Reoneração de combustíveis compensa queda de alimentos e IPCA volta a subir em julho
![]()
Por Camila Moreira
SÃO PAULO (Reuters) - O IPCA voltou a subir em julho uma vez que a reoneração de combustíveis compensou a queda nos custos de alimentos e habitação, com a inflação em 12 meses voltando a acelerar no momento em que o Banco Central dá início ao processo de corte de juros.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,12% em julho, contra recuo de 0,08% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
O resultado ficou um pouco acima da expectativa em pesquisa da Reuters de variação positiva de 0,07% do índice no mês.
Com isso, o índice agora acumula em 12 meses até julho alta de 3,99%, subindo ante taxa 3,16% em junho, e voltando a ficar acima do centro da meta para a inflação este ano, que é de 3,25% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA.
A reaceleração já era esperada uma vez que começam a sair do cálculo do IPCA em 12 meses as deflações de julho, agosto e setembro do ano passado, provocadas pela desoneração de impostos. A taxa em 12 meses do IPCA também ficou um pouco acima da expectativa na pesquisa da Reuters, de alta de 3,93%..
Apesar dessa aceleração, o quadro inflacionário no país vem se mostrando beningno, o que levou o Banco Central a iniciar na semana passada um ciclo de afrouxamento da política monetária, com corte da taxa de juros Selic em 0,5 ponto percentual, a 13,25% ao ano.
Mas o BC avaliou ser pouco provável intensificar os cortes na Selic à frente, defendendo postura conservadora na flexibilização monetária e firme compromisso com a reancoragem das expectativas.
Em julho, o maior impacto entre os grupos foi exercido pela alta de 1,50% de Transportes, devido ao avanço de 4,75% nos preços da gasolina, subitem de maior peso individual no índice.
“A alta de julho capta a reoneração de impostos, com a volta da cobrança da alíquota cheia de PIS/COFINS”, explicou André Almeida, analista da pesquisa no IBGE
Os combustíveis em geral subiram 4,15% no mês, com altas em gás veicular (3,84%) e etanol (1,57%), enquanto o óleo diesel caiu 1,37%. Os aumentos nos preços da passagem aérea (4,97%) e do automóvel novo (1,65%) também contribuíram para o resultado do grupo Transportes.
Por outro lado, Alimentação e bebidas apresentou deflação de 0,46% em julho, graças principalmente à queda de 0,72% nos preços da alimentação no domicílio.
Destacam-se as reduções nos preços do feijão-carioca (-9,24%), do óleo de soja (-4,77%), do frango em pedaços (-2,64%), das carnes (-2,14%) e do leite longa vida (-1,86%).
Habitação também teve recuo nos preços, de 1,01%, com a maior contribuição vindo da energia elétrica residencial (-3,89%) devido à incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês de julho.
A inflação de serviços, acompanhada de perto pelo Banco Central, registrou alta de 0,25% em julho, depois de subir 0,62% em junho, acumulando em 12 meses avanço de 5,63%.
O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, caiu a 46% em julho, de 50% no mês anterior.
Na quinta-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a instituição tem conseguido realizar um “pouso suave” no combate à inflação e que o controle de preços tem sido obtido com impacto muito pequeno sobre indicadores econômicos.
De acordo com a pesquisa Focus mais recente, o mercado prevê que o IPCA encerrará este ano com alta de 4,84%, indo a 3,88% em 2024.
0 comentário
Wall Street encerra em baixa por crescentes preocupações com inflação
Dólar sobe aos R$5,0664 puxado pelo cenário político no Brasil e pelo exterior
Ibovespa fecha em queda com ruído político local
Governo revisa regra que exigia publicação das margens de distribuidoras de combustíveis
Wall St cai na abertura com salto de rendimentos por preocupações com a inflação
Dólar supera R$5,05 pressionado por exterior e política local