Queda do seguro rural leva FPA a priorizar reforço de recursos e estabilidade do crédito em 2026
![]()
O ano de 2025 se encerra e, para o agronegócio brasileiro, foi marcado por desafios históricos e conquistas estratégicas. Em entrevista exclusiva ao Notícias Agrícolas, o vice-presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), Arnaldo Jardim, faz um balanço detalhado das principais pautas que mobilizaram produtores, parlamentares e o setor como um todo.
Plano Safra e crédito rural: acesso ainda é desafio
Apesar de ter registrado o maior volume já anunciado, o Plano Safra 2025, de mais de R$ 516 bilhões, não conseguiu atender a todos os produtores. Juros elevados e restrições na equalização dificultaram o acesso às linhas de custeio e investimento.
“Hoje temos uma diminuição relativa do plano safra no montante necessário para fazer rodar o ano agrícola. Muitos produtores recorreram a operações de barter, muitas vezes com perdas de rentabilidade em função da Selic elevada”, explicou Arnaldo Jardim.
Instrumentos como Fiagros, CPRs e CRAs foram cruciais para garantir financiamento, mas a manutenção de sua preservação fiscal exigiu intensa mobilização da FPA. “Fomos vitoriosos ao impedir a taxação desses instrumentos, garantindo recursos importantes para o investimento no setor”, destacou o parlamentar.
Seguro rural e gestão de riscos: prioridade para 2026
Um dos pontos mais críticos do ano foi a queda da cobertura de seguro agrícola, de 11% para cerca de 7,8% da área plantada. As intempéries climáticas, incluindo excesso de chuvas e secas acentuadas, reforçam a necessidade de instrumentos de proteção eficientes.
A FPA atua em duas frentes para 2026: garantir recursos para seguro rural e assegurar o fluxo de crédito do atual Plano Safra até junho do próximo ano. “A instabilidade climática é real e exige atenção imediata. Não podemos esperar para tratar essas questões apenas no ano que vem”, alertou Jardim.
Reforma tributária e apoio ao pequeno produtor
O agro também teve avanços no campo tributário. A FPA trabalhou para ampliar a isenção do imposto de renda até R$ 5.000 e apoiar a reforma tributária com reconhecimento da cesta básica e dos insumos agrícolas no cálculo da tributação. Medidas que beneficiam especialmente pequenos produtores e microempreendedores rurais, garantindo maior justiça fiscal e incentivo à produção.
Licenciamento ambiental: agilidade sem flexibilizar regras
A derrubada de vetos na Lei Geral do Licenciamento Ambiental foi um dos grandes feitos da FPA em 2025. Jardim reforçou que o novo marco não reduz exigências ambientais, mas cria regras mais claras e prazos adequados para análise de projetos.
“O licenciamento veio para melhorar a eficiência sem abrir mão da sustentabilidade. O cuidado com solo, água e atmosfera permanece, mas com previsibilidade e segurança jurídica para o empreendedor”, explicou.
Cooperativismo em evidência
2025 foi declarado o Ano Internacional do Cooperativismo pela ONU, e as cooperativas brasileiras tiveram papel central na manutenção da produção e distribuição de renda.
“Temos fortalecido o cooperativismo no agro, crédito, saúde, educação e transporte. Recentemente, cooperativas passaram a atuar também no setor de seguros, promovendo mais concorrência e eficiência”, destacou Jardim.
Agro na COP 30: mostrando ao mundo o compromisso sustentável
A participação brasileira na COP 30 marcou um momento histórico. O agro brasileiro apresentou sua legislação ambiental rigorosa, o uso crescente de bioinsumos e a prática da integração lavoura-pecuária-floresta, destacando o compromisso com a sustentabilidade e o combate ao desmatamento ilegal.
O evento contou com a criação da “Agrizone”, espaço exclusivo para debates e experiências do setor agro, que servirá de modelo para futuras edições da conferência internacional.
Transição energética e biocombustíveis
O avanço da matriz energética do agro também foi um destaque de 2025. Com a implementação do E30 e a expansão de biorrefinarias, o setor diversificou fontes de etanol, incluindo milho, trigo e cana, garantindo segurança energética e alimentar simultaneamente.
“O etanol não compete com alimentos. Pelo contrário, aumenta a produção de biocombustíveis e alimentos, utilizando sobras de produção, como farelo de milho e soja, para gerar energia e ração animal”, reforçou Jardim.
Segurança jurídica e combate a invasões
O aumento das ocupações irregulares em áreas agrícolas, promovidas pelo MST, foi outro ponto de preocupação. A FPA defende endurecimento da legislação e respeito ao marco temporal, garantindo segurança jurídica e preservação do patrimônio produtivo do país.
MST e conflitos fundiários
O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) manteve presença expressiva em 2025, com mais de 250 ocupações registradas, segundo dados do Incra e CNPC, principalmente em propriedades de médio porte localizadas no Centro-Oeste e Sul do país.
O MST busca pressionar por distribuição de terras e regularização fundiária, enquanto produtores defendem a segurança jurídica das propriedades e a continuidade da produção. Em resposta, o governo federal intensificou operações de mediação entre produtores e movimentos sociais, visando reduzir conflitos violentos e garantir a integridade das áreas produtivas.
Arnaldo Jardim afirmou que o diálogo é essencial, mas a proteção à propriedade privada e à produção de alimentos é prioridade. Às ocupações geram insegurança e podem impactar a produtividade regional.”
O tema ganhou atenção nacional com a tramitação de projetos de lei sobre regularização fundiária e marco temporal, que buscam equilibrar os direitos de ocupantes históricos e a segurança jurídica do produtor rural. Especialistas destacam que a definição clara de limites legais é fundamental para reduzir tensões e garantir investimentos no setor.
Sustentabilidade e segurança alimentar
Ao mesmo tempo em que enfrenta conflitos fundiários, o agro brasileiro reforçou em 2025 seu compromisso com segurança alimentar e uso sustentável do solo. Entre os avanços mais importantes.
0 comentário
Dólar sobe ante o real com busca por proteção antes do Carnaval
Ministros suspeitam que reunião sobre Master foi gravada clandestinamente
Wall Street caminha para perdas semanais, com quedas em tecnologia compensando alívio inflacionário
Suzano vai fazer novo reajuste de preços em todos os mercados em março
Chefe da OMC pede reforma do sistema comercial global
Bessent diz que comissão do Senado dos EUA seguirá com audiências para confirmar Warsh no Fed