Café: Os estoques estão praticamente zerados com os recordes de exportação e problemas das últimas safras

Publicado em 27/05/2016 17:39
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Tivemos um mercado típico de entressafra nesta semana encurtada no Brasil pelo feriado nacional de ontem, Corpus Christi. Como na próxima segunda-feira, dia 30, é feriado nos USA, comemoram o “Memorial Day”, muitos profissionais do mercado de café aproveitaram para fazer um final de semana mais longo. 

Estamos no final de maio e os poucos lotes da safra 2015 ainda existentes estão em mãos de cafeicultores que não demonstram vontade de vender nas bases de preços oferecidas pelos compradores. O Brasil teve sérios problemas climáticos em 2014 e 2015, o que prejudicou as safras brasileiras de café 2014 e 2015. Simultaneamente, a crescente necessidade de café no mercado internacional, com o contínuo aumento do consumo mundial, levou o Brasil a bater recordes de exportação também em 2014 e 2015. O resultado de problemas climáticos em anos de recorde de exportação foi que ficamos com nossos estoques praticamente zerados. Ninguém duvida que devam ser os menores em muitas dezenas de anos mas, infelizmente, por uma estranha coincidência, este ano a CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento não divulgou seu levantamento dos estoques privados brasileiros de café em 31 de março. 

Essa falha prejudica enormemente o cafeicultor brasileiro e suas lideranças deveriam trabalhar com muita disposição para que esse número seja informado ao mercado o mais rápido possível. É incompreensível a passividade dessas lideranças. 

A forte queda do volume de café exportado pelo Brasil em abril último, que deve se repetir nos embarques de maio e junho, confirma os baixos estoques brasileiros de café. Para complicar o cenário, é pequeno o volume de lotes da nova safra 2016 que chegam ao mercado. As chuvas fora de hora sobre os cafezais do sudeste brasileiro têm atrapalhado os trabalhos de colheita e começam a prejudicar a qualidade de nossa nova safra de arábica. Os primeiros lotes 2016 de qualidade são usados pelos cafeicultores para cumprir contratos de venda antecipada e esse cenário deve se repetir no mês de junho. 

O confuso e incerto cenário político e econômico, aliado a preços considerados baixos pelos cafeicultores, esta levando muitos produtores a venderem apenas o estritamente necessário para fazer frente às despesas mais próximas. Eles consideram que o café é cotado em dólares e preferem manter suas reservas em café, a salvo de eventuais e imprevistas mudanças na economia devido ao caótico cenário brasileiro. Concordamos com esse posicionamento dos cafeicultores brasileiros. 

Até dia 25, os embarques de maio estavam em 1.454.474 sacas de café arábica, 43.691 sacas de café conillon, mais 137.903 sacas de café solúvel, totalizando 1.636.068 sacas embarcadas, contra 1.741.896 sacas no mesmo dia de abril. Até o mesmo dia 25, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em abril totalizavam 1.912.421 sacas, contra 2.139.372 sacas no mesmo dia do mês anterior. Nesta semana mais curta, foram poucos os negócios fechados no mercado físico brasileiro. Os lotes colocados a venda encontram rapidamente interessados, mas as ofertas são consideradas baixas pelos vendedores. 

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 13, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 20, caiu nos contratos para entrega em julho próximo 340 pontos ou US$ 4,50 (R$ 16,25) por saca. Em reais, as cotações para entrega em julho próximo na ICE fecharam no dia 20 a R$ 582,94 por saca, e hoje dia 27, a R$ 579,57 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega julho a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 20 pontos. 
Fonte: Escritório Carvalhaes

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