Tudo pra você, leitor! 630 grampos, transcrições da CPI do Cachoeira… tem até índice. Pode baixar aí no seu micro!

Publicado em 09/05/2012 14:35 e atualizado em 24/07/2013 17:36 806 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Quer saber tudo o que estará disponível aos parlamentares da CPI do Cachoeira, leitor amigo? Pois não! Está aqui. Você tem que ter um programa para descompactar o arquivo, como o que está em www.jzip.com/pt, que é gratuito. Pode se divertir à vontade. São 630 grampos, transcrições etc. Uma fartura! E olhe que você pode baixar “esses trem” (como dizem Cachoeira e amigos) aí no seu computador porque está tudo protegido por “sigilo de Justiça”!!! Os correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil devem achar que este é mesmo um país estranho.O irrevogável é revogável, como diria Mercadante; o sigiloso é público, e os homens públicos insistem em atividades… sigilosas! Pronto! Tudo aí! Os vigaristas de aluguel não precisam mais fazer ar de mistério e inventar conspirações inexistentes. Quem passou foi uma freirinha de um convento interessada no aprimoramento espiritual do Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

 

Venda da Delta? Tem boi na linha! Ou melhor: uma boiada!

Unha encravada, espinhela caída, defluxo, “nervos no sangue” (como dizia uma vizinha da minha infância)??? Para qualquer um desses males, incluindo a construtora Delta, chame o grupo JBS!

Nunca antes na história destepaiz uma construtora sólida, uma das gigantes do ramo, um potentado, que abocanhava tudo quanto era obra pública — especialmente aquelas que integravam a marca “PAC” — se esfarelou com tanta rapidez. Vai ver Marx e Engels anteviam a situação da Delta quando escreveram no Manifesto Comunista: “Tudo o que era sólido se desmancha no ar; tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas.” Ali eles se referiam ao desmanche de uma velha ordem e à instauração de uma nova. Esse troço da Delta parece ser só mais um movimento da… velha ordem petista.

Não venham me dizer que é convencional uma empresa se esfarelar por causa de dois meses de noticiário negativo. Ainda que pudesse haver práticas irregulares espalhadas Brasil afora, o fato é que a Delta tem contratos bilionários com governos, obras contratadas, muito dinheiro a receber. Por que esse desmanche?

“Ah, é que virão as dificuldades, agora, para receber…” Digam-me: as dificuldades cessarão sob nova direção? O que quer que tenha ocorrido de ilegal, se ocorreu, na contratação de obras não beneficiará também os novos controladores da empresa? Essa já é a história mais mal contada do capitalismo à moda petista.

O grupo que passará a controlar a Delta tem 30% do capital do BNDES, certo? Logo, o estado brasileiro — e, mais especificamente, o governo — passa a ser sócio desse novo empreendimento. Na condição de acionista, terá um duplo papel: de investigado e de investigador.

Pergunto ainda: quanto vale, afinal de contas, a Delta? Para que haja essa corrida, assim, meio destrambelhada, suponho que a resposta seja: “Nada!” Vale os contratos que tem — e olhem lá. O que há nos bastidores dessa história? Desde o primeiro momento, escrevi aqui duas coisas: a) há uma operação para preservar a Delta da investigação; b) há uma operação de desmonte da arquitetura gerencial da Delta.

Num Parlamento com mais independência, essa construtora, sim, mereceria uma CPI só para ela. Nenhuma empresa com existência real, com sócios-controladores que zelem pelo negócio, se desmancha, assim, porque um contraventor caiu na escuta da Polícia Federal. A Delta está sendo demolida, infiro, não por tudo o que já sabemos a seu respeito, mas por aquilo que ainda não sabemos.

A operação em curso parece ser uma forma de tentar impedir que saibamos. Eis aí matéria para o jornalismo investigativo. Mas cuidado, repórteres! Só se encontrem com as fontes nus (também as fontes), numa cafua à prova de escuta. Se tiverem de falar ao telefone, tratem o interlocutor aos chutes e pontapés para que, caso a conversa vaze, não haja suspeita de conluio.

Que coisa, não!? Com uma Delta no meio do caminho, alguns patriotas queriam e querem ainda investigar a imprensa…

Por Reinaldo Azevedo 

 

NÃO É SÓ A LIBERDADE DA IMPRENSA QUE ESTÁ EM JOGO, TAMBÉM É A SUA! OU: QUEREM FAZER DA CPI UM TRIBUNAL DE EXCEÇÃO CONTRA A IMPRENSA, O STF E A PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA

Uma carta aos defensores da democracia e do estado de direito. Ou: conversa com os que pretendem preservar o regime de liberdades. Se gostarem, passem adiante.

Minhas caras, meus caros,
leia-se a melhor literatura sobre os primórdios do fascismo ou os primeiros dias que se seguiram aos golpes comunistas, e o observador atento vai constatar uma característica invariável a marcar a consolidação desses regimes tirânicos: direitos fundamentais — alguns então e ainda garantidos em lei, outros nem especificados porque considerados parte da vida civilizada — passam a ser tratados como se fossem privilégios inaceitáveis de uma minoria. Assim se mandaram os “burgueses e os reacionários” para o paredão ou os judeus para os campos de concentração e a morte. Em nome do fim de privilégios que eram apenas direitos!

E foi, sim, sob o silêncio cúmplice de muitos. Não se enganem: nem os regimes comunistas nem os fascistas se instalaram sem o consentimento, ainda que passivo, de amplas camadas da população. Ao contrário: esse apoio popular foi usado para legitimar e tornar corriqueira a violência. Seria exagero dizer que estamos vivendo dias pré-tirânicos no Brasil. Mas não é exagero nenhum constatar que direitos fundamentais estão sendo cotidianamente violados por instâncias do Estado.

A imprensa livre e independente só é possível numa democracia. A democracia só é possível se houver uma imprensa livre e independente. Essas duas instâncias se distinguem — porquanto uma delas, a imprensa, reúne apenas uma parte da vida em sociedade —, mas não se separam. Sem o regime democrático, a liberdade de expressão inexiste; sem a liberdade de expressão, o regime democrático morre de inanição.

Lideranças políticas ressentidas de ontem e de hoje; políticos cansados da vigilância cotidianamente exercida pela imprensa independente; mentalidades jurássicas ainda inconformadas com o triunfo de uma economia aberta e de mercado e incrustadas na academia e no próprio jornalismo; notórios manipuladores da boa-fé da população e dos justos reclamos em favor de uma sociedade mais justa, todas essas forças resolveram se conjurar contra um dos fundamentos da nossa liberdade: a imprensa independente. É um engano, uma tolice ou pura expressão da má fé considerar que estão querendo levar apenas a VEJA para o banco dos réus. Aliás, se assim fosse, talvez estivéssemos diante de evento de gravidade menor porque haveria uma acusação e seria garantido o direito de defesa. Querem, isto sim, é levar a imprensa a um tribunal político. Primeiro a VEJA, não por acaso, e depois o resto.

Como já deixei claro em outro post, não se trata de reivindicar impunidade para a imprensa. Ela não está — e nem deve estar — acima da lei. Mas também não pode estar abaixo dela, sujeita a um verdadeiro tribunal de exceção, sendo vítima passiva de uma clara violação de princípios constitucionais, como é o sigilo da fonte, por exemplo. Ora, o que temos? Se, nas conversas que um repórter da VEJA manteve com algumas de suas fontes — e fontes de muitos outros jornalistas —, houvesse o flagrante de um crime, que se acionasse a justiça criminal para puni-lo. O fundamento vale para qualquer um. No Brasil, até uma associação de juízes andou afirmando que algumas pessoas estão acima da lei. Não! Ninguém está nem pode estar — nem os jornalistas.

Mas qual foi mesmo o “crime” do jornalista Policapo Jr.? Nenhum! Como sabe qualquer jurista do país, especialmente aqueles dedicados à área criminal, não há nas conversas tornadas públicas uma só manifestação que fira o direito coletivo, prerrogativas de terceiros, o interesse público, nada! São conversas de quem buscava a informação sem garantir, como deixam claro Carlinhos Cachoeira e seus auxiliares, qualquer benefício em troca. Também no terreno da ética profissional, não há reparos a fazer a seu trabalho.

Nunca fui repórter investigativo. Já cheguei até a dizer aqui que, embora fale com políticos, sim, prefiro os meus textos que saem da conversa com a lógica e com a história. Se toda fonte que passa uma informação em off tem interesse na sua divulgação — e tem! —, o mesmo vale para as análises que muitas vezes são feitas pelos políticos. Algumas, ainda que passadas de boa-fé, tendem mais a nos afastar da verdade do que a nos aproximar. Muito bem!

Não é essa a minha área. Mas reflito cá comigo o que não estarão pensando, nestes tempos, expressões do chamado “jornalismo investigativo” — há até uma associação nacional que reúne profissionais dessa área.

Em regra, eles prestaram e prestam grandes serviços ao país. E tiveram a sorte de não ver lançada em praça pública suas conversas com as fontes e, mais ainda, conversas das fontes sobre o contato que mantiveram com jornalistas. Este é, insisto — ou era — um direito constitucional assegurado à imprensa. Não para cometer crimes, não, mas para denunciá-los e combatê-los. Como fez tantas vezes Policarpo Jr. E como fizeram tantos outros. Quem primeiro passou à reportagem da Folha o notável crescimento patrimonial de Antonio Palocci, com alguns dados bastante precisos sobre os seus bens, estava, como costumo indagar, só pensando no bem, no belo e no justo? Quem terá sido a fonte? A revelação de eventuais conversas gravadas entre jornalistas e informantes muda a natureza do que foi denunciado? Aqueles que ajudaram a derrubá-lo só estavam interessados no bem da República?

Que não se perca isto de vista: se, no curso da investigação de Cachoeira e sua turma, um jornalista da VEJA ou de qualquer outro veículo tivesse sido flagrado cometendo um crime, Código Penal nele! Mas é o caso? Qual é a acusação? Por que buscava Policarpo Jr. aquelas informações? Para se locupletar? Para fazer chantagem? Não! Para publicar. As maquinações de Cachoeira e seus sequazes não eram de sua conta, como não eram a dos que passaram as informações sobre Palocci à Folha. ORA, NÃO CABERIA INDAGAR, TAMBÉM NO CASO DO EX-CHEFE DA CASA CIVIL, QUAIS OS INTERESSES DAQUELES QUE AJUDARAM A DEPÔ-LO? A revelação dessas fontes não seria também — dadas a perspectiva hoje vigente em algumas mentalidades da CPI e a abordagem feita por certo jornalismo — do interesse público?

Digam-me aqui: caberia aos repórteres da Folha que receberam a informação, comprovada com apuração posterior, fazer um julgamento prévio sobre as consequências e os interesses da fonte? Seria o seu papel, por exemplo, o seguinte juízo: “Huuummm… É bem verdade que tenho aqui dados que complicam a vida do ministro. Mas ele é peça-chave no governo Dilma. Se cair, estarei fazendo a vontade da fonte que me passou o material. Já sei: vou detonar Palocci e a fonte junto! Pronto!” Seria a última reportagem investigativa desse profissional. E perderia o país.

Da mesma sorte, cumpriria ao profissional da VEJA, no caso citado e em outros, de posse das evidências dos atos de corrupção, julgar que estaria atendendo a eventuais interesses das fontes — porque eles sempre existem — e, em nome de uma suposta ética, deixar intocados os ladrões de dinheiro público? Alguém flagrou algum jornalista da VEJA interferindo em licitação ou participando de conspiração para alterar preço de obra pública? Não! Nas vezes em que aparece na fita ou em que seu nome é citado, trata-se sempre da busca de informações para reportagens — publicadas depois de rigorosa apuração junto a outras fontes. Tão rigorosa que algumas estão na raiz de demissões, sim. E quem demitiu foi Dilma Rousseff, não a VEJA.

Não é a VEJA apenas, é a imprensa
Não é só a VEJA que estão tentando colocar na berlinda, não! É a imprensa como um todo. Com o que se tem até aqui, aprove-se ou não o depoimento de quem quer que seja, está decretada a morte do sigilo da fonte e da apuração jornalística. Ao contrário do que pensam alguns tontos, isso não atenta só contra a liberdade da imprensa. Isso atenta contra a liberdade de todos os brasileiros. Não vamos nos enganar. Repórteres investigativos não falam com freiras e monges. Essas boas pessoas não têm nada a dizer a profissionais dessa área, que têm entre as suas missões zelar pela defesa do bem público.

Ainda que repórteres não estejam grampeados hoje — não com autorização judicial ao menos; sem ela, creio que todos estamos —, a chance de que suas fontes estejam é gigantesca. Dá-se de barato (e há quanto tempo escrevo isso aqui, como sabem os leitores mais antigos!) que não há mais sigilo telefônico no país. Se uma dessas fontes for objeto de alguma operação da Polícia Federal, essas conversas fatalmente virão a público se algum petista se sentir prejudicado… Ainda que a quebra do sigilo tenha autorização judicial, o vazamento é sempre criminoso. Mesmo os encontros pessoais não são seguros, porque a tecnologia da escuta ambiental avançou ainda mais do que a do grampo telefônico. Em breve, os veículos de comunicação terão de construir salas especiais, nas quais repórteres terão de se encontrar com as fontes, todos, evidentemente, pelados — se é que não existem já grampos subcutâneos ou que possam ser escondidos em orifícios não examináveis sem um estreitamento maior de relações…

De novo, se a Polícia Federal tivesse flagrado o jornalista da VEJA a cometer um crime, há um caminho legal que conduz ao processo e à punição. Mas isso não existe! Estamos diante, como sabe toda pessoa de bom senso, da agressão a um direito constitucional. Sua violação não atinge só a VEJA. Fere as garantias de todos os profissionais e de todos os veículos.

Notáveis bobagens
Notáveis bobagens estão sendo escritas a respeito por gente que deveria estar empenhada na defesa da liberdade de informar — que não pode se confundir com um privilégio, como querem os tiranos, de que trato lá no primeiro parágrafo.

No domingo, Suzana Singer, ombudsman da Folha, escreveu uma coluna sobre o caso. Reproduzo um trecho em vermelho e faço alguns destaques por minha conta:
Do que veio a público até o momento, não há nada de ilegal no relacionamento “Veja”-Cachoeira. O paralelo com o caso Murdoch, que a blogosfera de esquerda tenta emplacar, soa forçado, porque, no caso inglês, há provas de crimes, como escutas ilegais e a corrupção de policiais e autoridades.
Não ser ilegal é diferente, porém, de ser “eticamente aceitável”. Foram oferecidas vantagens à fonte? O jornalista sabia como as informações eram obtidas? Tinha conhecimento da relação próxima de Cachoeira com o senador Demóstenes? Há muitas perguntas que só podem ser respondidas se todas as cartas estiverem na mesa.
É preciso divulgar os diálogos relevantes que citem a imprensa. A Secretaria de Redação diz que tem “publicado reportagens a respeito, quando julga que há notícia”. “Na sexta, entrevista com o relator da CPI tratava do tema e estava na Primeira Página. Já em abril havia reportagem de Brasília e colunistas escreveram a respeito”, afirma.
É pouco. Grampos mostram que a mídia fazia parte do xadrez de Cachoeira. Que essa parte do escândalo seja tratada sem indulgência, com a mesma dureza com que os políticos têm sido cobrados. Permitir-se ser questionado, jogar luz sobre a delicada relação fonte-jornalista, faz parte do jogo democrático.

Voltei
Pergunto a Suzana Singer e, se ela quiser responder, publico a resposta aqui: de qual escândalo denunciado pela imprensa, Suzana, não se podem perguntar as mesmíssimas coisas? Na sua condição de ombudsman, cobrou dos repórteres da Folha a PROVA de que não ofereceram vantagens à fonte que passou as informações sobre Palocci? A reportagem do jornal fazia ou não parte do “xadrez” da pessoa que queria o então ministro mais importante de Dilma fora do governo? Diga-me, Suzana: o jornalista que divulgou a lista de bens de Palocci sabia ou não sabia como aquelas informações foram colhidas?

A ombudsman da Folha está afirmando que nada existe contra o repórter da VEJA, mas que cabe a este provar a sua inocência, como nos melhores regimes totalitários. Curioso que tais cobranças não tivessem sido feitas por ninguém ao tempo que se garantia sobrevida a uma comprovada picaretagem, como era o Dossiê Cayman — e foi a Polícia, não a imprensa, que desbaratou a farsa.

Por que, Suzana Singer, só esse caso merece tal tratamento? Espero que não seja porque, afinal de contas, se trata da VEJA, e a revista deveria estar submetida a algum regime de exceção, que você certamente não defenderia que vigesse na Folha. Até porque isso seria impossível, minha cara! No dia em que os jornalistas tiverem de provar, a cada reportagem, que são “eticamente inocentes” — ainda que não exista contra eles acusação nenhuma de crime —, acabou o jornalismo investigativo. Para honra e glória dos ladrões do dinheiro público.

Por que só agora?
Por que só agora se arma esse circo? Bem, desde o primeiro dia, como vocês sabem, alertei que um só objetivo estava em jogo — e não era punir Cachoeira e sua gangue. Nunca foi. Os mensaleiros, sob a liderança de Lula, agarrado a seu ódio, querem submeter ao enxovalho todas as instituições do país. Usam-se o inquérito da Polícia Federal e as gravações para tentar arrastar para o lixão o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e a imprensa. Sob qual acusação? Nenhuma! Pretende-se fazer da CPI um tribunal de exceção.

O jornal Valor Econômico decidiu fazer uma reportagem a respeito da iniciativa do senador Fernando Collor (ver posts abaixo), que fez um requerimento pedindo a convocação de Policarpo Jr.. Reproduzo a resposta que o diretor de redação da revista, Eurípedes Alcântara, deu ao jornal:
“É assombroso que na semana seguinte às comemorações do Dia Mundial da Liberdade de imprensa, um senador peça a convocação de um jornalista para depor diante de um tribunal político e, com isso, envergonhe o Brasil, colocando-nos na má companhia de nações atrasadas e repudiadas pela comunidade internacional. A imprensa não está acima da lei, mas não pode ser colocada ao desamparo dela. Um jornalista acusado, como qualquer cidadão, tem o direito de saber o que pesa contra ele no âmbito da Justiça. Colocá-lo diante de um tribunal político com o objetivo de “esclarecer eventuais ligações” com quem quer que seja é um despropósito e uma afronta à democracia.”

Na mosca! Ou “nas moscas”, como costumo brincar.

A rede criminosa que se espalha na Internet — digo em outro post  do que ela é capaz — está convicta de que o poder petista, como os diamantes, é eterno e imagina uma situação que vai disso que vemos para pior. Pede, sem meias palavras, o que chama de “Lei dos Meios de Comunicação” — ou “Ley de Medios”, dizem alguns bandidos, citando, cheios de excitação,  a Venezuela de Hugo Chávez. Na semana passada, Rui Falcão, presidente do PT, anunciou que a imprensa é um dos alvos do governo, depois dos bancos. Querem a liberdade de imprensa de joelhos diante do tribunal presidido por José Dirceu, o rei da ética, aquele rapaz que foi no mês passado à Venezuela, em companhia do marqueteiro do PT, para dar uma forcinha a Chávez.

Quando os tucanos, no governo FHC, eram os alvos do jornalismo investigativo, nunca ninguém se lembrou de fazer uma CPI para submeter a imprensa a um tribunal político. Considerava-se tal hipótese simplesmente impensável — e os próprios tucanos, diga-se, não intentariam algo parecido. O jornalismo era, então considerado virtuoso por investigar eventuais desvios havidos no governo FHC ( nunca ninguém indagou qual era a fonte; tampouco a PF pôs para circular conversas de jornalistas)  e operava em estreita ligação com o PT. Imaginem uma gravação da PF registrando as conversas dos divulgadores do Dossiê Cayman e suas fontes ilibadas… AS REPORTAGENS DA VEJA RESULTARAM NA EXPLICITAÇÃO DE CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a chegada do PT ao poder, tudo mudou. Criminoso passou a ser o jornalismo independente — enquanto a corja financiada por dinheiro público se dedica, cotidianamente, a agredir a oposição, o Judiciário e a própria imprensa. Para eles, não há CPI. Ao contrário: juntam-se a Fernando Collor para enviar a um tribunal político quem honra a independência.

Outros, antes de nós, resistiram a pressões ainda piores. Estes que estão aí nem são os piores inimigos que a liberdade de imprensa já enfrentou. E resistiremos mais uma vez. Quis o destino que Lula e Collor viessem a se juntar, 23 anos depois do enfrentamento nas urnas, contra a liberdade de imprensa. Um está a exercer a sua conhecida natureza. O outro termina por revelar a sua. Uma não aprendeu nada nem esqueceu nada. O outro esqueceu tudo. O momento não é dos mais edificantes, mas me sinto intelectualmente recompensado. Há muitos anos venho dizendo que eles chegariam a este ponto. E chegaram. E mais longe chegarão se puderem.

Não se depender dos defensores da ordem democrática e do estado de direito. A Constituição vai derrotar a conspiração do ódio.

Texto publicado originalmente às 5h04

Por Reinaldo Azevedo

 

Promotoria reafirmará tese de crime político no caso Celso Daniel

Por Daniel Roncaglia e Silvio Navarro, Folha:

O Ministério Público de São Paulo sustentará amanhã a tese de crime político no julgamento de cinco acusados de matar o prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT), assassinado com oito tiros em janeiro de 2002.De acordo com o promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho, responsável pela acusação, será reafirmada a tese que levou à condenação de Marcos Roberto Bispo dos Santos em 2010. “Não haverá um fato novo.”

Escolhido para coordenar a campanha do ex-presidente Lula, Celso Daniel foi encontrado morto numa estrada de terra em Juquitiba (a 72 km de São Paulo), após dois dias de sequestro. O júri de amanhã, em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), marca mais uma etapa de um duro embate entre o Ministério Público de São Paulo e o PT.

A Promotoria sustenta que o grupo que será julgado sequestrou e matou o prefeito a mando do ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, que responde em liberdade e até hoje não foi a julgamento. A tese da Promotoria é que Daniel foi morto porque discordou que parte de um dinheiro desviado num esquema de corrupção na prefeitura para financiar campanhas do PT ficasse nas mãos dos envolvidos.

“O prefeito conhecia o esquema e sabia que era desviado para caixa 2 do PT, mas em determinado momento descobriu que parte do dinheiro foi usado para enriquecimento dos participantes, inclusive do Sombra, e aí ele se opôs”, disse o promotor.
(…)

Por Reinaldo Azevedo 

 

Celso Daniel - Nunca antes da história “destepaiz” um só caso teve tantos cadáveres auxiliares

Finalmente começou o julgamento dos acusados pela morte de Celso Daniel. O tempo escorre num outro ritmo, né?, os assuntos dizem respeito ao PT. No dia 17 de janeiro deste ano, às vésperas dos 10 anos do assassinato do prefeito, escrevi o post que segue. Trata-se de uma memória do caso.

*

Nesta quarta, o sequestro do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, completa dez anos. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado numa estrada de terra em Juquitiba. Desde aquele dia, tem-se uma fila imensa de cadáveres e poucas respostas. A tese do Ministério Público é a de que Celso foi vítima de um crime de encomenda, desdobramento de um esquema instalado na própria Prefeitura, coordenado por ele, destinado a desviar recursos para o PT. Membro do grupo, Sérgio Sombra, amigo pessoal do prefeito, é acusado de ser o mandante.

Até agora, o único condenado é Marcos Roberto Bispo dos Santos, o Marquinhos. O julgamento aconteceu no Fórum de Itapecerica da Serra. Adriano Marreiro dos Santos, seu advogado, diz que  seu cliente confessou sob tortura. O Ministério Público reuniu evidências de que ele dirigiu um dos carros que abalroou a picape em que Celso estava, encomendou o roubo de outro veículo que participou da operação e conduziu a vitima da favela Pantanal, em Diadema, para Juquitiba, onde foi assassinada.

Bruno Daniel, um dos irmãos de Celso, afirma que, no dia da Missa de Sétimo Dia, Gilberto Carvalho, hoje secretário-geral da Presidência do governo Dilma, confessou que levava dinheiro do esquema montado na Prefeitura para a direção do PT. Carvalho lhe teria dito que chegou a entregar R$ 1,2 milhão ao então presidente do partido, José Dirceu. Carvalho e Dirceu negam. Bruno e sua família são os únicos brasileiros na França que gozam do estatuto oficial de “exilados”. Tiveram de deixar o país, ameaçados de morte. Francisco, o outro irmão, também teve de se mandar. Eles não aceitam a tese de que o irmão foi vítima de crime comum.

O ressentimento de Bruno - ele e a mulher eram militantes do PT - com o partido é grande. Ele acusa os petistas de terem feito pressão para que a morte fosse considerada crime comum. Outro alvo seu é o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, então deputado federal pelo partido. Greenhalgh acompanhou a necropsia do corpo e assegurou à família que Celso não tinha sido torturado, o que foi desmentido pelo legista Carlos Delmonte Printes em relato feito à família. A tortura é um indício de que os algozes do prefeito queriam algo mais do que seqüestrá-lo para obter um resgate, o que nunca foi pedido. Por que Greenhalgh afirmou uma coisa, e o legista, outra? Difícil saber: no dia 12 de outubro de 2005, Printes foi encontrado morto em seu escritório. A perícia descartou morte natural e não encontrou sinais de violência. A hipótese de envenenamento não se confirmou. Não se sabe até agora o motivo.

Todos os mortos
A lista de mortos ligados ao caso impressiona. Além do próprio Celso, há mais sete. Um é o garçom Antônio Palácio de Oliveira, que serviu o prefeito e Sérgio Sombra no restaurante Rubaiyat em 18 de janeiro de 2002, noite do sequestro. Foi assassinado em fevereiro de 2003. Trazia consigo documentos falsos, com um novo nome. Membros da família disseram que ele havia recebido R$ 60 mil, de fonte desconhecida, em sua conta bancária. O garçom ganhava R$ 400 por mês. De acordo com seus colegas de trabalho, na noite do sequestro do prefeito, ele teria ouvido uma conversa sobre qual teria sido orientado a silenciar.

Quando foi convocado a depor, disse à Polícia que tanto Celso quanto Sombra pareciam tranquilos e que não tinha ouvido nada de estranho. O garçom chegou a ser assunto de um telefonema gravado pela Polícia Federal entre Sombra e o então vereador de Santo André Klinger Luiz de Oliveira Souza (PT), oito dias depois de o corpo de Celso ter sido encontrado. “Você se lembra se o garçom que te serviu lá no dia do jantar é o que sempre te servia ou era um cara diferente?”, indagou Klinger. “Era o cara de costume”, respondeu Sombra.

Vinte dias depois da morte de Oliveira, Paulo Henrique Brito, a única testemunha desse assassinato, foi morto no mesmo lugar com um tiro nas costas. Em dezembro de 2003, o agente funerário Iran Moraes Rédua foi assassinado com dois tiros quando estava trabalhando. Rédua foi a primeira pessoa que reconheceu o corpo de Daniel na estrada e chamou a polícia.

Dionízio Severo, detento apontado pelo Ministério Público como o elo entre Sérgio Sombra, acusado de ser o mandante do crime, e a quadrilha que matou o prefeito, foi assassinado na cadeia, na frente de seu advogado. Abriu a fila. Sua morte se deu três meses depois da de Celso e dois dias depois de ter dito que teria informações sobre o episódio. Ele havia sido resgatado do presídio dois dias antes do sequestro. Foi recapturado. O homem que o abrigou no período em que a operação teria sido organizada, Sérgio Orelha, também foi assassinado. Outro preso, Airton Feitosa, disse que Severo lhe relatou ter conhecimento do esquema para matar Celso e que um “amigo” (de Celso) seria o responsável por atrair o prefeito para uma armadilha.

O investigador do Denarc Otávio Mercier, que ligou para Severo na véspera do seqüestro, morreu em troca de tiros com homens que tinham invadido seu apartamento. O último cadáver foi o do legista Carlos Delmonte Printes. Perderam a conta? Então anote aí:
1) Celso Daniel : prefeito. Assassinado em janeiro de 2002.
2) Antonio Palacio de Oliveira : garçom. Assassinado em fevereiro de 2003
3) Paulo Henrique Brito : testemunha da morte do garçom. Assassinado em março de 2003
4) Iran Moraes Rédua: reconheceu o corpo de Daniel. Assassinado - dezembro de 2003
5) Dionizio Severo: suposto elo entre quadrilha e Sombra. Assassinado - abril de 2002
6) Sérgio Orelha: Amigo de Severo. Assassinado em 2002
7) Otávio Mercier: investigador que ligou para Severo. Morto em julho de 2003.
8 ) Carlos Delmonte Printes: legista encontrado morto em 12 de outubro de 2005.

PS : Evitem acusações nos comentários, ainda que a vontade seja grande, ok?

Por Reinaldo Azevedo 

 

Fala o promotor do caso Celso Daniel: “Quem levava o dinheiro da quadrilha para o partido era o Gilberto Carvalho”

Por Guilherme Balza, no UOL:
O júri de cinco acusados pela morte de Celso Daniel, um dos crimes mais misteriosos da história recente do país, será realizado nesta quinta-feira (10), no Fórum de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo). Até agora, o único condenado pela morte do ex-prefeito de Santo André  foi Marcos Bispo dos Santos, que pegou 18 anos de prisão após condenação do júri em novembro de 2010.

Agora, serão julgados Elcyd Oliveira Brito, Itamar Messias da Silva Santos, Ivan Rodrigues da Silva, José Edison da Silva e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira. Todos faziam parte de uma quadrilha da favela Pantanal, na divisa da capital com Diadema. Eles são acusados de homicídio duplamente qualificado e podem ser condenados de 12 a 30 anos de prisão.

O inquérito policial que levou os acusados ao banco dos réus concluiu que a morte do ex-prefeito de Santo André (SP), em 18 de janeiro de 2002, no município de Juquitiba (também na Grande SP) foi um crime comum, resultado de um sequestro mal executado pela quadrilha.

O promotor de Justiça Roberto Wider Filho, que investigou a morte de Daniel, contesta a versão da polícia e afirma que o assassinato do ex-prefeito foi encomendado por uma quadrilha responsável por um esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André, cujo objetivo era levantar recursos para financiar campanhas eleitorais do PT (Partido dos Trabalhadores). Para ele, a investigação policial foi “incompleta” e deixou de apurar as “verdadeiras razões da morte”.

O Gaeco (Grupo de Atenção Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do ABC sustenta que um dos mandantes do crime é o empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, amigo de Celso Daniel e uma das figuras mais importantes dentro da quadrilha de Santo André -ele deverá ir a júri popular ainda neste ano em um processo diferente, já que responderá por homicídio triplamente qualificado.

Segundo o MP, o grupo arrecadava dinheiro por meio da extorsão de empresas de transporte, coleta de lixo e obras públicas, que eram coagidas a pagar uma “caixinha” todo mês. Só com as empresas de ônibus a quadrilha estaria levantando R$ 100 mil por mês. Mas, a galinha dos ovos de ouro do esquema, diz Wider Filho, eram as empresas que operavam radares de trânsito, com as quais os corruptores arrecadavam até R$ 50 milhões por mês.

Para o Gaeco, a morte do ex-prefeito foi resultado de um “desarranjo” no interior da quadrilha: a tese da promotoria é que Daniel sabia e participava do esquema de corrupção em Santo André, mas decidiu impor limites ao perceber que os desvios tinham também como finalidade engordar as contas pessoais, e não só as do partido.

Por participação no esquema, o MP moveu uma ação civil pública contra Sombra, o então secretário de Serviços Municipais Klinger Luiz de Oliveira, os empresários Ronan Maria Pinto, Luiz Marcondes Júnior e Humberto Tarcísio de Castro. Até hoje eles não foram julgados pelas denúncias.

José Dirceu, na época presidente do PT, e Gilberto Carvalho, então secretário de governo em Santo André e braço direito de Celso Daniel, hoje secretário-geral da Presidência da República, não foram investigados pelo MP por força de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2004, na qual o ex-ministro Nelson Jobim considerou que a promotoria não pode realizar investigações criminais.

Em entrevista ao UOL, Wider Filho falou sobre as investigações da morte de Celso Daniel e conta como funcionava o suposto esquema de corrupção em Santo André.

UOL - Qual a tese do Ministério Público para a morte de Celso Daniel?
Roberto Wider Filho -
 O que nós apuramos foi a participação do Sérgio Gomes da Silva [o Sombra, amigo de Celso Daniel], que já era apontado em Santo André como o encarregado por um esquema de corrupção e concussão na prefeitura. Identificamos um elo entre esse esquema e a morte do Celso Daniel. O Sérgio foi um dos mandantes da morte em decorrência de um desarranjo no esquema de corrupção. A morte do ex-prefeito foi a mando, não foi um homicídio aleatório, como diz a Polícia Civil. Para a polícia, o sequestro foi aleatório: escolheram qualquer um na rua e por azar pegaram o prefeito. Isso ficou completamente descaracterizado na investigação e na Ação Penal que se seguiu. Verificamos que o Sérgio participou e que o crime foi premeditado.

UOL - Por que, então, a investigação policial concluiu que ocorreu crime comum?
Wider Filho -
 A apuração policial foi muito útil porque identificou a quadrilha responsável pela morte, que é a da favela Pantanal [na divisa entre São Paulo e Diadema] –são os que vão ser julgados agora. Mas a investigação se encerrou prematuramente. Eles não avançaram na investigação até para verificar se a versão dos integrantes da quadrilha era correta –e não era. Os integrantes da quadrilha disseram que perseguiram o empresário desde o Ceagesp [zona oeste de São Paulo]. Quebramos o sigilo telefônico da quadrilha e verificamos que não houve essa perseguição, que os integrantes ficaram o tempo todo na avenida Dr. Ricardo Jafet [zona sul]. A Polícia Civil sequer analisou o exame necroscópico do prefeito. Um adolescente admitiu ter sido o executor da morte, e foi feita até reconstituição, mas sem que houvesse o exame de corpo de delito. Pedimos o exame do cadáver do prefeito, para confirmar se a versão do adolescente batia com as agressões no corpo do prefeito, e o laudo de exame necroscópico. Havia incoerências grandes. Ouvimos esse adolescente várias vezes, e, no final, ele admitiu que não foi o executor. A polícia aceitou passivamente a confissão dos integrantes da quadrilha. Não se aprofundou nos verdadeiros motivos e razões da morte.

UOL - Como foram as tentativas de reabertura das investigações policiais?
Wider Filho -
 Nós tentamos contar com o apoio da polícia durante todo o tempo. Fizemos uma investigação preliminar e, logo que essa investigação apontou novos elementos, fomos no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Foi instaurado um inquérito complementar e nomeado um novo delegado, o Luiz Fernando. Começamos a fazer diligências em conjunto, mas o DHPP sempre mostrou uma resistência muito grande. Chegou ao ponto de testemunhas levadas pelo MP serem intimidadas no DHPP. Parece-me que a Polícia Civil insiste na tese de crime comum por uma questão de honra, para provar que a tese deles estava certa. Em nenhum momento dissemos que a investigação estava errada, mas ela foi interrompida antes da obtenção dos resultados mais importantes.

UOL - A investigação do MP detectou o envolvimento de pessoas ligadas ao PT no planejamento da morte de Celso Daniel?
Wider Filho -
 Identificamos o Sérgio [Sombra] como sendo um dos mandantes. Embora existam indícios da participação de outras pessoas na quadrilha de Santo André, não conseguimos aprofundar as provas e não tivemos elementos para oferecer denúncia contra elas. Se não consegui prova suficiente para oferecer denúncia, não posso imputar nada contra essas pessoas. Seria uma irresponsabilidade minha.

UOL - O senhor acha que essa investigação precisa ser retomada pela polícia?
Wider Filho -
 Existem algumas questões que podem ser investigadas. Depois da conclusão do inquérito complementar, fizemos outro pedido, tempos depois, para a retomada do caso. Foi indicada a delegada Elisabete Sato, na época do 78º DP (Jardins). Pedimos que fossem feitas nove diligências. Também a doutora Sato, prematuramente, relatou o inquérito –com uma posição surpreendente, cometendo vários erros no relatório, um trabalho que não é do histórico dela– reafirmando a tese do DHPP. Nós acreditamos que houve uma pressão do DHPP para que ela fizesse isso, porque a investigação dela caminhava num rumo bom. Entre outros elementos na investigação dela, colheu-se provas de que dinheiro de corrupção foi encontrado dentro do apartamento do Celso Daniel. Isso era uma prova relevante que demonstrava esse desarranjo no interior da quadrilha.

UOL - Como funcionava o esquema de corrupção em Santo André? Qual a ligação da quadrilha com a morte do ex-prefeito?
Wider Filho -
 Existia uma quadrilha que fazia arrecadação destinada a financiamento de campanhas eleitorais do PT. Em um determinado momento, Celso Daniel descobre que boa parte desses recursos eram desviados para o enriquecimento pessoal dos integrantes dessa quadrilha. Com isso, ele não concordava. Havia secretários do PT, filiados ao partido, que eram integrantes da quadrilha, mas a investigação para outros integrantes do partido foi cerceada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que impediu que a gente investigasse o José Dirceu, o Gilberto Carvalho e a destinação final desses recursos. Nós não podemos investigar, nem a Polícia Federal, que era a instância competente. Depois eu tentei retomar essa investigação e o ministro Eros Grau, também atendendo a uma reclamação do José Dirceu, impediu. Então a gente nunca conseguiu fazer essa investigação. Portanto, não posso falar nada sobre o que eu não investiguei. Mas existe uma reclamação nossa no STF para investigarmos o José Dirceu que ainda não foi julgada.

UOL - O que foi esse “desarranjo na quadrilha” que o senhor menciona?
Wider Filho -
 Quem levava o dinheiro da quadrilha para o partido era o Gilberto Carvalho. Quem arrecadava era o Ronan Maria Pinto [empresário do ramo de transportes e das comunicações] e o Sérgio [Sombra]. De repente, o dinheiro foi parar no próprio apartamento do Celso Daniel, o que demonstra como ele tinha desconfiança do funcionamento daquela quadrilha. Para ele, o dinheiro deveria ter como destinação exclusiva o financiamento de campanha eleitoral. Ele continuou arrecadando, mas o dinheiro não circulava como anteriormente. Essa investigação foi realizada pela Elisabete Sato, e, infelizmente, não teve prosseguimento. Existem outros elementos a serem investigados e aprofundados, inclusive com relação a outros mandantes, mas, fora o cerceamento que houve no Supremo, nós também tivemos problemas com a polícia.

(…)

Por Reinaldo Azevedo 

 

Violência retórica, baixaria e antissemitismo: “Teu patrão vai para Auschwitz”

Recebo, como sabem, milhares de comentários por dia. Agora mesmo, 5h47 da madrugada, quando começo este post, já há 241 comentários na fila. Uma parte vem daquilo que chamo “rede criminosa” da Internet. Não publico para poupar-nos da baixaria, da violência retórica, das ameaças, da pior imundície. É claro que se trata de uma organização, que obedece a um comando. E eles não poupam nada: família, intimidade, origem… Enquanto estiver em vigência o estado de direito no Brasil, há que se recorrer à Justiça para responder aos agravos. Tenho encaminhado à VEJA as agressões que ultrapassam o limite do tolerável e ferem fundamentos até da Constituição.

Alguém se identificando como François-Marie Arouet — o nome de batismo de ninguém menos do que Voltaire —, num texto meio confuso, mas de sentido claro, escreve o que segue, referindo-se a Roberto Civita, publisher da VEJA:
Escuta aqui, figura, endoidou ou terminou o casório com mulher para embichar de vez? Se teu patrão for “convidado” à CPI, o Murdoch acabará por deportá-lo para Auschwitz, pois a latrina de quem aparece mais não foi feita para herdeiro de zelote, fugitivo da Itália e da Argentina. Tu não aprendes mesmo, quadrúpede com mania de bípede! Está na hora de apelares para o Pentauteuco - e não para o Eclesiastes - à cata de uma fraude qualquer, de um conto-do-vigário capaz de blindá-lo contra a força do destino; tu e todos aí desse lupanar da Casa Verde.

Essa é a linguagem que falam nas agressões que enviam ao blog. Civita é judeu, e Auschwitz é um campo de extermínio. A metáfora desse Voltaire nazistoide (IP 177.0.236.159), a seu modo, faz sentido. Querem enviar a imprensa para um campo de extermínio, para a câmara de gás.

As referências ao “judeu sujo”, ao “judeu sem pátria”, à “solução final para a imprensa golpista e para os sionistas” se multiplicam nos comentários enviados ao blog. Por incrível que possa parecer, são aceitas coisas semelhantes nas áreas de comentários de páginas que ostentam a marca de estatais e do governo. Se houver futuro para estepaiz, como diria aquele, um dia haveremos (ou nossos filhos e netos) de nos escandalizar com o fato de que dinheiro público tenha sido usado para patrocinar o achincalhe da oposição, da imprensa e de figuras do Judiciário — além de promover o preconceito mais odiento, mais asqueroso, mais rasteiro.

“Você e o judeu nojento que paga o seu salário vão ver agora o que é bom pra tosse”. É assim que eles se expressam. E acreditem:  são capazes de muito mais. Esses são exemplos amenos do que chega — junto, claro!, com a reprodução de acusações publicadas pela rede a soldo. Já está bom, não é? Matéria para a polícia e para a Justiça. Ainda que muitos covardes se escondam no anonimato ou recorram a apelidos, há ferramentas para encontrá-los e fazê-los responder pelo que dizem.

Querem mandar a imprensa livre e independente para o paredão e para a câmara de gás, mas a isso que fazem chamam “liberdade de expressão”. Estão de tal sorte “pilhados” por seus orientadores (i)morais que já não se dão conta dos crimes que estão cometendo — alguns deles inafiançáveis e imprescritíveis. Estão, reitero, convictos de que já chegaram lá e que é hora de dar o golpe final, mais ou menos como os bolcheviques fizeram com Kerensky. Mas não somos os “kerenskiáveis” da vez…

Leiam o que vai em vermelho. Volto em seguida.
Quando a imprensa judaica reclama que o movimento Nacional Socialista tem a permissão de falar em todas as rádios alemãs por causa de seu chanceler, podemos responder que só estamos fazendo o que vocês sempre fizeram no passado.
(…)
Há alguns anos, não falávamos da boca pra fora quando dizíamos que vocês, judeus, são nossos professores e que só queremos ser seus alunos e aprender com vocês. Além disso, é preciso esclarecer que aquilo que esses senhores conseguiram no terreno da política de propaganda durante os últimos 14 anos foi realmente uma porcaria. Apesar de eles controlarem os meios de comunicação, tudo o que conseguiram fazer foi encobrir os escândalos parlamentares, que eram inúteis para formar uma nova base política.
(…)
Se hoje a imprensa judaica acredita que pode fazer ameaças veladas contra o movimento Nacional-Socialista e acredita que pode burlar nossos meios de defesa, então, não deve continuar mentindo. Um dia nossa paciência vai acabar e calaremos esses judeus insolentes, bocas mentirosas!
(…)
E se outros jornais judeus acham que podem, agora, mudar para o nosso lado com as suas bandeiras, então só podemos dar uma resposta: “Por favor, não se dêem ao trabalho!”
(…)
Esta insolência judaica tem mais passado do que terá futuro. Em pouco tempo, ensinaremos os senhores da Karl Liebnecht Haus [sede do Partido Comunista] o que é a morte, como nunca aprenderam antes. Eu só queria acertar as contas com os [nossos] inimigos na imprensa e com os partidos inimigos e dizer-lhes pessoalmente o que quero dizer em todas as rádios alemãs para milhões de pessoas.

São trechos do discurso que Goebbels fez em Berlim no dia 10 de fevereiro de 1933.  Eu traduzi a parte que vai no vídeo abaixo no dia 20 de setembro de 2010 Está tudo aí. A síntese poderia ser esta: “Acabaremos com vocês porque vocês… existem”.

Encerro
O mais curioso de tudo é que, volta e meia, tentam ironizar: “Ah, vocês estão se defendendo!” Não, vagabundos! Estou atacando com as armas da civilização. Mas posso compreender que nazistoides, fascistoides e comunistoides acreditem que a seus adversários não assiste nem mesmo o direito à defesa. Vocês não pertencem a 2012. São isso que se vê acima: a Alemanha de 1933! E vão para a lata do lixo, com seu ódio, seu rancor, seus preconceitos e seu antissemitismo asqueroso.

Texto publicado originalmente às 6h28

Por Reinaldo Azevedo

 

09/05/2012 às 6:41

Delegado da PF depõe na CPI e diz que conversas entre Policarpo Jr. e Cachoeira denotam apenas relação entre repórter e fonte

Na Folha:
O delegado Raul Souza respondeu ontem a questionamentos de petistas e do senador Fernando Collor (PTB-AL) sobre a relação de Carlinhos Cachoeira e a mídia. Questionado se havia “matérias encomendadas” por Cachoeira na revista “Veja”, o delegado disse que há várias conversas entre o empresário e o diretor da publicação em Brasília, Policarpo Júnior, mas que elas denotam apenas relação entre repórter e fonte.

Souza também citou grampo na qual Cachoeira diz que vai entregar uma gravação provando compra de votos numa cidade de Goiás à Rede Globo, sem outra referência sobre o que ocorreu. Por fim, o delegado relatou que há conversas em que Cachoeira cita pagamentos a dois jornais de Goiás, o “Opção” e o “Diário da Manhã”, mas não fica claro do que se trata.

Um jornalista da segunda publicação, disse o empresário, estaria em sua folha de pagamento. O delegado disse não saber a veracidade do relato. Os dois jornais, procurados, não responderam. Setores do PT têm como estratégia a tentativa de desqualificar órgãos de imprensa às vésperas do julgamento do mensalão. Já Collor, que sofreu impeachment em 92 após reportagens que alimentaram uma CPI, tem feitos seguidos ataques à imprensa.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/05/2012 às 6:37

Esquema de Cachoeira tinha “infiltrado” na CGU

Por Alfredo Junqueira e Fábio Fabrini, no Estadão:
A organização criminosa liderada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, operou dentro da Controladoria-Geral da União (CGU) para prejudicar um concorrente da Delta Construções. Investigações da Polícia Federal mostram que a empreiteira quis usar um funcionário ligado ao araponga Idalberto Matias Araújo, o Dadá, para atingir a Warre Engenharia e Saneamento - empresa envolvida em irregularidades em obras em Goiânia. A CGU já requisitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) cópia do inquérito da Operação Monte Carlo e deve instaurar sindicância interna.

Chamado pelo araponga de “amigo lá da CGU” e “companheiro da CGU”, o suposto servidor do órgão de controle interno do governo federal teria atuado para incluir a Warre em auditoria realizada no ano passado para apurar desvios cometidos em convênios firmados pelo Ministério do Turismo com ONGs.

As fraudes já haviam sido alvo de outra investigação da PF, batizada de Operação Voucher, realizada no dia 9 de agosto do ano passado, mas que não colocou a empreiteira no radar da PF.

Em conversa telefônica gravada horas depois da ação dos agentes federais no Ministério do Turismo, Abreu pediu que Dadá plantasse informações que ligassem a construtora concorrente, sediada em Goiânia, com as irregularidades identificadas na pasta. Entre as 36 pessoas presas na Operação Voucher estava o então secretário executivo do ministério, Frederico Silva da Costa. Segundo Abreu, “o ex-número dois” era ligado à Warre.

“O pessoal da Warre Engenharia é aqui da cidade. O dono dela é o Paulo Daher e o filho dele, o Ricardo Daher. (…) Eles são amigos de infância. E esse cara que foi preso aí (Frederico) arrumou dinheiro pra eles e direcionou as obras”, explicou Abreu a Dadá.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

09/05/2012 às 6:35

Gasto com diárias no exterior triplica no governo do Rio

Por Italo Nogueira, na Folha:
Sob administração do governador Sérgio Cabral, o governo do Rio gastou desde 2007 mais de R$ 20 milhões em diárias no exterior, segundo dados da Secretaria Estadual de Fazenda. O gasto vem crescendo ano a ano, batendo o recorde em 2011, quando R$ 5,6 milhões foram usados para custear viagens oficiais internacionais de funcionários do governo. Entre as viagens com diárias custeadas pelo Estado está a missão a Paris em setembro de 2009, na qual secretários e Cabral foram fotografados confraternizando com empresários que têm contratos com o Estado, como Fernando Cavendish, dono da Delta.

O governador afirma que a festa na qual as imagens foram feitas foi paga pelo barão francês Gerard de Waldner. Os números mostram que o governo Cabral quase triplicou os gastos com viagens ao exterior, em comparação com os de sua antecessora, Rosinha Garotinho (2003-2006). Enquanto a administração anterior gastou R$ 4,9 milhões nos quatro anos, a gestão do peemedebista consumiu, de 2007 a 2010 (seu primeiro mandato), R$ 13 milhões com diárias no exterior, em valores atualizados.

O governo disse, por meio da assessoria de imprensa, que as missões oficiais servem para “atração de negócios, eventos e turismo” e citou como exemplos a Rio +20 e a Olimpíada. Cabral recebeu diretamente do governo R$ 148 mil em diárias desde 2007, quando assumiu o governo. Esse valor foi usado nos 127 dias em que, segundo sua assessoria, ele esteve em missões internacionais. O gasto médio diário é de R$ 1.116. Para sua assessoria, é “compatível com despesas de uma viagem internacional”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

09/05/2012 às 6:33

DEM fecha acordo com PSDB e decide apoiar Serra em SP

Por Daniela Lima, na Folha:
O DEM fechou questão e já já discute data para anunciar uma aliança com o ex-governador José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo. O acordo deslanchou nos últimos dois dias, quando a sigla obteve garantias de apoio dos tucanos à candidatura do deputado ACM Neto (DEM-BA) à Prefeitura de Salvador e de que poderá opinar sobre o vice de Serra. Apesar de ainda discutir detalhes, como a coligação proporcional, o partido prevê oficializar a adesão dia 17 de maio.

Anteontem, dirigentes e líderes do DEM se reuniram com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e acertaram com ele que a vice de Serra será discutida com os partidos que apoiarem o tucano.  ntes, Serra havia dito que não aceitaria vetos ao nome que escolhesse. Agora, o DEM afirma que terá de haver um consenso sobre a indicação.
(…)
PV
O PV será o primeiro partido a se aliar formalmente ao ex-governador José Serra (PSDB) na corrida à Prefeitura de São Paulo. O apoio será formalizado amanhã, em evento na Câmara Municipal. O partido foi atraído para a coligação tucana pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD), um dos principais aliados e articuladores da campanha do ex-governador à sua sucessão. O PSDB estudou formalizar no mesmo evento o apoio do PSD, partido de Kassab, à candidatura de Serra, mas acabou decidindo dar à sigla do prefeito um evento separado.

Por Reinaldo Azevedo

 

09/05/2012 às 6:31

Justiça julga cinco por morte de Celso Daniel

Por Silvio Navarro e Nádia Guerlanda, na Folha:
A Justiça começa a julgar amanhã, mais de dez anos depois do crime, cinco acusados de matar o prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT), assassinado com oito tiros em janeiro de 2002. Escolhido para coordenar a campanha do ex-presidente Lula, Celso Daniel foi encontrado morto numa estrada de terra em Juquitiba (SP), após dois dias de sequestro. O júri de amanhã em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo) marca mais uma etapa de um duro embate entre o Ministério Público de São Paulo e o PT.

A Promotoria sustenta que o grupo que será julgado sequestrou e matou o prefeito a mando do ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, que responde em liberdade e até hoje não foi a julgamento. A tese da Promotoria é que Daniel foi morto porque descobriu um esquema de corrupção na prefeitura para financiar campanhas do PT.O PT acusa os promotores de politizarem um caso que, segundo conclusão da polícia, é um crime comum.

A defesa de Gomes da Silva contesta há anos no STF (Supremo Tribunal Federal) o poder de investigação do Ministério Público em casos criminais. Na noite do sequestro, Gomes da Silva e Daniel voltavam de um restaurante na capital paulista quando o carro foi alvo de uma emboscada. Cercado de polêmicas, o caso foi reaberto duas vezes e investigado por Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público e pela CPI dos Bingos. Seis pessoas relacionadas direta ou indiretamente às investigações morreram.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

08/05/2012 às 23:01

J&F Holding irá assumir controle da Delta Construções

Por Gustavo Uribe, no Globo. Mais tarde volto ao assunto.
A J&F Holding, grupo que controla o frigorífico JBS, vai assumir o controle da Delta Construções, empresa alvo de investigação na CPI do Carlinhos Cachoeira, no Congresso Nacional. A informação é de agentes envolvidos na negociação, segundo os quais, um comunicado sobre a operação será divulgado na manhã desta quarta-feira. Em um primeiro momento, antes da aquisição completa da empreiteira, a J&F Holding irá administrar o fundo que controla a Delta Construções, para avaliar a situação financeira da empresa.

A expectativa é de que um novo presidente assuma a construtora, atualmente a sexta maior empreiteira nacional. As negociações para a venda da Delta Construções se estendem desde a semana retrasada e foram conduzidas, segundo pessoas que participaram da negociação, por Joesley Batista e Henrique Meirelles, da J&F Holding, e por Fernando Cavendish, presidente licenciado da Delta Construções. O ex-presidente do Banco Central deve, inclusive, assumir a presidência do conselho de administração da Delta Construções. O mercado já vinha apostando em um acordo para esta semana entre a construtora e a holding, com a divulgação de fato relevante aos investidores.

Em abril, o colunista do GLOBO Ancelmo Gois antecipou que a empreiteira estava à venda, após passar por problemas de caixa em virtude da divulgação de irregularidades em contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em 2011. A aquisição da empreiteira pela holding representa a expansão dos negócios da J&F para o ramo da construção civil. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem cerca de 30% do capital da J&F Holding.

Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, no mesmo mês, o presidente licenciado da Delta Construções reconheceu o risco de a empreiteira passar por problemas financeiros após a divulgação do conteúdo da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. A aquisição da empreiteira pela holding representa a expansão dos negócios da J&F para o ramo da construção civil. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possui cerca de 30% do capital do grupo JBS. Na semana retrasada, a construtora deixou o consórcio responsável pelo projeto da Transcarioca, após ter se retirado das obras de reforma do estádio do Maracanã.

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, já afirmou que o Ministério do Planejamento estava se preparando para uma eventual saída da Delta Construções das principais obras do governo federal, em especial as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Um diretor de uma das cinco maiores empreiteiras do País, ouvido pelo GLOBO, avaliou que a venda da Delta Construções tem caráter mais político que econômico, uma vez que, por meio dos atuais contratos firmados, a empresa não quebraria a curto prazo. O executivo ponderou, contudo, que há o risco de o patrimônio da empreiteira “derreter” com o passar do tempo, sobretudo com o aprofundamento das investigações no âmbito da CPI do Carlinhos Cachoeira.

Por Reinaldo Azevedo

 

08/05/2012 às 22:47

A entrevista que Pedro concedeu à VEJA há 20 anos e que está na raiz do ódio que Fernando Collor tem da revista

Collor não perdoa VEJA por esta capa. Do seu ponto de vista, faz sentido. A questão é saber se a CPI será refém do seu ódio ou se vai tentar punir os bandidos de verdade

Collor não perdoa VEJA por esta capa. Do seu ponto de vista, faz sentido. A questão é saber se a CPI será refém do seu ódio ou se vai tentar punir os bandidos de verdade

Segue a entrevista que VEJA publicou em 1992 com Pedro Collor, irmão de Fernando Collor, e que acabou resultando na queda do ex-presidente, agora senador (PTB-AL) e aliado de Lula. Collor (leia abaixo) resolveu se vingar da revista, demonstrando que é do tipo que não aprende nada nem esquece nada. Antes, como agora, trata-se de apostar na liberdade de imprensa ou no seu controle pelo estado ou por um partido.

Nos primeiros dias de seu governo, Collor determinou uma espécie de blitz contra a Folha e teve como resposta o repúdio da imprensa como um todo e da sociedade. Eram tempos em que não havia esbirros do petismo — ou do collorismo, é bom deixar claro — financiados com dinheiro público para intimidar o jornalismo. Passados vinte anos, o jornalismo livre, ainda que de modo oficioso, enfrenta mais dificuldades hoje do que antes. Afinal, Collor e setores de seu principal adversário de antes, o PT, se uniram contra a liberdade de imprensa.  Lembrem a histórica entrevista.

“O PC é o testa-de-ferro do Fernando”

Na tarde da última quarta-feira Pedro Collor tomou um avião em Maceió e chegou a São Paulo após uma escala no Recife. Em com­panhia da mulher. Maria Tereza, e de uma irmã, Ana Luiza, Pedro Collor deu uma entrevista de duas horas a VEJA. A seu pedido, o encontro ocorreu nas dependências da revista. A mulher e a irmã de Pedro Collor foram testemunhas de suas declarações, e chegaram a colaborar em algumas respostas. Além de fazer novas denúncias sobre a atividade de PC Farias no governo, Pedro Collor diz que ele é “testa-de-ferro” do presidente Fernando Collor. Diz que o jornal Tribuna de Alagoas, que PC Farias quer lançar em Maceió, na verdade pertence a seu irmão. Também garante que um apartamento de Paris que se supunha ser propriedade do empresário na realidade pertence a Fernando Collor. Para Pedro Collor, existe uma “simbiose profunda” entre os dois. Os principais trechos da entrevista:

VEJA - O senhor se considera louco?
Pedro Collor -
 Não, de jeito nenhum.

VEJA - Se a sua própria mãe está falando isso, é o caso de perguntar. Já fez algum tratamento psiquiátrico?
Pedro Collor -
 Não, nunca fiz tratamento psiquiátrico ou psicanálise. Essa pressão toda tem um objetivo claro. O objetivo foi passar para a opinião pública a sensação de que não tenho credibilidade, que estou sob forte comoção. Convenceram mamãe a assinar aquela carta. Ela é muito ingênua nesse sentido.

VEJA - As suas afirmações e denúncias, os documentos que o senhor levantou contra Paulo César Farias e as críticas que vem fazendo ao Presidente colocam o governo e o país numa situação delicada. O senhor está ciente disso?
Pedro Collor -
 Absolutamente consciente.

VEJA - O senhor tem dito que suas revelações podem acabar com o governo do seu irmão. E isso que o senhor quer?
Pedro Collor -
 Não, mas qual foi o principal mote da campanha do Femando? Quem roubava ia para a cadeia. Na prática, estou vendo uma coisa completamente diferente. Ninguém pode enrolar todo mundo o tempo todo.

VEJA - Essa briga começou em torno do lançamento de um novo jornal, que concorreria com a Gazeta de Alagoas, das organizações Arnon de Mello?
Pedro Collor -
 Em janeiro de 1991, levei ao Fernando, no Palácio do Planalto, o plano de se montar um novo jornal em Alagoas. Seria um jornal vespertino. Já houve no passado vespertinos no Estado, e que pararam por um motivo ou outro, agora não há nenhum. Como achei que havia uma brecha no mercado, e a gráfica do nosso grupo estava ociosa, fiz a proposta ao Fernando. Expliquei que o novo jornal não faria parte do grupo da Gazeta, seria uma iniciativa à parte.

VEJA - O que o presidente achou da idéia?
Pedro Collor - 
Ele me disse o seguinte: “Não, não leve a idéia do jornal adiante porque eu vou montar uma rede de comunicação paralela em Alagoas com o Paulo César, e essa rede terá um jornal”. O Fernando falou que o jornal iria se chamar Tribuna de Alagoas. Disse também que a Tribuna seria impressa na imprensa oficial do Estado. Então perguntei por que ele não imprimia esse novo jornal na gráfica do nosso grupo. O Femando respondeu: “Não”.

VEJA - A rede de comunicação seria de PC Farias?
Pedro Collor -
O PC seria o testa-de-ferro. Era uma empresa de testa-de-ferro, que teria o jornal e de doze a catorze emissoras de rádio.

VEJA - Qual foi a sua reação a essa rede?
Pedro Collor -
 Raciocinei que, se o novo jornal ia ser impresso na imprensa oficial, seria em preto-e-branco, um jornal para ocupar espaço, evitar que grupos adversários na política entrassem na área. Dizia-se que não era um jornal para concorrer efetivamente com a Gazeta e, de repente, compraram um maquinário exatamente igual ao nosso, e me tomam funcionários pagando três ou quatro vezes mais do que eles ganham conosco. Então é um negócio para destruir o nosso, certo? Foi aí que a coisa começou. Houve também um problema corri a instalação de rádios. Na mesma reunião em que falei do novo jornal com o Fernando, eu disse que precisávamos também de duas rádios, FMs pequenas ou médias, na periferia de Maceió.

VEJA - Como o senhor conseguiria essas rádios?
Pedro Collor -
 Pelas vias normais. Essas duas rádios já existiam no plano traçado pelo governo.

VEJA - E obteve as rádios?
Pedro Collor -
 Obtive duas negativas. Simultaneamente, eles mexeram no plano, a ponto de contemplar todas as cidades que até então não estavam com rádios FM.

VEJA - Isso foi feito por quem?
Pedro Collor -
 Por solicitação do deputado Augusto Farias, irmão do PC. Vejam bem: converso com ele tentando montar um jornal, falo das rádios que podem entrar. Negam para mim. E viabilizam para eles umas doze rádios que nem estavam cogitadas no plano.

VEJA - O senhor tentou chegar a um acordo sobre o jornal antes de começar a recolher documentos sobre os negócios de PC?
Pedro Collor -
 Houve tentativas que não deram certo, porque a intenção não era montar um jornal assim ou assado, mas montar um jornal para destruir o nosso. Em fevereiro passado, saiu aquela reportagem do Eduardo Oinegue, em VEJA, sobre o assunto, em que eu chamava o PC de lepra ambulante. Eu estive então com o Cláudio Víeira (secretário particular de Collor, afastado do governo na reforma ministerial). O Cláudio me disse que há cinco dias o Fernando não despachava com ele, nem com o general Agenor, nem com o Marcos Coimbra. O Cláudio Víeira me contou que no dia anterior o Fernando havia se reunido, durante uma hora e meia. com o procurador-geral da República, Aristides Junqueira. Segundo o Cláudio me contou, o procurador disse ao Fernando que, se eu não desmentisse a reportagem de VEJA, o Junqueira iria instaurar um inquérito, e que isso derrubaria o governo. Eu respondi ao Cláudio que não tinha intenção de derrubar o governo de ninguém, que minha intenção era me preservar e alertar que o PC era uma bomba atômica ambulante, independentemente de jornal ou coisa que o valha. Esclareci que não poderia desmentir a reportagem pura e simplesmente, e pedi um compromisso firme de que o PC não iria tentar acabar com nossa organização. Sugeri que a Gazeta arrendasse a gráfica da Tribuna, pagasse, e nós imprimíssemos o jornal. Cheguei a conversar depois sobre essa proposta com o PC, e ele disse que adorou. Na hora de formalizar o acordo, sumiu. O Cláudio Vieira então me disse que o Paulo César estava com outras idéias e ia me procurar. Estou esperando até hoje.

VEJA - Por que o pre­sidente Collor, se é ele que está por trás dessa rede de comunicações montada pelo PC, esta­ria interessado em preju­dicar e até destruir os negócios da família?
Pedro Collor -
 É uma questão que só Freud explica. (Tereza, mulher de Pedro Collor. pede para falar)
Tereza - O Fernando Collor faz isso porque o Pedro não se submete a ele. O Fernando viu que não podia tirar o Pedro da administração dos negócios da família. Foi o Pedro quem geriu, e bem, as empresas durante esses anos todos. O Fernando quer o meio de comunicação e instrumento político, enquanto o Pedro tem a responsabilidade de administrá-lo como empresa. É daí que nasceu a divergência.

VEJA - O senhor acha mesmo que o PC é um testa-de-ferro do presidente nos negócios?
Pedro Collor -
 Eu não acho, eu afirmo categoricamente que sim. O Paulo César é a pessoa que faz os negócios de comum acordo com o Fernando. Não sei exatamente a finalidade dos negócios, mas deve ser para sustentar campanhas ou manter o status quo

VEJA - De quem é o apartamento de Paris onde funciona a S.CI . de Guy des Longchamps e Ironildes Teixeira?
Pedro Collor -
 É dele.

VEJA - Dele, quem?
Pedro Collor -
 Dele. Do Fernando, claro.

VEJA - O senhor não tem dúvidas?
Pedro Collor -
 Não tenho a menor dúvida.

VEJA - De quem é o jatinho Morcego Negro?
Pedro Collor -
 Acho que é do Paulo César, mas não posso afirmar.

VEJA - O presidente Collor sairá mais rico do governo?
Pedro Collor - 
Em patrimônio pessoal, sai. Sem dúvida nenhuma.

VEJA - O presidente está envolvido na sua denúncia de que o Paulo César recebeu unta comissão de 22% sobre os negócios entre a empresa IBF e o governo para a implantação da raspadinha federal?
Pedro Collor -
 O Fernando não entra no varejo da coisa. Ele apenas orienta o negócio.

VEJA - O que acontece com o dinheiro?
Pedro Collor - 
O Paulo César diz para todo mundo que 7O% é do Fernando e 3O% é dele.

VEJA - O senhor acredita nisso?
Pedro Collor -
 Eu não sei se a porcentagem exata é essa.

VEJA - Mas o senhor sustenta que existe uma sociedade entre os dois?
Pedro Collor -
 Tenho certeza de que é assim. Existe urna simbiose aí. Eu não estendo as acusações ao Fernando diretamente. Uma coisa é você concordar. Outra coisa é operacionalizar. São duas coisas distintas. Operacionalizar, no sentido do dolo, no sentido do ilícito, isso é muito do temperamento do PC. Ele tem prazer nisso. O Fernando é incapaz de sentar em uma mesa e dizer assim: “O negócio é o seguinte: preciso de uma grana para a minha campanha. Me ajuda”. Pode estar nu e sem sapato que não pede ajuda. Já o PC toma. Deixa você nu se for possível.

VEJA - O senhor já ouviu do Paulo César que ele tem essa associação com o seu irmão?
Pedro Collor -
 Sim, já ouvi dele.

VEJA - E do presidente?
Pedro Collor -
 Não, do Fernando, não.

VEJA - O PC é uma pessoa digna de crédito?
Pedro Collor -
 Se ele foi o tesoureiro de duas campanhas do Fernando, se age com age publicamente, se ele mesmo fala isso, eu só posso concluir que é verdade.

VEJA - Qual foi a última vez em que o senhor e o presidente conversaram sobre as atividades de PC Farias?
Pedro Collor -
 Em janeiro deste ano. Eu tinha acabado de chegar do exterior e o Fernando me chamou para almoçar. Foi uma conversa afável, embora o Fernando, tenha se mostrado cuidadoso ao mencionar o nome do PC. Pisava em ovos. Eu reclamei da maneira como o PC vinha tentando destruir o nosso jornal em Alagoas, chamando nossos funcionários. Foi uma conversa sobre os problemas com o jornal.

VEJA - O senhor mencionou as denúncias de corrupção sobre PC?
Pedro Collor -
 Com o Fernando, exatamente, não. Falei “n” vezes com os meus irmãos Leopoldo e Leda, com o Cláudio Vieira e o Marcos Coimbra.

VEJA - Por que nunca falou diretamente com o presidente?
Pedro Collor -
 Eu sentia que, se eu falasse, ele iria ter uma explosão violentíssima. O Fernando não gosta de escutar críticas.

VEJA - Por que o senhor passou a envolver o presidente Collor nas suas denúncias contra o PC?
Pedro Collor -
 Eu comecei a receber ameaças de morte dos irmãos do PC através de interlocutores comuns. Cheguei a falar com o Cláudio Vieira sobre tudo o que estava acontecendo. Concluí que o PC não estava agindo por conta própria. É o estilo típico do Fernando usar instrumentos. Ele não ataca de frente.

VEJA - O senhor não acredita que exista uma vontade política real do presidente em investigar as atividades de PC Farias. Afinal, a Receita Federal foi acionada para vasculhar o imposto de renda de PC?
Pedro Collor -
 Não acredito nisso. Acho que a investigação ia ser empurrada com a barriga e seria apenas retórica.

VEJA - Qual a diferença entre o PC Farias e o Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP? Ou entre o PC e o Cláudio Vieira? Ou entre eles e o Claudio Humberto?
Pedro Collor -
 São os métodos. O PC é o erudito do roubo, da corrupção, da chantagem. Os outros têm uma aspiração, mas também têm um teto. O PC não tem limites.

VEJA - Mas o PC vai até onde?
Pedro Collor -
 Ele é capaz de matar para extorquir.

VEJA - O senhor apresentou o PC Farias ao Fernando Collor. Quando começou a afastar-se dele? Por quê?
Pedro Collor -
 Na época eu não o via como hoje. Ele era um sujeito enrolado com negócios, mas apenas isso. Não pagava as contas. Mas era um sujeito jeitoso, muito insinuante, muito simpático. Ele é muito envolvente em negócios. Comecei a me afastar quando o Fernando se tornou governador do Estado.

VEJA - O senhor tem alguma coisa contra o cidadão Fernando Collor, seu irmão?
Fernando Collor -
 Pessoalmente, o Fernando é um sujeito extremamente talentoso, carismático, magnético e, em alguns momentos, é uma criatura fantástica, cheia de energia. Ao mesmo tempo, é rancoroso, vingativo e adora manipular as pessoas. Ele gosta das pessoas subservientes.

VEJA - O senhor chegou a falar que o seu irmão Fernando tentou se insinuar junto a sua mulher, Tereza. Como foi isso?
Pedro Collor -
 Não foi exatamente isso. Eu e Tereza tínhamos passado por uma crise conjugal, o que acontece muitas vezes entre casais. Isso foi em 1987, quando Fernando era governador de Alagoas. Nesta ocasião, eu estava no Canadá. Tive a informação de que ele chamou Tereza para conversar no palácio. Conversaram durante um bom tempo. Ali era o lugar onde ele tinha intercurso, com algumas moças. Houve fofocas sobre isso e eu fui informado. Tereza foi depois para Paris e Fernando me chamou para dizer que havia conversado com ela e que eu me preparasse porque ela iria se separar de mim. Disse que eu havia pisado muito na bola e que me preparasse. Em paralelo, eu sabia que ele estava telefonando para ela em Paris, naturalmente utilizando a fragilidade da relação para telefonar e talvez até fazer a cabeça dela. Eu consegui as contas telefônicas do palácio que comprovaram essas ligações.

VEJA - Houve uma tentativa explícita de sedução?
Pedro Collor -
 Eu acredito que implicitamente ele tentava mapear a situação, diante de uma pessoa fragilizada emocionalmente pela perspectiva de uma ruptura de casamento. Uma voz simpática. um ombro amigo…

VEJA - Tereza, houve uma tentativa de sedução?
Pedro Collor -
 Não, ele tem esse jeito de falar que é meio fraternal, meio conselheiro.

VEJA - Apesar de sua suspeita de paquera por que continuou freqüentando seu irmão? Por que esteve na posse dele como presidente?
Pedro Collor -
 Porque não se deve sair arrebentando portas. Tive controle emocional.

VEJA - Pelo que se deduz, o senhor coloca esse episódio como um entre vários através dos quais seu irmão tenta atingi-lo. É isso?
Pedro Collor -
 O que ele quer é me ver distante do comando administrativo das empresas que temos. Para colocar uma pessoa dele lá dentro, por uma questão política.

VEJA - O senhor nomeou alguém para o governo federal?
Pedro Collor -
 Nem para a prefeitura de Maceió nem para o governo de Alagoas nem para o governo federal.

VEJA- Por quê?
Pedro Collor -
 Não é do meu feitio.

VEJA - O que o senhor acha das nomeações do Leopoldo (irmão mais velho de Collor)?
Pedro Collor -
 Eu não conheço as nomeações do Leopoldo. Não converso sobre esse assunto com ele.

VEJA - O senhor já admitiu que consumiu drogas na juventude. Como foi isso?
Pedro Collor -
 Quando eu era jovem, era uma coisa que estava na moda, lá por 1968,1969,197O.

VEJA - Em 1968, o senhor estava com 16 anos de idade.
Pedro Collor -
 Mas é isso.

VEJA - Que tipo de droga?
Pedro Collor -
 Cocaína.

VEJA - Seu irmão Fernando também?
Pedro Collor -
 Sim.

VEJA - Foi ele que o induziu a experimentar cocaína?
Pedro Collor -
 Não é que induziu, nem apresentou nem nada. As pessoas, por serem de faixa etária um pouco acima, naturalmente têm mais acesso a esse tipo de coisa. Foi assim que aconteceu.

VEJA - LSD também tinha?
Pedro Collor -
 Teve também LSD, umas duas ou três vezes.

VEJA - O senhor largou isso quando?
Pedro Collor -
 Logo depois. Senti que me fazia mal. Emagreci muito.

VEJA - Quanto ao presidente, o senhor tem notícia de que ele tenha consumido drogas após essa época na Juventude?
Pedro Collor -
 Não, depois dessa época. não.

VEJA - O senhor já ouviu falar em Allan Mishai Fauru?
Pedro Collor -
 Conheço desde menino do Rio. Um belo dia, o Fernando já governador, me parece, o Allan o convidou para ser padrinho do casamento dele. Depois ele se mudou para Maceió, anos mais tarde, e montou um boteco. Soube depois que ele tinha ligações com traficantes, vendia, repassava. Mas ele não tem qualquer relação com o Fernando, absolutamente.

VEJA - O senhor não acha que as instituições brasileiras correm algum risco com assuas denúncias?
Pedro Collor -
 Acho que nossas instituições agüentam o tranco. Se eu começar a entrar muito em considerações a respeito do governo, eu não dou um passo. Tenho de fazer aquilo que acho correto. Que os outros façam as partes deles.

VEJA - O senhor acredita que, com as últimas mudanças no ministério, o PC é menos influente no governo?
Pedro Collor -
 Sim. Ele perdeu toda ou quase toda a sustentação.

Por Reinaldo Azevedo

 

08/05/2012 às 22:29

Vinte anos depois, Collor tenta se vingar da VEJA em CPI do Cachoeira — agora com o apoio de parte do PT

No dia 27 deste mês, a histórica entrevista de Pedro Collor à VEJA completa 20 anos. Como sabem, ele denunciou com todas as letras e com riqueza de detalhes (releia a íntegra daqui a pouco), a rede de corrupção montada, segundo ele, por seu irmão e por PC Farias. Ocorre que seu irmão era o então presidente Fernando Collor de Mello. Boa parte das traficâncias apontadas por Pedro foi confirmada pela CPI, o que resultou no pedido de impeachment do então presidente. Antes que se consumasse oficialmente o impedimento, ele renunciou. Os petistas, então na oposição, foram membros ativos da CPI e da mobilização de rua contra Collor. A Comissão Parlamentar de Inquérito revelou um governo mergulhado na lama, na ilegalidade e na desordem.

Passados vinte anos, eis que Fernando Collor se juntou a uma ala do petismo para fazer da CPI do Cachoeira uma base de operações de chicanas para tentar proteger mensaleiros. E, como um Bourbon da periferia, demonstra não ter aprendido nada nem ter esquecido nada. Coube a ele a tarefa de apresentar à CPI um requerimento pedindo a convocação do jornalista Policarpo Jr., da VEJA. O inquérito da Polícia Federal e as gravações que já vieram a público e que estão em todo canto evidenciam o óbvio: havia um jornalista em busca de informações. Como destaca editorial do Globo desta terça, o que resta claro das gravações é que o jornalista não oferecia vantagem nenhuma ao grupo de Cachoeira.

Mas, neste maio, há outro aniversário: sete anos da reportagem em que Maurício Marinho, dos Correios, aparece cobrando R$ 3 mil de propina e que está na raiz das denúncias do mensalão. E, nesse caso, quem procura se vingar da revista é uma ala do PT. Um rancor de 20 e outro se 7 se juntaram para resultar no requerimento assinado por Collor.

É uma farsa ridícula essa história de que a imprensa quer impunidade. Impunidade uma ova! Quem cometeu crimes tem de ser punido, da imprensa ou não — e, para tanto, o Código Penal está aí. Que aqueles que se consideram agravados recorram à Justiça. Collor e essa banda do PT querem, no entanto, usar a CPI para intimidar o jornalismo, para submetê-lo a uma espécie de corredor polonês  político. A mensagem é uma só: “Não se metam conosco, ou vocês vão pagar caro”.

Pergunte-se o óbvio: que partido ou liderança política do Brasil endossaria plenamente o trabalho da imprensa livre? Ora, notícia boa, já se disse à farta, é notícia a favor — ou a nosso favor ou daquilo que pensamos. Nas melhores democracias do mundo, seria impensável algo como o que está em curso no Brasil, neste momento. É ridículo o paralelo com o jornal The News of the World, da Grã-Bretanha. Naquele caso, agentes do jornal recorreram ao crime para produzir notícia. Qual é o crime atribuído ao profissional de VEJA mesmo? Os demais jornalistas investigativos de Brasília, inclusive estes que conseguem documentos aos montes que estão em sigilo de Justiça, só conversam com anjos morais?

Collor não aprendeu nada em 20 anos. Também não esqueceu nada! E empresta o seu velho rancor aos novos rancores que petistas foram acumulando nesses sete nos. Há duas décadas, eles próprios estavam entre as fontes principais da imprensa. Se há bobalhão achando que a rusga é com a VEJA e pronto!, está errado. Hoje, tentam um tribunal político contra a revista; amanhã é contra outro qualquer.

A CPI vai decidir se, contra os fatos e contra as evidências, será refém da conspiração do ódio.

Por Reinaldo Azevedo

 

A PEC do Trabalho Escravo, as boas e as más intenções e o risco de se votar uma proposta que permite qualquer coisa. Ou: Sou a favor de atores militantes, não de militontos

Nesta terça, mais uma vez, “artistas” decidiram aderir a uma causa: a tal emenda que expropria propriedades rurais e urbanas caso se constante a existência de trabalho escravo ou análogo à escravidão. Os tais artistas se reuniram com a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e com o novo ministro do Trabalho, o ex-blogueiro (é ainda?) Brizola Neto —  o programa “Primeiro Emprego” finalmente teve seu primeiro contratado, hehe. Adiante.

É claro que os artistas são favoráveis à aprovação da emenda. Afinal, eles são contra a escravidão! Não me digam! Existe alguém no Brasil que seja favorável? Ser contra o trabalho escravo é como se declarar a favor das coisas boas. Quem, a não ser os inimigos do Batman, diz o contrário?

A votação da chamada PEC do trabalho escravo ficou para amanhã. Os sites noticiosos, lotados de moças e moços com hormônios e neurônios em ebulição, noticiam que os “ruralistas” resistem à votação, são contra a emenda etc. A sugestão fica clara: essa gente malvada, além de querer destruir a natureza, ainda gosta de explorar trabalho escravo. É a chamada conspiração da ignorância a unir ministros, artistas e jornalistas a favor do bem, do belo e do justo…

A Constituição brasileira, no artigo 243, expropria terras — e as torna disponíveis para a reforma agrária — em que se encontrem “culturas ilegais de plantas psicotrópicas”. A PEC altera a redação desse artigo e inclui entre as propriedades desapropriáveis aquelas em que seja constatada a existência de trabalho escravo. Na primeira versão da emenda, só as propriedades rurais eram passíveis de tal punição. Na redação final, num tributo que o vício prestou a virtude, também se incluíram as propriedades urbanas.

Os simples de espírito, que ainda não entenderam como toca a música, hão de indagar: “Mas o que há de errado nisso, Reinaldo? Então seria aceitável a existência de trabalho escravo ou análogo à escravidão? Isso não é mesmo certo?” Pois é… Vocês me permitem uma imagem de cunho originalmente religioso, mas metáfora perfeita para o que vivemos? O diabo, além de se esconder nos detalhes, também costuma exibir uma face de anjo. Imaginem se ele tentasse conquistar almas com a sua carranca e seu cheiro de enxofre… Ninguém cairia no conto, não é?

Vamos ver
Quem define, num primeiro momento, o que é e o que não é “trabalho escravo”? Os fiscais do Ministério do Trabalho! Como a escravidão, em sentido estrito, é ocorrência raríssima, existe a tal situação de “trabalho análogo à escravidão”. E é aí que tudo passa a ser possível. As atividades profissionais e obrigações das empresas são regulamentadas por normas do Ministério do Trabalho.

O que os artistas que foram lá emprestar sua celebridade à causa certamente ignoram — e o jornalismo não está informando porque é a favor (e eu também) do “bem, do belo e do justo” — é que o trabalho rural, por exemplo, está regulamento pela Norma Regulamentadora nº 31 (íntegra aqui). Ela estabelece, prestem atenção!, DUZENTAS E CINQUENTA E DUAS EXIGÊNCIAS para se contratar um trabalhador rural. Pequeno ou médio proprietário que tiver juízo não deve contratar é ninguém. O risco de se lascar mesmo numa prestação temporária de serviços é gigantesco! NOTEM QUE ESTOU TORNANDO PÚBLICA A NORMA, EM VEZ DE ESCONDÊ-LA.

No dia 11 de abril de 2011, já havia tratado do assunto aqui. Se um empregado é contratado para trabalhar numa roça de café, por exemplo, e, por alguma razão, o dono da propriedade o transfere para cuidar do jardim e do gramado da sede da fazenda, isso só pode ser feito mediante exame médico aprovando a sua aptidão para o novo trabalho. Se não o fizer… A depender do humor do fiscal — e até o petista Marco Maia (RS), presidente da Câmara o admite —, o descumprimento de qualquer uma das 252 exigências pode render uma infração de “trabalho análogo à escravidão”. E o proprietário rural está lascado. Entra na lista negra do crédito, expõe-se ao pedido de abertura de inquérito pelo Ministério Público etc. Com a nova lei, pode até perder a propriedade.

Revejam esta foto, que publiquei aqui no passado. Vocês vão entender por que ela está aí.

canteiro-dois-pac

Leiam as exigências sobre alojamento de trabalhadores rurais constantes na NR 31:
31.23.5 Alojamentos
31.23.5.1 Os alojamentos devem:
a) ter camas com colchão, separadas por no mínimo um metro, sendo permitido o uso de beliches, limitados a duas camas na mesma vertical, com espaço livre mínimo de cento e dez centímetros acima do colchão;
b) ter armários individuais para guarda de objetos pessoais;
c) ter portas e janelas capazes de oferecer boas condições de vedação e segurança;
d) ter recipientes para coleta de lixo;
e) ser separados por sexo.

31.23.5.2 O empregador rural ou equiparado deve proibir a utilização de fogões, fogareiros ou similares no interior dos alojamentos.

31.23.5.3 O empregador deve fornecer roupas de cama adequadas às condições climáticas locais.

31.23.5.4 As camas poderão ser substituídas por redes, de acordo com o costume local, obedecendo o espaçamento mínimo de um metro entre as mesmas.

Seria eu contrário a essas condições? Eu não!!! Aliás, se o caso é discutir “condições”, sou favorável a bem mais do que isso, incluindo uma máquina Nespresso de café e uma dose de Royal Salute ao cair da tarde. Não estou fazendo blague. Estou apenas dizendo o óbvio: quanto melhor, melhor.

Ocorre, insisto, que o descumprimento de qualquer um dessas dez exigências — ou de qualquer uma das 242 outras — pode render uma acusação de trabalho análogo à escravidão. Fica por conta apenas do “bom senso” do fiscal. E vocês sabem como essa história de bom senso pode povoar o inferno.

Agora voltemos àquela foto, de Joel Silva, da Folhapress. É do alojamento de um canteiro de obras de uma construtora, que fazia obras do programa “Minha Casa Minha Vida”, na periferia de Campinas. É evidente, basta olhar, que as condições previstas para os alojamentos rurais na NR 31 não estão sendo cumpridas por uma empresa contratada pelo próprio governo federal. Cadê a Maria do Rosário? Basta fazer uma simples pesquisa para constatar que pipocam país afora acusações de alojamentos inadequados e condições precárias de trabalho em vários canteiros de obras do PAC. Pergunta óbvia: AS CONSTRUTORAS E AS EMPREITEIRAS SERÃO DESAPROPRIADAS? Vão desapropriar as oficinas de costura aqui do Bom Retiro, pertinho do centro de São Paulo? Ou a tal lei é só mais uma maneira de mirar os ditos “ruralistas”?

Caminhando para a conclusão
Se a emenda for aprovada como está, sem uma especificação mais clara do que, afinal de contas, caracteriza “trabalho escravo ou análogo à escravidão”, criando alguma instância que não transforme um fiscal do trabalho num agente de uma cadeia de confisco de propriedade, o que se está fazendo, na verdade, é recorrer a belas palavras como um truque para relativizar o direito à propriedade.

Existem meliantes que exploram o trabalho de miseráveis no campo e nas cidades? Existem! Têm de ser punidos? Têm, sim! Mas é preciso criar, então, uma lei segura, que estabeleça com rigor as condições em que se vai fazer a fiscalização e aplicar a punição. Como está, a PEC dá carta branca para o arbítrio e o subjetivismo.

Tentei saber quantos hectares foram desapropriados desde a promulgação da Constituição, em 1988, por conta da plantação de plantas psicotrópicas. Não consegui informações seguras a respeito. Sabem por que não? PORQUE O ESTADO BRASILEIRO ESTÁ DESAPARELHADO PARA COMBATER AS VÁRIAS ETAPAS DO NARCOTRÁFICO.

Enviar, no entanto, um fiscal do trabalho para uma propriedade rural qualquer e encontrar ali o descumprimento de algumas das 252 exigências é coisa mais fácil, mais segura, mais barata e ainda rende notícia positiva. É preciso saber se a gente vai ter um dispositivo constitucional para punir, de fato, os canalhas que exploram o trabalho “análogo à escravidão” ou uma desculpa a mais para ficar aterrorizando o produtor rural. A plantação de maconha no país não foi minimamente abalada pelo Artigo 243 da Constituição — até porque me informam que boa parte da maconha plantada no Brasil está, pasmem!, em áreas públicas… Não dá para desapropriar…

É claro que lerei contra-argumentos com gosto — mas contra-argumentos, não xingamentos de quem não conseguiu ler o texto até o fim porque não resiste à tentação de abraçar uma causa fácil. Também não vale responder como se eu fosse contra a proposta. Eu quero é que essa emenda estabeleça com clareza quem pode ser punido. Eu quero é que o diabo não se esconda nos detalhes da suposta boa intenção.

Por Reinaldo Azevedo

 

Joaquim Barbosa decide que mensaleiros todos serão julgados pelo Supremo, sem exceção

Márcio Thomaz Bastos, atual advogado de Carlinhos Cachoeira, também tem como cliente um dos acusados no processo do mensalão: José Roberto Salgado, diretor do Banco Rural, uma das instituições financeiras por onde transitou o dinheiro que alimentava os mensaleiros. Bastos havia entrado com um recurso no Supremo pedindo que  o caso do seu cliente fosse para a Justiça comum, sob o argumento de que, não tendo prerrogativa de foro, já que não exerce nenhum cargo público, este não tinha por que ser julgado pelo Supremo.

Se o tribunal aceitasse a tese, estaria abrindo mão, por exemplo, de julgar José Dirceu e José Genoino, hoje sem mandato. O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, negou o pedido de Bastos. Como alguns dos mensaleiros tinham e têm prerrogativa do foro, o Supremo já havia decidido que todos seriam julgados pelo tribunal. Ainda que os julgamentos sejam indivudalizados, o caso “mensalão” é um só.

O leitor pode se perguntar num primeiro momento: “Mas a tal prerrogativa de foro não é um privilégio? Não é chamado de ‘foro privilegiado’ justamente por isso’?” Esse é um daqueles casos em que a linha reta não é o caminho mais curto para atingir um determinado objetivo… Se o processo sai do Supremo, vai parar na primeira instância. Ainda que os autos possam ser remetidos para o juiz em questão, na prátic, começaria tudo do zero, com uma infinidade de recursos à disposição dos réus e de seus advogados.

Entre o risco — que existe — da condenação no Supremo e a possibilidade de empurrar as coisas para as calendas, adivinhem qual é a escolha dos defensores… Bastos advoga para o tal Salgado, mas Dirceu seria o grande beneficiário da decisão.

Que havia ministro do Supremo rezando para Joaquim Barbosa dizer “sim”, ah, isso havia! Isso livraria alguns de ter de opinar a respeito. Afinal, há ali quem se sente, de fato, pressionado tanto pela cruz da moralidade pública como pela caldeirinha da fidelidade ao petismo…

Por Reinaldo Azevedo

 

De evangélicos e de falsos profetas

A rede da maledicência na Internet, politicamente orientada — na verdade, trata-se de uma coleção de falsos perfis, inventados só para atacar pessoas — resolveu me acusar de preconceito contra os evangélicos em razão das críticas que fiz ao trabalho pseudojornalístico e pseudoteológico de Edir Macedo. Ao contrário: criticar a postura de falsos profetas, entendo, corresponde a defender os evangélicos de bem. A acusação, já disse, não cola porque os evangélicos sabem quem sou, o que penso e o tratamento que dispenso à liberdade religiosa.Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus, envia ao blog o seguinte comentário:

Existem jornalistas preconceituosos, tendenciosos e injustos. Entretanto, ao longo de sua trajetória jornalística, Reinaldo Azevedo tem se mostrado independente e justo nos seus comentários em relação aos evangélicos, quer seja falando bem ou mal. Nós, evangélicos, precisamos aceitar a crítica, desde que o princípio da questão esteja baseado na justiça.

Está tudo dito aí.

Por Reinaldo Azevedo

 

08/05/2012 às 16:31

O “Veta, Dilma!”, o pum dos dinossauros da ideologia e o saldo final, favorável à presidente

Eu não tenho dúvida de que a presidente Dilma Rousseff vai vetar partes do novo Código Florestal. Duvido muito que vá vetar o texto na íntegra, conforme quer o marinismo, pilotando o seu pterodáctilo ambiental. É preciso sempre recuperar o que foi escrito porque vivemos um tempo de memória curta, coalhado de vigaristas doidos para atribuir àquele que consideram adversário o que este não escreveu. E eu escrevi no dia 24 de abril (e havia expressado opinião idêntica antes):
“(…) já afirmei que o melhor teria sido Piau botar pra votar o texto saído do Senado, com uma alteração ou outra. Acho que essa mudança que ele fez pode representar um tiro pela culatra. Contra o ‘ruralismo’? Não! Contra o bom senso. O onguismo ambientalista, ricamente financiado por ONGs estrangeiras, está doido para melar o processo porque não gosta do texto que saiu do Senado. Assim, acho que Piau não foi exatamente prudente ao propor algumas alterações.”

Isso quer dizer que eu achava prudente que se votasse, como base, o texto do Senado, que já tinha sido escoimado das maiores loucuras dos reacionários ditos ambientalistas, que odeiam a produção agropecuária e querem que pobre viva de comer luz — já que eles podem abastecer a despensa, com o rico dinheirão que ganham das ONGs, nas gôndolas do Pão de Açúcar e do Carrefour. Dilma deve recorrer ao veto de trechos e suprir as lacunas com uma Medida Provisória. Em tese, o Congresso pode derrubar o veto, rejeitar a MP etc. Duvido que o confronto vá até aí.

Dilma saiu ganhando, isto sim!
Não há nada de “criminoso” no texto de Piau, como afirma a turma que estuda o pum dos dinossauros. Nada! Isso é uma mentira cretina, típica desses tempos em que rematados ignorantes se arvoram em defensores da natureza e críticos do ruralismo. A maioria numa viu uma plantação de feijão. “Precisa já ter visto uma lavoura para defender a natureza?” É preciso  ao menos conhecer o ciclo da produção de alimentos e ter clareza da importância que esse setor da economia representa para o Brasil, especialmente para os pobres.

Na verdade, se Dilma tivesse encomendado um relatório a Piau, o texto não lhe teria saído, ainda que por caminhos meio tortos, tão favorável. Por que digo isso? Tivesse havido a aprovação pura e simples da proposta do Senado, o ambientalismo teria chiado. Estava descontente com o governo. Acusava-o de omisso. A turma queria, na prática, impedir até a produção de leite em Minas Gerais… Em matéria de provocar a fome, essa gente não brinca em serviço. Mas voltemos: o fato é que Dilma está longe de ser a preferida dos ecodoidos e ecochatos. Assim, ela tinha uma espécie de déficit de reputação junto aos “defensores da natureza”…

Dado o novo texto, Dilma tem a chance de ganhar pontos junto a esse grupo, recuperando o texto original do Senado (que já não era do agrado da turma) ou até menos do que isso. Vale dizer: alguns vetos só contribuirão para reforçar a imagem positiva da presidente. A política, em suma, não é linear. A Câmara aplicou duas derrotas ao Planalto na votação do Código Florestal. No Senado, houve, no máximo, um empate. O saldo era ruim para a Dilma. No fim da história, ela vai sair como heroína do meio ambiente, ainda que o texto deva ficar distante das pretensões iniciais dos estudiosos do pum dos dinosauros e do pum da civilização…

Por Reinaldo Azevedo

 

08/05/2012 às 15:47

Por 15 votos a zero, Conselho de Ética do Senado aprova abertura de processo contra Demóstenes

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
O Conselho de Ética do Senado aprovou na manhã desta terça-feira a abertura de processo de cassação contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Foram 15 votos a 0 pela aprovação do parecer do relator Humberto Costa (PT-PE), que disse haver indícios de quebra de decoro parlamentar. Demóstenes foi flagrado atuando como uma espécie de sócio da quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira.

O advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, chegou a pedir a abertura de um novo prazo para a defesa do parlamentar, alegando que o relatório de Humberto Costa traz novas acusações, diferentes das mencionadas na representação original contra o senador, mas o requerimento foi negado. “Nessa fase, o que existe para ser apreciado é um parecer prévio”, explicou o presidente do conselho, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE).

A tramitação do processo recém-aberto deve incluir o depoimento de Carlinhos Cachoeira, agendado previamente para 17 de maio. Delegados e procuradores responsáveis pelas investigações também devem ser ouvidos. A expectativa é de que o Conselho de Ética vote pela cassação de Demóstenes até o fim de junho. “Não há um prazo definido. A minha intenção é fazer com que mais rápido possível tenhamos um relatório para ser votado”, diz Humberto Costa.

Ao fim da coleta de provas, a defesa do senador terá novo prazo para apresentar as alegações finais ao Conselho de Ética, que votará sobre a cassação de Demóstenes. Se for aprovado, o pedido segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Só aí é que a cassação seria submetida ao plenário. As votações no conselho e na CCJ são abertas. Em plenário, o voto é secreto.

O senador acusado não compareceu à reunião: foi mais uma vez representado pelo advogado. Até agora, Demóstenes tem evitado contestar diretamente o conteúdo das gravações obtidas pela Polícia Federal e que mostram a ligação do parlamentar com Cachoeira. A defesa tem se prendido a aspectos técnicos e diz que as escutas telefônicas foram feitas de forma ilegal.

Reação
Após a decisão, o advogado de Demóstenes disse que pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) porque, segundo ele, não houve respeito ao princípio da ampla defesa; “Existe a hipótese jurídica de ir ao STF para garantir esse direito constitucional”, afirmou. a decisão, entretanto, será do próprio senador.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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