Soja tem julho de novos recordes de preço e vendedores pedindo prêmios de até 230 cents

Publicado em 31/07/2020 17:53 e atualizado em 02/08/2020 06:07 3142 exibições

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Junto com a semana, termina também o mês de julho para o mercado da soja com o produto cada vez mais escasso no mercado brasileiro. Assim, os períodos vão se encerrando com os preços historicamente altos no mercado brasileiro, principalmente no interior do país, renovando seus recordes. Esta última semana, todavia, foi de negócios bastante pontuais. 

Em todos os estados produtores, as referências subiram de R$ 2,00 a R$ 3,00 por saca, se valendo, essencialmente, da relação ajustada entre oferta e demanda. "E ainda veremos muitas empresas precisando de mais soja entre outubro e novembro", explica o consulto de mercado Fernando Pimentel, da Agrosecurity, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (31). 

Ainda segundo Pimentel, o Brasil poderia registrar, inclusive, o encerramento de operações de algumas fábricas este ano acontecendo mais cedo, em setembro, dada a falta de matéria-prima. E motivado por este quadro, os prêmios para a soja brasileira, que tem se mostrado como o principal destaque do mercado nacional nas últimas semanas, têm espaço para alcançar novas e renovar, novamente, os patamares recordes para a oleaginosa brasileira. 

Algumas praças marcaram altas de até 5,66% somente nesta sexta-feira, como foi o caso de Maracaju, no Mato Grosso do Sul, onde o preço ficou em R$ 112,00, ou Ponta Grossa, no Paraná, onde a referência foi a R$ 119,00, com avanço de 3,48%. Os preços só reforçam como o interior vem pagando muito melhor do que os portos, com a indústria buscando garantir o produto no Brasil. 

Um levantamento feito pela Brandalizze Consulting mostra que os vendedores já pedem prêmios de 200 a 230 cents de dólar para as principais posições de entrega para a safra 2019/20 (meses de julho a dezembro). Entre os compradores, os valores têm variado entre 140 e 170 cents por bushel sobre as cotações praticadas na Bolsa de Chicago. 

Os prêmios para a soja continuam subindo no Brasil e as altas não se restringem somente ao pouco produto da safra nova, mas chegam também à safra nova, dada a demanda da China mais atuante no mercado nacional dos últimos dias. Como explicou o analista da Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin, as margens de esmagamento crescendo na nação asiática são um dos principais combustíveis para este movimento.

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DÓLAR

A força dos fundamentos no Brasil é tanta que os indicativos registraram este movimento mesmo com uma baixa acumulada do dólar frente ao real de mais de 4% em todo mÊs de julho. A moeda americana tem intensificado sua volatilidade nos últimos dias e essa, de acordo com especialistas, é a tendência daqui em diante. 

Mesmo com a perda de 4% no mês, a divisa encerrou o dia com R$ 5,21 e valendo R$ 5,21. No ano, o dólar ainda tem alta de 30,04%, como informa a Reuters. 

"Esperamos que a moeda negocie dentro de um intervalo entre 5,0 reais e 5,5 reais", disseram analistas do Bank of America em relatório divulgado pela agência de notícias. "Esperamos que o banco central continue intervindo para mitigar a volatilidade e que a taxa de câmbio permaneça fraca para refletir elevado prêmio de risco em meio ao cenário macroeconômico frágil e às baixas taxas de juros", concluíram.

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Safra 2020/21 de soja no Brasil deve saltar para recorde de 130,7 mi t,  aponta pesquisa da Reuters

Por Roberto Samora LOGO REUTERS

SÃO PAULO (Reuters) - A produção de soja do Brasil em 2020/21 deverá dar um salto para um recorde de mais de 130 milhões de toneladas, com bons preços impulsionando agricultores a aumentar o plantio em áreas de pastagens e também pela expectativa de uma recuperação de produtividades, após uma seca reduzir a safra no Sul do país em 2019/20, de acordo com uma pesquisa da Reuters.

A sondagem, realizada com oito especialistas, indica que o Brasil, maior produtor e exportador global de soja, poderá aumentar a safra em cerca de 8% na comparação com as 120,9 milhões de toneladas projetadas pelo governo no ciclo anterior.

O crescimento de quase 3% na área plantada, para o inédito patamar de 38 milhões de hectares, será impulsionado por margens de lucro elevadas, com o impulso do câmbio, que permitiu aceleradas vendas antecipadas pelos produtores, conforme os analistas.

"Quase 50% da safra de soja já foi comercializada, um ritmo recorde, isso mostra a tendência de crescimento de área", disse o presidente da associação de produtores Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira, à Reuters.

"Vendo que dá renda, que dá margem comprando os seus insumos, ele (produtor) também busca aumentar em áreas de pastagem", frisou o líder da Aprosoja, que acredita em um crescimento de ao menos 2% na área plantada.

Braz, um notório defensor do direito do produtor de abrir áreas dentro dos limites impostos pela lei para o desflorestamento em propriedades rurais, afirmou que o setor deverá optar, em geral, pelo plantio em áreas já abertas no passado, até pelo custo menor de se usar uma terra já desmatada.

Segundo ele, o plantio deve avançar na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), no sul do Pará e mesmo em algumas áreas do Centro-Oeste.

Para a consultoria privada Céleres, o cultivo de soja do Brasil deve aumentar em 1,3 milhão de hectares na comparação com a temporada anterior, com produtores impulsionados por margens operacionais recordes de 2,78 mil reais/ha, ante 1,47 mil reais/ha na temporada anterior.

Os patamares de preços estão historicamente elevados em reais, com a ajuda do câmbio, mas também devido a exportações fortes no primeiro semestre, o que levou a associação da indústria Abiove a apontar estoques finais de soja em 2020 nos menores níveis da história.

Para a empresa de análises Arc Mercosul, que tem a maior estimativa de área plantada entre os consultados, de 38,43 milhões de hectares, o aumento de uma safra para outra será de 3,8%, o maior em seis anos, com ofertas de preço pela safra futura de 20% a 30% superiores na comparação anual.

A Cogo Inteligência em Agronegócio, que tem a maior projeção de produção para 2020/21, de 133,3 milhões de toneladas, avalia que, considerada a tendência de neutralidade climática e a não caracterização de um fenômeno La Niña, o cenário climático é favorável para a próxima safra de verão 2020/2021 nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste (Matopiba).

"O plantio da temporada de verão 2020/2021 não deverá atrasar no Brasil.... As chuvas retornam gradualmente entre outubro e novembro deste ano", disse Carlos Cogo em relatório.

China precisa de "explosão" de compras dos EUA para cumprir meta agrícola

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PEQUIM/CHICAGO (Reuters) - Após quase sete meses, uma ambiciosa meta de 36,5 bilhões de dólares definida pela China para importações de produtos agrícolas dos Estados Unidos neste ano pode não estar totalmente fora de alcance, (embora pareça um enorme desafio).

Até o final de maio, as importações estavam abaixo dos níveis de 2017, por isso analistas acreditam que o desafio pode ser grande demais se considerados ainda a rápida deterioração nas relações entre EUA e China, uma eleição se aproximando nos EUA, uma pandemia global e dúvidas sobre a real necessidade da China por importações de soja.

Pequim e Washington fecharam um acordo comercial de Fase 1 em janeiro, após dois anos de tensão e uma forte queda nas importações da China, um dos principais compradores de produtos agrícolas norte-americanos.

Chineses têm aumentado neste ano as compras de uma série de bens agrícolas, registrando negócios recordes para importação de milho e carne, o que gera algum otimismo.

OLHO NA SOJA

As chances de atingir a meta ficarão mais claras nos próximos meses. A soja é responsável por cerca de metade das importações agrícolas da China junto aos EUA e a grande maioria das compras ocorre nos últimos três meses do ano, com uma redução nos suprimentos do Brasil, maior produtor.

Após um início lento, os importadores chineses registraram mais de 2,5 bilhões de dólares em compras de soja nos EUA nas últimas oito semanas.

"Podemos estar à beira de realmente começar a aumentar as vendas para a China. Acho que você começará a ver essas grandes vendas de soja acontecendo bem em breve, porque o Brasil já vendeu quase tudo", disse John Baize, presidente de consultoria John C. Baize & Associados.

Não está claro, no entanto, se a China manterá seu apetite nos próximos cinco meses depois que suas processadoras de soja adquiriram volumes recordes do Brasil.

A demanda também dependerá da recuperação da China da peste suína africana, que matou centenas de milhões de porcos, reduzindo a necessidade de ração.

Para que a soja represente metade da meta de 36,5 bilhões de dólares, compradores chineses teriam que adquirir 2,8 bilhões de dólares por mês de julho a dezembro, segundo cálculos da Reuters.

Tal ritmo de compras mensais nunca se sustentou por mais de dois meses consecutivos e só foi registrado no quarto trimestre, sendo a ocasião mais recente em 2016.

Preços de commodities em queda devido à pandemia de coronavírus ainda representam uma dificuldade adicional, uma vez que o acordo está atrelado ao valor das importações. Os preços da soja em Chicago neste ano estão em média 10% abaixo dos registrados em 2016.

VONTADE POLÍTICA

A China pode não violar o pacto comercial mesmo sem cumprir a meta, devido ao impacto do coronavírus. O acordo concede flexibilidade no caso de "um desastre natural ou outro evento imprevisível".

Ao mesmo tempo, a política entrará em jogo.

Com as relações bilaterais entre EUA e China enfrentando turbulência, os chineses podem querer evitar se tornar um alvo maior de críticas do presidente norte-americano Donald Trump durante a campanha eleitoral dos EUA.

Os volumes finais das compras de soja na China provavelmente dependerão da uma decisão de Pequim sobre reabastecer ou não estoques do governo.

Em geral, a China normalmente demanda de 7 milhões a 8 milhões de toneladas por mês de soja, observou um processador de soja no nordeste da China.

"Seria uma história diferente se os grãos fossem para reservas estatais", disse ele.

Fontes chinesas disseram que a China vai querer evitar se possível os danos à reputação associados ao não cumprimento das metas.

"Vamos morder os dentes e implementar o acordo comercial. Caso contrário, não pareceremos bem no cenário internacional", disse um gerente comercial de uma empresa estatal.

 

 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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