Lula assegurou tratamento técnico do Banco Master no BC e não há culpa de Campos Neto, diz Galípolo
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Por Bernardo Caram
BRASÍLIA, 8 Abr (Reuters) - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira que teve total autonomia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar o tema do Banco Master de forma técnica, acrescentando que não há indício de culpa do ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto em eventuais problemas relacionados ao banco de Daniel Vorcaro.
"Não há em nenhum processo de auditoria ou de sindicância nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos", disse Galípolo em audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre crime organizado.
Mais cedo nesta quarta, Lula afirmou que "todas as falcatruas" envolvendo o Master foram geradas por ações do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, acrescentando que Campos Neto teria sido "a serpente que pôs o ovo" e produziu o escândalo de fraudes.
A participação de Galípolo na CPI foi aprovada com o objetivo de esclarecer fatos relacionados ao Master, que foi liquidado pela autoridade monetária. Também estava prevista a presença de Campos Neto, agora vice-presidente do conselho do banco digital Nubank, mas ele não compareceu.
De acordo com Galípolo, em encontro do qual participou com a presença de Daniel Vorcaro em 2024, Lula disse ao banqueiro que Master seria tratado de forma técnica pelo BC.
"(Lula disse) 'seja o mais técnico possível, você tem toda autonomia nesse processo para você perseguir seja quem for e investigar seja quem for... Faça o trabalho técnico, você tem toda autonomia, não importa quem seja'", disse Galípolo.
O presidente do BC afirmou que no encontro Vorcaro argumentou que o Master estava com dificuldade de captação no mercado por ser perseguido por instituições que viam o banco em crescimento como concorrente, tese que o presidente do BC refutou com argumento de que o Master "não tinha tamanho para isso".
Galípolo afirmou que não tratou posteriormente sobre o tema do Master com membros do governo.
A liquidação extrajudicial do banco foi decretada pelo BC no ano passado, e Vorcaro, seu dono, foi preso após operações da PF que investigam suspeita de fraudes bilionárias e suposto comprometimento das apurações das autoridades.
O presidente do BC acrescentou que participou de conversas com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) apenas sobre possíveis efeitos da Lei Magnitsky dos Estados Unidos, que chegou a impor sanções contra o ministro da Corte Alexandre de Moraes. Segundo ele, o tema do Master não foi tratado nessas conversas, que aconteceram de forma presencial.
Em relação ao suposto envolvimento de servidores do BC em ilícitos investigados no caso, Galípolo apontou dificuldade de identificação dos responsáveis, que tinham décadas de serviços prestados e, segundo ele, eram vistos com respeito na instituição e no mercado. Ele ponderou que investigação interna da autarquia levou ao afastamento dos servidores e ao compartilhamento de informações com a Polícia Federal.
Em março, operação da PF teve entre os alvos Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, e Belline Santana, que foi chefe do Departamento de Supervisão Bancária da autarquia. Eles participavam de um grupo de WhatsApp com o próprio Vorcaro que discutia questões do Master referentes ao BC.
Na audiência, Galípolo disse ainda que ligou recentemente para o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), relator de apuração sobre a liquidação do Master pelo BC, e perguntou se há previsão para conclusão do caso e votação pelo plenário. Segundo ele, a resposta foi que o processo continua em aberto.
(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)
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