Histórico: Brasil tem estoques de café praticamente zerados na entressafra e pelo menos 30% da safra atual já está vendida

Publicado em 13/05/2020 18:26 e atualizado em 13/05/2020 20:31 3145 exibições
Nelson Carvalhaes - Presidente Cecafé
País segue exportando grandes volumes e em abril registrou aumento de 2,5%: Cenário é positivo e alta do dólar incentiva travamento no mercado futuro, garantindo lucros ao produtor

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As exportações de café do Brasil seguem com um ritmo positivo em 2020. Os números divulgados pelo Cecafé, referentes ao mês de abril, chamam a atenção do setor e pode ser considerado uma surpresa positiva para a produção cafeeira do país. Segundo Nelson Carvalhaes, presidente do Cacafé, destaca em entrevista ao Notícias Agrícolas, que os estoques nas principais regiões já estão praticamente zerados e que o feito pode ser considerado histórico para o país, marcando de forma inédita a passagem de um ano safra para o outro, quase sem estoques. 

O Brasil exportou em abril deste ano 3,3 milhões de sacas de café, considerando a soma de café verde, solúvel e torrado & moído, registrando um aumento de 2,5% em relação ao volume exportado em abril de 2019. A receita cambial gerada no mês com as exportações foi de US$ 442,1 milhões, aumento de 9% em relação a abril de 2019. Já o preço médio da saca foi de US$ 132,02, alta de 6,4% na mesma comparação. Os dados são do relatório compilado pelo Cecafé, Conselho dos Exportadores de Café do Brasil.

Com relação às variedades embarcadas no mês passado, o café conilon (robusta) apresentou um relevante aumento nas exportações, de 30,3% em relação a abril de 2019, com 313,1 mil sacas exportadas (9,4% da participação das exportações por variedade). Já o café arábica representou 79,9% do volume total de café exportado no mês, com 2,7 milhões de sacas embarcadas, enquanto que o café solúvel representou 10,7% dos embarques, com a exportação de 357,3 mil sacas.

A expectativa do presidente é que as exportações continuem apresentando bons números para a produção do Brasil. Além disso, a alta do dólar tem incentivado as exportações e, segundo Nelson, as informações indicam que entre 30 e 40 % da safra que está começando a ser colhida no Brasil também já está comercializada. “Nós correspondemos a próximo de 40% do mercado global e a tendência é permanecer com uma performance boa em 2020”, afirma Carvalhaes.

O principal destino de café brasileiro segue sendo os Estados Unidos, que importaram 2,7 milhões de sacas no período (20,2% de participação no total das exportações), apesar das cafeterias e padarias fechadas por conta da pandemia do Coronavírus no maior consumidor de café brasileiro, os números indicam que o consumo interno do café teve um aumento significativo, o que pode compensar parte das baixas durante o Covid. 

A Alemanha, segundo maior consumidor, importou 2,4 milhões (equivalente a 18,1% de participação nos embarques) e a Itália, terceiro maior consumidor, importou 1,2 milhão de sacas (9,1%). Na sequência, estão a Bélgica, com 767 mil sacas (5,8%); Japão, com 632,4 mil sacas (4,8%); Federação Russa, com 426,2 mil sacas (3,2%); Turquia, com 394,1 mil sacas (3%); Espanha, com 327,7 mil sacas (2,5%); Canadá, com 296,5 mil sacas (2,2%); e França, com 281,4 mil sacas (2,1%).
Entre os destinos listados, a Federação Russa e a Espanha se destacaram ao apresentar um crescimento significativo na compra de café brasileiro, se comparado ao mesmo período de 2019. Os aumentos foram de, respectivamente, 24,7% e 24%.

Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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