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Estafeta de Maduro explica por que falta papel higiênico na Venezuela: é que o povo está comendo mais!!! É sério! Não é piada!

Publicado em 24/05/2013 09:01 e atualizado em 24/05/2013 11:27 2100 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

O regime venezuelano vai se desconstituindo de forma patética. Uma piada — ou nem tanto — toma conta das redes sociais da Venezuela. Pouco depois de o governo aprovar a importação de 39 milhões de rolos de papel higiênico — em meio a uma crise geral de abastecimento, muito especialmente de produtos alimentícios —, Elías Eljuri, presidente do Instituto Nacional de Estatísticas, foi a público, numa entrevista concedida à Televen, uma das TVs estatais do país, para “provar” que o povo está comendo muito mais hoje em dia. Eis o vídeo. Volto em seguida.

Voltei

Reitero: a falta de alimentos na Venezuela é dramática. E o tal Eljuri tenta provar por quê: é que se come mais!!! Por enquanto, estão tentando importar comida também. Ainda chegará a hora de punir os comilões, acusados de contrarrevolucionários.

E, eis o motivo de escárnio da rede, está explicada também a falta de papel higiênico no país. Sabem como é: quanto mais comida entra, mais comida processada sai, certo? É fato que o chavismo aumentou bastante, na Venezuela, a produção de “mierda”, como se diria em espanhol castiço.

Por Reinaldo Azevedo

 

Heil Maduro, mein Führer! Ditador anuncia agora a criação de milícias operárias armadas e uniformizadas!

O Führer da Venezuela saúda seus seguidores e anuncia a criação das novas milícias. Logo ele vai mudar o desenho do bigode… (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

Nicolás Maduro, o ditador eleito (???) da Venezuela sempre pareceu muito ruim. Estávamos todos enganados. Ele é ainda pior. A crise interna no bolivarianismo está levando o homem celeremente para o delírio. Leiam o que informa a VEJA.com:
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Com a Venezuela dividida pelas acusações de fraude nas eleições de abril e ameaçado por cisões dentro da cúpula chavista, o pressionado Nicolas Maduro veio a público nesta quarta-feira para incentivar a criação de um novo grupo armado ligado ao governo, as “milícias operárias”. “Ordeno avançar, o mais rápido possível, com o estabelecimento e a organização das milícias operárias bolivarianas como parte das milícias nacionais”, bradou Maduro em um ato na Universidade Bolivariana de Trabalhadores Jesús Rivero, em Caracas.

Milícias
De clara inspiração fascista, a Milícia Nacional Bolivariana foi estabelecida por Hugo Chávez em 2009 para reunir e legitimar todos os grupos armados clandestinos que realizavam o trabalho sujo de intimidar os opositores do regime. O novo grupo proposto por Maduro faria parte desta milícia, que por sua vez é ligada às Forças Armadas venezuelanas, e seria composto principalmente por membros da classe trabalhadora em um esforço para “fortalecer a aliança operária-militar”.

“As milícias serão ainda mais respeitadas se tiverem 300 mil, um milhão, dois milhões de trabalhadores e trabalhadoras uniformizados e armados, prontos para a defesa da soberania e da revolução”, destacou Maduro. Segundo estimativas, o atual efetivo da Milícia Nacional Bolivariana é de 130 mil homens.

Golpe
O apelo do presidente acontece dias depois de a oposição venezuelana ter divulgado uma gravação que aponta uma conspiração dentro do governo contra Maduro. Em uma conversa com um agente do serviço secreto de Cuba, o popular apresentador de TV Mario Silva, personalidade ligada à cúpula chavista, acusa o chefe da Assembleia Nacional Diosdado Cabello de tramar um golpe contra o presidente venezuelano. Com bom trânsito no setor militar, Cabello teria a simpatia de parte das Forças Armadas, que estariam rachadas por divisões internas.

Por Reinaldo Azevedo

 

Vocês têm de ver este vídeo em que um jovem de 16 anos silencia a Marilena Chaui de Portugal

Se vocês acham ruins alguns teóricos da esquerda brasileira, é preciso conhecer seus pares em Portugal. Vocês têm de ver o vídeo abaixo. O caso é o seguinte. A TV RTP tem um programa chamado “Prós e Contras”, comandado pela jornalista Fátima Campos Ferreira. O nome, claro!, é delicioso e carrega, assim, aquele encantador apreço pela literalidade. Afinal, se vai haver um debate, uns vão dar os “prós”, e outros, os “contras”, certo? Estão mais avançados do que o Brasil nesse particular. Vejam o Caso do Roda Viva, por exemplo (e é assim em quase todas as TV no Brasil): se a causa for “progressista”, um lado do debate dará os “prós”, e o outro também. Se o contrário, então o contrário… Assim, a literalidade, no caso do programa de Portugal, salva o telespectador do pensamento único ao menos. Mas me desviei um pouquinho.

“Prós e Contras” fez um debate cujo tema era sugestivo: “Mudar o país ou mudar de país?” Portugal, a exemplo da maioria das nações europeias, vive uma crise grave. Os convidados do dia eram jovens empreendedores, que estavam lá para relatar a sua experiência. Um deles foi Martim Neves, um garoto de 16 anos que, aos 15, criou uma marca de roupa chamada “Over it”. Seu produto é um sucesso, e ele já está… exportando. Fantasia? Vocês verão o vídeo. Perceberão que o rapaz é articulado. Fala com desenvoltura sobre o mercado de roupas, a globalização do estilo, a crise em Portugal etc.

Muito bem! Num dado momento, ele é interrompido por Raquel Varela, que é, assim, uma espécie de Marilena Chaui de Portugal. Parafraseando Camões, para ficar no mundo lusófono, a diferença só está nos dons da natureza, mas não nos “dons do pensamento”. Raquel, um medalhão da esquerda portuguesa, resolveu esculhambar o garoto, acusando-o, indiretamente, de ser um explorador ou da mão-de-obra escrava mundo afora ou dos pobres operários portugueses. Assistam ao vídeo e veja a resposta dada por Martim. Volto em seguida.

Voltei
A doutora tem um currículo para 400 talheres. Reproduzo um trecho (em vermelho) da página oficial do Instituto de História Contemporânea (nota: em Portugal, “investigadora” quer dizer “pesquisadora”):
Raquel Varela (1978) é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais e investigadora do Instituto Internacional de História Social, onde coordena o projecto internacional In the Same Boat?Shipbuilding and ship repair workers around the World (1950-2010). É coordenadora do projecto História das Relações Laborais no Mundo Lusófono. É doutora em História Política e Institucional (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa). É, desde 2011, Presidente da International Association Strikes and Social Conflicts. É vice coordenadora da Rede de Estudos do Trabalho, do Movimento Operário e dos Movimentos Sociais em Portugal.

Convenham! É uma vergonha uma senhora tão preparada ser humilhada, de maneira tão curta e definitiva, por um garoto. Ele a silenciou de forma tão acachapante que, no lugar dela, eu ficaria uns 10 anos em retiro, revendo meus conceitos. Portugal passa por uma crise terrível, mas Martim demonstra que o país tem futuro. Embora ainda jovem, a doutora Raquel demonstra que o país também tem um passado. Que tem de passar.

Aplausos para Martim, o que não espera que outros façam por ele o que ele próprio pode fazer. No Brasil, com a idade dele, a lei considera os “adolescentes” de tal sorte irresponsáveis que podem sair por aí a incendiar pessoas ou a lhes estourar os miolos. Martim cria, trabalha, ganha a vida. Para desespero da doutora Raquel, que prefere ser uma “pensadora” sobre a penúria da classe operária. Alguém paga o seu salário. Infiro que são aqueles que ainda trabalham em Portugal porque gente como Martim gera empregos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Mal acaba “Salve Jorge”, traficantes voltam a demonstrar quem manda no Alemão; desisti de ir morar naquele paraíso; sinto-me traído pelo primeiro caso de merchandising de política de segurança da história da TV

Não acompanhei o fim da novela “Salve Jorge” — nem o começo nem o meio — e não sei se, no fim daquela cadeia de inverossimilhanças, segundo li aqui e ali, o capitão Teo (Theo?) decidiu morar no Alemão com a brejeira Morena. Leio na VEJA.com (texto segue abaixo) que os traficantes voltaram a demonstrar quem dá as ordens no Complexo do Alemão. Leiam a reportagem. Volto em seguida.
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Moradores do Complexo do Alemão voltaram a assistir, na manhã desta quinta-feira, a uma demonstração de poder dos traficantes de drogas. Ocupado pela polícia desde dezembro de 2010, o conjunto de favelas amanheceu com comércio e escolas fechados em várias áreas. A ordem para fechar portas teria partido de traficantes, em represália à morte de um bandido. O problema atinge também parte da Vila Cruzeiro, favela próxima ao Alemão.

Comandante do programa de Unidades de Polícia Pacificadora, o coronel Paulo Henrique afirmou, na manhã desta quinta-feira, que o fechamento do comércio é um “descontentamento” dos traficantes com a ação da polícia. Para os moradores, no entanto, a leitura é de que os bandidos continuam dando as cartas, apesar da presença de policiais e da construção de unidades da PM naquela área.

Além de lojas e escolas, os bandidos conseguiram interromper também o funcionamento de um posto de cadastramento do programa Bolsa Família, que funciona a poucos metros de uma das estações do teleférico do Alemão – ponto que passou a receber visitantes e a integrar o conjunto de novos cartões postais do Rio, após a chegada das UPPs.

Confronto
O episódio que motivou a reação dos traficantes foi a morte de um homem de 29 anos, identificado como Anderson Simplício de Mendonça, conhecido como “Orelha”. De acordo com a 22ª DP (Penha), o caso ocorreu na noite de quarta-feira e foi registrado como “homicídio decorrente de intervenção policial”. Segundo a Polícia Civil, Anderson tinha dois mandados de prisão pendente pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

O suspeito foi encontrado, segundo a polícia, com um revólver calibre 38 e oito munições calibre 38. “No local, os PMs arrecadaram dois carregadores para fuzil calibre 762 e vinte munições para o mesmo calibre. Familiares de Anderson e testemunhas estão sendo intimadas para prestar depoimento. Agentes da 22ª DP estão realizando diligência para identificar os outros traficantes”, diz uma nota enviada pela Polícia Civil.

Comento
“O caso é grave, Reinaldo, não cabe ironia!” Eu sei. Não ironizo a situação dos moradores, coitados!, que ficam à mercê da bandidagem, mas a versão edulcorada — e, no limite, falsa, como toda construção meramente ideológica — do que passou a ser chamado de “pacificação” das favelas do Rio.

Minha crítica ao governo Sérgio Cabral, nesse caso, nunca esteve ligada à presença de unidades da Polícia na favela, é evidente, mas ao fato de que há uma ação deliberada — ou inação — para NÃO PRENDER traficantes. A menos que Cabral e José Mariano Beltrame provem que as UPPs levam os traficantes a fazer o download do divino, a minha suposição é a de que continuam no mundo do crime — e até com mais segurança. Levar melhorias às favelas — e é uma obrigação — sem quebrar a espinha do poder do tráfico corresponde a pôr mais recursos públicos à disposição de quem manda, de fato, nas “comunidades” (no Rio, não existem mais “favelas”): o tráfico. É questão de fato. É questão de lógica elementar.

Descriminação das drogas
“Ah, e se o consumo de drogas não fosse crime? Nada disso aconteceria!” É… Se a gente descriminar os crimes, não tenho dúvida, tudo vira “da lei”, não é mesmo? E, aí, quem pode mais chora menos. Se incendiar pessoas numa pira de pneus deixar de ser crime, os que comandam o churrasco poderão circular livremente, como cidadãos honrados. A questão é saber o bem ou o mal que estarão fazendo à sociedade.

Noto que, para o caso em espécie, não bastaria descriminar o consumo, mas também o tráfico de drogas, o que não se fez em país nenhum do mundo, nem na Holanda. E quem dá as ordens nos morros não é o consumidor de drogas, mas o traficante.

Não vou mais morar no Alemão. Senti-me enganado pelo primeiro caso de novela que faz merchandising de uma política de segurança pública.

Por Reinaldo Azevedo

 

Briga do PMDB com o PT poderia ser para valer; o país sairia ganhando…

Sempre que o PMDB briga com o PT e com o governo, o país fica mais próximo da moralidade. O diabo é que, como numa música breganeja que ouvi ontem num táxi,“Quando a gente fica junto, tem briga/ Quando a gente se separa, saudade (…)”.Vale dizer: eles sempre reatam — porque é natureza do PMDB voltar para os braços de quem está no poder. Qual é o busílis desta feita? Boa parte dos peemedebistas da Câmara decidiu assinar um requerimento que pede uma CPI para apurar irregularidades na Petrobras, especialmente a compra e venda de ativos no exterior. Endossam o pedido 199 deputados (é necessário um mínimo de 171). Do total, 120 pertencem a partidos da base aliada — 52 são peemedebistas; vale dizer: 63% da bancada de 82 deputados do partido.

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A CPI é só um recado, é só um sinal. Ainda que prosperasse, não seria para já. Há dez pedidos na frente. O PMDB só está deixando claro à presidente Dilma, por intermédio dos deputados, que está descontente com o governo. Por isso assina um requerimento de CPI. Infelizmente, é para negociar mais adiante.

É claro que a Petrobras está a merecer uma CPI faz tempo. Basta contrastar a realidade da empresa hoje (e suas perspectivas) com as fantasias deixadas por José Sérgio Gabrielli, ex-presidente. Mais: ainda está sem solução o escândalo de Pasadena: a operação de compra de uma refinaria nos EUA resultou num prejuízo para a empresa de quase US$ 1,2 bilhão. Até o PMDB sabe disso.

Logo, se as mágoas acumuladas do PMDB resultassem numa CPI da Petrobras, algum bem se poderia fazer ao país e até mesmo à empresa — no médio e no longo prazos ao menos. Mas o mais provável é que não aconteça nada e que o governo ceda aqui e ali, pacificando o partido.

É claro que vai mal um país em que a moralização de uma empresa ou a investigação de operações suspeitas — e essas coisas deveriam ser obrigações — são empregadas como moeda de troca. O texto poderia ser este: “Ou vocês cedem a alguns dos nossos pleitos, ou vamos começar a fazer o certo e a cumprir o papel que nos atribuiu o eleitor”.

Por Reinaldo Azevedo

 

Futuro ministro do STF é um dos emblemas do pensamento politicamente correto; Dilma decide dar uma resposta aos “conservadores”

A questão que não quer calar é uma só — ou, agora, se me permitem, a “questão são duas”, a depender da velocidade com que as coisas avancem no Supremo: como Luís Roberto Barroso, o novo indicado para o Supremo (e certamente será aprovado pelo Senado), vai se comportar no caso do mensalão? O outro enigma é Teori  Zavascki. Fato número um, e vamos ver o peso que isto tem: há muito tempo ele é um dos prediletos de Márcio Thomaz Bastos para a o cargo. Bastos, como se sabe, é ex-ministro da Justiça e atual advogado de mensaleiro (José Roberto Salgado). Não se pode dizer, no entanto, que Barroso fosse o preferido do establishment petista. Havia outros à frente. Mas é certo que, numa dimensão, digamos assim, gramsciana, o partido não tem do que reclamar. Barroso é afinadíssimo com a metafísica petista e com os valores que o partido pretende transformar em imperativos categóricos.

Currículo, sem dúvida, ele tem. Inclusive no pensamento politicamente correto — ou politicamente engajado; já chego lá. Cumpre lembrar, antes de tudo, que Barroso foi a estrela da advocacia que atuou em favor do terrorista Cesare Battisti, “convocado” que foi para auxiliar Luís Eduardo Greenhalgh. Já escrevi o suficiente sobre esse caso, como sabem. Barroso faturou a causa por um voto, e o Brasil ficou com um bandido a mais à solta em suas plagas. UMA NOTA À MARGEM – Caso os mensaleiros não obtenham sucesso em sua empreitada, o futuro ministro do STF certamente não se alinhará com aqueles que pretendem evocar o Pacto de San José da Costa Rica, né? Afinal, a Corte Europeia de Direitos Humanos rejeitou os recursos de Battisti e declarou que ele havia tido, sim, à diferença do que se noticiou por aqui, amplo direito de defesa. Sigamos.

Barroso atuou ainda em favor da pesquisa com células-tronco embrionárias, união civil de homossexuais e do aborto de anencéfalos. Estivéssemos nos EUA, ele seria apontado como “um liberal”, segundo o vocabulário que se emprega lá. Aqui, o sinônimo é “esquerda”, eventualmente “progressista” na novilíngua que se passou a usar por aí.

Há que se destacar que, num momento em que os conflitos de valores se tornaram uma pauta quente no Brasil, Dilma escolhe um nome que, obviamente, vai na contramão dos, deixem-me ver como chamar, “valores tradicionais” — e, obviamente, nada tenho contra os “valores tradicionais”. Muito pelo contrário. Barroso é um dos mais vistosos emblemas do “progressismo” em matéria de direito. Mas, dados os nomes que andaram circulando por aí, afirmo: dos males, o menor…

O advogado é também o mais midiático de todos eles. Aos 55 anos, já pertence à geração que tem página na Internet, onde faz digressões sobre direito, poesia, música… A gente fica sabendo, por exemplo, que ele gosta de Beethoven, de Ana Carolina e de Taiguara. Tá bom.

Em sua página, o futuro ministro do Supremo opina sobre isso e aquilo — tanto que há lá uma seção chamada “opiniões”. No texto sobre o aborto de anencéfalos, escreve:

“A interrupção da gestação constitui tema controvertido em todas as partes do mundo. No Brasil, a questão da descriminalização do aborto ainda aguarda um debate público de qualidade e sem preconceitos. Porém, deve-se deixar claro que a antecipação terapêutica do parto não constitui aborto, à vista da falta de potencialidade de vida extra-uterina do feto.”

É… Uma das minhas especialidades é arrancar o glacê das palavras para me concentrar na substância. Qualquer um que diga que o debate sobre o aborto deve ser feito “sem preconceitos” é defensor do aborto. É claro que as pessoas têm o direito de ter esse ponto de vista. O que me incomoda é considerar que o outro só pode pensar de modo diferente por “preconceito” — classificação que busca, obviamente, desqualificar o adversário intelectual. Nota: “antecipação terapêutica do parto” é eufemismo detestável. O nome é aborto mesmo, terapêutico ou não.

Mesmo sendo um dos preferidos de Márcio Thomaz Bastos, não sei como Barroso se comportaria no caso do mensalão. Uma coisa é certa: ele é um das mais vistosas reputações do pensamento politicamente correto no Brasil. Pensem aí uma “causa progressista”, qualquer uma: Barroso será a favor. Ao nomeá-lo, Dilma certamente procurou dar uma resposta àquilo que as esquerdas chamam “onda conservadora no Brasil” — que, de resto, não existe. Mas agora existe um ícone para combatê-la…

Texto publicado originalmente às 17h45 desta quinta

Por Reinaldo Azevedo

 

Da coluna História em Imagens, no blog de Augusto Nunes

O Brasil Real continua a sofrer com a falta d’água solucionada no Brasil Maravilha pela transposição do Rio São Francisco

BRANCA NUNES

“Além das ações emergenciais, estamos investindo em infraestrutura para garantir fornecimento estável de água mesmo em períodos de seca”, viajou Dilma Rousseff no programa Conversa com a Presidenta desta terça-feira, depois de lhe perguntarem o que tem feito o governo para enfrentar a maior seca dos últimos 50 anos. Já na decolagem, festejou os 6 mil carros-pipa imaginários e 296 mil cisternas de armazenamento de água para o consumo humano e 12 mil para a produção”.

Alcançou a estratosfera em seguida: “Em Pernambuco, são dezenas de obras do PAC para oferta de água, dentre as quais o Ramal do Agreste, que ligará o Eixo Leste da Transposição do Rio São Francisco à Adutora do Agreste, garantindo água para 68 municípios pernambucanos, incluindo Arcoverde”. No Brasil Maravilha que Lula fundou e Dilma não para de aperfeiçoar, a transposição das águas do Rio São Francisco está sempre a um passo da inauguração.

“A água desce por gravidade até uma estação de bombeamento, onde é transportada até um nível mais alto por energia elétrica”, informa o locutor federal no vídeo institucional sobre a obra, enquanto desfilam na tela imagens produzidas por computação gráfica. “Quando há alguma depressão no terreno, especialmente sobre os vales dos rios, o canal é convertido em um aqueduto que transpõe o vão como uma ponte”. Não é pouca coisa.

Mas não é tudo: “Como o canal passa por uma região muito seca, algumas tomadas de água serão criadas no caminho para atender as comunidades vizinhas”. E tem mais: “Ao longo do trajeto, a água é acumulada em reservatórios, onde ela pode seguir caminho, abastecer as populações próximas ou em alguns pontos usada para gerar energia elétrica”.

No Brasil real, as coisas são muito diferentes. “O projeto lembra hoje uma quilométrica passarela de retalhos na qual faltam costura e pedaços de tecido”, constatou uma reportagem publicada em abril pelo jornal O Globo.“Aquela que seria a rendição de 12 milhões de sertanejos não passa de um conjunto de canais desconectados, dutos enferrujados com ferros retorcidos e estação elevatória que parece um fantasma de concreto”.

Embora as obras não tenham chegado sequer à metade (o governo celebra “mais de 43% de avanço”), o preço dobrou. Os R$ 4,8 bilhões estimados em 2007 subiram para R$ 8,2 bilhões – dos quais R$ 3,6 bilhões já foram desembolsados. Também os prazos fixados originalmente foram desmoralizados pela realidade. Lula prometeu em 2006 que a transposição do São Francisco estaria concluída em 2010. Dilma promete entregar o colosso invisível em 2015.

Até agora, nenhum sertanejo foi beneficiado por uma única gota de mais um milagre brasileiro. “A firma foi-se embora. Começaram fazendo o serviço, depois abandonaram e tá desse jeito agora, só buraqueira”, conta Damião Serafim dos Santos, morador de Sertânia (PB), no vídeo publicado pela TV Estadão neste domingo (assista abaixo). Dentro de uma das valas onde deveria estar correndo a água do São Francisco, hoje retomada pela vegetação, Damião extrai a conclusão óbvia: “Agora tem que fazer tudo de novo”.

Os 9 mil funcionários que chegaram a trabalhar nos canteiros de obras foram reduzidos a 4,6 mil. “Tem dia que só aparecem três clientes”, disse ao Globo Eliane Maria da Silva, ex-trabalhadora rural que montou um restaurante e chegou a vender 400 refeições por dia em Floresta, no interior de Pernambuco.

As obras que pegaram carona na transposição também enfrentam problemas. No Rio Grande do Norte, por exemplo, a adutora do Alto Oeste, que já consumiu R$ 35 milhões, corre o risco de ficar sem serventia. O reservatório roça a fronteira do colapso. Quase 150 municípios potiguares castigados pela seca decretaram estado de emergência.

Caso visitasse os canteiros de obras, Dilma Rousseff descobriria que o que diz não tem semelhança alguma com o que se vê. E também encontraria sem esforço os miseráveis e desempregados que acabaram no Brasil Maravilha. Uma escala na pernambucana Curralinho, por exemplo, poderia proporcionar à presidente uma didática conversa com Rosalina Maria dos Santos. “Nós somos pobres”, garante Rosalinha, em frente à casa de pau a pique que emoldura a integrante de uma espécie oficialmente extinta. “Num lugar como esse aqui nós não temos emprego não. Não tem água para trabalhar na roça. Se nós tivesse água, nós trabalhava, mas nós não tem água”.

Terminada a viagem, é provável que Dilma Rousseff  recebesse com mais desconfiança os resultados das pesquisas de popularidade. Talvez até aprendesse que não é possível mudar a vida real por decreto.

(por Augusto Nunes).

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Ter que importar tanto papel higiênico, prova o tamanho da cagada dos venezuelanos ao votarem neste tal de MADURO. Todo povo merece os seus governantes... já diziam há 2 mil anos. Ainda bem que os exportadores brasileiros estão com um pé atrás... querem vender somente a vista, melhor, com pagamento antecipado, senão termos outra "cagada"..

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