Nota da CitrusBr ao NA mostra as origens da crise que afeta os produtores de laranja

Publicado em 24/08/2012 12:33 725 exibições
Recebemos do sr. Christian Lohbauer, diretor-executivo da Citrus-BR, texto abaixo sobre a crise que afeta a citricultura brasileira. Destacamos trecho onde diz: "...a redução de consumo (mundial) é de de 65 milhões de caixas, praticamente toda a laranja que está apodrecendo..."

Caro João Batista, como está?

Tenho acompanhado a cobertura do Mercado e Cia sobre a tragédia que se abate sobre a citricultura e, em particular, sua incansável defesa do citricultor. Nós, aqui da CitrusBR, compartilhamos esse sentimento, com o mesmo pesar. Contudo, gostaria de passar algumas informações para sua reflexão e análise.

Tenho notado que você reiteradamente tem colocado a concentração das empresas como “culpada” do problema. Tenho certeza que há bons fundamentos para a formação de suas convicções, porém, tomo a liberdade, até por dever de ofício e pela liberdade que temos, de oferecer mais alguns dados para a sua análise.

O primeiro deles mostra que 71% do suco comprado está mão de apenas 30 empresas. Esse número passava de 100 poucos anos atrás e a tendência é piorar. Quando olhamos para o varejo, na Alemanha, maior comprador de suco na Europa, 80% do mercado está nas mãos de cinco empresas. Na frança, 74%. Nos EUA, 46% e assim por diante. Infelizmente, o mercado não se concentra por uma decisão espontânea, mas sim pelas pressões sofridas por grandes grupos cada vez maiores.

Falando do nosso mercado citrícola, a concentração chegou às vias que chegou porque muitas empresas não conseguiram fazer frente às dificuldades. Nesse caso ou fecharam, ou se juntaram com outras. O que estamos falando é uma escolha entre um mercado concentrado ou no pior dos casos a ausência de mercado. Por último, como ingrediente para sua análise, gostaria de oferecer um dado que vamos divulgar em breve. Entre as safras 2007/2008 e 2011/2012, as exportações brasileiras caíram de 1,4 milhão de toneladas de FCOJ equivalente para 1,16 milhão toneladas (Dados Secex).

Isso significa uma redução de consumo de 65 milhões de caixas, praticamente toda a laranja que está apodrecendo. Ou seja, se estivéssemos com o mesmo nível de consumo de 2007/2008 a situação seria diferente. Os estoques não teriam se acumulado tanto e qualquer política governamental daria conta do recado.

Por último, deixo o link para que você baixe, caso queira,  o Estatuto do Consecitrus assinado com a Sociedade Rural Brasileira. Faço um pedido pessoal, se puder. Leia com calma, analise e veja se há algo de errado ou se esse mecanismo não poderia ajudar e muito o setor. Tenho a impressão que a causa dos problemas não está na concentração em si, mas sim  nos motivos que fizeram essas empresas se concentrarem. E nesse ponto, a indústria não conseguirá enfrentar todos os problemas e desafios sozinha, tampouco a produção conseguirá.

Assim, espero que em alguns anos não cheguemos à conclusão que perdemos uma boa oportunidade de construir um futuro melhor em vez de gastarmos energia com trocas de acusações entre diferentes elos da Citricultura.

Grande abraço e como sempre estou à disposição,

Christian Lohbauer

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Fonte:
CitrusBR

1 comentário

  • carlo meloni sao paulo - SP

    ESSA FILOSOFIA DE SE ORIENTAR PELA EFICIENCIA DO CAPITALISMO DESMORONOU NESSES ULTIMOS ANOS AO COMPARAR OS EUA COM A ALEMANHA. O CAPITALISMO PURO NAO SE PREOCUPA COM A DIVISAO DE RENDA

    PORTANTO AS GRANDES COMPANHIAS DE SUCO NAO SE PREOCUPAM NEM UM POQUINHO SE OS CITRICULTORES PERDERAM PODER AQUISITIVO.ESTA MIOPIA OU EGOISMO

    FARA' MATEMATICAMENTE IMPLODIR O CAPITALISMO DA

    MESMA FORMA QUE IMPLODIU O COMUNISMO.ISSO LEVADO

    AO LIMITE ACONTECERA' QUANDO AS GRANDES EMPRESAS

    ESTIVEREM ABARROTADAS DE DINHEIRO COMO OS BANCOS

    E QUANDO O POVO NAO TIVER PODER DE COMPRAR NADA

    COMO NA GRECIA.

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