Dólar se reaproxima dos R$5,10 com foco nos juros dos EUA
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - Depois do forte avanço da véspera, o dólar encontrou certo alívio nesta quinta-feira no anúncio de uma inflação ao produtor mais fraca que o esperado nos EUA, mas ainda assim a divisa se recuperou durante a sessão e fechou novamente em alta, perto dos 5,10 reais, em meio a apostas de que o Federal Reserve adiará o início do corte de juros para julho ou setembro.
O dólar à vista fechou o dia cotado a 5,0908 reais na venda, em alta de 0,24%. Este é o maior valor de fechamento desde 9 de outubro do ano passado, quando foi cotado a 5,1315. Em abril, a divisa acumula elevação de 1,50%.
Às 17h15, na B3 o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,44%, a 5,1005 reais na venda.
Na quarta-feira, o dólar à vista já havia avançado 1,44% ante o real, após o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subir 0,4% em março, acima do esperado, disparando um forte movimento de reprecificação de cortes de juros nos EUA. A curva de juros norte-americana passou a indicar que o corte pode vir em setembro -- bem mais tarde do que era esperado no início do ano.
Nesta quinta-feira, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos EUA trouxe um pouco de alívio, ao subir 0,2% em março, após aumento não revisado de 0,6% em fevereiro. Economistas consultados pela Reuters previam aumento de 0,3% no mês passado.
O PPI pouco abaixo do esperado tirou um pouco de força do dólar ante as demais moedas, incluindo o real. Às 9h39, pouco depois do anúncio, o dólar à vista marcou a cotação mínima de 5,0587 reais (-0,39%).
No entanto, a queda não durou, porque o efeito do CPI ainda permeava os negócios em todo o mundo. Os rendimentos dos Treasuries de dez anos -- referência global de investimentos -- se mantinham em níveis elevados, acima dos 4,50%, o que deixava pouco espaço para uma queda consistente do dólar.
Às 11h20, o dólar à vista marcou a cotação máxima de 5,0919 reais (+0,26%).
“O dólar hoje está acompanhando bem o exterior depois do PPI, que veio abaixo do esperado. A moeda norte-americana caiu, depois se valorizou. Quem comanda o jogo é o CPI”, resumiu Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora.
Falas de autoridades do Fed ao longo do dia reforçaram recado de que não há pressa em cortar os juros. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse que "as perspectivas futuras são incertas e precisaremos continuar dependentes dos dados".
Já o presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, disse que os últimos dados de inflação mostram que o banco central "ainda não está onde queremos", enquanto a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, afirmou que a força da economia dos EUA e o recuo desigual da inflação são argumentos contrários a um impulso de curto prazo para reduzir a taxa básica de juros.
No fim da tarde o dólar também sustentava leves altas ante outras divisas de emergentes e exportadores de commodities, como o peso colombiano e o peso chileno, mas recuava ante moedas como o dólar australiano e o peso mexicano.
Às 17h15, índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,06%, a 105,260.
Pela manhã, o Banco Central vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados para rolagem dos vencimentos de junho.
À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de 684 milhões de dólares em abril até o dia 5, com saídas líquidas de 3,659 bilhões de dólares pela via financeira e entradas de 4,111 bilhões de dólares pelo canal comercial.
0 comentário
Solução para restrição de oferta de combustíveis é reajuste da Petrobras, dizem fontes do setor
Reino Unido aprova uso de bases britânicas pelos EUA para atacar locais de mísseis do Irã que têm como alvo navios
Dólar supera os R$5,30 em nova sessão de temores com a guerra no Oriente Médio
Durigan prega continuidade de gestão Haddad e prevê avanços em sistema de crédito e produtividade
Ibovespa recua para mínima em 2 meses sem sinais de arrefecimento de guerra
Chefe de Energia do Catar diz ter alertado sobre perigos de provocar o Irã