Bancos voltam a tomar máquinas em MT

Publicado em 08/11/2010 11:27
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Nos últimos 20 dias, agricultores de ao menos cinco municípios de Mato Grosso tiveram máquinas e equipamentos agrícolas sequestrados por conta de dívidas vencidas com bancos.

O movimento se intensifica desde agosto, segundo a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), e pode prejudicar o plantio da safra de soja 2010/2011.

O caso mais recente ocorreu na sexta da semana passada, quando o Bradesco apreendeu seis plantadeiras na fazenda do sojicultor Ailor Carlos Anghinoni, de Rondonópolis (220 km de Cuiabá).

Com 2.030 hectares já preparados, o agricultor plantou apenas 25% da área e diz que corre contra o tempo para recuperar os equipamentos.

"Senti-me traído pelo banco, pois estávamos em meio a uma negociação. Agora temos que reaver as máquinas, mesmo que como fiel depositário, ou vamos ficar numa situação muito difícil", diz.

Ricardo Tomczyk, coordenador da comissão de Endividamento da Aprosoja, diz que em 2008 os bancos também pressionaram agricultores no período de plantio.
À ocasião, o então governador Blairo Maggi (PR) qualificou a situação como um "estouro da bolha agrícola".

"Eu tenho certeza de que se trata de um movimento deliberado dos bancos, pois ocorre sempre no pior momento possível. O agricultor, que precisa plantar, fica sem saída", afirma Tomczyk.

Segundo levantamento da Aprosoja nas 20 principais comarcas do Estado, 792 ações de cobrança foram propostas contra agricultores pelos quatro principais bancos de fábrica -Case/New Holland, John Deere, Rabobank e De Lage Landen- desde 2006.

Neste ano, até 22 de outubro, 233 novas ações haviam sido propostas, segundo a entidade. "Os bancos se esquecem de que o financiamento agrícola não é crédito normal, para a compra de um eletrodoméstico. Há uma série de proteções legais que estão sendo ignoradas."

GARANTIAS - Segundo a Aprosoja, a situação é também o resultado da falta de uma política de garantias ao produtor.
"O problema do endividamento está sendo jogado para debaixo do tapete", declara Tomczyk.

O Bradesco disse, em nota, que "procura sempre renegociar as dívidas com seus clientes". "Cada caso é analisado separadamente." As assessorias dos bancos Case/New Holland, Rabobank e De Lage Landen foram procuradas, mas até a conclusão desta edição ninguém respondeu.

O banco John Deere, em nota, nega que tenha havido intensificação nas ações judiciais de cobrança por parte dos fabricantes e afirma que "vem negociando as parcelas em débito caso a caso, de forma transparente, conforme as composições financeiras de cada cliente".
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Fonte: Folha de São Paulo

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