é de 116,6 milhões. Nossa oferta total caiu quase 11 milhões", explica Severo. 

O cenário atual já tem, portanto, promovido bons resultados em empresas do certo, como a Olam, uma gigante asiática do setor agrícola e de alimentos com unidade também no Brasil. A multinacional informou em nota que seu lucro no segundo trimestre do ano recuou 35% com resultados mais fracos em divisões como castanhas e confeitos, mas que suas vendas aumentaram 40% no primeiro semestre de 2019 diante do crescimento no comércio de grãos. 

"Temos um portfólio consistente no trade de grãos como milho, soja e trigo, o que tem sido importante pilar de sustentação de diversos mercados, mas, como qualquer outro negócio comercial, haverá oportunidades em que poderemos aumentar ou diminuir o ritmo. E esse foi um bom exemplo, nos últimos seis meses, de nossa aceleração", disse um representante da empresa á agência internacional Bloomberg. 

A situação da Olam, porém, não é uma máxima entre as principais tradings mundiais. Outras gigantes como a ADM (Archer-Daniels-Midland Co.) e a Cargill já têm divulgados resultados preocupantes sobre seus balanços e expectativas. A primeira afirmou que será difícil alcançar sua meta de lucros para este ano, enquanto a segunda registrou a maior queda em quatro anos em seus rendimentos. 

Ambas atribuem esses problemas à guerra comercial China x EUA que já dura mais de um ano e que mudou profundamente a dinâmica do comércio agrícola global, bem como alterou de forma significativa o fluxo do comércio nos EUA de setores importantes no quadro geral de commodities agrícolas e alimentos. 

Há algumas semanas, o grupo Marubeni Corp. informou que sua unidade sediada nos Estados Unidos teria interrompido todas as novas vendas de soja para clientes chineses. Relembre:

>> Unidade da Marubeni nos EUA interrompe novas compras de soja para clientes da China

GUERRA COMERCIAL

Assim como aconteceu há alguns meses, as notícias sobre as conversas entre os presidentes da China e dos Estados Unidos têm sido mais frequentes nestes últimos dias e dão conta de que ambos seguem conversando, porém, definindo quais serão suas estratégias diante dos últimos movimentos de cada um. 

Nesta quinta-feira, a China já informou que precisa adotar contramedidas frente às ultimas tarifações anunciadas por Trump e que começam a valer em dezembro. Do mesmo modo, o presidente americano quer um acordo com a nação asiática, porém, "nos termos dos EUA". 

Leia mais:

>> China diz que precisa adotar contramedidas frente às últimas tarifas dos EUA

>> Trump diz que qualquer acordo comercial com China precisa ser "nos termos dos EUA" 

PREÇOS NO BRASIL

Neste cenário, os preços da soja brasileiro têm registrado dias consecutivos de alta e regsitrado, principalmente nos portos, patamares importantes e consideráveis. E assim, as oportunidades para os produtores nacionais também seguem mais frequentes. 

Para o restante da safra velha, as referências têm se comportado entre R$ 86,00 e R$ 86,50 por saca nos principais terminais do país, enquanto para a safra nova os sojicultores já almejam os R$ 90,00. 

Veja as notícias de mercado desta semana sobre o andamento dos negócios no Brasil:

>> Soja sobe mais de 1% nos portos do BR nesta 4ª feira e dia é de fortes negócios

>> Soja se recupera em Chicago e preços têm nova alta no Brasil, subindo até 3%

>> Soja: Preços no Brasil driblam quedas de Chicago e sobem até 4% no interior nesta 2ª

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • Valdemir Santos

    A hora que os chineses descobrirem que a soja que compram está cheia de agrotóxicos, já que Bolsonaro os liberou, vão deixar de comprar...

    39