Mercado de Café: O Brasil e o resto do mundo

Publicado em 26/08/2012 06:03 e atualizado em 06/06/2013 16:59 1771 exibições
por Rodrigo Costa*

A minuta da reunião do FOMC (similar ao brasileiro COPOM) deu indicações mais fortes ao mercado de que o FED (Banco Central americano) está preparando novas medidas para estimular a economia.

As apostas de novas injeções de dinheiro (QE3 -quantitative easing 3) faz com que os agentes se antecipem em comprar ativos de risco, e com isso o dólar e os títulos da dívida americana enfraquecem – movimentos que estamos acompanhando desde o começo do mês de agosto.

Desta forma as commodities se beneficiaram por mais uma semana, ainda que os volumes negociados estejam fracos em função das férias – que estão acabando.

O café ficou virtualmente inalterado nos últimos cinco dias, principalmente em Nova Iorque. Em Londres a queda acabou encontrando bom interesse de compra evitando uma queda mais acentuada.

A procura da indústria começa a melhorar, mesmo que seja mais via consulta do que concretização de negócios, e a partir do começo de setembro novas compras certamente precisarão ser feitas.

O comportamento dos estoques certificados nas duas principais bolsas do mundo cafeeiro em nada ajuda o primo rico, mas vale notar que o aumento na ICE não é de café de qualidade desejada. Em outras palavras entre um grão sem características “especiais” muitos têm preferido colocar no “blend” produto com preços mais atrativos (até quando não se sabe).

Do lado das origens foi divulgado que entre os meses de outubro de 2011 e julho de 2012 os países produtores da América Central, junto com México, Colômbia, República Dominicana e Perú exportaram um total de 23.4 milhões de sacas, 1.13% a mais do que o período anterior. 

Estimativas de safra de Colômbia e Vietnã tem se mostrado otimistas, com muitos crendo que o primeiro produzirá próximo de 10 milhões de sacas em 12/13, e o segundo talvez chegue próximo dos 25 milhões do ano corrente – claro que tem outros que trabalham com números menores.

No principal país produtor a demanda local, mantém os diferenciais firmes, o que força o importador internacional a pagar prêmios para os cafés “fine-cup”. O fluxo de negócios entretanto é bem aquém do normal para a época do ano, fruto de uma (in)digestão lenta da queda forte do terminal.

Tomando por base o que vemos no Brasil a impressão que dá é que o mercado futuro tem que subir, pois querendo ou não o mundo precisa do café do país, e os produtores tem preferido se endividar a vender nos preços atuais (o que pode prejudicar o médio prazo mas ajuda o curto). 

Por outro lado se ampliarmos o foco temos mais dúvidas do que certezas, tamanha a falta de reação dos preços.

Teimosamente acho que já vimos as mínimas deste mercado.

A proximidade do período de compras dos “final users” juntamente com uma posição recorde vendida dos fundos, darão suporte e tornarão mais difíceis a partir de agora o trabalho dos “ursos” (baixistas).

Por sinal não custa dizer que os fundos venderam 7 mil contratos na ICE entre os dias 14 e 21 de agosto provocando uma baixa de apenas 1.80 centavos por libra.

Uma excelente semana e muito bons negócios a todos.

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte:
Archer Consulting

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