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Estudo da Embrapa explica os motivos que fazem a carne bovina brasileira ser até 40% menos valorizada no mercado internacional

Publicado em 01/10/2020 12:51 e atualizado em 01/10/2020 17:45 5411 exibições
Paulo Henrique Nogueira Biscola - Pesquisador da Embrapa Gado de Corte
Enquanto EUA conseguem um preço médio de US$7,17/KG no mercado internacional, a carne brasileira é negociada em média a US$4,17/KG

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Entrevista com Paulo Henrique Nogueira Biscola sobre o Brasil recebe até 41% a menos pela carne bovina

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Nesta semana, os pesquisadores do Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne) da Embrapa analisaram os vinte maiores países exportadores de carne bovina fresca, resfriada e congelada em quantidade, agrupando-os de acordo com o volume exportado e o preço cobrado. Foram feitas duas divisões: uma no preço, de US$5,00 por kg, e outra na quantidade, de 850.000 TEC (tonelada equivalente carcaça), o que os separou em quatro grandes grupos (quadrantes): 1) Preço baixo e quantidade alta; 2) Preço e quantidade altos, 3) Preço alto e quantidade baixa e 4) Preço e quantidade baixos.

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Pode-se dizer que o melhor quadrante é o de maiores preço e quantidade, no qual estão EUA (US$ 7,17) e Austrália (US$ 5,76), mas uma ressalva deve ser feita: o maior preço precisa vir acompanhado de eficiência produtiva; caso contrário, as margens ficam reduzidas pelos altos custos de produção. Sendo assim, o ideal é buscar uma posição em que a carne bovina é percebida como de alto padrão, remunerada de acordo com sua real qualidade, mas sem onerar demasiadamente o produtor e a cadeia produtiva como um todo.

No quadrante de preço baixo e quantidade alta aparece o Brasil, que foi o maior exportador em volume no ano de 2019, com 1,56 milhões TEC, entretanto com preço médio entre os menores (US$ 4,17). É preciso entender o porquê de a carne bovina brasileira ser comercializada a um preço mais baixo do que a de seus principais concorrentes, bem como promover ações para que seu valor seja aumentado. Essas ações devem considerar o composto mercadológico (preço, produto, promoção e distribuição) da carne bovina brasileira, bem como os aspectos de produção, para que haja aumento da produtividade e da qualidade de acordo com as exigências dos mercados que pagam mais por um produto considerado de maior valor.

 

Por:
Aleksander Horta
Fonte:
Notícias Agrícolas

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2 comentários

  • Fernando Querencia - MT

    Sobre nossa carne ser mais desvaloriza, digo que isso é reflexo de décadas de politica publicas onde o que se buscou foi em benefício próprio ou de grupos políticos!... Ao invés de valorizarmos o que temos dentro de casa, mostrar a qualidade de nossa carne, onde os animais são criados extensivamente, com menos uso de antibióticos e promotores sintéticos de crescimento, NÃO !!!, houve (e ainda há), uma forte e esmagadora parte de polÍticos, artistas e etc que se dizem entendedores no assunto e difamam a imagem do próprio país, mas quando vão a um restaurante, fazem questão de saborear e se esbaldar justamente dessa carne que eles mesmo tanto condenam!

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    • Luiz Alberto Garcia Rio de Janeiro - RJ

      Penso que o valor da nossa carne é uma questão de qualidade, simples assim... No caso da soja, o Brasil recebe um valor maior por causa da qualidade da soja produzida. O país faz parte da venda de carne de primeira qualidade, chamada cota Hilton... será que recebemos menos que outros países pela nossa parte?

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Ja' tem criadores de areas quentes fazendo cruzamento industrial de Nelore com Wagiu para melhorar o sabor da carne---Devagar chegamos la'...

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      Eu nao consigo entender porque o criador de gado brasileiro nao se esforça para adicionar silvicultura nobre no seu pasto,,, melhorando o ambiente para o gado ,,, e aumentando consideravelmente o rendimenta da terra.

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  • Joacir A. Stedile Passo Fundo - RS

    Nossa carne é menos valorizada, ou somos nós vendendo muito barato?

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