Soja em Chicago tem sessão de ajustes, mas segue com viés de alta até mercado precificar real tamanho da oferta do grão na AMS

Publicado em 21/01/2022 17:28 1953 exibições
Flávio França Jr. - Chefe do Setor de Grãos da Datagro Consultoria
Datagro estima perdas irreversíveis de 27 milhões de toneladas na AMS o que pode favorecer uma volta da demanda aos EUA

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Entrevista com Flávio França Jr. - Chefe do Setor de Grãos da Datagro Consultoria sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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O mercado da soja encerrou o pregão desta sexta-feira (21) com baixas de mais de 11 pontos nos contratos mais negociados, levando o maio a US$ 14,23 e o julho a US$ 14,27 por bushel. Segundo explicou o chefe do setor de grãos da Datagro, Flávio França, parte dessas perdas veio em um movimento de realização de lucros e de correções frente a um dia de mais tensão no mercado financeiro, com aversão ao risco, e baixas do petróleo. 

As baixas de mais de 1% do farelo e a estabilidade nas cotações do óleo também pesaram sobre os preços do grão nesta última sessão da semana, depois de ambos também terem testado altas bastante fortes nos últimos dias. 

No entanto, França acredita que o mercado da soja na Bolsa de Chicago se mantém em um cenário de preços altos muito consolidados e que ainda não absorveu todas as perdas que têm se dado para a safra da América do Sul. A estimativa da Datagro é de uma baixa de 27 milhões de toneladas, o que deverá apertar os estoques finais norte-americanos e, consequentemente, globais para a commodity. 

"Com todas essas perdas teremos um gargalo de oferta que terá que ser compensado por produto norte-americano e uma hora isso vai chegar aos preços", diz o especialista, que acredita que as perdas observadas até agora são irreversíveis e bastante severas. "As chuvas previstas são ótimas para estabilizar (as baixas), inclusive com possibilidade de replantio". 

Enquanto o mercado busca entender o tamanho da quebra da safra sul-americana 2021/22, "com as perdas estando subestimadas, a expectativa é de que nas próximas semanas essa oferta menor do que o inicialmente estimado vindo da América do Sul deverá se traduzir em um maior interesse de vendas por parte dos produtores americanos. 

"Ao Chicago perceber que a safra sul-americana será bem menor, eles irão perceber que os estoques globais não serão o que o eles estão esperando e que os estoques americanos serão mais apertados. Esse grau de perdas (na AMS) não estava sendo esperada e o mercado ainda vai se firmar lá fora", explica França. 

MERCADO BRASILEIRO

O chefe da Datagro reforça ainda que toda essa incerteza instalada sobre a safra brasileira mantém os novos negócios no Brasil ainda bastante escassos, "porque o produtor não sabe o quanto vai colher e tem expectativa de que os preços vão subir". O país já comprometeu cerca de 35% da soja 2021/22, número baixo em relação aos últimos anos. 

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Por:
Aleksander Horta e Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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