Sindicato do RS questiona participação de Zezé di Camargo e Luciano na gravação do samba enredo da Imperatriz Leopoldinense

Publicado em 05/01/2017 13:06 e atualizado em 05/01/2017 16:19
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Sindicato do RS é um dos primeiros do país a se manifestar publicamente sobre o samba enredo da escola do Rio que coloca produtor rural como vilão
Confira a entrevista de Tarso Teixeira - Pres. Sind. Rural de São Gabriel/RS

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Sindicato do RS é o primeiro do país a se manifestar publicamente sobre o Samba enredo da escola de Samba do Rio que coloca produtor rural como vilão

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Uma polêmica está sendo discutida pelos produtores e setores do agronegócio. O tema "Xingu, o Clamor da Floresta", que será apresentado pela escola de samba Imperatriz Leopoldinense no Carnaval deste ano no Rio de Janeiro, traz uma crítica ao setor produtivo em seu enredo e em algumas alas a serem representadas durante o desfile.

O presidente do Sindicato Rural de São Gabriel (RS), Tarso Teixeira, publicou uma carta aberta, como forma de mostrar a todo o setor produtivo o porquê da necessidade de se posicionar contra o tema a ser apresentado.

Ele destaca que o agronegócio é o segmento econômico que mais traz resultados para o país nos dias de hoje. Logo, o maior evento turístico do Brasil, para ele, realiza um desserviço ao tentar denegrir a imagem do agronegócio na Sapucaí e também do produtor rural, que ele descreve como "o herói esquecido do país".

Teixeira lembra ainda que "o produtor rural é um ecologista nato" e que sofre com muitos problemas: enquanto são produtores em acordo com o século em que vivem, a logística parece "do século 19", como ele descreve. A dificuldade para plantar, os portos precários e também as invasões de terra por parte de movimentos sociais e povos indígenas são alguns dos elementos criticados por ele.

A crítica também é dirigida à dupla Zezé di Camargo e Luciano, que foi anunciada como parte dos puxadores de samba oficiais da escola neste ano, após serem homenageados no desfile anterior. Ele lembra que Zezé di Camargo é produtor rural e que, em sua opinião, colabora para manchar a imagem dos produtores.

A situação, para o presidente, não leva em conta que o agronegócio ocupa apenas 8% do território nacional. Ele lembra também que o Sul do Brasil abastece grande parte do país com a sua produção de arroz e que, nos últimos anos, aumentou a produtividade sem aumentar área - apenas com tecnologia e melhorias ao meio ambiente.

Com isso, ele também critica outras dificuldades enfrentadas no momento, como o combustível com altos preços, assim como os insumos. "Os custos de produção são altos e o preço de venda é baixo", destaca. "Seria muito bom um desfile que enaltecesse o produtor rural e não denegrisse a imagem que ele carrega".

Por fim, ele também destaca que toda a expansão do agronegócio em território brasileiro está regulamentada por um Código Florestal que foi amplamente discutido e que é "o mais amplo que existe no mundo".

Leia a carta completa divulgada pelo Sindicato rural de Sâo Gabriel-RS

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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