DA REDAÇÃO: Laranja: Com a crise no setor, cerca de 2 mil propriedades agrícolas deixaram de produzir a fruta

Publicado em 13/05/2013 13:14 e atualizado em 13/05/2013 17:51 459 exibições
Laranja: Variedade precoce é negociada a R$ 6 e tardia a R$ 9 (caixa de 48 kg) no interior de SP, e com apenas uma indústria realizando compras. Mais de 2.200 propriedades agrícolas deixaram de produzir laranja, após perdas em torno de 50 milhões de caixas na safra passada. Produtores pedem aumento do preço mínimo.
O cenário da citricultura permanece preocupante, os preços praticados seguem baixos e a exportação está estagnada. Para agravar o quadro, apenas uma, das três grandes empresas do setor, está adquirindo frutas dos produtores. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Ibitinga e Tabatinga, Frauzo Ruiz Sanches, caso seja efetivada essa política de apenas uma empresa não dará conta de processar toda a produção que está no campo, estimada em 281 milhões de caixas.

“Mas também, não anunciou quando e nem quanto irá comprar. Algumas pequenas empresas no interior de SP começaram a comprar a fruta, porém em volumes pequenos e não tem capacidade de absorver toda a fruta, precoce, meia estação e tardia, o que nos deixa muito preocupados”, afirma Sanches.

Somente o ano passado, foram produzidas 365 milhões de caixas de laranja, mas devido à crise cerca de 50 milhões de caixas teriam sobrado no mercado. O presidente ainda destaca que a grande questão do setor, é entender que em meados de 1995, as indústrias tinham uma produção própria estimada em 10 milhões de caixas. Atualmente, o número é de 120 milhões de caixas, e as exportações estagnadas desde 1993.

“Então temos os embarques da fruta estacionados em 1.2 milhões de toneladas de suco, e as indústrias plantando muita laranja no mesmo período. Então, os produtores independentes tiveram que sair, já que, as empresas priorizam o processamento da própria produção. E o que falta de laranja para complementar a necessidade do mercado, as indústrias compram depois”, explica o presidente.

Diante desse cenário, milhares de produtores deixaram a atividade. Segundo levantamento, na década de 1990 o setor tinha quase 27 mil propriedades agrícolas produzindo a fruta no estado de SP, no último relatório de 2012 o número caiu para 16 mil propriedades. A crise contribuiu para esse quadro, principalmente, entre os anos de 2011 e 2012.

“Dados do relatório, em 2011 para 2012 saíram da atividade no estado 2.225 propriedades, quase 2 mil produtores em menos de um ano. No mesmo período, o faturamento das indústrias passou de US$ 877 milhões para US$ 2.4 bilhões, um crescimento de 179% no faturamento, e a produção minguando, citricultores deixando a atividade. Essa política de verticalização promoveu uma clara exclusão dos produtores da atividade”, enfatiza Sanches.

Por:
João Batista Olivi/Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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