Área afetada pelo vendaval alcança faixa de 240 mil km² no coração do Corn Belt, relata analista americano

Publicado em 13/08/2020 10:24 e atualizado em 13/08/2020 13:50 9790 exibições
Aaron Edwards - Consultor de Mercado da Roach Ag Marketing
Efeitos do fenômeno no mercado deverão ser sentidos nas próximas semanas na medida em que as perdas ainda estão sendo contabilizadas. Aumentam agora as incertezas e a volatilidade sobre o andamento dos preços.

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Entrevista com Aaron Edwards - Consultor de Mercado da Roach Ag Marketing sobre as Tempestade severa castiga o Corn Belt

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A tempestade severa que chegou ao coração do Corn Belt nesta semana alcançou uma faixa de extensão de 800 x 300 km, segundo relata o consultor de mercado da Roach AgMarketing, Aaron Edwards, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta quinta-feira (13). Os estados mais afetados foram Illinois, Indiana e, principalmente Iowa, onde mais de 4 milhões de hectares foram devastados pelos ventos fortes e chuvas fortes. 

"Para o estado são cerca de 40% a 60% da área produtiva. Em nível nacional, são menos de 10%, talvez algo próximo a 8%", explica Edwards. Lavouras de milho e soja foram drasticamente penalizadas, porém, o cereal é o que mais sente agora. Campos na fase final de desenvolvimento ficaram acamados e trazendo prejuízos ainda mais graves para o já fragilizado produtor norte-americano. 

"Já houve prejuízo e vai reduzir a produção dos EUA, a dúvida é de quanto será. E o ouvi de pessoas que trabalham com o seguro da lavoura é de que depois da declaração de que houve dano é feita a avaliação e depois de um mês se faz uma nova avaliação para ver o que se recuperou para então indenizar alguma perda. Então, acredito que o mercado irá precificar esse prejuízos ao longo das próximas semanas", diz o analista. 

Muitos armazéns também foram destruídos pela tempestade - um fenômeno climático conhecido como 'derecho' - e isso, ainda como explica Edwards - também exercerá impacto sobre os preços. "O produtor que não tem mais a capacidade de armanzenagem, talvez, terá que vender na safra. Então, aquele efeito do preço safra sobre o qual falamos no começo da semana no Notícias Agrícolas vai se intensificar porque o produtor não terá a capacidade de armazenagem que pretendia ter". 

Edwards espera, portanto, que o mercado de grãos possa vir a registrar três momentos no pós fenômeno. Para as próximas semanas pode haver uma sustentação dos preços em função da incerteza sobre as lavouras, na sequência uma pressão em função das vendas mais acentuadas e, depois, com uma oferta um pouco mais limitada, as cotações poderiam encontrar um novo momento de suporte. "Pode ser que o vale da safra seja um pouco mais profundo mas, por outro lado, o teto ser um pouco maior", explica o consultor. 

O que já se espera é uma intensificação da volatilidade entre o andamento das cotações, e uma incerteza também mais forte que se estabelece no mercado internacional. 

PRODUTORES FRAGILIZADOS

Nos últimos dois a três anos, a situação dos produtores norte-americanos em função de um acúmulo de problemas. Em um passado bem breve, as perdas de alguns agricultores na safra 2019/20 chegaram, por conta das adversidades climáticas, aos 80% no Corn Belt. 

"Hoje é um momento muito difícil, inclusive emocionalmente, para os produtores, principalmente nesta área afetada. Nos removendo dessa questão emocional, o mercado de seguros aqui é bem desenvolvido, então é bem capaz que grande parte desses prejuízos sejam de alguma forma indenizado. Mas é muito difícil e às vezes essas questões de seguros demoram até anos para se resolverem completamente", relata Aaron Edwards. 

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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