Híbridos resistentes a nematoides surgem como solução para manter produtividade no milho
A presença crescente de nematoides está impactando a produtividade do milho no Brasil e trazendo preocupações a produtores que antes atribuíam os danos à falta de nutrientes ou estiagem. O avanço de espécies como o nematoide-das-lesões e o nematoide-das-galhas é apontado por pesquisadores como uma das causas principais da desuniformidade das lavouras em todo o país.
Dados apresentados pela Embrapa Milho e Sorgo apontam que os sintomas do ataque de nematoides não seguem um padrão único: dependem da espécie presente, das condições do solo e da fase de desenvolvimento do milho.
“Com o sistema radicular comprometido, a planta perde eficiência na absorção de água e nutrientes, entra em estado de deficiência e reduz seu potencial produtivo. Na superfície, o problema aparece em forma de enfezamento, cloroses, murcha durante o calor do dia e espigas pequenas e mal formadas”, destacou Rodrigo Veras da Costa, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.
Ainda segundo a Embrapa Milho e Sorgo, mais de 40 espécies, divididas em 12 gêneros, já foram identificadas como parasitas de raízes de milho ao redor do mundo. No Brasil, quatro delas se destacam pelo impacto econômico e pela ampla distribuição: Pratylenchus brachyurus e Pratylenchus zeae — conhecidos como nematoides-das-lesões radiculares e ainda Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica — conhecidas como nematoides-das-galhas.
Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN) mostra que esse tipo de praga já compromete o potencial produtivo de quase uma safra inteira a cada dez ciclos. Em reais, as perdas acumuladas só no milho possam chegar a R$ 110,3 bilhões somente na cultura do cereal. “O gênero Pratylenchus, um dos mais agressivos, já aparece em mais de 75% das áreas avaliadas no país”, informou a SBN.
É um cenário que preocupa porque, ao contrário de outras pragas, os nematoides não desaparecem com o fim da safra. Eles permanecem no solo e se multiplicam rapidamente quando encontram plantas suscetíveis. Em regiões de safrinha, onde o milho entra depois da soja — cultura muito sensível ao ataque —, a população tende a aumentar.
Uma das frentes que mais tem crescido é o uso de híbridos capazes de reduzir a multiplicação dos nematoides no solo. A lógica é simples: se a planta não serve de hospedeira, a população tende a cair safra após safra, recuperando áreas que já estavam perdendo produtividade.
Diante desse cenário, pesquisadores destacam a importância de conhecer o Fator de Reprodução (FR) — índice usado para medir se determinado híbrido é hospedeiro, resistente ou capaz de reduzir a população de nematoides no solo. O valor é simples de interpretar:
● FR menor que 1 indica que a planta reduz a população do nematóide;
● FR igual ou próximo de 1 mostra que o híbrido praticamente não permite multiplicação, mantendo a população do nematoide estável;
● FR acima de 1 significa que o nematoide encontra ambiente favorável para se expandir, aumentando sua população.
Para áreas infestadas, o FR se tornou uma ferramenta decisiva. Técnicos recomendam que híbridos utilizados na rotação soja–milho, ou em regiões de ocorrência conhecida, apresentem FR abaixo de 1 — preferencialmente próximo de zero — para que o solo possa ser "descompactado biologicamente” ao longo das safras.
“Esse cenário reforça a importância do banco genético da LongPing High-Tech, que nos permite desenvolver híbridos com eficiência comprovada na redução da reprodução de Pratylenchus brachyurus e dos nematoides-das-galhas. Materiais das marcas Morgan, Forseed e TEVO têm se destacado, especialmente em áreas de alta pressão, entregando mais segurança e estabilidade ao produtor”, afirma Anderson Versari, gerente nacional de Desenvolvimento de Produtos.
Resultados de campo mostram que esses materiais ajudam a derrubar o chamado “fator de reprodução”, indicador usado para medir se o nematoide está aumentando ou diminuindo no solo. Quando o número fica abaixo de 1, significa que a planta está reduzindo a presença da
praga — um efeito considerado sustentável e com reflexo direto nos custos a médio prazo.
Cada híbrido apresenta características específicas que atendem às necessidades de diferentes condições de campo, desde áreas com histórico de infestação até regiões de alta pressão de nematoides.
Confira os principais híbridos e suas indicações:
● MG616 (Morgan)
Indicado para áreas com histórico de nematoides, o híbrido contribui para o manejo de espécies de Meloidogyne sp. O uso contínuo auxilia na recuperação gradual do solo e na estabilidade produtiva ao longo das safras.
● MG540 (Morgan)
Híbrido que apresenta um baixo fator de reprodução para os nematoide-das-lesões e o nematoide-das-galhas, mantendo a população destes praticamente estável, até mesmo reduzindo utilizando outras ferramentas no manejo integrado.
● FS695 (Forseed Sementes)
Apresenta desempenho consistente em áreas com pressão de nematoides, ajudando a diminuir a população no solo. É uma alternativa para sistemas intensivos, especialmente em rotação
soja–milho.
● FS566 (Forseed Sementes)
Atua como ferramenta de manejo sustentável, reduzindo a multiplicação de nematoides e contribuindo para menor dependência de controle químico ao longo do tempo.
● FS560 (Forseed Sementes)
Indicado para áreas já infestadas, o híbrido ajuda a limitar a reprodução de Pratylenchus e Meloidogyne, favorecendo o equilíbrio do sistema radicular e a manutenção do potencial produtivo.
● T1503 (TEVO Sementes)
Desenvolvido para ambientes com presença recorrente de nematoides, apresenta eficiência comprovada na redução populacional de Meloidogyne incognita, auxiliando no manejo de
médio e longo prazo.
● T1508 (TEVO Sementes)
Contribui com o manejo de Pratylenchus brachyurus e com redução do nematoides-das-galhas, sendo utilizado como estratégia de mitigação de riscos em áreas problemáticas.
● T1680 (TEVO Sementes)
Destaca-se pelo efeito consistente na redução de Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita, apoiando a sustentabilidade produtiva e a redução de custos com defensivos.
A genética, nesse cenário, assume papel central, oferecendo lavouras mais resistentes, previsíveis e capazes de sustentar o crescimento do milho de forma sustentável.
Para o setor, os híbridos vão além de uma simples alternativa: representam uma estratégia eficaz para manter áreas produtivas sem depender exclusivamente de defensivos ou de reformas de solo. No entanto, a adoção de outras ferramentas no manejo integrado de nematoides se mantém fundamental para um combate eficiente ao longo das safras, e à medida que a agricultura brasileira avança em produtividade e tecnologia.
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