Exportação de melão 2025/26 está 6% acima da safra passada; RN deve dobrar embarques na temporada

Publicado em 27/02/2026 07:30 e atualizado em 27/02/2026 11:12
Entre agosto/25 e janeiro/26 Brasil já exportou mais de 194 mil toneladas da fruta; investimentos no porto de Natal ajudam nesse escoamento

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Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026 o Brasil exportou mais de 194 mil toneladas de melão, volume que é 6% superior as 183 mil acumuladas entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, consolidando boas perspectivas para a safra 2025/26. 

De acordo com informações dos colaboradores do Cepea, produtores do Rio Grande do Norte e Ceará anteciparam as colheitas com receio do período mais chuvoso (janeiro a março), o que ajudou a impulsionar os embarques dessa primeira metade da temporada. 

Entre os principais destinos do melão brasileiro neste período estão Países Baixos (43,34%), Espanha (24,88%), Reino Unido (23,16%) e Canadá (3,27%). Os mesmos compradores também ocuparam a liderança durante o mesmo período da safra passada. 

RIO GRANDE DO NORTE 

O Rio Grande do Norte é atualmente o segundo colocado entre os estados que mais exportam frutas do Brasil. Segundo dados da Secex, em todo 2025 o estado exportou US$ 269,5 milhões, atrás apenas de Pernambuco, e valor 33% superior ao registrado em 2024, quando o estado foi o terceiro colocado no ranking (atrás de Pernambuco e Bahia). 

Já nesta safra 2025/26 as expectativas são ainda maiores, com a capacidade do estado exportar até 300 mil toneladas de frutas frescas via porto de Natal, volume que é o dobro da quantidade exportada na safra anterior e consolidaria o terminal potiguar como o principal polo nacional de exportação de frutas. 

O movimento é sustentado por massivos investimentos realizados no terminal portuário. Em agosto de 2025, durante a realização da Expofruit em Mossoró/RN, a Governadora Fátima Bezerra anunciou a disponibilização de R$ 130 milhões por parte do Governo Federal para melhorias de infraestrutura. 

"Isso foi uma demanda trazida, principalmente, pelo setor de frutas de Mossoró e de Baraúna. Agora as obras já estão em curso, desde a dragagem do porto, as defesas da ponte, a questão das defesas do cais e a reforma dos galpões que estão em curso, inclusive com a instalação de uma usina fotovoltaica. O que isso significa? Esses investimentos de cerca de R$ 130 milhões, significam melhorar a logística, a capacidade de navegação para que a gente possa fazer crescer cada vez mais as nossas exportações, principalmente no setor de frutas, porque hoje, infelizmente, parte está indo pelo Porto de Pecém (CE), outra parte para Suape (PE) e agora até Cabedelo (PB)”, disse a Governadora na ocasião. 

Em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, Carlo Porro, CEO da Agrícola Famosa, maior exportadora potiguar do setor, destaca as vantagens competitivas do porto e do modal dedicado: “As vantagens de ter um porto dedicado e, principalmente, um navio dedicado, são a qualidade da fruta e o tempo de viagem. O navio não para em outros portos, a fruta chega mais rápido e no padrão ideal. Isso ajuda muito na qualidade da fruta”, explica. 

Atualmente, o Porto de Natal movimenta cerca de 10 mil toneladas semanais de frutas, principalmente de melão. Porém, a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) busca ampliar o atendimento e a diversidade de cargas, incluindo a possibilidade de exportar minério de ferro, açúcar e gado vivo nos próximos anos, com expectativa de iniciar a movimentação do minério já em 2027. 

NOVOS MERCADOS 

Outra aposta do setor é para a ampliação de mercados para além do continente europeu, que atualmente absorve cerca de 90% das frutas exportadas pelo Rio Grande do Norte. 

“Mandamos quase 90% de toda a nossa fruta produzida no estado do Rio Grande do Norte para a comunidade europeia, entretanto, é uma região que tem 500 milhões de habitantes. Hoje nós estamos com o pé já dentro da China, um país de 1,5 bilhão de habitantes. Estivemos em Xangai agora esse ano, buscando estreitar relacionamento com grandes importadores, inclusive trouxemos para a nossa Expofrut importador da China para desenvolver essa negociação, porque nós estamos visando aquele mercado. Apesar da distância, apesar da dificuldade de logística para colocar a fruta lá, mas a gente está cada vez mais alcançando essa possibilidade. Durante cinco anos, o melão da região de Mossoró era a única fruta aceita do Brasil no mercado chinês, agora já tem a uva de Petrolina. E a cada incremento de produtos que o mercado chinês aceita, nós aumentamos a chance de termos volume suficiente para termos linhas marítimas dedicadas para a fruta”, aponta Fábio Queiroga, presidente do COEX/RN.   

CONCORRÊNCIA 

Apesar de todas essas boas expectativas, para o restante dessa temporada (fevereiro até julho), o aumento da concorrência internacional, especialmente da América Central, pode atrapalhar os embarques brasileiros. 

Segundo informações do site internacional Fresh Plaza, as exportações centro-americanas já começaram e devem ser impulsionadas pelo aumento de áreas produtivas em partes da Costa Rica, com expectativas de melhor produção ao longo da temporada e volumes elevados exportados também pela Guatemala. 

“O aumento de exportações na América Central, que tem expectativas de uma melhor safra quando comparadas com os anos anteriores, podem atrapalhar os envios durante a entressafra brasileira, que ocorre de abril a junho, que vem de dois anos com volumes acima da média enviados”, explicam os pesquisadores do Cepea. 

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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