'Estamos iniciando uma nova era para o Agro - a da bioeconomia e da biodiversidade', diz Paulo Hermann

Publicado em 05/09/2019 18:49 e atualizado em 06/09/2019 08:43
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Brasil não terá concorrentes na produção de alimentos nos próximos 30 anos (Entrevista com Paulo Hermann - Presidente John Deere Brasil)
Paulo Hermann - Presidente John Deere Brasil

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Entrevista com Paulo Hermann - Presidente John Deere Brasil

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Para debater sobre o futuro do agronégocio e entender as expectativas para os próximos anos do setor, o Notícias Agrícolas conversou com Paulo Hermann - Presidente John Deere Brasil, durante sua passagem pelo Roraima Agrishow 2019. Para Hermann, a Ásia será um dos grandes parceiros comerciais do Brasil nos próximos anos. Primeiro pelo poder aquisitivo e principalmente pela área populacional.

Para o especialista, o cenário indica que o Brasil terá um futuro brilhante no agronegócio nos próximos anos. Segundo ele, o Brasil não terá concorrentes na produção de alimentos nos próximos 30 anos e os produtores devem aproveitar as oportunidades que o avanço no crescimento trará para o setor. "Nós vamos combinar uma agricultora eficiente e responsável com o meio ambiente", afirma. 

Hermann acredita que para o país alcançar todos os patamares que pode oferecer, é necessário que mostre ao resto do mundo a capacidade e qualidade dos alimentos do Brasil. Segundo ele, é preciso que o país tenha uma narrativa proativa. "Normalmente nossa narrativa sempre é defensiva. Alguém aponta um problema e nós saímos defendendo ou atacando e isso não é uma maneira eficiente de se posicionar", comenta. 

O presidente defendeu ainda alguns pontos importantes que podem contribuir para a construção de uma boa narrativa, entre eles, o Código Florestal, o plantio direto e as duas safras que são plantadas do Brasil. "Nós conseguimos otimizar. Produzimos mais e economizamos terra, fazemos mais na mesma área", destaca. 

Destacou ainda que é possível continuar crescimento do agronegócio no país e cuidar das questões ambientais. "Temos que cuidar do nosso ambiente. Os 66% de território protegido tem que continuar. Temos que denunciar o desmatamento ilegal, denunciar as queimadas, jamais ser conivente com isso. Porque para dobrar tudo o que estamos fazendo, nós não precisamos derrubar uma árvore", afirma. 

 

 

 

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Por: Alexsander Horta e Virgínia Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

3 comentários

  • VINICIUS CAETANO MARTIN Curitiba - PR

    A agricultura é muito dinâmica e está em constante mudança. Recentemente acompanhei na Fazenda da Toca (que está apostando alto em agricultura Sintropica), e constatei que uma das maiores dificuldades para eles é desenvolver equipamentos para trabalhar com os cultivos agroflorestais, pois é uma tecnologia mais recente e ainda com poucas propriedades aplicando. Vai a dica para as empresas de mecanização do setor agricola --- olhar para este nicho de mercado, que é o que mais vai crescer nos proximos anos. É necessario ter esta visão de que pequenos agricultores também precisam de maquinas pequenas e que possam passar entre as linhas da agrofloresta, executar as podas...semear...colher e transportar sem compactar o solo e usar combustiveis locais. É um mercado imenso.

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Vinicius Caetano, voce pode falar das vantagens dessa agricultura (que voce denomina de sintropica e que é o que os antigos faziam, a italianada falava do tal "plantar de tudo")... No mais, existem enxadas, moto-serras de todos os tamanhos, pulverizadores costais, puxados à burro, os equipamentos estão aí no mercado, todos disponiveis o que falta pelo jeito é gente para comprar, pois essas atividades de que voce fala são trabalhosas, pouco lucrativas, e sinceramente acho dificil mudar o paradigma da especialização. Qualquer um sabe que é melhor se especializar na engorda de bois do que tentar engordar animais e produzir palanques para cerca, plantar guandu para galinhas...etc... Na teoria isso é muito lindo, na prática não é tão fácil assim ... e mesmo que alguém tenha sucesso nisso, é preciso avaliar sempre as condições em que esse sucesso foi alcançado.

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    • EDMILSON JOSE ZABOTT PALOTINA - PR

      Realmente a teoria é boa, basta ver o setor produtivo do leite que talvez tenha sido o primeiro e principal alimento do ser humano , e passar por um dos piores momentos , com tecnologia e tudo . Estes que falam esta linguagem de agricultura alternativa são os mesmos que criticam os que se alimentam de proteínas animal . Os chamados veganos, etc.....

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Tanto as ideas do Vinicius e do Rodrigo sao interessantes, seria de bom alvitre descuti-las mais a fundo para entender ate' onde podem ser compatibilizadas-----

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Por exemplo eu acho que na produçao de leite a pasto, associar silvicultura garante menos ventos, mais sombra para os animais e mais proteina na pastagem---E pode ate' ultrapassar uma agricultura familiar----Mas se misturar muitas coisas com disse o senhor Rodrigo vira uma zona,,,,,,,ou nao e'?

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Esse assunto que você comentou por último não tem nada a ver com sintropia. Aqui mesmo temos um comentarista de Sinop, do qual infelizmente não lembro o nome agora, que usou fosfato natural de Araxá para melhorar o solo em sua propriedade. Depois a fábrica parou, parece que voltou a funcionar, mas de qualquer modo concordo com isso, e sei que o ideal é a mistura entre os fertilizantes naturais com os químicos. A concordância é em relação à duração e manutenção prolongada desses corretivos. Muitos produtores preferem resultados imediatos, usando calcário com alto PRNT, calcário de peneira fina, em vez de calcários mais grossos e com menor PRNT, sendo que o segundo demora mais a reagir, porém tem o efeito muito mais prolongado e vantajoso.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Gostei disso, alias o Sr ja' falou do po' de rocha o ano retrasado... Mas eu acho que isso nada tem a ver com Sintropia...

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  • Fernando Claudino De Souza SAPEZAL - MT

    Acredito que devemos mostrar nossa agricultura dentro do pais, e assim a replicação irá acontecer por si própria. Mostrar tudo o que o Paulo Herrmann falou e mais um pouco..., cada empresa encarregada de mostrar suas tecnologias..., hoje vivemos num mercado de rivalidade entre as empresas rurais, ninguém fala com ninguém, há guerra entre irmãos, embora todos nós estamos juntos nessa caminhada.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Pobre Brasil, com uma elite dessas nem é preciso ter inimigos como Macron. Desonestidade, picaretagem ou o que? Falamos aqui que o código florestal "permite" desmatar 20% da amazonia, o que é pouco, no minimo deveria ser 50%. Mas antes quero lembrar de uma história de quando andei gauderiando em Campo Verde MT. A cidade em polvorosa, pois iam inaugurar dois aviários com um novo sistema de climatização, ventiladores poderosos e tal... Quando ligaram a porcaria dos ventiladores caiu a energia na cidade inteira, só então os "especialistas" foram perceber que não havia "força" suficiente e levaram quase um ano para solucionar o problema. Fácil gargantear que podemos dobrar a produção sem derrubar uma única árvore...para agradar quem? Para variar o assunto, vou contar do livro que comprei...como mentir com estatisticas... Para aprender a desmascarar, não para aprender a mentir. Já falei várias vezes aqui, e a empresa Jonh Dear é uma das que come da mesa do pobre brasileiro pois se estabeleceu e vive de dinheiro público a juros subsidiados. No mes de agosto, de novo em valores, a exportação de minério de ferro bateu com folga as exportações de soja em grão, São esses os fatores essenciais para análise de exportação, valor, quantidade e preço. E se formos comparar os preços de exportação, agosto com agosto do ano passado, tanto o milho como a soja cairam. Soja caiu no preço, no valor e na quantidade, enquanto o milho caiu no preço e aumentou no valor e quantidade. O fato é que estou cansado de narrativas, conversa mole, conversa prá boi dormir, Tereza Cristina e Xico Graziano...Frango, boi e suinos, todos com queda na exportação se compararmos mes a mes, agosto desse ano em relação ao ano passado. Sei por exemplo que as ações da JBS bateram o preço record histórico essa semana. A JBS aumenta as exportações, o país não. Houve aumento de preços nas 3 carnes, suina, bovina e "avina". Mas a quantidade exportada diminuiu e o valor exportado em dólares só subiu para a carne suina e mesmo assim, bem abaixo de 10% em dólares. Carne de boi e frango cairam no quesito valor dolarizado. E isso tudo aconteceu barateando muito nossos produtos aos estrangeiros e encarecendo também de forma expressiva os produtos para os brasileiros através da desvalorização cambial. Então é isso, a realidade brasileira é terrivel e não vai ser com narrativas, quaisquer tipo de narrativas, que vamos fazer o país sair do buraco. O café nem preciso falar, quando os produtores brasileiros estiverem arrebentados o preço sobe. Aliás seria ótimo se os produtores brasileiros não investissem um centavo na produção de café e usassem o dinheiro para comprar papéis em nova iorque, ganhariam muito mais do que trabalhar feito jumentos, para nada. E explico para não deixar dúvidas, se os produtores brasileiros de café não investirem a produção mundial despenca e os preços sobem ao mesmo tempo que ao comprar papéis de café vai fazer com que o preço do ativo suba. Só lembro aos amigos que o governo cobra caro esse tipo de operação, o governo é quem mais ganha com a especulação e em cima do especulador.

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