USDA informa mais vendas de soja para a China e total na semana passa de 1,2 milhão de t

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou novas vendas de soja nesta quarta-feira (12), as quais totalizaram 378 mil toneladas, sendo todo volume da safra 2020/21. Foram 258 mil toneladas para a China e 120 mil para destinos não revelados e, mais uma vez, o mercado acredita que sejam compras da nação asiática.
Este já é o terceiro anúncio da semana e as vendas norte-americanas, somente de acordo com os anúncios oficiais diários do USDA, já totalizam 1,209 milhão de toneladas. A demanda chinesa segue muito frequente no mercado dos EUA, todavia, ainda acontecendo em volumes tímidos e distantes dos necessários para complementar o abastecimento do país e para alcançar as metas definidas na fase um do acordo entre China e EUA em 15 de janeiro.
Uma notícia trazida pela agência internacional de notícias Bloomberg afirma que o país asiático estaria fazendo washout de compras feitas há meses no Brasil e 'trocando' por mercadoria norte-americana dada a vantagem do preço.
"Os traders estão fazendo washouts com as compras brasileiras feitas no início do ano, à medida em que a diferença de preços em relação às ofertas americanas aumentou, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque a informação é privada", informa a Bloomberg.

Gráfico mostra as diferenças de preços da soja no porto de Paranaguá (linha vermelha) e no Golfo americano (linha preta) Fontes: Bloomberg e Commodity 3
De todo modo, mesmo que o movimento esteja acontecendo não muda a atual realidade do mercado, como explica o diretor do SIMConsult, Liones Severo. "É certo que soja velha do Brasil e muito mais cara que a americana porque aqui não tem mais. Assim, pode estar havendo washout, mas não o suficiente para cobrir o déficit do mercado brasileiro. Fica muito caro pelo custo do desvio dos navios", diz Severo.
E como complementa o analista de mercado Marcos Araújo, da Agrinvest Commodities, "o Brasil não vende mais soja para 2020 para a China, temos apenas valores nominais. A partir de fevereiro de 2021 é quando voltamos a ser mais competitivos que os EUA". Ainda de acordo com os cálculos da Agrinvest, a China precisa de toda a soja que importou até este momento para estar bem abastecida. "Brasil exportando 82 milhões de toneladas, sendo 80% para a China são 65,60 millhões de toneladas, faltam 34,40 milhões das 100 milhões esperadas. A Argentina exporta de 8 a 10 milhões e, clar, não é 100% para os chineses. Restam EUA, Canadá e Ucrânia, mas pouca coisa. E o Paraguai não vende pra China", explica Araújo.
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