Boletim CNA mostra que setor sucroenergético é contra renovação da isenção de cota para importação de etanol

Publicado em 08/09/2020 09:23 124 exibições

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou nota em que mostra seu posicionamento contrário à renovação da isenção da cota de importação do etanol. A entidade avalia que o setor sucroenergético precisa se reestruturar após o forte impacto causado no início da pandemia.

Este é um dos destaques do boletim semanal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que analisou o comportamento do agro frente à Covid-19 no período de 31 de agosto a 4 de setembro.

Com o fim da isenção, em 31 de agosto passado, todo o etanol vendido ao Brasil passou a pagar uma tarifa padrão de importação de 20%. Anteriormente, havia uma cota de 750 milhões de litros isenta desta alíquota.

Os Estados Unidos são os principais interessados na manutenção da tarifa zerada. Entretanto, na avaliação da CNA, a continuidade das negociações deve ser atrelada à reciprocidade dos norte-americanos na retirada da tarifa de importação do açúcar brasileiro pelos Estados Unidos.

Independentemente das discussões com os EUA, as exportações brasileiras de açúcar continuam em alta. Em agosto, o Brasil exportou 3,47 milhões de toneladas de açúcar, 118% a mais que o volume embarcado em igual período de 2019.

Na fruticultura, o aumento do número de voos internacionais contribuiu para a retomada das exportações. Em agosto, foram embarcadas 54 mil toneladas, 27,8% a mais que o mesmo mês de 2019.

No dia 31 de agosto, a China divulgou uma lista com 51 países liberados para viajar para o país asiático, com uma série de restrições. Segundo o cronograma, o Brasil estará liberado a partir de 7 de setembro.

Hortaliças, frutas e flores

Em Mato Grosso do Sul, após o sucesso da primeira Feira Segura realizada em agosto no município de Três Lagoas, o evento deve se tornar rotineiro. O estado pretende expandir o modelo proposto pelo Sistema CNA/Senar, realizando três novas feiras nas próximas semanas.

A retomada dos pontos de comercialização em todo o país tem estimulado a recuperação da demanda por frutas e hortaliças. Estima-se que a demanda dos fast foods por hortaliças em agosto já se aproxima de 65% do observado no mesmo período do ano passado.

Esse comportamento tem sido verificado também nos principais países importadores de frutas que, além da flexibilização, sinalizam a intensificação da demanda na busca por produtos saudáveis pelos consumidores. Além disso, o aumento do número de voos internacionais contribuiu para a retomada das exportações de frutas, que embarcou 54 mil toneladas em agosto de 2020, 27,8% a mais que o mesmo mês de 2019.

A adoção intensa de protocolos de prevenção de contaminação de trabalhadores no campo tem permitido a manutenção das atividades. Com isso, espera-se um aumento no volume ofertado de frutas como melão, uva e manga em setembro.

No caso da laranja de mesa para o mercado interno, a oferta apresenta-se limitada na última semana. Frente à boa demanda pelas frutas ricas em vitamina C, os preços têm sido atrativos ao produtor. Para as próximas semanas, a expectativa é de ampliação na oferta em função da colheita das frutas tardias de segunda florada.

Flores

O setor de flores de vaso e folhagens tem conseguido bons preços devido à oferta justa dos produtos. Já os produtores de flores de corte apresentam leve recuperação nas vendas com a maior flexibilização na mobilidade e no comércio, mas ainda encontram-se distante da normalidade.

Sucroenergético

A semana foi movimentada por decisões relacionadas ao comércio internacional. O Brasil decidiu retirar a isenção da tarifa de importação para a cota de 750 milhões de litros de etanol. As compras do biocombustível no mercado internacional, fora do Mercosul, voltaram a ser tarifadas em 20%. As importações realizadas no mês de setembro já estarão submetidas ao novo regime tarifário e afeta principalmente os Estados Unidos, que utiliza o benefício.

O setor sucroenergético rejeitou a proposta do Ministério das Relações Exteriores para a prorrogação, por mais trinta dias, da isenção fiscal da cota dada para o etanol importado dos EUA. Para o setor, a continuidade das negociações deve ser atrelada a reciprocidade dos EUA no tratamento para o açúcar. A retirada da tarifa de importação americana sobre o açúcar brasileiro seria moeda de troca.

Independente das negociações com os EUA, a exportação brasileira de açúcar continua em alta. Em agosto, o Brasil exportou 3,47 milhões de toneladas de açúcar, 118% a mais que o volume embarcado em igual período de 2019.

O etanol começa a apresentar sinais de melhora no mercado interno e também mantém as comercializações em alta. O volume de etanol hidratado comercializado em agosto foi 20,6% superior em comparação com julho.

Apesar de ser um volume 12,7% inferior ao comercializado no mesmo período de 2019, o setor já vê a recuperação como positiva. A ampliação é resultado da flexibilização da quarentena em diversas regiões do País e da melhor relação na paridade com o preço da gasolina, elevando o consumo de etanol.

Quanto ao mercado de Créditos de Descarbonização (CBios), segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) o volume colocado no mercado chegou a 7,8 milhões, próximo a 55% da meta estabelecida para este ano, dentro das diretrizes do RenovaBio.

Grãos

A colheita da safrinha de milho 2020 atinge 93,6% da área estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 13,74 milhões de hectares. A média de colheita dos últimos cinco anos para o período é de 96,3%.

A exportação de milho cresceu 56% em agosto em relação a julho, totalizando 6,48 milhões de toneladas, mas fecha o mês com um volume 7% menor ao do mesmo período de 2019. Influenciado pela valorização do dólar, o preço por tonelada obtido registrou queda de 4,93%, saindo dos US$ 170,2 em 2019 para US$ 161,8 neste mês de agosto.

Já no mercado brasileiro, o preço do milho passou por pressão baixista na semana, com queda no dólar e compradores mais afastados. O indicador Cepea/Esalq fechou próximo aos R$ 60,00/sc.

No caso da soja, a demanda da China tem tido forte influência no avanço dos preços na Bolsa de Chicago, que acumulam pregões consecutivos de alta. No ambiente doméstico, os negócios têm sido pontuais e limitados aos elevados percentuais de vendas antecipadas. A oferta controlada sustenta os preços firmes. As referências seguem acima dos R$ 130,00/saca para o produto disponível.

Café

Com os aumentos dos custos de produção impulsionados pela valorização do dólar frente ao Real, as federações estaduais buscam alternativas para a redução de custo dos produtores. Em Minas Gerais, com o apoio do Sistema Faemg/Senar, cafeicultores atendidos pelo programa AgroNordeste e pelo Senar Minas economizaram até 26% na compra de fertilizantes pela compra coletiva. A iniciativa deve ser ampliada para outros produtores e insumos.

Em Rondônia, iniciativa similar tem sido discutida pela CNA e pelo Sistema Faperon/Senar, em que os produtores devem utilizar sistema de leilão eletrônico para aquisição de fertilizantes.

Com a safra de café em 2020 praticamente concluída (95%), o mercado já volta a atenção para a safra de 2021. Em Rondônia, se verificam floradas expressivas nos cafezais de conilon e as primeiras floradas também já surgem no Espírito Santo. E algumas lavouras de arábica em Minas Gerais começam a registrar floradas pontuais.

Em relação ao mercado global, em seu relatório de agosto, a Organização Internacional do Café (OIC) faz a revisão das estimativas para a Safra 2019/2020. Em seu balanço de oferta e demanda, a Organização aponta um superávit de 952 mil sacas. No mês anterior, a estimativa era de um déficit global de 486 mil sacas.

A oferta mundial restrita e o otimismo quanto à recuperação da demanda por café segue influenciando os preços. O indicador Cepea/Esalq do arábica foi cotado acima de R$ 610,00 esta semana. A expectativa de uma safra menor de robusta no Vietnã tem contribuído para sustentar os preços do conilon.

Aves e suínos

Com o início do ajuste entre oferta e demanda, o preço do frango vivo no interior de São Paulo se manteve praticamente estável na primeira semana de setembro, cotado a R$3,95. Como no início da pandemia houve redução temporária de oferta por falta de demanda, causada principalmente, pelo fechamento do food service, o volume de animais terminados deve permanecer apertado até o final do ano, quando a reposição de matrizes começará a surtir efeito.

No mercado de ovos, houve leve aumento na demanda pela chegada dos salários comum ao início de mês, o que refletiu no preço pago ao produtor. A alta foi de R$2,00 por caixa de 12 dúzias, cotado a R$76,00 no mercado referência de Bastos (SP). Em termos gerais, a situação para o produtor de ovos permanece crítica, pois a relação de troca em relação ao milho e farelo de soja não está favorável. Ou seja, o produtor tem que vender mais ovos para conseguir comprar determinada quantidade de insumos para alimentação dos animais.

Na suinocultura, o aumento da demanda e a baixa oferta de animais prontos para o abate segue refletindo nas principais bolsas estaduais, que fecharam em alta em Santa Catarina (2,8%), São Paulo (9,4%) e Minas Gerais (5,12). No Paraná, a bolsa fechou em queda de 2%, enquanto no Rio Grande do Sul a base de preços para a próxima semana permanece estável.

Lácteos

A baixa disponibilidade da matéria prima no campo, devido ao período da entressafra, e o aumento do consumo dos produtos lácteos, fizeram com que o preço do leite pago ao produtor em agosto tivesse alta de 10,5% em relação ao mês de julho, sendo cotado a R$ 1,94/l (Cepea/Esalq). No entanto, a redução de 1,5% na negociação do leite spot para a primeira quinzena de setembro e a estabilidade de preços do leite UHT e queijo muçarela esta semana indicam que o mercado encontrou um limite nos valores de negociação dos derivados lácteos.

Boi Gordo

No mercado futuro, o contrato do boi gordo com vencimento em outubro registrou a máxima em R$247,40/@, alta justificada pela atual conjuntura de reduzida disponibilidade de animais prontos para o abate e alongamento das escalas dos frigoríficos.

Pescado

Em 1º de setembro se iniciou a “Semana do Pescado” e a expectativa do setor é de aumento da demanda durante a semana. O feriado de 7 de setembro tende a ampliar o movimento em hotéis e restaurantes, contribuindo também para a recuperação do consumo de pescado, mesmo que pontualmente.

Cenário Internacional

União Europeia

- A imprensa local da Áustria divulgou estatísticas oficiais sobre a diminuição do consumo médio de carne per capita no país. Em 2019, o consumo passou a ser de 62,6kg, contra 63,6kg no ano anterior. No caso das carnes bovina e suína, a queda segue tendência observada desde 1995, enquanto o consumo de carnes de aves tem registrado crescimento. Supõe-se que a queda do consumo doméstico de carnes bovinas e suínas e a perda de mercado na UE têm pressionado severamente os produtores austríacos, que temem as consequências da falha na negociação de um acordo comercial entre a UE e o Reino Unido no pós-Brexit, que poderia significar um aumento da oferta de carne irlandesa no espaço comunitário. Ademais, a baixa competitividade da agropecuária austríaca como um todo, altamente dependente de subsídios, compõe o cenário contra o qual os produtores rurais, e o governo, se opõem energeticamente à aprovação do acordo com o Mercosul (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE);

- A Comissão Europeia lançou uma consulta pública sobre o seu futuro Plano de Ação para Agricultura Orgânica. Este setor desempenhará importante papel na concretização do “Green Deal” e na composição dos objetivos definidos na estratégia “Farm to Fork”. O futuro Plano para Agricultura Orgânica, com adoção prevista no início de 2021, tem como objetivo dedicar 25% das terras agrícolas exclusivamente para a agricultura orgânica (European Union, 3 de setembro de 2020).

Estados Unidos

- O USDA divulgou um relatório detalhando o plano do governo para apoiar os produtores americanos de frutas e verduras sazonais sob a ameaça representada pelo aumento das importações estrangeiras dos mesmos. Assim o Departamento de Agricultura irá:

• Aumentar o alcance direcionado aos produtores de frutas e vegetais sazonais para maximizar o uso dos programas existentes do Departamento de Agricultura;

• Desenvolver uma estratégia de promoção de mercado para produtos produzidos internamente;

• Iniciar conversas com parceiros federais relevantes para entender melhor até que ponto as importações dos referidos produtos são utilizadas de forma que venham a prejudicar a produtor local (USDA, 1º de setembro de 2020).

Argentina

- O Ministério da Agricultura da Argentina registrou um aumento de 2.325% nas exportações de carne bovina aos Estados Unidos entre janeiro e julho deste ano, em comparação ao mesmo período do ano de 2019. O ministro da Agricultura, Luis Basterra, destacou o trabalho conjunto entre produtores pecuários, cadeia frigorífica e Senasa para aumentar as vendas de carne bovina ao exterior e, ao mesmo tempo, abastecer o mercado interno durante a pandemia do Covid-19. Segundo o relatório de agosto de 2020, do Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentino, os EUA são o quarto principal destino das exportações de carne Argentina, absorvendo 4,2% das vendas locais do produto. Considerando-se apenas o mês de julho de 2020, os EUA foram o segundo principal destino, adquirindo 5.689 toneladas (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE);

- Após dez anos, a Argentina anunciou em julho deste ano a retomada das exportações de carnes e miúdos bovinos refrigerados e congelados para a Malásia. No dia 21 de agosto, foram enviados para o país asiático 2 toneladas de cortes refrigerados. Os embarques haviam sido interrompidos em 2010 devido às modificações na normativa da Malásia para a certificação halal, passando a exigir dupla certificação, sanitária e halal (Divisão de Promoção do Agronegócio-II (DPA-II) – MRE).

China

- No dia 31 de agosto, foi divulgada uma lista com 51 países liberados para viajar para a China. Segundo a programação prevista, o Brasil estará liberado a partir de 7 de setembro. De acordo com a Administração de Aviação Civil da China (CAAC), GACC e o Ministério das Relações Exteriores da China, todos os visitantes que entrarem no país devem obedecer aos seguintes pré-requisitos:

• Os passageiros chineses e estrangeiros com destino à China devem realizar os testes de ácido nucleico dentro de 5 dias antes do embarque. Os testes devem ser realizados nos institutos designados ou reconhecidos pelas embaixadas ou consulados chineses locais;

• Passageiros chineses são obrigados a inserir foto dos resultados negativos dos testes no programa de saúde do aplicativo WeChat;

• Passageiros estrangeiros devem solicitar à Embaixada ou Consulado da China a Declaração de Saúde com prova de resultados negativos dos testes;

• As companhias aéreas são responsáveis por verificar os códigos QR de saúde dos passageiros chineses e as Declarações de Saúde antes do embarque;

• Todos os visitantes que entrarão na China devem ficar em quarentena por 14 dias (Escritório da CNA em Xangai, 31 de agosto de 2020).

FAO

- Os preços globais dos alimentos subiram pelo terceiro mês consecutivo em agosto, influenciados por uma demanda mais firme e um dólar americano mais fraco, de acordo com relatório divulgado pela FAO. O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha os preços internacionais das commodities alimentares mais comercializadas, teve média de 96,1 pontos em agosto, 2% acima do mês anterior e atingindo seu nível mais alto desde fevereiro de 2020 (FAO, 3 de setembro de 2020).

OCDE

- De acordo com um novo relatório da OCDE, os países responderam de forma decisiva à crise da Covid-19, mas irão enfrentar desafios fiscais significativos pela frente. O relatório “Reformas de política tributária de 2020”, identifica as principais tendências da política tributária adotada antes da pandemia e faz um balanço dos impostos/tarifas e medidas fiscais mais amplas introduzidas pelos países da OCDE em resposta à pandemia, desde seu surto até junho de 2020. O relatório indica que a maioria dos países adotou uma abordagem em fases para a Covid-19, adaptando gradualmente seus pacotes fiscais à medida que a crise se desenrolava. As respostas iniciais dos governos se concentram em fornecer suporte de renda às famílias e liquidez às empresas. As medidas e discussões mais recentes sugerem que a fase de recuperação será apoiada por uma política fiscal expansionista em vários países. Ainda segundo o relatório, com os países enfrentando níveis tão altos de incerteza, a agilidade das políticas será fundamental e as medidas de apoio direcionadas devem ser mantidas o tempo que for necessário para evitar efeitos colaterais (OCDE, 3 de setembro de 2020). 

Fonte:
CNA

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