Soja tem nesta semana o melhor momento de lucratividade dos últimos 12 anos, aponta Paulo Nicola

Publicado em 10/07/2020 16:41 e atualizado em 17/07/2020 11:30 5454 exibições
Paulo Roberto Nicola - Empresário e Produtor Rural na Região de Santiago/RS
Gestão financeira: Paulo Nicola abre planilha de custo para o Notícias Agrícolas e mostra que "os astros se alinharam"

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Gestão financeira: Paulo Nicola abre planilha de custo para o Notícias Agrícolas

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Na quinta-feira, os preços da soja alcançaram R$ 105 no interior do Rio Grande do Sul (região de Santiago, parte central  do Estado) levando os custos de produção a patamares os mais baixos dos ultimos 12 anos de comercialização da oleaginosa no Brasil.

O produtor e empresário Paulo Nicola, que tem por caracteristica acompanhar os números desde a safra de 2009, não titubeou: num telefonema à cooperativa AgroPan, encerrou todas as suas compras numa tacada só.

Travou 30% do valor futuro do que espera colher (com base nos preços de maio, hoje avaliados em R$ 100/saca), com lucro de 27% sobre a média das despesas, e manteve o restante da produção disponível para vendas a futuro - mas, agora, com receita livre de despesas.

-- "Um lucro excepcional, mesmo em ano de baixa produção", explica. (Na sexta-feira o IBGE  divulgou que a média do produção em todo o Estado gaúcho recuou para 29,80 s/há).

Autor de livros sobre gestão financeira, e criador de planilha de custos sobre comercialização da soja, o empresário fez, com exclusividade para o Notícias Agrícolas, a comparação de despesas e receitas numa lavoura de 500 hectares.

Nessa área, ele investiu 16.955 sacas (ao valores de R$ 100/maio) para cobrir os custos totais da produção. E com a relação de custo-venda nas mãos, chegou ao custo de 33,91 sacas por hectare, o mais baixo (e, portanto), o mais lucrativo) de sua história como produtor rural.

Nesta entrevista, Paulo Nicola explica como faz o balanço financeiro de sua propriedade, cuja planilha pode ser conferida logo abaixo.

Mesmo assim, a grande maioria dos produtores encontram-se em situação desesperadora em relação à solvencia economica da atividade.

" Falta gestão financeira nas propriedades", diz Nicola a João Batista Olivi, jornalista do Notícias Agrícolas. "O pessoal está sempre correndo atrás, e parece que nunca sobra dinheiro. No entanto o negócio soja é o mais lucrativo que temos no País; basta fazer o controle do custo e acompanhar o mercado para vender sempre que o lucro aparece", ressaltou o produtor e empresário rural.

Nicola que defende que a administração rural deve focar em resultados e em lucros. Por isso, nem sempre a produtividade e a atenção ao mercado externo são os fatores mais importantes.

-- "É espantosa a quantidade de gente que está no risco, mesmo com os preços excepcionais que estamos vivenciando. Por isso é bom prestar atenção nas contas", adverte. (Acompanhe a entrevista acima).

Veja também: Por que o mercado avalia o produtor pela produtividade e não pelo que sobra? pergunta Paulo Nicola

Brasil bate recorde em exportações agropecuárias de junho puxado por soja, açúcar e carnes

SÃO PAULO (Reuters) - As exportações do agronegócio do Brasil atingiram em junho um recorde para o mês em termos de valor, a 10,17 bilhões de dólares, alta de 24,5% na comparação com igual período do ano passado, informou o Ministério da Agricultura nesta sexta-feira.

Segundo a pasta, o resultado foi puxado especialmente pelas vendas de soja, açúcar e carnes bovina e suína, em momento de firme demanda externa e câmbio favorável às commodities brasileiras, com a desvalorização do real frente ao dólar.

A soja --principal produto de exportação do Brasil-- liderou a lista, somando receitas de 5,42 bilhões de dólares no mês passado, avanço de 53,4% em relação a junho de 2019.

Os embarques de soja do Brasil totalizaram 13,8 milhões de toneladas em junho, aumento de mais de 60,8% no ano a ano, impulsionados especialmente pela grande demanda da China.

De acordo com os dados do ministério, os chineses adquiriram 70% da soja exportada pelo Brasil em junho. O país asiático também foi o principal destino dos embarques de carnes bovina e suína, cujas aquisições pela China saltaram quase 150% para cada proteína ao longo do primeiro semestre, segundo associações do setor.

No total, a China é responsável por 65% do crescimento em valores absolutos das exportações agrícolas brasileiras entre junho de 2019 e junho de 2020, afirmou o ministério.

A pasta também destacou o forte aumento nas exportações de açúcar, que em junho dispararam 94,8% em termos de volume, para quase 3 milhões de toneladas, e 80,4% em termos de valor, atingindo 810,80 milhões de dólares.

Em um momento em que as usinas brasileiras fabricam mais açúcar do que etanol, encorajadas pelo câmbio favorável e pela redução na demanda por combustíveis em função da pandemia de coronavírus, temores de um aperto na oferta global do adoçante chegaram a causar congestionamentos nos portos do país para que navios fossem carregados com o produto.

A participação do agronegócio nas exportações do Brasil foi de 58,6% em junho, ante 44,4% no mesmo mês do ano passado.

Bons preços compensaram perdas da safra de verão em Sta. Catarina, avalia  FAESC

A estiagem prolongada em Santa Catarina reduziu a produção agrícola da safra de verão (julho/2019 a abril/2020) no Estado, mas, em razão dos bons preços praticados no mercado, não comprometeu os resultados econômicos. A avaliação é da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), que participou nesta semana da apresentação dos dados pelos técnicos do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) em evento virtual que marcou o encerramento da safra de verão e a abertura da safra de inverno no Estado.

De acordo com a Epagri, a estiagem atrasou o plantio e trouxe queda de produtividade, principalmente para as lavouras de milho, soja e feijão. O milho total teve uma redução de 3,48% na área plantada, queda de 10,78% no total produzido e enfrentou uma produtividade 7,57% menor, em comparação com a safra 2018/19. A soja teve produção total 2,52% menor do que no ciclo anterior e feijão teve redução de 6,18% na produtividade e de 3,12% na área plantada.

“Nós colhemos menos soja que no ano passado na safra de verão, plantamos uma área um pouco maior, em torno de 5%, mas a produção ficou em torno de 2,2 milhões de toneladas, enquanto na safra anterior colhemos 2,3 milhões. Na produção de milho, diminuímos a área e colhemos 300 mil toneladas a menos, somente 2 milhões de toneladas. Isso é um problema, porque o Estado precisa de 7 milhões de toneladas por ano para abastecer o sistema agroindustrial”, analisa o vice-presidente da FAESC, Enori Barbieri, ao destacar que os bons preços compensaram as perdas.

“O que nos salvou foi o bom preço do arroz em área plantada menor que na safra anterior, o bom preço da soja no mercado internacional com o dólar valorizado e o bom preço do milho, que praticamente equilibraram e até superaram os recursos recebidos na safra anterior. Apesar de todos os problemas climáticos, tivemos uma boa safra de verão neste ano”, avalia.

Os números da Epagri confirmam a avaliação do dirigente. O arroz foi um dos destaques da safra de verão. A produtividade de 8.391kg/ha ficou acima da média dos anos anteriores. No ciclo 2019/20 foram colhidas em média 168 sacas de arroz por hectare, contra média de 160 na safra passada. Apesar da alta oferta do produto no mercado, os preços se mantiveram em patamares elevados, graças à expectativa inicial de uma safra abaixo da média provocada pela estiagem no Sul do Brasil e à corrida aos mercados no início da pandemia, o que aumentou a demanda pelo alimento.

Além dos bons preços, a qualidade dos grãos de soja e de milho também foram destaque. O Estado exportou 1,4 milhão de toneladas de soja entre janeiro e junho, volume recorde, porém continua dependendo da importação de milho de outras regiões e países para suprimento das agroindústrias.

SAFRA DE INVERNO

Barbieri ressalta que o Estado não tem forte tradição na safra de inverno, cujas culturas agrícolas são plantadas a partir de maio, como trigo e cevada. Uma das razões é porque os fatores climáticos dificultam o cultivo.

“Santa Catarina responde pouco por estas culturas. Colhemos 150 mil toneladas de trigo, perante 6 milhões de toneladas em todo o Brasil. Haverá acréscimo neste ano no trigo, mas é uma cultura que tem muito problema climático no nosso Estado. A cada três safras, o produtor acerta uma. Por isso, a maioria dos produtores prefere plantar pastagens, investir na criação de gado, do que fazer plantio de inverno e atrapalhar a safra de verão que começa no final de agosto no extremo oeste”.

Mesmo assim, segundo estimativa da Epagri, a área plantada de trigo nesta safra deverá aumentar 7,82% em relação ao ano anterior, com um crescimento na produtividade média de 9%, alcançando 182 mil toneladas, incremento de 17,52% na produção. O Estado também prevê aumento de 55,54% na produtividade de cevada, 11,69% no total de alho produzido, 24,48% na aveia grão e leve queda de 1,42% na produtividade de cebola.

Na avaliação da FAESC, para a próxima safra de verão, a maior disponibilidade de recursos em crédito e seguro rural deve impulsionar a produção agrícola no Estado.

“Não faltarão recursos para os produtores que queiram fazer suas lavouras. Por isso, creio que vamos voltar a fazer uma boa safra e, se tivermos clima bom, vamos bater novo recorde de produção em Santa Catarina”, projeta Barbieri.

Faturamento das lavouras cafeeiras no Brasil atinge R$ 29,0 bilhões em 2020

A receita bruta total dos Cafés do Brasil foi estimada em R$ 29,02 bilhões para o ano de 2020, tendo como referência os preços médios recebidos pelos produtores de janeiro a junho e a previsão da safra deste ano. Em ordem decrescente, no ranking dos seis estados com maior faturamento da lavoura cafeeira, Minas Gerais figura em primeiro lugar, com receita de R$ 17,56 bilhões, que corresponde a 61% do total do faturamento do café. O segundo colocado, Espírito Santo, deve faturar R$ 5,02 bilhões neste ano, sendo responsável por 17% do total.

Na sequência, como destaque em terceiro lugar, São Paulo tem faturamento estimado de R$ 3,16 bilhões e deve contribuir com 11% da receita bruta dos Cafés do Brasil em 2020. Em seguida, estima-se que a Bahia terá faturamento de R$ 1,44 bilhão, que corresponde a 5% do total. E, em quinto e sexto colocados, estão os estados de Rondônia e Paraná, cujas lavouras devem receber R$ 847 milhões e R$ 511 milhões e, respectivamente, são responsáveis por 3% e 2% da receita bruta dos Cafés do Brasil neste ano.

Os dados e números da performance dos Cafés do Brasil, ora em destaque, os quais permitem elaborar diversas análises e comparações do faturamento bruto das lavouras cafeeiras brasileiras, constam do Valor Bruto da Produção – VBP junho/2020 que é elaborado e divulgado pela Secretaria de Política Agrícola – SPA, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – Mapa, o qual está disponível na íntegra, assim como todas as demais edições desse documento, no Observatório do Café do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café

Leia esta ANÁLISE/divulgação na íntegra na página da Embrapa Café,  do Observatório do Café e do Consórcio Pesquisa Café. (Conheça também o Portfólio de tecnologias do Consórcio pelo link http://www.consorciopesquisacafe.com.br/index.php/publicacoes/637 e também acesse todas ANÁLISES e notícias da cafeicultura).

SUPERÁVIT DO AGRONEGÓCIO EM JUNHO É 30% MAIOR QUE EM JUN/19, PUXADO POR EXPORTAÇÃO RECORDE (Broadcast Agro)

São Paulo, 10/07/2020 - O superávit do agronegócio em junho foi de US$ 9,346 bilhões, alta de 30% ante os US$ 7,184 bilhões obtidos em igual mês de 2019, mostram dados consolidados pelo Ministério da Agricultura. Em nota, a pasta destaca que as exportações do setor foram recorde para o mês ao atingirem US$ 10,17 bilhões, crescimento de 24,5% em relação a junho do ano passado. Já as importações diminuíram de US$ 984,55 milhões em junho de 2019 para US$ 826,28 milhões. Considerado o acumulado do ano, o superávit do setor é de US$ 45,397 bilhões, alta de 13% ante os US$ 40,131 bilhões de janeiro a junho de 2019.

"O agronegócio brasileiro aumentou a sua participação nas exportações brasileiras de 44,4% em junho de 2019 para 56,8%", destaca a Agricultura. Os embarques do complexo soja puxaram o desempenho no mês, com US$ 5,42 bilhões ante US$ 3,53 bilhões em junho de 2019. As vendas externas de carnes foram de US$ 1,41 bilhão (4,5%). "O volume exportado de carnes foi recorde para os meses de junho (626,5 mil toneladas). A carne bovina representou mais da metade do valor exportado de carnes, com registros de US$ 742,56 milhões. Tanto o valor mencionado como o volume (176,6 mil toneladas) foram recordes para os meses de junho."

Ainda conforme a pasta, o complexo sucroalcooleiro foi o setor que teve o maior aumento porcentual em exportações, considerando os principais setores do agronegócio, com alta de 74,5% entre os períodos, passando de US$ 536,12 milhões para US$ 935,37 milhões. "As exportações de açúcar de cana representaram a maior parte do valor exportado pelo setor, com US$ 810,80 milhões (+80,4%) e quase 3 milhões de toneladas exportadas (+94,8%). O álcool também registrou elevação nas vendas externas, subindo de US$ 85,83 milhões (junho de 2019) para US$ 122,71 milhões exportados em junho deste ano."

 

 

Fonte:
Notícias Agrícolas

2 comentários

  • Alvaro Andrade Biollo

    Interessante é que, nesses custos, não entram funcionários, depreciação de máquinas etc, além de que 90 por cento no minimo dos produtores venderam soja e 70, 75 reais em média...

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      Alvaro... Operacional (MO+encargos+adm.) Como falei abaixo, lanço todo maquinário como despesa e fujo da depreciação, ok? ... todo esse meu empenho é para que justamente esses 90% dos produtores não vendam por um preço inferior ao que vale.

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  • Evandro da Silva Nicola Maravilha - SC

    Boa, sr. Paulo... Então 2 perguntas: Se eu travar os custos e depois subir os insumos, como é que fica o custo total da lavoura ?

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    • Evandro da Silva Nicola Maravilha - SC

      Como no exemplo: Se colher as 24.000 sacas, quanto precisarei ter mesmo no total de liquidez em R$ ???

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      Oi Evandro, buenas. De uma maneira geral sugiro, como regra, ter em R$ o equivalente a 50 % da previsão de colheita. No exemplo, colherei 24.000 sc... então terei de ter o equivalente a 12.000 sc, ou seja , no valor que travamos a 100,00/sc/maio, seria então R$ 1.200,000. Voltaremos a clarear bem essa orientação

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      Ao travar 12.000 sc, terás, de imediato, que adquirir os insumos... pois os preços certamente mudarão, desfazendo a trava.

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      Caros produtores, como afirmei, momento único para garantirmos os custos da lavoura... mas para tanto, precisamos de liquidez para simultaneamente adquirirmos os insumos. Um alerta , não entrem nessa da tal de "troca de produtos", pois seria o primeiro passo para perdermos boa parte do lucro. Não façam essa bobagem, ok?

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    • Mario Costa Alfenas - MG

      Historicamente, qual o melhor mês para compra de insumos?? visto que este ano temos aspectos diferentes nesta composião de preços.

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    • Paulo Roberto Nicola Santiago - RS

      Mario, não se compra insumos sem uma previsão de quanto vamos faturar. Essa orientação de adivinhar mês para comprar não é adequada.... Precisas de uma política mais consistente de comercialização (compra de insumos e venda da produção). Demonstro como proceder nos videos acima, ok?

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