Soja perde patamar dos US$16/bushel em Chicago e graficamente pode recuar até os US$15,20/bushel. Mas recuperação é esperada durante safra americana

Publicado em 01/04/2022 17:20
Marcos Araújo - Analista da Agrinvest
Apesar da queda de mais de R$30/saca na soja brasileira e uma perda de rentabilidade, atuais patamares de preços do grão ainda são remuneradores

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Entrevista com Marcos Araújo - Analista da Agrinvest sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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O mercado da soja registrou mais uma semana de forte volatilidade, movimentações bastante intensas, para fechar a sessão desta sexta-feira (1) com perdas de mais de 30 pontos nos primeiros vencimentos e mais de 20 nos mais longos. Assim, o maio terminou o dia com US$ 15,82 e o o agosto, US$ 15,31 por bushel. 

Segundo explica o analista de mercado Marcos Araújo, da Agrinvest Commodities, ainda não se trata de uma tendência de baixa estabelecida definitivamente sobre as cotações da oleaginosa, já que a oferta global está longe - e não só de soja - de se normalizar com uma safra cheia dos Estados Unidos, mesmo com uma área recorde que pode ser semeada com a oleaginosa nos EUA como estimou o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quinta-feira (31) na safra 2022/23. 

Afinal, Araújo afirma que há uma série de outros fundamentos ainda bastante sólidos para que os preços se recuperem, principalmente das últimas perdas. Em sua análise, o analista acredita que as cotações ainda podem testar o patamar dos US$ 15,20, também pelo fato de que não só os próprios fundamentos da commodity têm mexido no andamnento do mercado, mas com o cenário da guerra, por exemplo, trazendo muita instabilidade aos preços, além de uma força política de tentativa de controle da inflação. 

Mais do que isso, o analista afirma ainda que os próximos meses serão de extrema volatilidade - com boa parte do foco se voltando para o clima no Corn Belt - a crise de fertilizantes impactando também os produtores norte-americanos, o que pode fazer com que os 126 milhões de toneladas possam não ser alcançados.

"Qualquer ameaça climática nos EUA ou uma queda na produtividade norte-americana faz com que a segurança alimentar fique muito crítica", afirma Marcos Araújo. "E há vários governos trabalhando com várias informações tentando controlar a inflação, promovendo essas barrigadas no mercado (...) Mas os fundamentos são muito sólidos para uma recuperação de preços", completa.

Ainda nesta sexta-feira, também de acordo com o analista, houve pressão das baixas de mais de 4% no farelo de soja na CBOT. 
 
MERCADO BRASILEIRO

O analista também destaca a importância da proteção pelo produtor brasileiro neste momento da comercialização, já que os preços cederam muito nas últimas semanas em função do câmbio, além dos recuos dos futuros em Chicago. Os indicativos saíram de mais de R$ 205,00, R$ 210,00 por saca, para algo perto de R$ 176,00. Somente nesta sexta, a moeda americana caiu mais de 2% para encerrar o dia com R$ 4,67, com os preços da soja recuando até R$ 30,00 por saca nos últimos dias. 

E toda essa diminuição dos preços provocou uma considerável baixa na rentabilidade dos produtores nas principais regiões produtoras do Brasil. Os fretes estão em patamares muito elevados e se unem a este momento de valorização do real e pressionam ainda mais o sojicultor brasileiro. 

No vídeo acima, Marcos Araújo faz os cálculos que refletem o atual momento e as práticas que o produtor brasileiro ainda pode adotar para proteger seus preços, sua rentabilidade, em especial para a safra 2022/23. Acompanhe.  

Tags:
Por:
Aleksander Horta e Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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