Tereos projeta moagem de cana estável no Brasil em 2026/27 apesar de venda de unidade
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SÃO PAULO, 15 Abr (Reuters) - A francesa Tereos, uma das maiores produtoras de açúcar do Brasil, deverá processar 18 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na temporada 2026/27, volume estável em relação ao ciclo anterior, apesar de a companhia ter anunciado em janeiro a venda de uma de suas unidades.
A informação do volume estimado para a moagem consta de divulgação da empresa feita nesta quarta-feira, anunciando o início do processamento da cana do ciclo 2026/27, iniciado oficialmente em 1º de abril no centro-sul.
Ainda que tenha vendido a unidade Andrade, na região de Ribeirão Preto, a Tereos segue como uma das maiores empresas do setor no país, contando com seis unidades no Estado de São Paulo, das quais uma está hibernada.
"Para reforçar sua competitividade, a companhia consolidou sua operação em cinco unidades industriais, localizadas no noroeste do Estado de São Paulo. A reorganização do modelo operacional garante maior otimização das operações agrícolas, industriais e logísticas, além do fortalecimento de sua estrutura de capital", afirmou o comunicado.
A Tereos costuma ter um "mix" mais açucareiro do que a média do mercado para suas unidades. A companhia não divulgou qual será a destinação de cana para a fabricação do adoçante e do etanol.
O mercado de açúcar bruto opera próximo aos menores níveis em cinco anos na bolsa de Nova York, referência global, levando muitas empresas a programarem um "mix" mais alcooleiro em uma safra em que se espera também recuperação de produtividades agrícolas.
"Mesmo em um contexto desafiador, marcado pela tendência de preços baixos no mercado de açúcar, iniciamos a safra 26/27 confiantes em nossa capacidade de entregar resultados sólidos e agregar valor ao negócio", disse Pierre Santoul, diretor-presidente da Tereos Brasil, em nota.
A Tereos também disse também que investiu em um "planejamento agrícola estruturado para enfrentar a maior variabilidade climática e reduzir os impactos de períodos de estiagem".
A companhia informou ainda ter realizado a renovação de "parte significativa" de sua frota agrícola para a safra 26/27, com a aquisição de 23 tratores e 11 colhedoras em suas unidades, visando assegurar que os ativos operem dentro da melhor janela econômica e técnica, reduzindo falhas.
Outra iniciativa na safra 2026/27 é a incorporação da Torre de Tratos ao Centro de Operações Agroindustriais. Com essa integração, informações capturadas diretamente dos equipamentos agrícolas, como mapas de aplicação, velocidade e tempo de motor ocioso, passam a alimentar análises estratégicas em tempo real, melhorando a eficiência, disse a empresa.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)
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