Janeiro com chuvas abaixo da média em todo o Matopiba pode provocar perdas em mais uma safra de grãos

Publicado em 04/01/2017 14:29 e atualizado em 04/01/2017 17:26
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Janeiro com chuvas abaixo da média em todo o Matopiba pode provocar perdas em mais uma safra de grãos
Confira a entrevista de Rodrigo Marques - Professor Climatologia UFMT

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Janeiro com chuvas abaixo da média em todo o Matopiba pode provocar perdas em mais uma safra de grãos

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No momento, o clima na região do Matopiba foge às expectativas de um momento de La Niña, quando eram esperadas mais chuvas para a região.

O mês de dezembro foi bastante seco tanto nessa área quanto para outros estados como Mato Grosso, Goiás, Minas, Espírito Santo e partes de São Paulo. Mas foi o Nordeste que mais sofreu, de acordo com Rodrigo Marques, professor de climatologia da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e doutor em meteorologia.

Na região, as chuvas ficaram 50% abaixo do esperado para o período, que era de 107mm. Este fator pode ter um grande impacto, principalmente por essas áreas utilizarem de um plantio mais tardio, que precisam de chuvas para obter eficiência no resultado final.

O Centro-Oeste também sofreu com a situação, mesmo que não tenha sido grave a ponto de afetar as lavouras. Dos 244mm que eram previstos, choveu 64mm a menos. Apenas o Sul do Brasil recebeu chuvas acima da média.

Marques pede para que os agricultores brasileiros estejam atentos aos padrões climáticos dos anos anteriores, conhecendo os históricos e a repetição dos ciclos, o que, segundo ele, ajudaria em uma previsão mais eficiente para os cuidados com o cultivo.

As perspectivas para o trimestre, até o momento, são positivas. Com mapas baseados na última quinzena de dezembro, o meteorologista mostra que grande parte do Brasil está com os índices pluviométricos dentro do esperado, embora esses dados ainda possam sofrer alguma alteração.

Quando a situação é analisada mês a mês, vê-se que em janeiro grande parte do Nordeste possui chuvas abaixo do normal, inclusive a região do Matopiba. Em fevereiro, apenas alguns pontos dessa região estão abaixo da média. Já para março, os volumes estão normais para todo o Brasil, o que pode auxiliar na colheita.

Ele explica que, mesmo sob influência do La Niña, a região Nordeste recebe também a influência do Ciclone tropical do Atlântico Sul, o que pode fazer com que os clima não esteja dentro do previsto anteriormente.

Tradicionalmente, um ano caracterizado por La Niña reforça o sistema de chuvas na Amazônia, o que traz um melhor quadro pluviométrico para o Nordeste.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Victor Benso Major Vieira - SC

    "Marques pede para que os AGRICULTORES brasileiros estejam atentos aos padrões climáticos dos anos anteriores, conhecendo os históricos e a repetição dos ciclos, o que, segundo ele, ajudaria em uma previsão mais eficiente para os cuidados com o cultivo."...

    Eu peço para que as empresas que fornecem as informações de meteorologia façam o mesmo.

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    • Guilherme Frederico Lamb Assis - SP

      Creio que o que o meteorologista está tentando dizer é que não há outro meio senão a coleta física de dados in loco para se obter informações precisas sobre o regime pluviométrico.

      Isso pode ser via estações automáticas ou pluviômetros mecânicos. Nenhum sistema de faça coleta de dados a distância (radares meteorológicos e satélites) e use interpolação para gerar informações será preciso nesse quesito, por isso cabe a cada produtor fazer o controle local de chuvas dentro de suas propriedades.

      Nem mesmo em países desenvolvidos essa coleta de dados locais é feita por "terceiros" de maneira geral, pelo contrário, a grande rede de estações meteorológicas privadas através de sites como o weatherunderground servem para alimentar os modelos das empresas de meteorologia públicas e privadas. Qualquer um que tenha uma estação meteorológica com capacidade de se conectar à internet pode se cadastrar gratuitamente ao site e conectar sua estação ao sistema compartilhando os dados da mesma e também tendo acesso remoto aos seus dados e de outros.

      Dentro de uma mesma propriedade há grande variação de volumes de chuva, esse artigo em inglês fala um pouco sobre isso e cita exemplos:

      http://www.cornandsoybeandigest.com/crops/accurate-weather-improves-decisions

      Dentro de uma propriedade de 2050 hectares o produtor tem 5 estações meteorológicas distribuídas estrategicamente em sua fazenda no Tennessee para uma coleta precisa de dados meteorológicos, inclusive de chuvas.

      É logico que para nós com o custo dos equipamentos não é fácil adotar esses sistemas, uma unidade importada diretamente dois EUA vai chegar aqui custando pelo menos 2,3 vezes mais que o preço do equipamento pago nos EUA (frete, impostos, taxas). Eu tenho uma estação apenas na sede da fazenda, mesmo porque aqui no Brasil esses equipamentos em locais afastados correm grande risco de serem roubados, como já ocorreu comigo e um pluviômetro automático com data logger que instalei em um talhão mais distante e de difícil acesso. Acabei sendo forçado a usar um pluviômetro comum em um suporte de aço com cadeado, o que me força a ir até o local após cada dia de chuva.

      Mas apenas para ilustrar, dentro da uma mesma propriedade que não é grande eu trabalho com 3 pluviômetros dispostos estrategicamente, pois há sempre variação no volume de chuva considerável dentro de uma distância pequena. E todos esses dados são tabulados e planificados (individualmente) digitalmente possibilitando a geração de gráficos e comparativos históricos visuais do regime de chuva dentro de cada zona climática dentro da propriedade.

      É por isso que os dados das consultorias coletados por sistemas que usam de leituras a distância não são ideais para essa finalidade de acordo com o que o meteorologista sugeriu.

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