Dados da pecuária vazam para as mãos das ONG's estrangeiras e colocam em risco a rastreabilidade sanitária do país

Publicado em 28/07/2020 14:22 e atualizado em 28/07/2020 17:31 2049 exibições
Petterson Molina Vale - Consultor em Inteligência Agropecuária
Entrevista com Petterson Molina Vale - Consultor em Inteligência Agropecuária

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Dados da pecuária (GTAs) vazam nas mãos das ongs estrangeiras

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A rastreabilidade do boi brasileiro, de extrema importância para a manutenção da segurança sanitária da pecuária nacional, está sob dois ataques -- um, por parte de ONGs internacionais e, outro, pela quebra de confiança por parte dos pecuaristas brasileiros.  Os GTAs (Guia de Trânsito Animal), que permitem a identificação de focos e controle de doenças e contaminações, acabaram caindo nas mãos de ONG's internacionais, atraves de "hackeamentos" de dentro do sistema de informática do MAPA (Ministerio da Agricutura e Pecuária) do Brasil.

De posse desses dados (uma grande e enorme base de dados sigilosos, com informações pessoais e comerciais da pecuária brasileira), ONG's estrangeiras estão pressionando internacionalmente o Brasil na questão ambiental, criando uma enorme barreira comercial às nossas exportações. Ao cruzarem os dados obtidos através dessas guias com áreas de desmatamentos florestais, as ONGs estão divulgando, na mídia internacional, que a carne do Brasil estaria sendo "contaminada" com a destruição da floresta Amazonica.

Segundo Petterson Molina Vale, consultor em Inteligência Agropecuária, "muitas dessas acusações estão sendo feitas com base em ilicitos, e também com base em  ilegalidades". Mas mesmo com os desvios desses dados, o pecuarista brasileiro não deve abandonar o sistema de realizar a GTA.

-- "A rastreabilidade - possibilitada pelo sistema - livrou o país de diversas doenças, como é o caso da Febre Aftosa. "Precisamos manter esse sistema funcionando, pois foi isso que permitiu a criação de um sistema de aplicação da vacinação da aftosa, o que trouxe muita credibilidade à pecuária boi do Brasil", disse.

"O Estado é a única entidade que pode utilizar esses dados e não pode permitir que se façam acusações com base em ilegalidades. Essas informações, que deveriam ser sigilosas, e não podem ser utilizadas como fontes desses tipos de ataque", explica o consultor. (acompanhe a íntegra acima).

Fundo sueco para de investir na JBS por questões ambientais

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O grupo sueco Nordea Asset Management, que conta com € 220 bilhões sob gestão, decidiu excluir a empresa de carnes JBS de todos os fundos que administra. Segundo Eric Pedersen, o chefe da área de Investimentos Responsáveis da gestora, a decisão se deu após um período de conversas entre o Nordea e a empresa brasileira, em que questões relativas ao meio ambiente e à governança corporativa não foram respondidas a contento.

"A Nordea Asset Management decidiu, este mês, excluir a JBS de todos os nossos fundos. A decisão foi tomada pelo nosso Comitê de Investimentos Responsáveis e após um período de engajamento com a empresa, onde não sentimos que estávamos vendo a resposta que estávamos procurando", disse Pedersen, em comunicado enviado ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

Nessa interação com a JBS, destacou ele, foram contempladas diversas questões relacionadas à temática ESG (ambiental, social e de governança corporativa, nas iniciais em inglês). Dentre elas, o risco de desmatamento na cadeia de suprimentos da empresa, a forma que a empresa tem lidado com as acusações de corrupção e, ainda, a maneira como foi tratada a segurança de seus funcionários em meio à pandemia da covid-19.

Pedersen citou que seus fundos ESG já evitam companhias que tenham esse tipo de exposição, como os apontados no caso da JBS, mas que agora o movimento é mais amplo, de forma a abranger também os demais fundos da gestora. "Isso ocorre para que a nossa base de clientes mais ampla possa permanecer confortável com o nível de risco de sustentabilidade em seus investimentos", disse.

Procurada, a JBS afirmou, em nota, que "todos os seus instrumentos de governança são rígidos e têm sido aprimorados e evoluído de forma robusta nos últimos anos". "A JBS também está totalmente comprometida com a erradicação do desmatamento em toda sua cadeia de fornecimento e foi uma das primeiras empresas do setor a investir em políticas e tecnologia para combater, desencorajar e eliminar o desmatamento na região da Amazônia. Esse trabalho se baseia em investimentos em sistemas e projetos de monitoramento e tem origem em uma rigorosa Política de Compra Responsável de matéria-prima, implementada desde 2009", segundo a nota.

Sobre a sua cadeia de suprimentos, a JBS disse que as fazendas fornecedoras que não cumprem essa política da JBS são imediatamente bloqueadas.

Investimento ESG

Hoje, dos € 220 bilhões sob gestão, Pedersen destaca que 30% do portfólio tem especificamente o foco em ESG, mas que essa fatia vai crescer ao longo do tempo. O Nordea foi um dos fundos que se reuniram neste mês, por teleconferência, com o vice-presidente da República, Hamilton Mourão - presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal.

Já sob a ameaça de retirada de investimentos do País, os fundos estrangeiros colocaram cinco principais questões à mesa relacionadas ao clima e desmatamento, assuntos que hoje estão pressionando o governo brasileiro a se comprometer com temas relacionados à sustentabilidade.

Eles solicitaram, por exemplo, que o Brasil reduza suas taxas de desmatamento, demonstre esforços para cumprir o compromisso estabelecido com a Lei do Clima e aplique o Código Florestal do Brasil.

Mais de 33 empresas aderem ao movimento contra o desmatamento ilegal da Amazônia

Representantes de 71 empresas, reunidas no Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), disseram ter saído satisfeitos do encontro com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, na manhã desta terça-feira. A pauta de reivindicações é a mesma apresentada ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão, no início do mês. Mas, dessa vez, contou com a assinatura de mais 33 empresas, inclusive do setor financeiro.

A reunião faz parte de uma série que está sendo realizada com os poderes executivo, legislativo e judiciário, na tentativa de as empresas influenciarem o atual debate sobre o meio ambiente e de melhorar a imagem do Brasil no comércio internacional. Os empresários têm preocupação especial que o desmate ilegal da Amazônia e outras práticas irregulares causem prejuízos no desenvolvimento dos seus negócios.

Após Mourão e Maia, o grupo deve conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com o procurador-geral da República, Augusto Aras. Também devem entrar nessa agenda os governadores, principalmente os da região amazônica.

Segundo a presidente do Cebds, Marina Grossi, com essas reuniões, tem sido criado um canal de comunicação com os três poderes. "Hoje, há uma articulação melhor entre o setor privado e a Câmara. Esse grupo é pela transparência e, de forma alguma, para baixar o sarrafo da questão da sustentabilidade. Pelo contrário, para que a gente possa justamente mostrar o que a gente faz, dentro da segurança jurídica", disse Grossi.

Entidades empresariais pedem apoio de Maia em iniciativas contra desmatamento ilegal

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SÃO PAULO (Reuters) - Líderes de entidades empresariais conversaram nesta terça-feira com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para pedir o encaminhamento de projetos que possam colaborar para acabar com desmatamento ilegal no Brasil.

Eles defenderam que iniciativas legislativas que apoiem a recuperação da atividade econômica em tempos de pandemia estejam conectadas às melhores práticas sustentáveis e à economia de baixo carbono.

Em entrevista online após a conversa com Maia, a presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), Marina Grossi, disse que é "imperioso" que se acabe com o desmatamento ilegal na Amazônia, em momento em que cresce a pressão sobre companhias brasileiras para um maior engajamento no tema.

O movimento empresarial contra o desmatamento ilegal está se desenvolvendo em meio a ameaças de investidores de deixar companhias que compactuam com práticas ambientalmente insustentáveis, ao mesmo tempo em que o governo do presidente Jair Bolsonaro vem sendo criticado por não atuar com maior rigor contra queimadas e o desflorestamento.

"Insistimos no combate ao desmatamento ilegal que afeta os produtos exportados pelo Brasil", disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, que também falou a jornalistas após o encontro com Maia.

A Abiove representa a indústria de soja, o principal produto de exportação do Brasil, que é o maior produtor e fornecedor global da oleaginosa.

Segundo Nassar, o setor se preocupa com o desmatamento ilegal de áreas públicas, que geralmente está associado a grilagem de terras, e também em terras que ainda dependem da regularização fundiária.

Ele disse que também há preocupação do setor exportador com o desmatamento ilegal em propriedades privadas, mas ressaltou que é pequeno o percentual de áreas desflorestadas ilegalmente nas fazendas.

De qualquer forma, ressaltou que, ainda que pequeno, o desmatamento ilegal em propriedades privadas também "coloca em xeque a credibilidade do nosso produto".

Pela lei, produtores agrícolas têm o direito de desmatar parte da propriedade no Brasil, em um percentual que varia de acordo com a região.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcelo Brito, citou que discussões de linhas de crédito que venham a passar pelo Congresso Nacional poderiam incluir exigências relacionadas à economia de baixo carbono.

Na avaliação dele, o Brasil poderia "aproveitar esse momento de reinvenção da economia nacional", na saída da pandemia, para apoiar práticas mais sustentáveis.

"A economia brasileira acordou para o tema, o movimento empresarial é a prova disso", ressaltou, alertando para a necessidade de que os setores público e privado possam atuar de forma coordenada.

Segundo os dirigentes empresariais, o presidente da Câmara se comprometeu a criar um grupo de trabalho para fazer avançar algumas questões legislativas relacionadas ao tema.

O presidente da Abag disse que a discussão com Maia envolveu projetos relacionados ao licenciamento ambiental, regularização fundiária e reforma tributária, "que pode ter um diferencial grande nas questões de meio ambiente".

Para Nassar, da Abiove, o Congresso pode avançar em projetos que melhorem o arcabouço legal para estimular o combate ao desmatamento ilegal.

Brito, da Abag, destacou também que o governo já tem uma série de ferramentas de controle, como Cadastro Ambiental Rural (CAR), que podem ser implementadas de forma mais efetiva contra o desmatamento ilegal.

"Vamos falar com todas as autoridades... Temos graves pontos a serem resolvidos e, como setor privado, a gente se coloca à disposição para contribuir com a solução desses problemas", comentou.

O movimento empresarial já teve conversas nesta linha com o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que também é presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal.

"O agro tem feito um trabalho de se reinventar, mas Estados precisam fazer sua parte para que possamos evoluir de forma conjunta", disse Brito, ressaltando que não só o governo federal precisa ser atuante, mas também os governadores.

O movimento empresarial está pedindo agenda com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

JBS transporta gado de desmatador e contraria política de só ter fornecedor que preserva a Amazônia (Repórter Brasil e The Guardian)

Empresa se comprometeu a não ter clientes desmatadores, mas relato de caminhoneiro revela que o serviço de transporte da JBS transferiu animais de uma fazenda com multa de R$ 2,2 milhões do Ibama para outra sem problemas ambientais, fornecedora dos frigoríficos. Prática é conhecida como ‘triangulação de gado’

Uma fazenda no Mato Grosso, multada em R$ 2,2 milhões pelo Ibama por desmatamento ilegal, teria usado os serviços de transporte da JBS para transferir gado para outra propriedade ‘ficha-limpa’, que depois abastecia os frigoríficos da empresa — prática que é conhecida como ‘triangulação do gado’. Uma investigação conjunta da Repórter Brasil, do The Bureau of Investigative Journalism e do jornal britânico The Guardian encontrou evidências de que os bovinos criados na fazenda com área embargada, onde a pecuária não é permitida, tiveram como destino outra propriedade do mesmo dono, que por sua vez vendeu gado a dois abatedouros da JBS.

Maior produtora de proteína animal do mundo, a JBS assumiu há mais de dez anos o compromisso de erradicar o desmatamento em toda sua cadeia de fornecimento na Amazônia. A empresa afirma adotar essa política para todas as pastagens que fornecem gado diretamente aos seus frigoríficos. Ao mesmo tempo, alega não ter acesso a informações adequadas para  rastrear  as propriedades que transferem gado aos seus fornecedores diretos (os chamados fornecedores indiretos). 

JBS Transportadora vem ampliando o serviço prestado e agora realiza transferência de animais entre fazendas

No entanto, em alguns casos os próprios caminhões da JBS realizam o transporte dos animais entre estas fazendas. O episódio apurado pela reportagem mostra evidências de que a empresa transportou, dessa forma, bois oriundos de propriedade com registro de desmatamento ilegal.  Procurada, a JBS afirmou que suas atividades de transporte seguem a política de sustentabilidade da empresa, compromisso que inclui não adquirir animais vindos de fazendas com áreas embargadas pelo Ibama por conta do desmatamento. “A empresa esclarece que o serviço de logística e transporte fornecido e executado, de forma independente, deve atender às mesmas políticas de sustentabilidade da empresa, incluindo o bloqueio das fazendas que não estejam em conformidade com essas políticas”, informou a empresa. Veja aqui a íntegra da resposta.

“A JBS não pode continuar se escondendo atrás da desculpa de que as informações de seus fornecedores indiretos não estão disponíveis ou são muito complexas”, diz Richard Pearshouse, diretor de Crises e Meio Ambiente da Anistia Internacional. “Essa nova investigação mostra que a JBS conhece alguns de seus fornecedores indiretos — seus próprios caminhões estão visitando essas fazendas para transportar gado. A JBS está ciente desses problemas desde pelo menos 2009, mas ainda não possui um sistema eficaz para impedir que o gado de pasto ilegal entre em sua cadeia produtiva”, lamenta. 

A falta de monitoramento dos fornecedores indiretos é um dos principais obstáculos para combater o desmatamento na pecuária amazônica. Desde 2009, a JBS assumiu o compromisso de criar mecanismos para rastrear estas fazendas, mas afirma que ainda não obteve sucesso em implementar sistemas de rastreabilidade. 

O caso vem à tona no momento em que a JBS expande e anuncia a modernização das suas atividades logísticas. A empresa tem intensificado o transporte de  “gado magro”, como é chamado o animal que é levado de uma fazenda para a outra com o fim de engordar antes de ser vendido aos frigoríficos. Neste mês, a JBS Transportadora, braço logístico da empresa, também lançou o aplicativo Uboi, serviço em que os pecuaristas poderão pedir pelo celular o transporte de gado feito pela JBS.

“Não dá para dizer que eles foram omissos, porque a integração de dados entre diferentes partes da empresa não é automática. Mas, tendo essa nova ferramenta em mãos [a Uboi], a JBS está muito mais perto de enxergar a cadeia produtiva como um todo. Eles têm uma grande oportunidade para fazer uma grande diferença no mercado”, diz Mauro Amerlin, diretor executivo da Amigos da Terra, organização que coordena grupos de trabalho sobre os fornecedores indiretos junto às empresas.

Da área desmatada ao frigorífico

A fazenda onde ocorreu o desmatamento é de propriedade de membros da família Rodrigues da Cunha. Em seu site, o patriarca da família, Antônio Ronaldo Rodrigues da Cunha, se descreve como “dono de um dos maiores rebanhos comerciais do Brasil, com 102 mil cabeças distribuídas em onze fazendas próprias e sete arrendadas no Mato Grosso”.

Além de vender gado diretamente para os frigoríficos, a família também faz melhoramento genético de animais e a sua venda em leilões. A família é a quarta maior vendedora de touros do país, de acordo com ranking feito pela imprensa especializada do setor. O último grande leilão realizado pela empresa, em 2019, contou com o patrocínio da própria JBS e alegou ter angariado mais de R$ 10 milhões

O gado teve origem em uma das propriedades da família, a fazenda Estrela do Aripuanã, na cidade de Aripuanã (MT). Em 2012, a fazenda recebeu uma multa de R$ 2,2 milhões do Ibama pelo desmatamento ilegal de 1,5 mil hectares — área equivalente ao tamanho da cidade de São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo O embargo abrange 39% da área da fazenda.

Gado pasta em área desmatada na Amazônia (Foto: Lilo Clareto/Repórter Brasil)

 

A Repórter Brasil apurou que, entre junho de 2018 e julho de 2019, o pecuarista Ronaldo Venceslau Rodrigues da Cunha encaminhou milhares de animais desta fazenda desmatada para outra propriedade sua em Brasnorte (MT), a Fazenda Estrela do Sangue. Desta segunda fazenda, onde não há pendências ambientais, foram feitas vendas para duas unidades da JBS, em Juína (MT) e Juara (MT). Com essa transferência entre propriedades, os animais criados em área desmatada poderiam ser vendidos aos abatedouros sem mostrar sua origem.

Uma postagem de Facebook feita por um motorista da JBS Transportadora evidencia que a empresa foi responsável, ao menos em um caso, pelo transporte dos animais entre as duas fazendas. Na postagem, o funcionário da empresa divulgou fotos de caminhões com o logotipo da JBS, fez um “check in” na fazenda onde aconteceu o desmatamento ilegal e afirmou que estava transportando gado entre as duas fazendas, citando-as nominalmente.

A propriedade também teve focos de queimada em 2018 e 2019, segundo dados de satélite da NASA. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso, não havia qualquer autorização para que a queimada fosse realizada dentro da área da fazenda.

Procurada, a JBS afirma que a transação de gado foi feita dentro da legalidade e que chegou a investigar o caso de Ronaldo Cunha. “Confirmamos que nossas investigações estão relacionadas à Fazenda Estrela do Aripuanã. Enquanto o CPF do proprietário (Ronaldo Venceslau Rodrigues da Cunha) aparece na lista de áreas embargadas do Ibama, a lista do Ibama fornece as coordenadas geográficas da propriedade embargada. As coordenadas do Ibama fornecidas não se relacionam à fazenda onde a JBS coletou os animais (ou seja, Aripuanã)”, afirma em nota enviada ao The Guardian.

Ao contrário do que afirma a JBS, a base de dados do Ibama mostra que existe um embargo ambiental decorrente do desmatamento dentro da área da Fazenda Estrela do Aripuanã. A área coincide com parte da propriedade declarada pelo fazendeiro no Cadastro Ambiental Rural com o mesmo nome. A postagem do motorista e placa da fazenda que aparecem em sua foto também utilizam o mesmo nome que consta no embargo.

A reportagem tentou contato com os fazendeiros através da Agropecuária Rodrigues da Cunha, empresa de posse da família, mas eles não responderam aos diversos  e-mails da Repórter Brasil pedindo esclarecimentos sobre o caso.

JBS está expandindo transporte de ‘gado magro’

A JBS tem expandido as suas atividade de transporte para além do carregamento de animais de uma fazenda para os seus frigoríficos. Recentemente, a sua transportadora tem atuado cada vez mais no transporte de gado entre fazendas — uma forma de aproveitar seus caminhões vazios na volta dos frigoríficos. 

A atividade de transporte da JBS não se restringe somente aos fornecedores da empresa. Um executivo da companhia afirmou que a empresa faz o transporte “do que o produtor precisar”, em entrevista ao Giro do Boi, programa do Canal Rural no último dia 17 de julho. “Para qualquer tipo de transporte de gado vivo, eles podem contar com essa solução.”

Até junho deste ano, a demanda dos fazendeiros pelo transporte dos bovinos eram feitos por e-mail ou telefone. No último mês, a empresa lançou um aplicativo para celular onde os produtores podem fazer os pedidos de carregamento de maneira automatizada.

Batizado de Uboi, o aplicativo funciona de maneira semelhante aos de transporte urbano. Ele permite o planejamento de carregamento do gado seja agendado, traz o histórico das movimentações e permite avaliar em detalhes os serviços dos motoristas. Segundo a JBS, a operação deve contar com 600 caminhões próprios e 3 mil de parceiros.

Aplicativo da JBS traz informações detalhadas sobre o transporte do gado (Foto: Reprodução/JBS

 

Com a Uboi, a JBS deve ter uma base de dados ampla sobre o transporte do gado, com informações detalhadas de produtores, das fazendas, do transporte entre elas e também dos fornecedores indiretos.

Adriana Charoux, da campanha de Amazônia do Greenpeace, afirma que o sistema é uma rica fonte de informação rica para compreender o funcionamento dos fornecedores da empresa, e sua logística deveria ser usada na prevenção ao desmatamento.

“Uma vez que a empresa se diz comprometida em tirar o desmatamento de sua cadeia produtiva, subentende-se que eles vão lançar mão de todas as ferramentas para reduzir ao mínimo o risco”, diz Charoux. “É verdade que o pleno controle das cadeias passa por questões de políticas, mas também é verdade que a JBS tem meios técnicos de sanar esse problema.”

Questionada, a JBS informou à Repórter Brasil que as suas atividades de logística e de transporte seguem as mesmas políticas de sustentabilidade da empresa. Segundo a empresa, o aplicativo utiliza a base de consulta das listas públicas de áreas embargadas do Ibama, histórico de casos de trabalho escravo e também o CAR (Cadastro Ambiental Rural), no caso de áreas que ficam na Amazônia. 

Diretor executivo da Amigos da Terra, Mauro Amerlin afirma que as políticas anunciadas para o Uboi não são suficientes. “A minha expectativa seria eles irem além, e não continuar a fazer exatamente o que eles já estavam fazendo”, diz Amerlin. “Se for exatamente o mesmo, não vai funcionar. O que vai mudar nos problemas que já acontecem hoje em dia? Não vai mudar nada.”

 

 

Fonte:
NotíciasAgrícolas/Estadão/Reuter

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