Café: "Abbiamo bisogno di un miracolo"!!!, por Marco Antonio Jacob

Publicado em 11/04/2014 17:21 e atualizado em 14/04/2014 14:23 1011 exibições
da Rede Social do Café (peabirus)

Abbiamo bisogno di un miracolo

 Estamos começando a quantificar os efeitos da catástrofe climática que se abateu sobre o parque cafeeiro de cafés arábicas brasileiro. Pelo cheiro da fumaça, a perda para o biênio 2014 e 2015, será na ordem de 20 milhões de sacas.

Em meu pensamento, esta anomalia climática é a segunda catástrofe climática em importância e abrangência sobre os cafezais brasileiros, atrás apenas da GEADA NEGRA de 1975.  Porém algo me inquieta, talvez tenhamos que em Março de 2015, revisar este errático verão de 2014 para o primeiro posto como catástrofe climática cafeeira.

Pela palestra realizada pelo Prof. Rena, na COOXUPÉ no final de fevereiro e lendo atentamente os artigos publicados pelo Prof. Rena, Prof. Donizeti Alves , Prof. Joel Fahl , PROCAFÉ e Judith Ganes, os autores se preocupam com a recuperação do nosso parque cafeeiro para 2016 e doravante.

Vejamos, nas arvores adultas, que sofreram extremo estresse, há grandíssima possibilidade que cheguemos no início da primavera em setembro deste ano, com um colossal déficit hídrico no solo, e, assim sendo, penso que os danos e sequelas no parque cafeeiro serão permanentes.

Primeiramente, um pouco de didática para entender o sistema radicular do cafeeiro:

O pião (Raiz mestra) deste cafeeiro é lenhoso, reto e tem a posição vertical, fixando a planta no solo. Do Pião saem raízes oblíquas e destas, em maior número, saem também raízes laterais que caminham paralelamente ao solo e são providas de raízes capilares. Estas últimas denominadas radicelas terminais, são cobertas de pelos absorventes que tem a função de extrair do solo a água e os sais minerais necessários à nutrição da planta.

A lógica é até simplista, grande parte das radicelas dos cafés encontram-se em até 50 cm de profundidade, e, dado ao extremo déficit hídrico do solo, estas ressecarão e tornarão-se fibrosas, perdendo sua função, fato denominado de morte das radicelas, impossibilitando a absorção de água e nutrientes pela planta.

A falta de água no solo tem reflexos negativos sobre o sistema radicular do cafeeiro, particularmente sobre as raízes absorventes, limitando a absorção de água e minerais, crescimento da parte aérea e a produção das plantas.

A morte das absorventes ocorrerá de forma muito intensa, o que reduz drasticamente a vida produtiva do cafeeiro.

Pelas informações que colhi, a renovação destas radicelas em cafeeiros adultos são extremamente lentas.

Assim sendo, quero dizer que o potencial produtivo do nosso parque cafeeiro de arábica, que era de 38 milhões de sacas (média de 2 anos), desde que os investimentos fossem abundantes para o perfeito custeio e tratos culturais, aliados a um clima de excelência, será reduzido para estas mesmas condições propostas, para algo em torno de 32 milhões de sacas.

Então, para o próximo decênio, iniciando em 2016, teremos uma perda de 60 milhões de sacas, e, logicamente com a perda da produtividade (-15%), tornará muito mais oneroso o custo de se produzir café, lembrando, não poderá faltar renda para os cafeicultores, pois sem lucratividade, os tratos culturais serão aquém da necessidade fisiológica das plantas.

Posto o acima, podemos vislumbrar que o setor cafeeiro terá enormes desafios pela frente.

Estes desafios só poderão ser vencidos com muito planejamento e investimentos, e, em verdadeiras Nações, este papel seria de iniciativa governamental.

Mas como estamos no Brasil, creio que o setor cafeeiro conhecerá o purgatório ainda em vida.

Alguém pode me dizer se viu ou ouviu algum alto membro do governo federal (ministério da agricultura) pronunciar sobre esta catástrofe climática que se abateu sobre o parque cafeeiro de cafés arábicas brasileiro?

Então, pessoas ligados ao setor cafeeiro, orem bastante, "chissà il Papa Francesco parla con Dio, e abbiamo un miracolo"... 

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Rede Social do café (Peabirus)

4 comentários

  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    Sr Rodrigo Polo Pires, exatamente isto que o senhor descreve sobre nossos representantes e políticos...Eles somente se preocupam com seus próprios cargos ...Nós produtores informamos com nossos comentários sòmente a realidade do momento independentemente de quaisquer influências, mesmo porque, somos preocupados únicamente com uma produtividade, óbviamente lucrativa...A política governamental tem que ser inteligente, mesmo porque ele, o govêrno tem interêsse em somar dólares à sua balança comercial e com o café ele aumenta as suas reservas...Houve uma época em que o Getúlio Vargas obrigou o antigo IBC( Instituto Brasileiro do Café) a queimar suas reservas de café, devido à uma grande oferta, para obrigar uma reação nos preços, quer dizer, naquela época existia uma verdadeira e patriótica política cafeeira, o que definitivamente hoje não existe! A Presidenta manda controlar os preços por causa da inflação e o elemento aparece com idéias absurdas porque quer atender as ordens e se manter no cargo a todo custo...Aliás inflação esta cujas causas sopram lá pelas bandas da Petrobás e da corrupção...

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Sr. Victor Angelo P Ferreira, as medidas compensatòrias que deviam existir nessas situações, em que não hà para onde correr, passam a ser politizadas e transformadas em uma espècie de privilègio, em que o produtor sempre fica devendo favores a esse ou aquele politico ou algum dito representante de classe. Para nossos representantes pouco importam as informações que o Sr. Jacob nos forneceu, e tampouco que tenha citado as fontes e muitas. A solução sempre passa pelo chapèu de algum politico que vai a Brasilia pedir esmolas ao governo. Temos representantes que permitem que o PT encha de direitos a quem bem entender, mas que não são capazes de resolver uma situação que de tão velha, não existe no Paìs produtor que não tenha passado pela situação pela qual o Sr. està passando hoje. Eu sei que o que estou escrevendo aqui não è nenhuma novidade. Mas de qualquer forma, o agronegòcio è muito maior do que a logistica para enviar produtos para exportação, e esta parece ser a principal ocupação das tais "autoridades". O que serà que o secretàrio do ministro, teria a dizer aos produtores de cafè, que irão trabalhar somente para reduzir os prejuizos causados por seca? Que de tão severa terà efeitos em duas safras. Arrisco uma resposta, e certamente não dirão, tomaremos medidas compensatòrias, aqui no Brasil compensa trabalhar, em vez disso acho que dirão, procurem os representantes de classe, nos reuniremos, falaremos com o governo federal e pediremos ajuda. Aqui, http://coturnonoturno.blogspot.com.br/2014/04/a-copa-das-greves.html , algo que não tem a ver com o assunto, mas diz muito de como funciona esse Paìs.

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  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    Ontem, andei na lavoura "mastigando" cafés maduros...Cafezal de até cinco anos de idade! A maioria dos grãos chochos, uma verdadeira calamidade, ver aquela beleza de produção toda virar palha e ainda ser paga para ser apanhada! Nem quero fazer a conta do prejuizo...

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Gostei muito do seu artigo, Marco Antonio Jacob. E, se me permite um trocadilho, diria que, ainda bem que nem a Dilma, e nenhum de seus subordinados tomou medida, senão meu amigo, metade dos produtores de cafè do Brasil jà estariam derretendo no fogo do inferno. Que usem seus ministèrios para, como gostam de dizer os petistas, "desvios de dinheiro pùblico para campanha". Vamos rezar, uma hora Ele nos ouve, quando merecermos, e nos livra do mal. Viva o Papa Francisco.

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