Dólar abandona queda e têm viés de alta com dúvidas sobre cenários fiscal e político

Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista zerou a queda e oscilava perto da estabilidade nesta terça-feira, com viés de alta, deixando para trás perdas acentuadas registradas nas primeiras horas de pregão, refletindo dúvidas sobre o cenário fiscal e político depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, abafou boatos sobre sua demissão.
O dólar spot subia 0,13%, a 5,5028 reais, depois de chegar a cair 1,35%, a 5,4215 reais.
O contrato mais negociado de dólar futuro recuava 0,13%, a 5,5045 reais, às 14h31.
Ao final de uma segunda-feira marcada por rumores sobre sua saída do governo, o ministro Paulo Guedes afirmou que a confiança entre ele e o presidente Jair Bolsonaro é recíproca e também reforçou seu compromisso com o teto de gastos, dizendo que, diante da vontade da administração de investir em obras públicas, seu papel é alertar sobre as limitações colocadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Além disso, o presidente Bolsonaro disse à CNN Brasil que a saída do ministro nunca foi cogitada e que a chance de furar o teto de gastos é zero.
"Depois foi afirmado que o Guedes fica, que ele e Bolsonaro ficarão juntos no governo até o final, e aí o mercado abriu precificando (o dólar) para baixo. Mas logo vêm as novas perguntas: será que o Guedes está mesmo firme como está sendo afirmado? Ele vai cumprir a meta fiscal mesmo? Começam rumores", pontuou Vanei Nagem, da Mesa de Câmbio da Terra Investimentos, lembrando da forte pressão sobre o mercado de câmbio percebida na véspera.
Na segunda-feira, o dólar fechou em alta de 1,26%, a 5,4959 reais na venda, uma máxima em quase três meses.
Segundo Nagem, uma leve piorada no sentimento global também foi um fator que motivou a recuperação da moeda norte-americana ante o real.
No exterior, peso mexicano e lira turca, duas moedas pares do real, passavam a rondar a estabilidade contra o dólar, depois de terem registrado altas mais acentuadas no início do dia. Contra uma cesta de divisas fortes, o dólar apresentava fraqueza, mantendo tendência de queda vista desde julho em meio a dúvidas sobre a recuperação econômica dos Estados Unidos.
Além das crescentes tensões entre EUA e China após decisão do presidente Donald Trump sobre a Huawei, a corrida eleitoral norte-americana também estava no radar dos mercados internacionais.
Apesar de ter deixado para trás níveis recordes próximos a 6 reais em maio, o dólar ainda acumula alta de 37,2% contra o real em 2020 em meio a tensões políticas, incertezas econômicas e um cenário de juros baixos.
"A questão dos juros é sempre aquela: juros para baixo, dólar para cima", disse Vanei Nagem. "Mas não são só os juros que deixaram o dólar nesse nível. Também temos uma economia fraca, gastos públicos altos, frustação sobre privatizações... há um pacote de motivos."
Neste pregão, o Banco Central fez leilão de 12 mil contratos de swap cambial para rolagem com vencimentos divididos entre março e julho de 2021, em que vendeu o total da oferta.
(Edição de José de Castro)
0 comentário
Ações de Hong Kong se recuperam após decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas
Brasil e Coreia do Sul concordam em ampliar cooperação em minerais e comércio
UE diz que não aceitará nenhum aumento nas tarifas dos EUA após decisão da Suprema Corte: “acordo é acordo”
Índia adia negociações comerciais com os EUA após Suprema Corte rejeitar tarifas de Trump, diz fonte
Chefe do comércio dos EUA afirma que nenhum país disse que irá se retirar dos acordos tarifários
Alckmin diz que nova tarifa de 10% anunciada por Trump não afeta competitividade do Brasil