Soja acumula alta de mais de 1% na semana em Chicago e preços superam R$ 160 no interior do BR

Nesta sexta-feira (16), os futuros da soja intensificaram suas baixas e encerraram o pregão com perdas consideráveis, de 5,75 a 12,25 pontos nos principais vencimentos. O mercado veio realizando lucros nesta última sessão da semana, depois de dias de movimentações também bastante intensas.
Assim, com um comportamento técnico de correção de posições e realizações de lucros, como já vinha sendo esperada pelos traders. A demanda forte pela oleaginosa norte-americana e as preocupações com o início do plantio braisleiro são fundamentos importantes, porém, já conhecidos pelo mercado.
O importante agora, ainda de acordo com os especialistas, é entender como tais cenários irão se desenvolver daqui em diante, e as previsões indicando algumas chuvas melhores nos próximos dias, especialmente na última semana de outubro, por exemplo, pesaram parcialmente sobre as cotações nesta sexta e ajudaram na realização de lucros e no ajuste de posições.
Afinal, o recuo veio mesmo diante de boas informações de demanda nesta sexta. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou novas vendas de soja e o reporte semanal de vendas para exportação dos EUA trouxe um volume acima do esperado pelo mercado com mais de 2,6 milhões de toneladas.
Em todo o ano comercial 2020/21, os EUA já comprometeram impressionantes 43,235,3 milhões de toneladas de soja, contra pouco mais de 147,8 milhões no mesmo período do ano anterior, um aumento de 142% na comparação anual.
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E apesar das baixas desta sexta, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago acumulam alta na semana. O contrato novembro/20 subiu 1,65% de US$ 10,33 na segunda-feira (12) para US$ 10,50, enquanto o maio/21 - referência importante para a nova safra brasileira - foi de US$ 10,24 para US$ 10,33, com ganho de 0,88%. O movimento confirmou as força dos fundamentos.
Os gráficos abaixo mostram o comportamento de ambos vencimentos, que vêm avançando de forma considerável nos últimos meses, encontrando seu principal combustível na demanda fortalecida, enquanto o cenário de oferta é bastante ajustada.


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MERCADO BRASILEIRO
No Brasil, semana mais curta, de negócios pontuais e os produtores à espera das chuvas melhores, que possam viabilizar o avanço do plantio de forma mais consistente. Novos fechamentos são evitados já que a nova safra brasileira já está perto de 50% comprometida com a comercialização.
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"Não há muitos vendedores porque os produtores seguem plantando forte e agora sim com mais chuvas sobre as plantações. As precipitações chegaram em boa parte das regiões produtoras e, desta forma, melhoram o quadro do solo, que tem umidade. Assim, os próximos dias deverão ser de um quadro mais positivo para os produtores e poucos negócios sendo comentados", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting.
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Da safra velha, há pouco mais de 5% ainda para ser comercializado, o que continua alimentando um avanço dos preços no interior do país, que passam de R$ 160,00 em algumas regiões, como em Ponta Grossa, no Paraná, e Sorriso, em Mato Grosso, onde a referência do disponível fechou a sexta-feira com R$ 163,00 por saca.
Nos portos, as cotações permanecem na casa dos R$ 150,00 para a soja disponível, enquanto as refências para fevereiro do ano que vem estão ainda próximas dos R$ 130,00, dando chances de valores melhores a depender dos prazos de entrega e pagamento.
O quadro de oferta e demanda se alinha ainda ao dólar frente ao real para resultar em preços tão elevados como os que vêm sendo registrados no mercado nacional. Nesta sexta, a moeda americana fechou com R$ 5,65 e mais uma vez em alta, dessa vez de 0,36%.

Volatilidade deverá ser o nome do jogo para o mercado cambial no Brasil, conforme explica bem o economista chefe da Necton, André Perfeito, ao Notícias Agrícolas em entrevista nesta quinta-feira (15), quando o dólar voltou aos R$ 5,60. A projeção do especialista é de que a divisa chegue ao final de 2020 em R$ 6,00 e afirma ainda que a continuidade da desvalorização do real que pode continuar nos próximos meses está bastante atrelada à cena interna.
"Existe um nível de aversão à moeda do Brasil que é muito grande que é derivada por um nível de taxa de juro que é incompatível com o nível de risco do país. Estamos com uma taxa de juro real negativa, então o real não remunera suficientemente bem vis a vis o risco que o próprio mercado entende. Então, não tem segredo. Se o preço é determinado pelo mercado, isso vai se traduzir, necessariamente, em um jogo de depreciação do real", diz.
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