Real atinge patamar recorde de valorização em relação ao dólar

Publicado em 10/04/2011 18:50 462 exibições
(na Folha de S. Paulo deste domingo)



Dilma 100 diasO real nunca esteve tão valorização em relação ao dólar. Cálculos da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior) com base na taxa real de câmbio mostram que o poder de compra da moeda brasileira praticamente dobrou em relação ao verificado em julho de 1994, início do Plano Real.

Evaristo Sa -01.han.2011/AFP
Nos primeiros cem dias de governo, Dilma enfrentou tensão na área econômica, como a queda do dólar e preços em alta
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Segundo a Funcex, é como se o dólar estivesse 50% mais barato do que naquela época. Ou seja, o brasileiro pode comprar o dobro do que compraria com os mesmos reais. Se for considerado o mês de dezembro de 1998, véspera da liberação do câmbio, o dólar estaria cerca de 40% mais barato.

A taxa real efetiva do dólar é apenas uma das formas usadas para se calcular a relação entre duas moedas. Nesse caso, são consideradas as taxas de câmbio e inflação em 13 países e o peso de cada um nas relações comerciais com o Brasil.

O levantamento mostra que o real está em um patamar recorde de valorização em relação ao dólar no período analisado, que começa em 1985.

Kevin Lamarque -19.mar.2011/Reuters
Em sua visita ao país, Barack Obama elogiou a democracia brasileira e sinalizou interesse no petróleo e pré-sal
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Entre os motivos para essa valorização da moeda brasileira está a forte entrada de dólares no país no primeiro trimestre deste ano. Foram US$ 35,6 bilhões, maior valor da série iniciada em 1982 pelo Banco Central. É também mais que o dobro do recorde anterior, verificado no mesmo período de 2006 (US$ 17,7 bilhões). A entrada de dinheiro cresceu no início da semana, um dia antes de o governo anunciar novas medidas cambiais.

Outra forma de medir o nível da taxa de câmbio é utilizar a paridade de poder de compra (PPC), que considera uma cesta de produtos em cada um dos países.

É o caso do índice Big Mac, divulgado pela revista "The Economist", que mede o preço do sanduíche nos EUA e Brasil em dólar e mostra um real sobrevalorizado.
O economista Flávio Samara, da consultoria LCA, utiliza também o PPC calculado pelo FMI. Nesse caso, a paridade estava perto do valor negociado no mercado no final de 2010 (R$ 1,66). Para dezembro de 2011, a projeção mostra uma taxa de R$ 1,71.

"Dependendo da metodologia, podemos ter uma leitura diferente. Acreditamos que o real está sobrevalorizado. O valor justo hoje seria mais próximo de R$ 1,70 ou R$ 1,75", diz Samara.

Ele calcula ainda que, se fossem consideradas variáveis como fluxo cambial, preço de commodities e risco país, o dólar poderia cair para patamar de R$ 1,50, o que só não acontece por contas das intervenções e medidas cambiais do governo.

Editoria de arte/Folhapress
100 dias de Dilma na presidência
100 dias de Dilma na presidência

Síntese. Os cem dias de Dilma e os 3.020 das oposições

A manchete da Folha Online, agora, é esta:
“Real atinge patamar recorde de valorização em relação ao dólar”.

A manchete da editoria “Poder” é esta:
“Cem dias de Dilma têm calma na política e tensão da economia”.

Vamos pensar?

O primeiro
O primeiro título significa que tudo o que Guido Mantega fez até agora deu com os burros n’água. E ele está vivendo, assim, uma variante do paradoxo do Asno de Buridan:
- Se não eleva fortemente os juros, a inflação não cai;
- Se eleva fortemente os juros, o real se valoriza ainda mais;
- Mesmo com o real valorizado, a inflação segue alta;
- Se o real se desvaloriza, e isso é uma necessidade imperiosa, a inflação dispara.

O segundo
O segundo titulo significa que não faltam motivos para a oposição fazer, enfim, oposição, mas é que ela não sabe ou não quer. Nas democracias convencionais, sempre que há tensão da economia, há também tensão da política. A “tensão política” faz parte do jogo democrático, diga-se.

“Calma” costuma haver é nas ditaduras. Eis aí a síntese dos 100 dias de Dilma e dos 3.020 das oposições.

Por Reinaldo Azevedo
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Fonte:
Folha de S. Paulo

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