Fed vai apertar a política monetária, a única questão é a que velocidade
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Por Howard Schneider e Ann Saphir
WASHINGTON/SAN FRANCISCO (Reuters) - Alarmados com a persistência de um aumento desconfortavelmente acelerado dos preços, até mesmo as autoridades do banco central norte-americano mais flexíveis com a inflação agora concordam que precisarão apertar a política monetária neste ano. O debate não é mais sobre se, mas com que rapidez isso vai acontecer.
O presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, disse nesta quinta-feira que o banco central poderia aumentar as taxas de juros já em março e que agora a instituição está em uma "boa posição" para tomar medidas ainda mais agressivas contra a inflação, conforme necessário.
A presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly --que há muito tempo faz um contraponto "dovish" (flexível com a inflação) à abordagem de Bullard mais incisiva com a elevação dos preços--, disse em evento separado também esperar acréscimos nos juros neste ano, mesmo após avisar que um aperto monetário excessivamente agressivo poderia prejudicar o mercado de trabalho.
Mais cedo nesta semana, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, disse agora esperar dois aumentos na taxa básica de juros neste ano, uma reversão de sua visão de longa data de que o banco central deveria adiar a subida dos custos dos empréstimos até 2024.
Os formuladores de política monetária do Fed agora se dividem efetivamente em dois grupos: "aqueles que querem apertar a política monetária e aqueles que querem apertá-la ainda mais rapidamente", escreveu Bill Nelson, ex-economista do banco central norte-americano que agora é economista-chefe do Bank Policy Institute.
Embora a maioria das autoridades do Fed permaneça no primeiro grupo, afirmou ele, "tal distribuição resultaria em riscos de alta, e não de baixa, para a política monetária (exceto grandes surpresas econômicas, é claro)".
É uma grande mudança em relação a apenas alguns meses atrás, quando os formuladores de política monetária do Fed podiam ser divididos em três: aqueles que apoiavam um aperto monetário mais rápido, aqueles que adotavam uma abordagem mais lenta para o aperto e um contingente contra aumentos das taxas de juros por um ano, se não mais.
No mês passado, os banqueiros centrais dos EUA concordaram em encerrar suas compras de ativos em março e estabeleceram as bases para o que a maioria deles vê como pelo menos três aumentos nas taxas de juros neste ano.
A ata da reunião de dezembro, divulgada na quarta-feira, mostrou que alguns formuladores de política monetária do Fed querem agir ainda mais rapidamente para endurecer a política monetária, inclusive reduzindo o balanço patrimonial do Fed, de mais de 8 trilhões de dólares.
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