Acordo inédito com MPT aperfeiçoa o processo de certificação social no setor da cana
A Bonsucro Limited, organização com sede em Londres, Inglaterra, responsável pela certificação social de empresas produtoras de açúcar e etanol, celebrou um acordo judicial com o Ministério Público do Trabalho (MPT), pelo qual se comprometeu a aperfeiçoar o seu protocolo de auditoria, incluindo uma análise mais aprofundada da conduta trabalhista das empresas interessadas na certificação. As mudanças devem ser oficialmente publicadas até 31 de dezembro, e os organismos certificadores têm um prazo de 6 meses após a publicação oficial para implementar o novo protocolo no Brasil.
A conciliação, já homologada pelo juízo da 1ª Vara do Trabalho de Araraquara, prevê a análise de documentos sobre processos judiciais coletivos em curso ou que tenham transitado em julgado nos últimos 4 anos, além de autos de infração aplicados pela Auditoria Fiscal do Trabalho, que apontem o descumprimento da legislação trabalhista em casos de trabalho análogo ao de escravo, trabalho infantil, condutas antissindicais e saúde e segurança do trabalho.
O acordo também prevê que os organismos de certificação devem consultar, por meio de entrevistas ou questionários, representantes sindicais sobre a conduta trabalhista da empresa interessada na certificação. As mudanças anuídas no acordo valem para as auditorias de certificações iniciais (Certification Protocol V6) e para as auditorias periódicas de controle (Surveillance), bem como recertificações.
Caso descumpra o acordo, a Bonsucro pagará multa de R$ 10 mil por obrigação e por ocorrência.
Histórico - No ano passado, o procurador Rafael de Araújo Gomes, do MPT em Araraquara, ajuizou ação civil pública contra a Bonsucro Limited, uma associação cujos associados são compostos por empresas do agronegócio de diversas partes do mundo, além de importadores e exportadores de açúcar e etanol e grandes usuários finais das matérias-primas, como a Coca-Cola e a Nestlé.
A Bonsucro é uma das principais certificadoras de responsabilidade socioambiental do setor da cana-de-açúcar do mundo, sendo uma das certificações reconhecidas pela União Europeia, para fins de venda do biocombustível aos países europeus, principal mercado importador do etanol brasileiro.
Segundo o protocolo de auditoria proposto pela Bonsucro, o produto deve ser produzido com atendimento a certos critérios de sustentabilidade previstos em normas legais. Parte desses critérios diz respeito à sustentabilidade ambiental (ambiente natural), e outros possuem viés trabalhista, tais como a exigência de observância das Convenções da Organização Internacional do Trabalho sobre liberdade sindical e negociação coletiva, além da proibição da exploração do trabalho escravo e trabalho infantil.
A investigação realizada pelo Ministério Público do Trabalho demonstrou que o procedimento de auditoria realizado pela Bonsucro apresentava certas falhas, pois não bem aferia a existência de algumas infrações trabalhistas às quais se dedicava apurar.
“A importância das certificações socioambientais cresce em todo o mundo, dada a preocupação com o consumo consciente e com a sustentabilidade nas cadeias produtivas. Para que sejam instrumentos seguros e confiáveis, é indispensável que tais mecanismos realmente se refiram e investiguem a realidade existente, evitando que sejam reconhecidas, sem a prévia regularização, empresas envolvidas em sérias violações a direitos humanos”, afirmou o procurador Rafael de Araújo Gomes.
0 comentário
Feplana cobra avanço da LOA e alerta para crise na cana em PE
Açúcar fecha em queda nesta 5ªfeira nas principais bolsas pressionado por produção na Índia
Antes de deixar Meio Ambiente, Marina Silva afirma que biocombustíveis são alternativa diante do conflito no Oriente Médio
Índia tem segundo déficit de açúcar consecutivo com fechamento antecipado de usinas
Setor sucroenergético avalia efeitos da Reforma Tributária sobre insumos, produção e comercialização
Cana Summit debate futuro da canavicultura com foco em mercado, etanol e geopolítica