Na Folha: Vídeo com artistas critica 'lobby ruralista' contra índios guarani-caiová

Publicado em 02/01/2014 21:55 675 exibições

Um vídeo divulgado nas redes sociais em defesa dos índios guarani-caiová afirma que há um "genocídio" dessa etnia em curso em Mato Grosso do Sul, que seria "agravado pelo lobby ruralista na mídia e no Congresso Nacional".

Na gravação, atores como Wagner Moura, Camila Pitanga e Bete Mendes e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) se identificam com o termo "guarani-caiová" em seus sobrenomes –a referência à etnia foi disseminada nas redes sociais como forma de protesto em defesa dos índios.

Ao som da música "Um Índio", cantada por Caetano Veloso, o vídeo traz textos dizendo que há um conflito entre ruralistas e os índios guarani-caiová em Mato Grosso do Sul.

Um dos trechos afirma: "Sofrendo com uma das mais altas taxas de assassinatos e um dos maiores índices de suicídio do mundo, [os índios guarani-caiová] são o lado frágil de um conflito que perdura por décadas e é agravado pelo lobby ruralista na mídia e no Congresso Nacional".

O senador Waldemir Moka (PMDB-MS), membro da bancada ruralista, não quis comentar as acusações do vídeo nem as críticas aos produtores rurais, mas negou que os fazendeiros sejam responsáveis pelos conflitos na região.

"Há uma dívida com a população indígena, eu sempre reconheci isso. Agora essa dívida é da sociedade como um todo, e querem cobrar em cima de um único segmento que é o produtor rural", disse à Folha.

Segundo o senador, a causa do conflito "são propriedades que estão sendo invadidas pelos índios". Ele afirmou ainda que o impasse deve ser resolvido pelo governo federal, por meio de desapropriações mediante pagamento pelas terras.

"Se tiver que fazer uma ampliação [das reservas], aumentar mais, demarcar, tudo bem. Mas isso tem que ser feito através de desapropriação e pagamento pelo valor da propriedade", afirmou.

O governo federal discute atualmente, junto com ministérios –como o da Justiça e o do Desenvolvimento Agrário–, uma nova regulamentação para demarcações, cuja prerrogativa é hoje exclusiva da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Gravado durante evento da organização Movimento Humanos Direitos que prestou homenagem aos índios do Brasil, em 18 de dezembro, o vídeo também cita uma campanha de financiamento coletivo para a realização de um documentário sobre o conflito entre indígenas e produtores rurais.

CONFLITO

De acordo com estimativas do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), há 45 mil guaranis-caiovás distribuídos em diversas aldeias de Mato Grosso do Sul.

No Estado, produtores rurais adquiriram do governo federal, na segunda metade do século 19, terras que tradicionalmente tinham sido habitadas pelos guaranis-caiovás.
Ao longo do século 20, os índios dessa etnia viveram restritos em uma reserva indígena, misturados a outros grupos. Em 1990, eles decidiram sair da reserva e se instalar em uma área já habitada por seus ancestrais. Desde então, houve constantes conflitos.

Hoje eles vivem em reservas ou em acampamentos improvisados em fazendas e às margens de rodovias. Enfrentam problemas como alto índice de alcoolismo e de suicídio.

Em 2012, uma comunidade de índios guarani-caiová de Mato Grosso do Sul ganhou projeção nacional, com apoio nas redes sociais. Depois de a Justiça determinar sua retirada de uma área, a comunidade de uma aldeia da cidade de Iguatemi escreveu uma carta em que pedia que fosse decretada a morte coletiva do grupo.

Assista ao vídeo:

Um vídeo divulgado nas redes sociais em defesa dos índios guarani-caiová afirma que há um "genocídio" dessa etnia em curso em Mato Grosso do Sul, que seria "agravado pelo lobby ruralista na mídia e no Congresso Nacional".

Na gravação, atores como Wagner Moura, Camila Pitanga e Bete Mendes e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) se identificam com o termo "guarani-caiová" em seus sobrenomes –a referência à etnia foi disseminada nas redes sociais como forma de protesto em defesa dos índios.

Ao som da música "Um Índio", cantada por Caetano Veloso, o vídeo traz textos dizendo que há um conflito entre ruralistas e os índios guarani-caiová em Mato Grosso do Sul.

Um dos trechos afirma: "Sofrendo com uma das mais altas taxas de assassinatos e um dos maiores índices de suicídio do mundo, [os índios guarani-caiová] são o lado frágil de um conflito que perdura por décadas e é agravado pelo lobby ruralista na mídia e no Congresso Nacional".

O senador Waldemir Moka (PMDB-MS), membro da bancada ruralista, não quis comentar as acusações do vídeo nem as críticas aos produtores rurais, mas negou que os fazendeiros sejam responsáveis pelos conflitos na região.

"Há uma dívida com a população indígena, eu sempre reconheci isso. Agora essa dívida é da sociedade como um todo, e querem cobrar em cima de um único segmento que é o produtor rural", disse à Folha.

Segundo o senador, a causa do conflito "são propriedades que estão sendo invadidas pelos índios". Ele afirmou ainda que o impasse deve ser resolvido pelo governo federal, por meio de desapropriações mediante pagamento pelas terras.

"Se tiver que fazer uma ampliação [das reservas], aumentar mais, demarcar, tudo bem. Mas isso tem que ser feito através de desapropriação e pagamento pelo valor da propriedade", afirmou.

O governo federal discute atualmente, junto com ministérios –como o da Justiça e o do Desenvolvimento Agrário–, uma nova regulamentação para demarcações, cuja prerrogativa é hoje exclusiva da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Gravado durante evento da organização Movimento Humanos Direitos que prestou homenagem aos índios do Brasil, em 18 de dezembro, o vídeo também cita uma campanha de financiamento coletivo para a realização de um documentário sobre o conflito entre indígenas e produtores rurais.

CONFLITO

De acordo com estimativas do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), há 45 mil guaranis-caiovás distribuídos em diversas aldeias de Mato Grosso do Sul.

No Estado, produtores rurais adquiriram do governo federal, na segunda metade do século 19, terras que tradicionalmente tinham sido habitadas pelos guaranis-caiovás.
Ao longo do século 20, os índios dessa etnia viveram restritos em uma reserva indígena, misturados a outros grupos. Em 1990, eles decidiram sair da reserva e se instalar em uma área já habitada por seus ancestrais. Desde então, houve constantes conflitos.

Hoje eles vivem em reservas ou em acampamentos improvisados em fazendas e às margens de rodovias. Enfrentam problemas como alto índice de alcoolismo e de suicídio.

Em 2012, uma comunidade de índios guarani-caiová de Mato Grosso do Sul ganhou projeção nacional, com apoio nas redes sociais. Depois de a Justiça determinar sua retirada de uma área, a comunidade de uma aldeia da cidade de Iguatemi escreveu uma carta em que pedia que fosse decretada a morte coletiva do grupo.

Assista ao vídeo:

Um vídeo divulgado nas redes sociais em defesa dos índios guarani-caiová afirma que há um "genocídio" dessa etnia em curso em Mato Grosso do Sul, que seria "agravado pelo lobby ruralista na mídia e no Congresso Nacional".

Na gravação, atores como Wagner Moura, Camila Pitanga e Bete Mendes e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) se identificam com o termo "guarani-caiová" em seus sobrenomes –a referência à etnia foi disseminada nas redes sociais como forma de protesto em defesa dos índios.

Ao som da música "Um Índio", cantada por Caetano Veloso, o vídeo traz textos dizendo que há um conflito entre ruralistas e os índios guarani-caiová em Mato Grosso do Sul.

Um dos trechos afirma: "Sofrendo com uma das mais altas taxas de assassinatos e um dos maiores índices de suicídio do mundo, [os índios guarani-caiová] são o lado frágil de um conflito que perdura por décadas e é agravado pelo lobby ruralista na mídia e no Congresso Nacional".

O senador Waldemir Moka (PMDB-MS), membro da bancada ruralista, não quis comentar as acusações do vídeo nem as críticas aos produtores rurais, mas negou que os fazendeiros sejam responsáveis pelos conflitos na região.

"Há uma dívida com a população indígena, eu sempre reconheci isso. Agora essa dívida é da sociedade como um todo, e querem cobrar em cima de um único segmento que é o produtor rural", disse à Folha.

Segundo o senador, a causa do conflito "são propriedades que estão sendo invadidas pelos índios". Ele afirmou ainda que o impasse deve ser resolvido pelo governo federal, por meio de desapropriações mediante pagamento pelas terras.

"Se tiver que fazer uma ampliação [das reservas], aumentar mais, demarcar, tudo bem. Mas isso tem que ser feito através de desapropriação e pagamento pelo valor da propriedade", afirmou.

O governo federal discute atualmente, junto com ministérios –como o da Justiça e o do Desenvolvimento Agrário–, uma nova regulamentação para demarcações, cuja prerrogativa é hoje exclusiva da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Gravado durante evento da organização Movimento Humanos Direitos que prestou homenagem aos índios do Brasil, em 18 de dezembro, o vídeo também cita uma campanha de financiamento coletivo para a realização de um documentário sobre o conflito entre indígenas e produtores rurais.

CONFLITO

De acordo com estimativas do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), há 45 mil guaranis-caiovás distribuídos em diversas aldeias de Mato Grosso do Sul.

No Estado, produtores rurais adquiriram do governo federal, na segunda metade do século 19, terras que tradicionalmente tinham sido habitadas pelos guaranis-caiovás.
Ao longo do século 20, os índios dessa etnia viveram restritos em uma reserva indígena, misturados a outros grupos. Em 1990, eles decidiram sair da reserva e se instalar em uma área já habitada por seus ancestrais. Desde então, houve constantes conflitos.

Hoje eles vivem em reservas ou em acampamentos improvisados em fazendas e às margens de rodovias. Enfrentam problemas como alto índice de alcoolismo e de suicídio.

Em 2012, uma comunidade de índios guarani-caiová de Mato Grosso do Sul ganhou projeção nacional, com apoio nas redes sociais. Depois de a Justiça determinar sua retirada de uma área, a comunidade de uma aldeia da cidade de Iguatemi escreveu uma carta em que pedia que fosse decretada a morte coletiva do grupo.

 

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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1 comentário

  • Geraldo Nardelli Marília - SP

    Essa Camila Pitanga está em todas.. É fácil posar de politicamente (in)correto "no eixo Rio-São Paulo". Quero ver enfrentar o dia-a-dia de sol,chuva e intempéries nos campos brasileiros.

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