Queda de braços na pecuária com frigoríficos alegando falta de demanda pela carne e produtores retraídos por preços melhores
Diante da pressão sobre os preços da arroba os pecuaristas também se retraem das vendas na tentativa de evitar maiores quedas e, na expectativa de recuperação do mercado.
Somente em janeiro o indicador Cepea registrou baixa de 2,76% no preço médio da arroba. E nos três primeiro dias de fevereiro a queda foi de 0,23%, deixando a cotação de R$ 145,46/@ na sexta-feira (3).
Conforme explica a pesquisadora do Cepea, Mariane Crespolini, os frigoríficos alegam fraco desempenho das vendas de carne como desmotivador para compra de animais neste início de ano.
As indústrias estão "afirmando que os consumidores preferem outras proteínas, especialmente o frango. E também relatam que enquanto a carne bovina não reduzir na gôndola, o consumo deve continuar limitado", diz Crespolini.
A pesquisadora conta que se intensificou na última semana a retração dos pecuaristas diante de preços que, segundo eles, não são animadores. "Vimos muitos movimentos, em redes sociais e associações, pedindo para o produtor não venda nesse momento", acrescenta.
Essa combinação de fatores, menor interesse de compra dos frigoríficos e retenção dos pecuaristas, refletiu na queda de 6,5% no volume de animais abatidos em janeiro, conforme levantamento do Cepea.
Mas, Crespolini faz um alerta. "Adianta o pecuarista segurar boiadas agora em fevereiro? Já que estariam apenas represando animais que inevitavelmente serão entregues em março/abril", questiona.
A pesquisa do Centro apontou que os pecuaristas podem ter custo adicional de R$ 30/mês para manter os animais na fazenda, enquanto o mercado futuro indica R$ 140/@ no contrato maio/17, contra os R$ 145/@ praticados atualmente.
"É preciso fazer conta, se a conta fecha com R$ 145/@ é importante ir garantindo margem", oriente Crespolini.
É importante ressaltar que os analistas acreditam em lenta retomada do consumo em 2017. Por isso, a concentração de oferta já no primeiro semestre poderia ocasionar pressão ainda maior sobre os preços.
A pesquisadora lembra ainda do aumento na participação de fêmeas nas escalas de abate. Historicamente a série do IBGE aponta pico de participação em fevereiro, outro fator que colabora com o aumento da oferta.
1 comentário
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Eduardo Ferraz Pacheco de Castro Cuiabá - MT
Entrevistada 4:54 - O que a gente fala aqui no CEPEA "é que o MERCADO é soberano"... Aí vem a pergunta: QUE MERCADO?? Isso é um CARTEL, não é um MERCADO.
O CARTEL DA CARNE E' SOBERANO----O CARTEL DOS MOINHOS DE TRIGO E' SOBERANO---O CARTEL DAS INDUSTRIAS DE SUCO E' SOBERANO---O CARTEL DAS MOENDAS DE CANA E' SOBERANO---