Dr. Paulo tira onda com neomalufista Lula, por José Nêumanne

Publicado em 29/06/2012 07:02 597 exibições
Apoio de Maluf tira votos de Haddad em SP, artigo de José Nêumanne (Jornalista, escritor e editorialista do Jornal da Tarde/SP).

Lula ainda garante que não se arrependeu da troca de afagos com Maluf, mas rejeição de petistas já faz Haddad perder um quarto de eleitores conquistados...


Uma das principais características de Paulo Maluf é o cinismo retórico. No entanto, nada há a lamentar ou a corrigir na declaração que ele deu sobre o polêmico flagrante no qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ele trocaram afagos diante do constrangido candidato petista à Prefeitura paulistana, Fernando Haddad. “Quero dizer em alto e bom tom que o PT se comportou à direita de Paulo Maluf. Eu perto do PT hoje sou comunista. Eles defenderam mais do que eu as multinacionais e os banqueiros”, pontificou. Impossível encontrar algo que se possa desmentir ou condenar: tudo é irretocavelmente verdadeiro.

No mesmo dia em que o novo aliado falou com a precisão de um analista político, Lula prometeu morder as canelas dos adversários, dirigindo-se indiretamente ao principal adversário de Haddad na eleição de outubro, José Serra, do PSDB. Sabe-se lá como o fundador da Psicanálise, o austríaco Sigmund Freud, classificaria esse a bazófia lulista em sua clássica coleção de atos falhos no belo texto de Psicopatologia da vida cotidiana.´ Mas é inegável que gente normalmente chuta canela, não morde. A bravata do guru petista foi tão infeliz que permitiu ao tucano Orlando Morando, de São Bernardo do Campo, pátria do sindicalismo que lançou o sindicalista que chegou ao topo da política fazer um comentário desrespeitoso: “Em São Paulo, Lula não é um pit bull. Ele não passa de uma Lassie”, cadela que foi estrela de cinema. A ousadia tem motivação histórica: o PT perdeu as duas últimas eleições municipais com Marta, derrotada pelo próprio Serra e um de seus baluartes agora, o prefeito Gilberto Kassab (PSD). Mas o ex-presidente não se fez de rogado e garantiu que não se arrependeu de se ter deixado fotografar com o risonho aliado que já foi por ele definido como “filhote da ditadura”.

Talvez ele devesse. Pesquisa da DataFolha publicada ontem deu conta de que 64% dos petistas rejeitaram o apoio de Maluf e concordaram com a ex-companheira Luiza Erundina, para quem o pragmatismo explica a coligação com o vilão por causa do minuto e meio a mais no horário eleitoral, mas provoca um desgaste político incalculável.

A mesma pesquisa desautorizou Lula, que ironizou o líder da preferência do voto, José Serra, que passou de 30% para 31%. De fato, um ponto porcentual a mais é pouco para quem seduziu quase um terço do eleitorado. Mas o que dizer da inversão de alta do favorito do ex-metalúrgico? Haddad perdeu 25% dos índices que quase tinham triplicado. Ele subiu de 3% para 8% e caiu para 6%. E agora, Luiz?

(Artigo publicado na página 2A do Jornal da Tarde de quinta-feira 28 de junho de 2012)


Jovens usam máscaras de Maluf para criticar Haddad

Por Guilherme Waltenberg, no Estadão Online:


O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, enfrentou protestos da juventude do PSOL em evento realizado na manhã desta quinta em São Paulo. Com máscaras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do deputado federal Paulo Maluf (PP), os manifestantes gesticulavam e gritavam “PT com Maluf, Maluf com PT” sempre que o pré-candidato petista ia responder às perguntas de jornalistas. O candidato petista participou nesta quinta de debate promovido pela Rede Nossa São Paulo, com avaliação do Plano de Metas da atual gestão municipal, de Gilberto Kassab (PSD). Segundo a instituição, Kassab cumpriu apenas 36% das suas propostas.

Sem dar muita atenção à manifestação, Haddad dirigiu suas críticas ao atual prefeito da cidade e ao adversário tucano neste pleito, José Serra. Questionado sobre qual nota daria a Kassab, Haddad foi assertivo: “3,6. Se ele cumpriu 36% das metas, que ele diz ter cumprido, é o máximo que ele merece.”

O petista questionou, contudo, a validade de uma avaliação do prefeito apenas pela porcentagem de metas atingidas. “Algumas metas não têm o mesmo peso (que outras). Transporte e saúde, por exemplo, envolvem a todos na cidade”, afirmou. Desde o início de sua pré-campanha, Haddad afirma que sua plataforma de governo engloba quatro pontos principais: moradia, educação, saúde e transporte, sendo que os últimos dois são considerados por ele “problemas crônicos” da Capital.

Devido à onda recente de violência urbana em São Paulo, Haddad dirigiu críticas ao setor e a “omissão” da Prefeitura. “É recorrente essa onda de violência. A Prefeitura não pode se omitir. Nos últimos oito anos ela se omitiu”, comentou, em referência à administração de Kassab e do seu antecessor, o atual adversário José Serra (PSDB).

”Não bate em mim”
A pré-candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, contou após o evento que debateu o plano de metas de São Paulo, que Haddad teria lhe feito um pedido logo após tecer críticas sobre o não cumprimento da totalidade das metas por parte da Prefeitura. “Não bate muito em mim”, teria pedido Haddad a Soninha, após a candidata publicar em seu Twitter comparação entre o descumprimento das metas por parte da Prefeitura e o descumprimento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pelo governo federal. “É mais forte do que eu, Haddad”, foi a resposta que Soninha afirmou ter dado ao petista.

Soninha também teceu críticas ao PT, partido ao qual foi filiada até 2007. “Agora (para o PT), tudo é obra do PAC. Foi o PAC que fez”, criticou traçando paralelo com o chavão eleitoral de Paulo Maluf, que em jingle da campanha passava por obras suas e repetia “Foi Maluf quem fez”.

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Jornal da Tarde

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