Moagem de cana no Norte e Nordeste sobe, com alta na produção de etanol e queda no volume de açúcar
A moagem de cana na safra 2025-2026 nas regiões Norte e Nordeste até 31 de janeiro totalizou 59 milhões de toneladas, alta de 2,5% na comparação com o montante de 57,6 milhões de toneladas processado em igual intervalo da temporada anterior. A alta, puxada pelo resultado do Nordeste, já que no Norte houve queda, é baseada em dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e compilados pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio).
A avaliação do presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha, sobre os resultados das usinas do Norte e Nordeste apurados até 31 de janeiro, aponta alguns itens que influenciaram o desempenho nas duas regiões: “imprevisibilidades de produção no mercado internacional de açúcar, depreciação do dólar no câmbio de exportação e tarifas exageradas nas exportações para os Estados Unidos no âmbito da cota americana”.
“Tudo isso incentivou uma mudança de mix do destino da produção, migrando do açúcar para o etanol. Nesse cenário, os preços de venda estão abaixo dos custos do setor, impedindo que ocorra maior valorização nas bolsas de açúcar do VHP e do produto refinado, o que justifica a destinação maior da produção para o etanol,” concluiu Cunha.
Números mistos de moagem nas regiões
Na Região Norte, a moagem recuou 2,6%, caindo de 7,3 milhões para 7,1 milhões de toneladas, enquanto no Nordeste registrou-se alta de 3,3%, saltando de 50,2 milhões no mesmo período da safra anterior para 51,8 milhões de toneladas. A despeito da leve alta de cana processada no Nordeste, a produção de açúcar apresentou redução de 10,8%, considerando o total das duas regiões, com 3,323 milhões de toneladas produzidas ante 3,725 milhões de toneladas do ciclo anterior.
No etanol, a produção total nas regiões Norte e Nordeste chegou a 2,530 milhões de metros cúbicos, aumento de 12,7% frente ao apurado no mesmo período da temporada passada. O anidro foi o principal responsável pelo crescimento, com alta de 44% no acumulado até 31 de janeiro. Já a produção do hidratado recuou 5,6%.
Os dados de ATR – Açúcar Total Recuperável, principal indicador de qualidade da cana-de-açúcar, também refletem o quadro de ligeiro avanço da moagem. O ATR total nos produtos finais subiu 1,3% nas regiões Norte e Nordeste, com o indicador por tonelada de cana, porém, recuando 1,2% no consolidado regional.
No comparativo entre projeção e realização da safra 2025-2026, até 31 de janeiro, o setor alcançou 81,3% da moagem estimada de cana-de-açúcar no total das regiões. A Região Norte, que em dezembro de 2025 praticamente encerrou a moagem na atual safra, apresentou execução mais avançada, com 90,1% da previsão, enquanto o Nordeste atingiu 80,1%. No etanol total, o índice de realização foi de 78,2% no consolidado regional, com destaque para o Norte, que já alcançou 97,9% da estimativa prevista para o período.
Estoques de etanol
Os estoques físicos de etanol nas Regiões Norte e Nordeste também apresentaram queda na comparação entre as safras. Na posição até 31 de janeiro, o estoque total somou 327,8 mil metros cúbicos, recuo de 14,7% em relação aos 384,5 mil metros cúbicos registrados na mesma data de 2025. O etanol anidro apresentou redução de 15,85%, enquanto o hidratado teve queda de 13,33%.
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