Incertezas chegam ao mercado futuro do milho e preços recuam forte; já os negócios no físico registram patamares recordes

Publicado em 18/03/2020 12:02 e atualizado em 18/03/2020 13:46
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Para pesquisador, é preciso avaliar melhor a relação entre oferta e demanda para definir preços futuros. "Qualquer parâmetro de safra + safrinha abaixo de 100 milhões de toneladas ou qualquer ritmo de exportação acima de 35 milhões de toneladas darão firmeza aos preços do milho no segundo semestre
Lucilio Alves - Pesquisador do Cepea

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Mercado do Milho - Entrevista com Lucilio Alves - Pesquisador do Cepea

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Após um longo período de preços muito firmes e sustentados no mercado futuro, o milho passa agora a refletir uma série de incertezas e recua forte entre as principais posições negociadas na B3. Entretanto, no mercado físico as referências permanecem bastante firmes, como explica o pesquisador do Cepea, Lucílio Alves. 

Entre as incertezas que começam a ser observadas pelos participantes do mercado do milho estão aquelas ligadas ao cenário macroeconômico e os efeitos que são sentidos nas transações de mercadorias entre países e regiões que afetam todos os elos da cadeia produtiva, das carnes ao mercado de grão como um todo.

Já no quadro de oferta e demanda, há um plantio um pouco mais tardio em importantes pontos de produção da safrinha e, da mesma forma, incertezas sobre o desenvolvimento dessas lavouras. "Há possibilidades de problemas climáticos maiores, inclusive geadas no final de maio, começo de junho e, com isso, sabermos qual será a produtividade dessa safra e com quão próximos ficaremos das 100 milhões de toneladas esperados até agora", diz Alves. 

O pesquisador explica, portanto, que enquanto o mercado físico foca em seus fundamentos e mantém os preços elevados, como o indicador Cepea que, nesta terça-feira (17), bateu novo recorde e chegou aos R$ 58,41 por saca, base Campinas, o mercado futuro tenta antecipar todos estes problemas, especialmente os que podem ser causados pelo coronavírus. 

"Mas as cotações futuras atuais estão muito em linha com os contratos a termo para exportação no segundo semestre, ou seja, o mercado considera que a segunda safra ainda vai ser cheia, podemos ter alguns aspectos ligados às transações ou dificultando novos contratos de exportação, e esse também é um ponto relevante", explica. 

Mais do que isso, o pesquisador relata ainda que o valor da tonelada de milho despencou de forma expressiva também em outros terminais de exportação como Mar Negro, Argentina, e Golfo do México saindo de US$ 180,00 para US$ 155,00 por tonelada. E essas baixas podem tirar parte da competitividade do cereal brasileiro, exigindo também um ajuste das cotações no Brasil. "Ou pelo menos pode sobrar mais milho para o mercado interno e isso também ajuda a derrubar os preços". 

NEGÓCIOS

Sobre a continuidade dos negócios, Alves lembra que há um grande volume de contratos antecipados já feitos em boa parte dos estados produtores e exportadores de milho, como Mato Grosso indicando cerca de três quartos da sua produção já negociada. 

"Isso é um ponto que, se os contratos forem cumpridos, pode reduzir a disponibilidade interna e aumentar a disputa pelo produto de outras regiões e, em outras palavras, motivos para sustentação de preços. Mas, se os parâmetros de preços ficarem mais atrativos internamente, claramente, pode haver uma reversão de contratos de exportação para mercado interno", diz. 

O Mato Grosso já tem ainda boa parte da sua safra 2021 comercializada e isso é mais um fator de suporte. 

"Do ponto de vista vendedor, não dá para perder oportunidade de negócios. Do ponto de vista de comprador é relativamente arriscado esperar quedas bruscas e, por outro lado, se há possibilidade de contratos a termo em preços menores do que os atuais, estão esperando o que para efetivamente realizar negócios?", analisa o pesquisador do Cepea.   

Por:
Aleksander Horta e Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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