Mensalão: Advogado José carlos Dias assegura que empréstimo do Rural a agência de Valério realmente existiu

Publicado em 07/08/2012 19:15 e atualizado em 05/03/2020 19:47 1229 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Dias assegura que empréstimo do Rural a agência de Valério realmente existiu; em todo caso, diz que sua cliente não tinha nada a ver com o assunto…

A defesa de José Carlos Dias era aguardada. É considerado uma das estrelas do julgamento, só menos reluzente do que Márcio Thomaz Bastos. Até agora, investe no mais do mesmo: faltam provas etc e tal. Diz que o banco — na verdade, Kátia Rabello — não pode ser acusado de lavagem de dinheiro porque a origem do dinheiro na conta da SMP&B era legal, “especialmente Banco do Brasil”. Segundo Dias, o banco não tinha consciência de qualquer ilicitude.

Dias inova — considerando os que falaram até agora — ao se colocar pessoalmente no caso, dando mesmo um testemunho pessoal, embora ele mesmo tenha observado: “Não posso falar como testemunha…” Num dado momento, afirmou: “Acreditem em mim!”

O empréstimo
José Carlos Dias usa um lado do Instituto de Criminalística para assegurar que o empréstimo do Banco Rural à agência de Valério era legal, regular. Que se note: nunca ninguém questionou as formalidades legais do empréstimo. A questão é outra: essa formalidade servia justamente para ocultar a sua inexistência. Era um truque. Tanto é assim que, antes de o escândalo estourar, esse dinheiro nem era cobrado.

Mas José Carlos Dias é esperto. Embora assegure a existência do empréstimo, deixa claro que Kátia Rabello não tinha nada com isso. A operação foi feita pelo diretor José Augusto Dumont, que morreu num acidente em abril de 2004. Dias remete parte da sua argumentação a defesas que ainda serão feitas por outros colegas, que defendem outros diretores do Banco Rural. Um deles é justamente Márcio Thomaz Bastos, que tentou articular com ele hoje a suspensão do julgamento.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dias assegura que empréstimo do Rural a agência de Valério realmente existiu; em todo caso, diz que sua cliente não tinha nada a ver com o assunto…

A defesa de José Carlos Dias era aguardada. É considerado uma das estrelas do julgamento, só menos reluzente do que Márcio Thomaz Bastos. Até agora, investe no mais do mesmo: faltam provas etc e tal. Diz que o banco — na verdade, Kátia Rabello — não pode ser acusado de lavagem de dinheiro porque a origem do dinheiro na conta da SMP&B era legal, “especialmente Banco do Brasil”. Segundo Dias, o banco não tinha consciência de qualquer ilicitude.

Dias inova — considerando os que falaram até agora — ao se colocar pessoalmente no caso, dando mesmo um testemunho pessoal, embora ele mesmo tenha observado: “Não posso falar como testemunha…” Num dado momento, afirmou: “Acreditem em mim!”

O empréstimo
José Carlos Dias usa um lado do Instituto de Criminalística para assegurar que o empréstimo do Banco Rural à agência de Valério era legal, regular. Que se note: nunca ninguém questionou as formalidades legais do empréstimo. A questão é outra: essa formalidade servia justamente para ocultar a sua inexistência. Era um truque. Tanto é assim que, antes de o escândalo estourar, esse dinheiro nem era cobrado.

Mas José Carlos Dias é esperto. Embora assegure a existência do empréstimo, deixa claro que Kátia Rabello não tinha nada com isso. A operação foi feita pelo diretor José Augusto Dumont, que morreu num acidente em abril de 2004. Dias remete parte da sua argumentação a defesas que ainda serão feitas por outros colegas, que defendem outros diretores do Banco Rural. Um deles é justamente Márcio Thomaz Bastos, que tentou articular com ele hoje a suspensão do julgamento.

Por Reinaldo Azevedo 

 

Para lembrar: Justiça bloqueou bens do Rural de R$ 100 milhões há 15 dias em outro processo

Leiam trecho de texto publicado pelo Estadão no dia 23 de julho, no Estadão Online:

Por Marcelo Portela:
(…)
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) autorizou o bloqueio e execução de bens da instituição no valor de mais de R$ 100 milhões para o pagamento de dívidas trabalhistas do empresário Wagner Canhedo, ex-proprietário da extinta Vasp. Para o Judiciário, o Rural auxiliou Canhedo em “cristalina fraude” para tentar ocultar patrimônio e evitar a penhora de bens.

O caso começou em 2005, em uma ação que tramitou na 14ª Vara da Justiça Trabalhista em São Paulo, na qual o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Sindicato dos Aeroviários no Estado pediam a execução de bens de Canhedo para o pagamento de dívidas com os funcionários da Vasp, cuja falência foi decretada em 2008, por causa de um acordo “que foi integralmente descumprido” pelo empresário, segundo o relator do processo no TST, ministro Pedro Paulo Teixeira Manus. O Judiciário constatou que houve “fraude de execução, no que tange a toda a alienação e oneração feita no patrimônio da Vasp ou seu controlador”.A juíza Soraya Galassi Lambert determinou então, entre outros, a penhora de bens do Banco Rural no valor de R$ 43 milhões devido a duas vendas de 71,6 mil cabeças de gado que Canhedo, por meio da Agropecuária Vale do Araguaia, fez à Rural Agroinvest S/A em 2004, quando já não podia se desfazer de seus bens devido a outra sentença judicial. A magistrada ainda considerou “ineficazes” as vendas de Canhedo à Securinvest Holding S/A – pertencente ao grupo Rural – do imóvel do Hotel Nacional, em Brasília, avaliado em R$ 70 milhões, e de um imóvel em Guarulhos (SP) avaliado em R$ 20 milhões.O banco recorreu e, em janeiro de 2012, o presidente do TST, ministro João Oreste Dalazen, concedeu liminar suspendendo a execução dos bens. No entanto, a Subseção II da corte, especializada em dissídios individuais, seguiu o entendimento do ministro Pedro Paulo Manus, cassou a decisão e determinou novamente a penhora de bens, que, em valores atualizados, ultrapassam R$ 100 milhões. O acórdão é de 5 de junho e foi divulgado pelo jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte.Por meio de nota, o presidente do Conselho de Administração do Rural, Plauto Gouvêa, informou que quando o banco fez o “negócio regular” com a Agropecuária Vale do Araguaia, a empresa de Canhedo não estava entre os réus do processo contra o empresário.

Segundo a nota, não havia impedimento à negociação, “que consistiu em um contrato de compra e venda de gado, absolutamente dentro do objeto social de ambas” as empresas. Gouvêa afirmou ainda que o banco ofereceu ações da Tratex Mineração Ltda., “avaliadas em valor superior”, como garantia da execução e que, com relação à decisão do TST, a instituição vai continuar recorrendo à Justiça “buscando o reconhecimento de seu direito”. “O Banco Rural, por ter convicção que realizou todos os procedimentos estritamente nos limites legais, reforça sua confiança na Justiça e na solução positiva dessa questão”, conclui a nota. O Estado não conseguiu localizar o advogado de Wagner Canhedo.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

José Carlos Dias: “Kátia Rabello é uma mineira séria!”

Ficamos sabendo que ela é filha de Sabino Rabello. Kátia Rabello, informa José Carlos Dias, é bailarina, não tinha vocação para banqueira, mas para artista. Vocacionada era sua irmã, Júnia, que morreu num acidente. Mesmo assim, assumiu a presidência do Conselho Executivo. Numa reforma administrativa, profissionalizou a direção do banco. Vamos ver onde isso vai dar. Dias diz que sua defesa é um desagravo moral. Afirma que vai provar que há provas abundantes de que ela é inocente. Kátia Rabello é acusada, entre outras coisas, de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O advogado sustenta que ela é uma “mineira séria”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Fala José Carlos Dias, advogado da dona do Banco Rural

Agora fala José Carlos Dias, defensor de Kátia Rabello, dona do Banco Rural. Saúda todo mundo e volta a lamentar a ausência de Carmen Lúcia, especialmente porque é defensor de uma “mulher mineira” — Carmen Lúcia é de Minas. O que isso quer dizer? Não sei. Depois vocês perguntem a ele.

Por Reinaldo Azevedo

 

Fala advogado de Geiza, outra funcionária de Valério que fazia o repasse de dinheiro

Paulo Sérgio Abreu e Silva, advogado de Rogério Tolentino, também defende Geiza Dias, gerente financeira da agência SMP&B. Ajudava Simone Vasconcelos a repassar dinheiro para os mensaleiros. O advogado diz que ela só obedecia ordens. Com a delicadeza já demonstrada ao defender Tolentino, acusou o procurador de então, Carlos Fernandes de Souza, de “não saber redigir uma denúncia”. Afirmou que sua cliente era uma “funcionária mequetrefe”.

Por Reinaldo Azevedo

 

José Carlos Dias tenta suspender julgamento; plenário rejeita pedido por unanimidade

José Carlos Dias, advogado de Kátia Rabello, sócia do Banco Rural, pediu a suspensão do julgamento por causa da ausência da ministra Carmen Lúcia, que foi para uma sessão do TSE. O representante do OAB do Distrito Federal endossou o pedido. Ayres Britto afirmou o óbvio: há quórum para tocar o julgamento. Bastaria, atenção!, a existência de seis ministros para manter a sessão. Mas submeteu a decisão ao plenário. Foi rejeitado por unanimidade.

No intervelo, Dias combinou com Márcio Thomaz Bastos o pedido de suspensão. Carmen Lúcia há havia afirmado que assistirá às fitas amanhã de manhã. Dias pediu que fique consignado o seu protesto.

Quinze minutos do nosso tempo, do tempo dos ministros e do tempo em si foram gastos por nada…

Por Reinaldo Azevedo

 

Sociedade civil se mobiliza e promove atos contra o mensalão

No Estadão Online:
Grupos de ativistas que acompanham o julgamento do mensalão começaram a se mobilizar e já planejam atos para discutir o processo e pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo caso. O Movimento 31 de Julho organiza na quinta-feira, 9, um encontro com outras organizações sociais do Distrito Federal, Rio de Janeiro, de São Paulo e de Santa Catarina para avaliar o andamento do julgamento, que teve início na última quinta-feira, 2. O evento ocorre em Brasília, na sede do IFC.

Em São Paulo, os movimentos Nas Ruas e Revoltados Online promovem nesta terça-feira, 7, uma vigília “pedido celeridade” ao STF. Os grupos acenderão mais de 500 velas no Museu de Arte de São Paulo (MASP) a partir das 18h30.

Por Reinaldo Azevedo

 

Policiais federais de todos os estados aderem à greve

Por Gheisa Lessa, no Estadão Online:
Em greve nacional a partir desta terça-feira, 7, os policiais federais dos 26 estados do País e do Distrito Federal pedem por reestruturação da carreira e reajuste do piso salarial da categoria.

O País conta com aproximadamente 9 mil agentes federais, entre policiais, escrivães e papiloscopistas. A categoria deve suspender o trabalho de 70% de todo o efetivo, o que pode causar a adesão de 5 e 6 mil trabalhadores. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Marcos Wink explica que as reivindicações vão além de reajuste salarial. Para ele, desde 1996 – quando a categoria passou a exercer cargos de nível superior – a legislação que trata das atribuições dos policiais federais de todo o País não sofreu correções em relação ao desempenho do cargo de nível médio. “É preciso que o papel reconheça aquilo que é feito no dia a dia e que não está lá”, diz.

Na pauta de protesto há o pedido da reestruturação da carreira. Wink afirma que um policial federal com 15 anos de carreira já alcança o topo da função e não há motivações para a permanência na academia. “Não houve até hoje reajuste legal nas nossas atribuições”, argumenta o presidente da federação.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Doutor Yarochewsky. E, de novo!, Chico Buarque; agora MP é tratado como se fosse a ditadura…

Doutor Leonardo Isaac Yarochewsky estava tão apaixonado pela sua própria retórica e tão ocupado em dar aula ao tribunal que acabou não se dando conta do que dizia. Falou demais e deu “bom dia!” a cavalo. Num dado momento de sua defesa, lembrou que alguém perguntou a Delúbio Soares por que Marcos Valério teria interesse em fazer empréstimos para repassar aos parlamentares, a serviço do PT. E Delúbio teria respondido: “Porque ele quer contratos com do governo”. Contratos de publicidade, claro! O doutor achou uma resposta normal. Ora, agências que trabalham para governos são escolhidas em concorrência pública! Se PT e Valério acertaram que essa seria a paga, que nome se dá a isso?

Ironizando a postura de Roberto Gurgel, a sua “maneira educada”, Yarochewsky disse: “Educação que este modesto advogado não tem”. Se deseducado, não sei. Modesto, ficou claro, o doutor não é.

Encerrou a sua fala, também ele, citando Chico Buarque, para responder à citação feita por Gurgel. Referindo-se ao procurador-geral, declamou:
“Você que inventou esse estado/
que inventou de inventar/
toda a escuridão.
Você que inventou o pecado/
esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você/
Amanhã há de ser outro dia.”

Na música original, Chico estava a falar de um dia em que não haveria ditadura, e então o país seria melhor. Segundo entendi, doutor Yarochewsky assegura que o país será melhor se o procurador-geral for vencido.

Nesse caso, todos os acusados do mensalão serão inocentados e ficarão livres, leves e soltos. O Brasil, assim, construirá um “outro dia”, com a participação ativa desses heróis.

Por Reinaldo Azevedo

 

Agora é advogado de Simone que debocha do Ministério Público Federal

O doutor Leonardo Isaac Yarochewsky também perdeu a mão, a exemplo do doutor que o antecedeu. Ao contestar que sua cliente tenha cometido o crime de “formação de quadrilha”, afirmou que essa acusação no país foi banalizada e emendou: “Até a Carminha afirmou que iria acusar a Nina de formação de quadrilha”. A plateia riu. Como achou que tinha ido bem, tentou uma segunda: “A minha secretária não questiona se eu lhe dou dinheiro para comprar bombom, jogar no lixo ou comprar flores. Ou comprar ingresso para ver o jogo do Flamengo, que vai muito mal e não está valendo a pena”.

Então tá!

Seu argumento principal é que sua cliente não tinha “consciência da ilicitude”

Por Reinaldo Azevedo

 

Fala agora o advogado de Simone Vasconcelos, a que sacou R$ 600 mil e chamou um carro-forte; ele também ataca a denúncia de forma extremamente agressiva

O advogado que fala agora é Leonardo Isaac Yarochewsky, advogado de Simone Vasconcelos, secretária de Marcos Valério. Abre a sua intervenção admitindo o óbvio: houve distribuição de dinheiro para parlamentares e dirigentes partidários. Citando Fernando Pessoa, afirma que existe um fato e duas versões: a dos acusados, que afirmam que os recursos eram recursos pra saldar dívidas de campanha, oriundos de empréstimo legal; e do Ministério Público, que fundamenta a denúncia. É acusada de lavagem de dinheiro no caso do empréstimo do Banco Rural. A tese do advogado: ela era apenas uma empregada, embora diretora financeira da agência da agência SMP&B, de Valério. Ele sustenta que os empréstimos eram legais.

Simone é a secretária que, certa feita, chamou um carro-forte para transportar R$ 600 mil em dinheiro vivo.

Também o doutor Yarochewsky ataca, sem mesura, a denúncia de Gurgel. Acusa o procurador de ter feito a acusação com base em informações de jornal. Se os cinco advogados que falaram ontem mostraram respeito pelo trabalho do Ministério Público, embora discordem dele, claro, pelos menos dois dos que falaram hoje escolheram o confronto.

Yarochewsky não se limita a defender a sua cliente, não! Ele, visivelmente, decide desqualificar toda a denúncia do Ministério Público. A exemplo do que fez o advogado de José Genoino, acusa o Ministério Público de uma “prática medieval”. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Kátia Abreu compara Andressa e Cachoeira aos vilões Carminha e Max, de “Avenida Brasil”

Por Nathalia Passarinho, no Portal G1:
A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) comparou nesta terça-feira (7) o casal Carlinhos Cachoeira e Andressa Mendonça aos vilões Carminha e Max, da novela da TV Globo “Avenida Brasil”. Kátia Abreu pediu a palavra no início da reunião desta terça-feira (6) da CPI do Cachoeira, marcada para ouvir o depoimento de Andressa.

Ao iniciar a fala, a senadora afirmou que foi “afrontada” pela mulher do contraventor. Kátia Abreu relatou que Andressa disse, em entrevista à imprensa, que teria um dossiê contra ela. A mulher de Cachoeira teria dito ainda, segundo Kátia Abreu, que a senadora sempre pedia dinheiro a Cachoeira para financiar campanhas.

“Carminha e Max só na TV. Não vão jogar meu nome no lixão, não, porque eu não sou uma criança indefesa, sou uma mulher forte”, disse a senadora. “Pelo visto, a bela resolveu ser fera, e ela precisa ter muito cuidado para não ser enjaulada”, disse ainda a parlamentar. Kátia Abreu citou a lei que trata das comissões parlamentares de inquérito.

“Talvez eu seja a única senadora afrontada por esta senhora. A lei 1.579, que criou a CPI em 1952 por Getúlio Vargas, diz que constitui crime impedir ou tentar impedir mediante violência ou ameaça o regular funcionamento de Comissão Parlamentar de Inquérito [...] e remete ao Código Penal dando detenção de dois meses a dois anos”, destacou a senadora.

A senadora também chamou Andressa Mendonça de “mentirosa e caluniadora”. “Essa calúnia é uma vingança [...] Ela não vai me intimidar. Estou aqui na primeira fila aguardando esta senhora Cascata”, afirmou Kátia Abreu, antes da chegada de Andressa Nascimento à CPI.

Na semana passada, a mulher do contraventor foi acusada de tentar chantagear o juiz responsável pelo caso, Alderico Rocha. Ela foi levada à sede da Polícia Federal de Goiânia para prestar depoimento, e teve de pagar fiança de R$ 100 mil para não ser presa. Além da fiança, Andressa foi proibida pela Justiça de visitar Cachoeira.

Por Reinaldo Azevedo

 

Um advogado além de suas sandálias

O advogado de Rogério Tolentino, Paulo Sérgio Abreu e Silva, parece ter ido além de suas sandálias. Tratou a denúncia do Ministério Público Federal de forma jocosa, irônica, agressiva, e chegou a acusar o “auxiliar do procurador”, que teria feito o texto, de padecer de “preguiça mental”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Deboche – Advogado diz que seu cliente foi a Portugal comer bacalhau e pastéis de Belém

Segundo o Ministério Público, José Dirceu despachou Marcos Valério e Rogério Tolentino a Portugal para uma reunião com Miguel Horta, presidente da Portugal Telecom e acionista do Banco Espírito Santo. O objetivo era obter recursos para o esquema. Em outra oportunidade, Dirceu recebeu Horta na Casa Civil, reunião a que Valério estava presente.

Muito bem. O que Tolentino foi fazer em Portugal? O advogado explica:
“Foi fazer turismo remunerado, comer bacalhau e pastéis de Belém”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Advogado de Tolentino faz até agora a defesa mais arrogante e… desastrada!

O advogado de Tolentino, Paulo Sérgio Abreu e Silva, lembra que foi professor da ministra Carmen Lúcia no curso de Direito da PUC de Minas. “Quem diria que ela seria ministra!”, exclamou. Mais uma vez, a metafísica de Minas está em julgamento.

Seu pai lhe ensinou, disse, quando entrou para o Ministério Público de Minas, que o seu grande guia deveria ser o Artigo 41 do Código de Processo Penal, que diz:

“Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.”

Com isso, o doutor quer dizer que as provas contra seu cliente não foram apresentadas.

Tolentino era advogado das empresas de Marcos Valério. É acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa. Já foi condenado pela Justiça mineira por lavagem de dinheiro, a sete anos e quatro meses de prisão e ao pagamento de multa equivalente 3.780 salários mínimos.

Só para lembrar: foi Tolentino quem fez um “empréstimo” de R$ 10 milhões junto o BMG, em nome da empresa de Valério. O dinheiro foi parar nas mãos dos parlamentares do PP. Segundo o advogado, ele só conseguiu o dinheiro e entregou à agência de Valério, mas não tinha responsabilidade nenhuma na destinação do dinheiro.

Doutor Paulo Sérgio Abreu e Silva, falando em nome de seu cliente, desqualifica a denúncia e dá aulas sobre como deve ser feita uma denúncia. É a defesa mais arrogante feita até agora. Por isso, também, a mais desastrada. Há pouco, afirmou: “Prestem atenção, ministros!” E se desculpou em seguida — desculpas meramente retóricas.

O advogado sintetiza assim a inocência de seu cliente: ele fez o empréstimo de R$ 10 milhões junto ao BMG e repassou à secretária de Marcos Valério três cheques assinados, em branco, para que ela desse a destinação que quisesse. E ela fez o quê? Preencheu e passou para a corretora Bônus Banval, que repassou aos parlamentares. Entenderam a inocência ou não?

Por Reinaldo Azevedo

 

Fala advogado de sócio de Marcos Valério; até parece que BH ou MG estão em julgamento. Não estão!

Começou a sessão de julgamento do mensalão. Fala o advogado Castellar Modesto Guimarães, advogado de Cristiano Paz, que era sócio de Marcos Valério na agência SMP&B, que foi extinta. É acusado de formação de quadrilha. Guimarães começa a sua defesa lembrando que seu cliente trabalha agora na agência Filadélfia, de propriedade de seu filho, já bastante premiada. Sustenta que Paz é homem de criação, reconhecido pelo mercado.

Segundo Guimarães, embora Belo Horizonte seja uma grande capital, é uma cidade que tem um clima com “práticas e costumes do interior, as pessoas se conhecem e sabem uma das outras”. Não sei se entendo direito por que esse clima predispõe o acusado à inocência, mas parece que sim, uai! É uma pena que não valha para outras situações, né? Belo Horizonte está, por exemplo, em 17º lugar em número de homicídios por 100 mil no Mapa da Violência (página 30), com 34,9 mortos por 100 mil habitantes. Nessa lista, São Paulo está em último (com 13), e o Rio, em 23º, com 24,3.

“Endoidou, Reinaldo? Pra que esse numero?” Por nada! Só estou demonstrando que esse “clima de interior de Belo Horizonte”, que parece influir de modo definidor no bom caráter das pessoas, não é, vamos dizer, uma verdade universal. Alguns mineiros de destaque — e não porque são mineiros, por óbvio — precisam parar com essa imodéstia sem mesura. Uma coisa é cantar a sua terra (nada há no mundo com Dois Córregos; a Fazenda Santa Cândida, então…), outra é advogar certo exclusivismo moral que seria dado por, sei lá, a água, o ar, as montanhas… Vamos com calma!

O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, já havia lembrado que há uma “questão mineira no julgamento”. Embora fosse o quarto (de mais de 30 advogados) a tomar a tribuna, lembrou ser o primeiro mineiro, destacando haver dois dos 11 ministros também de Minas: Carmen Lúcia e Joaquim Barbosa. Eu me pergunto: “E daí?”.

Doutor Castellar já fala há quase meia hora e, até agora, só exaltou as qualidades pessoais de Paz, o reconhecimento público, a deferência que lhe dispensa a sociedade mineira, os prêmios de publicidade que ganhou. Também exalta a própria biografia. E assim caminhamos. Diz faltar aos autos provas para condenar seu cliente, que, embora sócio de Valério, não sabia de nada.

Agora, ele se diz pessoalmente decepcionado com o Ministério Público Federal porque não há provas contra o seu cliente. Vamos ver. E cita, também ele, Celso de Mello. Já volto ao ponto.

Por Reinaldo Azevedo

 

Se os cinco bacharéis não mentiram, o Brasil precisa pedir perdão aos mensaleiros e exigir a prisão do procurador-geral da República

O advogado José Luiz Oliveira Lima, defensor de José Dirceu, ficou irritado com Roberto Gurgel, procurador-geral da República. Garantiu que seu cliente, desde que assumiu a chefia da Casa Civil, ficou ocupado demais para se meter em assuntos do PT. A trabalheira no Planalto era tanta que, mesmo que existisse a quadrilha inventada pelos inimigos de Dirceu, ele nem teria tempo para chefiá-la. Dirceu é inocente, jura o doutor Oliveira Lima.

O advogado Luis Fernando Pacheco, defensor de José Genoíno, ficou bravo com Roberto Gurgel.  Depois de lembrar que seu cliente nem foi eleito presidente do PT ─ teve de assumir o cargo que  Dirceu trocou pela Casa Civil ─, garantiu que o réu se limitou a lidar com questões políticas. Como é ruim de conta, só assinou papéis e recibos que Delúbio Soares ou Marcos Valério lhe apresentaram. Genoíno é inocente, jura o doutor Pacheco.

O advogado Arnaldo Malheiros Filho, defensor de Delúbio Soares, ficou aborrecido com o procurador-geral da República. Garantiu que seu cliente, concentrado nas funções de tesoureiro nacional do PT, nunca lidou com questões políticas, muito menos com barganhas envolvendo aliados. Forçado pelas circunstâncias a abastecer o caixa dois do partido, precisou recorrer a recursos não contabilizados. Delúbio é inocente, jura o doutor Malheiros.

O advogado Marcelo Leonardo, defensor de Marcos Valério, ficou indignado com Roberto Gurgel. Garantiu que seu cliente jamais participou de assaltos a cofres públicos, não armou maracutaias bancárias, não descumpriu contratos e nunca viu sequer a cor de malas de dinheiro. Limitou-se a tirar dinheiro do próprio bolso para ajudar o PT a pagar despesas de campanha. Marcos Valério é inocente, jura o doutor Leonardo.

O advogado Hermes Guerrero, defensor de Ramon Hollerbach, ficou magoado com o procurador-geral. Garantiu que seu cliente, embora fosse sócio de Marcos Valério, jamais soube direito que tipo de negócio o parceiro de negócios andou fazendo. Argumentou que o publicitário sempre aparece acompanhado nos episódios mencionados pela acusação, insinuando que os culpados são os outros. Hollerbach é inocente, jura o doutor Guerrero.

Se os bacharéis do mensalão não mentiram, absolver os réus será pouco. Além de pedir desculpas a Lula, o Brasil inteiro precisa também pedir perdão aos patriotas injustiçados. E exigir que o procurador-geral Roberto Gurgel seja sumariamente condenado por injúria, calúnia e difamação. Fora o resto.

(por Augusto Nunes)

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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