Preços do açúcar atingem melhores níveis dos últimos 40 anos no Brasil

Publicado em 03/01/2017 07:14 e atualizado em 03/01/2017 08:36
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Sucroenergético: Produtores tiveram melhores oportunidades, porém, grande parte da safra foi fixada com antecedência e com valores abaixo dos recordes, mas melhores do que as das safras anteriores. Altas foram motivadas pelo ciclo de déficit de açúcar no cenário global. Apesar desses ganhos, recuperação de um dos maiores níveis de endividamento da história ainda continua no Brasil.
Confira a entrevista de Guilherme Nastari - Diretor-Datagro

O ano de 2016 foi peculiar para o setor sucroenergético, segundo Guilherme Nastari, diretor da Datagro. A safra teve muita umidade no começo em decorrência do El Niño e depois sofreu com ventos extremos, o que gerou um canavial irregular e uma quebra de safra, que é reflexo dos preços altos observados no mercado.

Ele também aponta que o ano consolidou o ciclo de déficit do açúcar, com aumento de preço no mercado internacional e interno. "Se converter o preço internacional em reais é o nível recorde dos últimos 40 anos de açúcar", aponta. No entanto, grande parte da safra foi fixada na safra anterior, logo, a fixação média ficou abaixo, mesmo com os preços mais altos.

Os preços mais altos foram acessados pelo produtor de cana, pois açúcar e etanol possuem o desafio de fixar na safra anterior. Neste momento, a Datagro estima que 65% da safra já está fixada a 18,19 cents de dólar, um valor maior do que na safra anterior.

O mercado mundial também aguarda pelo plantio de beterraba que, dependendo da intensidade, pode trazer um movimento para os preços. O incentivo da União Europeia para expandir a área de beterraba também pode fazer com que 2017 seja o último ano de déficit mundial.

O etanol, por sua vez, tem sua curva de preços buscando o preço de açúcar, que foi o custo de oportunidade da safra. O mês de setembro foi recorde de venda em etanol, mesmo com preços altos.

Nastari lembra ainda que a crise sobre as usinas ainda paira, já que estas estão no nível mais alto de endividamento da história. Os preços bons fizeram com que gerasse uma recuperação, mas o setor ainda está alavancado. "Precisa ter uma estratégia de busca de eficiência", diz. Por outro lado, as usinas também aguardam para que o preço viabilize a instalação de produção de energia a partir da palhada de cana.

Em relação ao Governo Federal, Nastari acrredita que a expectativa melhorou, embora ainda haja um desafio grande e reformas a serem feitas. Para ele, a infraestrutura é a questão mais crítica do Brasil, que faz o país perder muito em competitividade. No entanto, a Datagro está otimista para 2017.

Para os produtores de cana, os preços altos devem terminar. Ele aconselha que este é um momento importante para fixar, aproveitar preço e acompanhar de perto os movimentos de outras origens para ver o quanto uma nova unidade de açúcar pode impactar nos preços do Brasil.

 

Por: João Batista Olivi e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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