Soja: Demanda é forte nos EUA, mas pressão da oferta pode levar preços a patamares menores pontualmente

Publicado em 04/09/2018 16:00
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Compradores extra China estão focados no produto norte-americano, os quais são os mais competitivos do mundo neste momento. Ainda assim, preocupação com guerra comercial continua nos EUA. Brasil se mantém como principal alternativa de fornecimento.
Jack Scoville - Analista da Price Futures Group

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Entrevista com Jack Scoville - Analista da Price Futures Group

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China substituirá soja dos EUA por produto do Brasil e outros países, diz executivo da Jiusan

HARBIN, China (Reuters) - A China substituirá quase inteiramente suas importações de soja dos Estados Unidos por grãos brasileiros e de outras origens na próxima temporada, mas poderá ficar sem a oleaginosa no início de 2019, disse um executivo de uma grande esmagadora nesta terça-feira.

A previsão da empresa é uma das mais pessimistas sobre o impacto da guerra comercial entre Washington em Pequim para os agricultores norte-americanos.

As importações dos Estados Unidos, que normalmente ocupam o segundo lugar entre os maiores fornecedores da China, vão cair para apenas 700 mil toneladas na temporada 2018/19 a partir deste mês, disse Guo Yanchao, vice-presidente do Jiusan Group.

Isso se compara a 27,85 milhões de toneladas de soja em grão importada nos EUA no ano anterior.

As importações do Brasil saltarão para 71,06 milhões de toneladas, com o restante vindo da Argentina, Canadá, Rússia e outros países, disse Guo em uma conferência do setor.

Mas os estoques podem acabar até fevereiro ou março do ano que vem, quando a oferta de soja do Brasil é limitada, disse o executivo.

EUA pagarão US$4,7 bi em auxílio aos produtores prejudicados por tarifas

CHICAGO (Reuters) - O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) informou nesta segunda-feira que o seu pacote de auxílio ao setor agrícola de 12 bilhões de dólares incluiria 4,7 bilhões de dólares em pagamentos diretos aos agricultores, para ajudar a compensar as perdas causadas pelas tarifas retalitórias sobre as exportações norte-americanas nesta temporada.

A maior parte dos pagamentos, 3,6 bilhões de dólares, seria destinada para os produtores desoja. Isso corresponde a 1,65 dólar por bushel multiplicado por 50 por cento da produção, disse o subsecretário de Produção Agrícola e Conservação, Bill Northey, em teleconferência.

A China tradicionalmente compra 60 por cento das exportações de soja dos EUA, mas têm estado fora do mercado desde a implementação de tarifas sobre as importações norte-americanas em retaliação às taxas da administração de Donald Trump sobre produtos chineses.

O pacote de auxílio, originalmente anunciado em julho, também inclui pagamentos para o sorgo de 86 centavos de dólar por bushel multiplicado por 50 por cento da produção, 1 centavo de dólar por bushel de milho, 14 centavos de dólar por bushel de trigo e 6 centavos de dólar por libra de algodão.

Os pagamentos para os criadores de suínos serão de 8 dólares por porco, multiplicados por 50 por cento da produção em 1º de agosto, disse Northey, acrescentando que produtores de laticínios também serão beneficiados.

O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, disse que o programa começará em 4 de setembro, para coincidir com a colheita de 2018. Os produtores precisarão comprovar produção atual para coletar os pagamentos, que têm limite de 125 mil dólares por pessoa.

Uma segunda rodada de pagamentos será avaliada, dependendo da necessidade.

O programa também incluirá 1,2 bilhão de dólares em compras de commodities, incluindo carne suína e laticínios, a serem distribuídas por vários meses, disseram autoridades.

Perdue disse que o programa incluirá cerca de 200 milhões de dólares para um programa de promoção comercial para desenvolver novos mercados.

O pacote foi visto como um estímulo temporário para os agricultores, já que os EUA e a China negociam questões comerciais.

Apesar de incertezas, Brasil deve plantar recorde de 36,3 mi ha de soja em 18/19, apontam analistas

Por José Roberto Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - O plantio de soja na safra 2018/19 do Brasil deve crescer pelo 12º ano seguido e atingir novo recorde, superior aos 36 milhões de hectares, em meio a uma demanda robusta e margens ainda firmes, embora uma série de incertezas deixe o setor em alerta para potenciais revisões nas estimativas já divulgadas, mostrou uma pesquisa da Reuters nesta terça-feira.

Conforme o levantamento com nove consultorias e entidades, a semeadura no maior exportador global da oleaginosa, que tem início em setembro, deve alcançar 36,28 milhões de hectares, alta de 3,2 por cento ante 2017/18.

A expansão de área nos últimos 12 anos foi de em média cerca de 5 por cento ao ano, sendo que o maior incremento se deu em 2012/13, com 10,7 por cento.

"Entre os fatores que vemos para esse novo aumento de área da soja (em 2018/19)... podemos citar os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que tem resultado em certa manutenção dos preços da soja brasileira para exportação... O câmbio também tem dado suporte aos preços da soja em reais", afirmou o analista do departamento de Pesquisa e Análise Setorial do Rabobank Brasil, Victor Ikeda.

Uma escalada de tensões entre as duas maiores economias do mundo neste ano culminou com Pequim taxando as importações de soja dos Estados Unidos, o que levou a China, maior compradora mundial da commodity, a se voltar ainda mais à oferta brasileira.

Os prêmios do produto nacional chegaram a disparar para 2 dólares por bushel, ao passo que a apreciação da moeda norte-americana ante o real tem compensado o enfraquecimento dos preços na Bolsa de Chicago (CBOT), que já caíram cerca de 7 por cento em 2018.

Mas esse mesmo dólar, com alta de quase 20 por cento neste ano, tende a puxar os custos na temporada.

"A desvalorização do real deverá elevar os custos de produção, em média, em 10 por cento para a próxima safra, com destaque para o forte aumento dos preços de fertilizantes e químicos", resumiu a consultoria Céleres, que prevê plantio de 36,2 milhões de hectares e rentabilidade operacional média de 1.191 reais por hectare em 2018/19.

"Apesar de ser menor que a rentabilidade efetiva na safra 2017/18, as margens projetadas se mostram elevadas e deverão incentivar o aumento de área por parte do produtor", ponderou.

Mesmo assim, há no radar do setor incertezas ainda capazes de jogar para baixo as perspectivas de plantio.

Enquanto o cenário eleitoral deve provocar volatilidade no câmbio nas próximas semanas, indefinições quanto aos custos com fretes, tabelados após os protestos de caminhoneiros, têm prejudicado as vendas antecipadas da safra.

"Nas últimas semanas, a comercialização da safra nova poderia ter andado um pouco mais, só que isso não aconteceu, em parte devido às incertezas em relação à situação do frete em 2019", destacou Steve Cachia, da Cerealpar.

Mais recentemente, uma decisão judicial suspendendo o registro de glifosato levantou dúvidas quanto ao uso do herbicida, presente há décadas no Brasil, na safra 2018/19 de soja.

"Entre fatores que podem levar a alterações no cenário-base que estamos considerando atualmente estão a questão do frete e a discussão sobre o uso do glifosato na próxima safra... Nesses dois casos, em caso de manutenção das medidas em vigor, há possibilidade de revisarmos os números levemente para baixo, principalmente no que se refere à projeção área", afirmou Ikeda, do Rabobank, que prevê semeadura de 36,7 milhões de toneladas.

PRODUÇÃO

Por enquanto a expectativa é de uma colheita levemente maior na comparação com 2017/18, atingindo também históricos 119,76 milhões de toneladas, aumento de 0,65 por cento.

"Em termos de produtividades, nossos primeiros números naturalmente indicam rendimentos médios inferiores aos da última safra, que foi praticamente perfeita em todo o país. Nada impede a repetição destas grandes produtividades, mas para isso o clima deverá ser novamente muito favorável. Alertamos para a possibilidade crescente do fenômeno El Niño ser confirmado no verão sul-americano", disse o consultor, Luiz Fernando Roque, da Safras & Mercado.

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Fonte:
Notícias Agrícolas/Reuters

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