Na VEJA: Dilma confirma saída de Mantega da Fazenda se for reeleita

Publicado em 08/09/2014 16:33 e atualizado em 08/09/2014 18:52 503 exibições
Presidente afirmou nesta segunda-feira que a troca ocorreria a pedido do ministro, alegando razões "pessoais" para não continuar á frente da área econômica, cujo desempenho é acúmulo de números negativos

A presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) confirmou nesta segunda-feira que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não vai continuar no cargo caso ela se reeleja. A afirmação foi feita durante entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, no Palácio da Alvorada, em Brasília. "O Guido Mantega já me comunicou que ele não tem como ficar no governo no segundo mandato por questões eminentemente pessoais, que peço para vocês respeitarem", disse. 

A saída de Mantega ganhou força na última semana, quando Dilma afirmou em agenda de campanha que teria uma "equipe nova" no segundo mandato. "Governo novo, equipe nova, não tenha dúvida disso", disse a petista em Fortaleza, na última quinta-feira. O anúncio da saída do ministro foi feito sem que a presidente consultasse o ministro, provocando mal estar na equipe de governo. O gesto da presidente foi criticado por seus adversários. O candidato tucano Aécio Neves criticou afirmou que o país ficou sem ministro da Fazenda no meio da campanha. Marina Silva, do PSB, disse que é "tarde demais" para a petista anunciar mudanças na equipe econômica. 

Mantega, que está no comando da Fazenda por tempo recorde – oito anos – já teve sua saída solicitada pelo mercado inúmeras vezes, graças ao pífio crescimento econômico, combinado com inflação elevada. Nas últimas semanas, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação acumula 6,51% em doze meses até setembro, e recessão técnica depois de o Produto Interno Bruto (PIB) mostrar contração de 0,6% no segundo trimestre deste ano. Mesmo diante a piora do cenário econômico, Mantega - e toda a equipe governista – tem mostrado dificuldade em reconhecer os erros cometidos e se resumido a culpar o baixo desempenho da economia pela crise internacional. 

Collor — Dilma também tentou amenizar as comparações que sua campanha fez entre a adversária Marina Silva (PSB) e os ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor de Melo – este último, aliado do governo petista. Mas manteve a mesma linha do discurso de terrorismo eleitoral contra a rival: "Eu acho a Marina nem intencionada, não estou fazendo uma comparação pessoal. A comparação com Jânio e Collor é que ambos governaram sem apoio. Quem acha que vai negociar com notáveis, que é possível governar sem partido, geralmente ocorre alguma coisa muito perigosa”.

"Que o governo Collor não teve base de sustentação é um dado da história. Eu respeito o Collor, mas discordo das políticas. Por isso comecei falando que acho a Marina bem intencionada", afirma. 

Política econômica

Tirar Mantega da Fazenda não significa reconhecer erros

Governo sinaliza saída de ministro como forma de promover reconciliação com mercado; há, inclusive, postulantes ao cargo à espreita

Luís Lima e Naiara Infante Bertão
Ministro da Fazenda Guido Mantega durante coletiva para imprensa, em Brasília

Ministro da Fazenda Guido Mantega durante coletiva para imprensa, em Brasília (Ueslei Marcelino/Reuters/VEJA)

A sinalização da presidente Dilma de que, caso reeleita, trocará a equipe econômica, não representa alento para o mercado, segundo economistas ouvidos pelo site de VEJA. A presidente afirmou que, na hipótese de um novo governo, traria uma equipe nova. Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, o ministro Guido Mantega seria um dos primeiros a cair. Como empresários e investidores têm sido os maiores críticos da política econômica petista, a estratégia da campanha é oferecer a cabeça daquele que seria o autor dos sucessivos erros que levaram o país, hoje, à recessão técnica. Logo nos dois primeiros anos de governo Dilma, a revista britânica The Economist e o jornal Financial Times, dois dos mais respeitados meios de comunicação do Ocidente, chegaram a pedir, em editoriais, que a presidente demitisse o ministro. O governo se sentiu afrontado e enviou resposta ao FT valendo-se de duras palavras. Agora, Mantega é oferecido de bandeja para sossegar os ânimos daqueles que foram prejudicados por suas políticas.

Leia também:
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Marina diz que é 'tarde demais' para mudar equipe econômica

A contradição é que, ao sinalizar a saída de Mantega ainda em campanha, a presidente Dilma parece não atinar que os mesmos entes do mercado que criticam o ministro da Fazenda também estão a par de que a autoria de muitas das políticas que levaram o Brasil ao esgotamento foram orquestradas por ela. E, mais preocupante, devem continuar sendo levadas adiante caso haja um novo mandato, conforme mostra o programa de governo de Dilma. "Falta humildade e autocrítica. O que temos visto nos debates e entrevistas é que a presidente evita reconhecer os problemas da economia brasileira", afirma o economista Roberto Giannetti da Fonseca, da consultoria Kaduna. Contudo, Giannetti acredita que, caso a presidente reconheça seus erros, será possível encontrar muitas pessoas no mercado capacitadas para substituir os quadros.

O site de VEJA apurou que, nos bastidores, quem mais tem se movimentado para postular-se ao cargo é Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo da Fazenda. Economista respeitado tanto pela academia quanto por empresários, Barbosa saiu do governo em 2012 após ter escancarado diferenças de ideias com a própria presidente. Com sua saída, Dilma passou a ser aconselhada pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin. O resultado está aí: inflação no teto da meta, contas públicas na UTI e recessão. Em São Paulo, Barbosa tem se reunido com empresários e demonstrado o interesse de ouvir e reconhecer o que está indo mal. Chegou a reunir-se com Lula para pedir sua benção. Até o momento, parece que o flerte está funcionando. Paulo Caffareli, ex-presidente do Banco do Brasil que substituiu Barbosa na Fazenda também deve permanecer na pasta, na hipótese de Dilma se reeleger. O mesmo não se pode dizer de Arno Augustin — o mais cotado para sair, depois de Mantega.

O professor da Fundação Getulio Vargas e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira, pondera que a mudança planejada por Dilma deve ir além da troca de equipe e englobar três medidas: foco na austeridade da política fiscal; aceleração do programa de concessões de infraestrutura e um resgate da credibilidade dos índices e projeções oficiais. “Há um estarrecimento em relação a algumas afirmações do governo, como, por exemplo, a de que a economia vai bem, o emprego cresce e de que não estamos em recessão”, afirma. “Ou vivemos em países diferentes ou há problemas nos diagnósticos”, diz. Tal renovação teria, inclusive, um efeito psicológico importante para o mercado, na avaliação do economista Antônio Corrêa de Lacerda, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Sinaliza um aperfeiçoamento da política”, diz.  

A mudança pleiteada pelo mercado é que o Brasil altere a base de sua política econômica de consumo para investimentos, com a volta da segurança jurídica. "Não interessa mais a expansão de crédito, e sim a atração de crédito", afirma Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da consultoria Barral MJorge Associados. "O desafio para qualquer candidato é ter uma equipe econômica que tenha imaginação suficiente para mudar a orientação atual da política econômica para a lógica de investimento; tenha aceitação não só no mercado financeiro, mas também na economia real; percepção política e trânsito no Congresso", conclui.

No blog Política & Cia, de Ricardo Setti:

DECISÃO ELEITOREIRA: Dilma falta à verdade ao dizer que Mantega sairá por “razões pessoais”, quando ele está demitido desde já — e transforma o ministro da Fazenda num espantalho sem autoridade durante 4 meses!!!

Dilma na entrevista ao "Estadão":   (Foto: Eduardo Nicolau/Estadão Conteúdo)

Dilma na entrevista ao “Estadão”: esvaziou e tirou qualquer autoridade do ministro da Fazenda ao anunciar que ele sai se ela for reeleita. E garante, contra todas as evidências, que Mantega sai por “problemas pessoais” (Foto: Eduardo Nicolau/Estadão Conteúdo)

Santo Deus, por que políticos não dizem a verdade?

Santa Maria, por que PRESIDENTES não dizem a verdade?

Levante a mão aí, por favor, quem acredita no que disse hoje a presidente Dilma Rousseff em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo:se ela for reeleita, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, há oito anos e meio no cargo, deixará o governo “por questões eminentemente pessoais”. E ainda pediu aos jornalistas do Estadão: “… que peço para vocês respeitarem”.

Ufff… Até os livros de capa dura nunca manuseados desde há 12 anos da biblioteca do Palácio da Alvorada, onde Dilma concedeu a entrevista, sabem que não existe questão “pessoal” alguma!

Mantega tem levado chumbo de todo lado pelo mau desempenho da economia e pela resistência da inflação, e vai sair por isso!!!

Única e exclusivamente por isso!!! É o velho hábito de presidentes da República “neztepaiz” quando a economia sofre solavancos: embora sejam eles, os presidentes, os responsáveis pelas principais políticas públicas, começando pela econômica, quem paga o pato é o ministro da Fazenda.

Há exceções raríssimas e brilhantes, como, por exemplo, foi FHC: em bonanças e tempestades, lá ficou no Ministério por todos os oito anos dos dois mandatos o economista Pedro Malan — aliás, o ministro mais longevo no posto na história da República, situação em que ficará empatado com Mantega se ele permanecer, efetivamente, até o final do mandato de Dilma, a 1º de janeiro de 2015.

Mas Dilma segue a regra, que não é ilógica em política, de usar o ministro como anteparo para o desgaste presidencial. Fuzila o ministro e tenta se preservar. A saída de Mantega, que vem sendo criticado há tempos por empresários, sindicalistas e gente do próprio governo, ficou clara na semana passada, quando Dilma afirmou que teria uma “equipe nova“ no segundo mandato.

“Governo novo, equipe nova, não tenha dúvida disso”, disse a candidada do PT em Fortaleza, na última quinta-feira. Há sinais de que a presidente cometeu a grosseria de não consultar o ministro antes do anúncio dos supostos “problemas pessoais”, embora ela não tenha chegado ao ponto em que chegou seu mentor, que demitiu o ministro da Educação de então, Cristovam Buarque, por telefone.

A rasteira no ministro, porém, é o detalhe menos importante na história. O fato duro da vida é que Dilma, POR RAZÕES EXCLUSIVAMENTE ELEITORAIS, para tentar mascarar as dificuldades do governo na área econômica, para amaciar as relações com o empresariado e coisas do tipo, retirou qualquer capacidade de negociação de Mantega pelos próximos quatro meses!

Ele será aquilo que os americanos chamam, para presidente em final de mandato com um Congresso renovado, de “pato manco”.

Que empresário, que dirigente sindical, que categoria profissional ou que setor da economia vai conferir importância a declarações, decisões e promessas do ministro — um ministro com data de validade previamente anunciada?

Dilma reduziu Mantega, por longas 16 semanas, a um ministro espantalho, sem poder, sem repercussão, sem merecer o respeito mínimo que é necessário ter para com o ocupante de uma pasta-chave.

(por Ricardo Setti)

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Fonte:
veja.com (+ estadão)

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1 comentário

  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    Eu não assisto a novela da Globo, nem minha mulher esta vendo mais porque diz que não tem pé nem cabeça...O Brasil está a mesma coisa, parece uma novela mal dirigida aonde os personagens são péssimos atores e o pais sofrendo esta falta de rumo,,,Agora vão investigar o vazamento de informações do escândalo da Petrobrás, como se isto fosse agora a apuração principal...Com isto vão distraindo os eleitores até a eleição e vejam: Aonde foi parar os Institutos de pesquisa nesta hora do escândalo...A ordem é espera a poeira baixar!!!

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