Na VEJA: Por que o número de beneficiários do Bolsa Família só cresce??!!

Publicado em 13/01/2014 11:48 e atualizado em 17/03/2014 15:56 3290 exibições
Em 2013, governo destinou 20,6 bilhões de reais para bancar o benefício a 14,1 milhões famílias – ou seja: um em cada quatro brasileiros, por Gabriel Castro, reporter de veja em Brasília

Há oito meses, boatos sobre o fim do Bolsa Família causaram pânico elevaram milhares de pessoas a agências da Caixa Econômica Federal em todo o país. Em meio ao episódio, duas cenas exibidas em telejornais foram reproduzidas na internet por seu aspecto inusitado. Elas mostravam beneficiárias do programa fazendo queixas incomuns. Francisca Flores, de São Luís (MA), reclamava: "Só ganho 134 reais e não está dando nem para comprar uma calça para minha filha, que tem 16 anos. Porque uma calça para uma jovem de 16 anos (sic) é mais de 300 reais". Diana dos Santos, de Fortaleza (CE), contou diante das câmeras: "Eu fui à lotérica, como vou de costume, fazer um depósito na poupança do meu esposo. Fui depositar o dinheiro. Como eu já estava lá, aproveitei, levei o cartão, e tirei o Bolsa Família".

Francisca acreditava que o dinheiro do auxílio do governo deveria ser usado para bancar bens de consumo mais caros do que os que o trabalhador médio pode bancar com seu salário. Diana revelou, sem se incomodar, que sua família poupa dinheiro mensalmente – e quem faz poupança evidentemente não está em situação de emergência financeira. É difícil estimar a quantidade de beneficiários irregulares do Bolsa Família: mas os exemplos de Francisca e Diana mostram que há algo de errado com o programa. Os números de 2013 reforçam esta impressão.

No ano passado, o total de beneficiários e o valor gasto com o programa atingiram novos recordes. Foram 20,6 bilhões de reais, pagos a 14,1 milhões de famílias. O próprio Ministério do Desenvolvimento Social aponta que mais de 50 milhões de pessoas, ou seja, mais de 25% da população brasileira, são atendidas pelo Bolsa Família. É o equivalente à população da África do Sul.

Em 2004, as dimensões eram bem menores: o total pago foi de 5,5 bilhões de reais, divididos por 6,6 milhões de famílias. Para 2014, os números indicam que deve surgir um novo recorde: o Orçamento previsto para o programa é de 25,2 bilhões de reais. Uma elevação tão acelerado no número de dependentes de auxílio governamental não aconteceu nem na parte da Europa que mergulhou em uma grave crise econômica nos últimos anos. Comparado com o total do orçamento, o valor significa pouco mais de 1% dos gastos do governo. O problema é a ampliação indefinida no programa. Não é exagero afirmar que, se fosse mantida a curva de crescimento, metade dos brasileiros poderia ser beneficiada com o dinheiro do Bolsa Família daqui a dez anos.

A presidente Dilma Rousseff tem como meta para 2014 incluir no programa outras 500.000 famílias - cerca de 1,8 milhão de pessoas - que teriam direito ao benefício mas estão fora do cadastro dos programas sociais do governo. Fora isso, o crescimento vegetativo e as oscilações da economia podem lançar no Bolsa Família novos beneficiários. É fácil entrar no programa - e a saída não é tão rápida: mesmo que a família passe a receber acima do limite de 140 reais mensais per capita, o corte no auxílio financeiro não é automático. Se a renda per capita não ultrapassar meio salário mínimo (362 reais), o cancelamento do benefício só é feito durante o período de revisão cadastral, em outubro de cada ano.

O governo usa o Bolsa Família como exemplo de uma medida bem sucedida. Mas como um programa criado para tirar pessoas da pobreza pode ser elogiado se o número de dependentes aumenta a cada ano? O crescimento vegetativo da população é uma explicação insuficiente, já que a quantidade de beneficiários sobe muito mais rapidamente do que a de brasileiros. "Se uma em cada quatro pessoas recebe Bolsa Família, isso quer dizer que três em cada quatro pagam por uma quarta. Não me parece que a longo prazo isso seja sustentável", diz o economista Adolfo Sachsida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O combate à pobreza é necessário, e o Bolsa Família cumpre essa função. Mas a expansão indiscriminada no número de atendidos pode não ser um simples lapso. Para o governo, há pouco a perder e muito a ganhar com o crescimento descontrolado no número de assistidos pelo dinheiro público: um programa relativamente barato, que tem pouca rejeição popular, mantém dependente do Estado uma parcela cada vez maior dos cidadãos. Com a devida propaganda, a lealdade desse eleitorado a cada quatro anos costuma ser elevada.

Fiscalização – As falhas na fiscalização também ajudam a explicar o número cada vez maior de beneficiários, apesar do crescimento da economia. Trabalhadores que possuem empregos informais – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 40 milhões de pessoas – por vezes acabam burlando as regras e recebendo o benefício. "Não tem sido feito um controle adequado e isso desvirtua o programa", diz o professor Newton Marques, da Faculdade de Economia da Universidade de Brasília (UnB). 

Relatos de fraudes no programa não são raros: algumas das irregularidades descobertas envolvem pagamentos em nome de crianças, estrangeiros, mortos e até animais. As dificuldades na verificação dos critérios facilitam os desvios. A fiscalização é feita no plano municipal, com o uso de ferramentas oferecidas pelo governo federal.

Em um fórum virtual que reúne gestores do Bolsa Família, os relatos sobre as dificuldades são frequentes. Em uma das mensagens publicadas na página, um funcionário admite que não pretende cancelar os pagamentos a uma beneficiária que, pelas regras, já ultrapassou a renda exigida para participar do Bolsa Família: "Eu me sinto frustrado em ter que fazer parte desse processo. Será por iniciativa minha que ela deixará de receber o dinheiro que já está acostumada a receber. Sou eu quem irá explicar o motivo de ela estar com o beneficio bloqueado. Enfim, serei eu quem irá escutar as reclamações, ameaças e tudo mais", diz ele.

O Bolsa Família contempla os núcleos familiares com menos de 70 reais de renda per capita ou famílias que tenham renda de até 140 reais per capita e possuam ao menos um jovem menor de quinze anos. O menor auxílio pago aos beneficiários do programa é de 32 reais. De acordo com a renda familiar e a quantidade de filhos, o valor pode subir muito: há beneficiários que recebem 600, 700 e até 800 reais por mês. O valor médio pago é de 120 reais.

Um dos problemas mais graves do Bolsa Família é a falta das tão propaladas portas de saída. Apenas 12% dos atendidos pelo programa abriram mão do benefício até hoje, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social. E não se pode dizer que eles superaram a miséria necessariamente graças ao auxílio do governo.

O efeito do programa também pode ser uma das explicações para a baixa no índice de desemprego. A metodologia aplicada pelo IBGE só considera desempregada a pessoa que, tendo mais de dez anos, procurou um emprego nos trinta dias anteriores à pesquisa e não encontrou. Com o Bolsa Família garantido por tempo indeterminado, argumentam alguns economistas, muitas pessoas não se dedicam com afinco à procura por um novo trabalho. Como consequência, elas não são vistas estatisticamente como desempregadas.

Adolfo Sachsida e Newton Marques concordam que seria adequado instituir um limite temporal – três ou quatro anos, sugere o pesquisador do Ipea – para que os beneficiários busquem uma qualificação e adquiram uma fonte de renda por conta própria. Mas, dado o potencial eleitoral do programa, nenhum partido político encampa uma proposta do tipo.

Eleições – No período eleitoral de 2014, não haverá debates sobre o fim do Bolsa Família, nem sobre a instituição de limites temporais ao programa. O candidato do principal partido de oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), já se vacinou contra os potenciais boatos de que iria encerrar o programa: apresentou um projeto de lei transformando o benefício em política de Estado. 

"Não se pode falar disso durante a eleição. E a principal razão é esta: 50 milhões de pessoas dependem do programa", diz o professor Paulo Kramer, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). Ele lembra que, em 1996, o governo americano implementou uma reforma no sistema de assistência social para impor limites temporais aos benefícios concedidos às famílias pobres. As mudanças implementadas por Bill Clinton alteraram o modelo implementado três décadas antes, no governo de Lyndon Johnson.

O desgaste do sistema anterior era evidente: muitas pessoas em perfeitas condições de procurar trabalho deixaram de fazê-lo para não perder os benefícios; o número de crianças nascidas fora do casamento aumentou, já que os homens solteiros já não se sentiam obrigados a assumir a responsabilidade financeira sobre as crianças; e os gastos federais com a assistência social impediam o saneamento das contas públicas.

A regra aprovada em 1996, após um esforço suprapartidário, instituía um prazo de dois anos para que o beneficiário encontrasse um trabalho; depois disso, ele perderia direito ao auxílio financeiro. Durante toda a vida, o cidadão poderia receber o benefício por no máximo cinco anos. Também foram criados incentivos para a responsabilidade individual dos assistidos. É bom lembrar: Bill Clinton pertence ao Partido Democrata, mais à esquerda. Isso não impediu a reforma moralizadora.

É razoável que o governo auxilie famílias que, por razões diversas, estejam à beira da miséria. O debate gira em torno do modelo aplicado: sem critérios rigorosos e apoio à autonomia dos mais pobres, programas de assistência social podem causar efeitos negativos. É a lição que os Estados Unidos aprenderam e que, aparentemente, o Brasil ainda precisa aprender.

Fila de cadastramento do Programa Bolsa Família em Recife

Fila de cadastramento do Programa Bolsa Família em Recife (Alexandro Auler/Jornal do Comércio)

 

PaternalismoPolítica

Minha Casa Minha Vida destina quase R$ 90 milhões para invasores

Deu no GLOBO: MTST recebeu R$ 89 milhões do Minha Casa Minha Vida

Os recursos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) começam, indiretamente, a alimentar a ocupação de terras em várias cidades do Brasil pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o braço urbano do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A entidade, que ocupa terrenos vagos, já conseguiu cerca de R$ 89 milhões para construir cerca de 1.600 moradias em três estados: São Paulo, Pernambuco e Goiás. Segundo Zezito Alves da Silva, um dos coordenadores do movimento, também estão garantidos recursos para erguer 300 moradias em Roraima e mais 900 no Tocantins.

O Ministério das Cidades não autoriza projetos em terrenos irregulares. Por isso, cresce a pressão do MTST para forçar a desapropriação de terrenos que considera latifúndios urbanos. Ontem, o MTST reuniu seis mil pessoas numa manifestação na Zona Sul de São Paulo, que parou a Marginal Pinheiros, para protestar contra a decisão da prefeitura de São Paulo de suspender qualquer desapropriação na cidade. Os manifestantes fazem parte do acampamento Nova Palestina, no Jardim Ângela, periferia da cidade.

Só no Brasil do PT mesmo, para o governo financiar com os suados recursos de nossos impostos movimentos invasores, que chamam de “latifúndio urbano” os imóveis que desejam desapropriar. Lembram daquela moça que teve seus 15 minutos de fama (boa, Wharol!) na época das manifestações, Mayara Vivian, a líder do Movimento Passe Livre? Ela também usava essa expressão para justificar crimes de invasão…

É uma afronta à classe média trabalhadora, pagadora de impostos, que labuta até junho só para transferir recursos para o governo e bancar esse assistencialismo todo, ver o destino que o PT dá a seu dinheiro. É o Partido dos Trabalhadores tomando o dinheiro dos trabalhadores para financiar os invasores. Pode um país desses dar certo? Pode algo assim estimular o trabalho honesto?

No mais, já tinha comentado aqui sobre o carrão de uma líder do movimento sem-teto, uma Captiva de quase R$ 100 mil. Para quem não viu, lá vai. Prepare-se, pois é escárnio demais com os brasileiros decentes:

por Rodrigo Constantino, de veja.com.br

Tags: Minha Casa Minha VidaMTST

 

Cultura

Por que o socialismo está em ascensão? – um artigo fundamental de Ben Shapiro sobre o ‘Perigo vermelho’

socialism_gunpoint_xlarge

Nenhuma grande novidade para quem leu o capítulo “Socialismo” e a seção “Marxismo & vigarice” do nosso best seller O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, que, aliás, depois de três meses dentro e um fora, mas sempre nas beiradas, voltou nesta semana às listas da VEJA e do Globo dos 10 livros mais vendidos do país.
 
Mas o artigo de Ben Shapiro, que traduzo abaixo, faz uma síntese precisa da superioridade moral do capitalismo em relação ao socialismo, depois de enumerar o apreço que políticos, intelectuais e meios de comunicação americanos (preciso mesmo mostrar os Carrascos brasileiros?) vêm demonstrando pelo segundo, sem a menor cerimônia. Mas, como eu disse, Para Jabor, ‘Perigo vermelho’ no (…) dos outros é refresco. E o pior é que ainda tem gente mais preocupada com os conservadores saindo do armário… Voltarei ao assunto em breve.
 
Vamos lá:
 
O capitalismo levou meio século para se recuperar da Grande Depressão. O socialismo levou metade desse tempo para se recuperar do colapso da União Soviética.
 
Em Nova York, o prefeito reconhecidamente socialista Bill de Blasio
 [matérias da VEJA sobre sua eleição e posse: aqui e aquiafirmou que seu objetivo é dar um “tiro fatal no Conto da Cidade Partida” [no original, "Tale of Two Cities"] - o fosso entre ricos e pobres. Em Seattle, o recém-eleito vereador Kshama Sawant se dirigiu a seus apoiadores, explicando: “Eu uso o emblema de socialista com honra.” Para grande aclamação da esquerda, o colunista Jesse Myerson, da revista Rolling Stone, fez uma coluna dizendo à geração Y ["millenials": nascidos entre 1980 e 2000] que eles devem lutar por emprego garantido pelo governo, renda básica universal, coletivização da propriedade privada, nacionalização de ativos privados e de bancos públicos.
 
Os botões recém-floridos do marxismo já não residem na periferia. Não quando o presidente dos Estados Unidos
 [Barack Obama] declarou o combate à desigualdade de renda sua principal tarefa como comandante-chefe. Não quando o líder da maioria no Senado, Harry Reid, democrata de Nevada, disse que “não há maior desafio” enfrentado pela América do que a disparidade de renda. Não quando a emissora de TV MSNBC, o jornal The New York Times e os amalgamados meios de comunicação pró-Obama declararam todos como a sua missão para 2014 uma campanha contra os ricos.
 
Menos de 20 anos atrás, o ex-presidente Bill Clinton, disputando a reeleição, declarou encerrada “a era do Estado inchado”. Em 2011, Clinton voltou atrás, declarando que era papel do governo “dar às pessoas as ferramentas e criar as condições para tirar o máximo de nossas vidas.”
 
O que aconteceu então?
 
O capitalismo não conseguiu apresentar boas razões para si mesmo. Em 1998, pouco depois de o mundo parecer ter chegado a um consenso sobre a ineficácia dos sistemas socialistas, os economistas Daniel Yergin e Joseph Stanislaw escreveram que o livre mercado requeria algo além do mero sucesso: ele requeria “legitimidade”. Mas, disseram Yergin e Stanislaw, “um sistema que leva a busca do autointeresse e do lucro como sua luz-guia não necessariamente satisfaz o anseio da alma humana para a crença e para algum sentido mais elevado do que o materialismo”. Em outras palavras, eles escreveram que, enquanto os comunistas espanhóis morreriam com a palavra “Stalin” em seus lábios, “poucas pessoas iriam morrer com a expressão ‘livre mercado’ em seus lábios.”
 
A incapacidade de apresentar boas razões morais para o capitalismo condenou o capitalismo ao status de um eterno plano B. Quando as pessoas estão desesperadas ou ricas, elas se voltam para o socialismo; somente quando elas não têm outra alternativa é que abraçam o livre mercado. Afinal, mentiras sobre a garantia de segurança são muito mais sedutoras do que palestras sobre responsabilidade pessoal.
 
Quais são, então, as boas razões morais para o capitalismo?
 
Elas são o reconhecimento de que o socialismo não é uma ótima ideia que deu errado – é uma filosofia diabólica em ação. Não é impulsionado pelo altruísmo, é impulsionado pela ganância e pela inveja.
 [Ver também o vídeo "Milton Friedman fala sobre a ganância", no fim do meu post "Celebridades hipócritas de Hollywood - 2013".] O socialismo afirma que você me deve alguma coisa simplesmente porque eu existo. O capitalismo, por sua vez, resulta em uma espécie de altruísmo forçado pela realidade: eu posso não querer ajudar você, eu posso não gostar de você, mas se eu não der a você um produto ou um serviço que você quer, eu vou morrer de fome. Troca voluntária é moralmente superior a redistribuição forçada. O socialismo viola pelo menos três dos Dez Mandamentos: ele transforma o governo em Deus, ele legaliza o roubo e ele eleva a cobiça. Discussões sobre desigualdade de renda, afinal, não são sobre prosperidade, mas, ao contrário, sobre mesquinharia. Por que você deveria se preocupar com quanto dinheiro eu faço, contanto que você esteja feliz?
 
Conservadores falam em resultados quando discutem as deficiências do socialismo. Eles estão certos: o socialismo é ineficaz, destrutivo e atrofiador para o espírito humano. Mas eles estão errados em abandonar o campo da moralidade quando discutem o contraste entre liberdade e controle. E é este abandono – esta preguiça perversa – que levou ao retorno do socialismo, ainda que, no passado recente de nossas próprias vidas, tenhamos visto o colapso de economias continentais e milhões de pessoas abatidas em nome desse falso deus.

 
Tradução: Felipe Moura Brasil, em sua coluna na VEJA.com.
 
Fonte: TruthRevolt.org.
 
Ben Shapiro, cujo mentor foi Andrew Breitbart [1969-2012], é autor do best-seller da lista do New York Times Bullies – How the Left’s Culture of fear and intimidation silences America. ["Bullies: Como a cultura esquerdista de medo e intimidação silencia a América", ainda sem tradução no Brasil.]
 
Felipe Moura Brasil – https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/

Chesterton comunismo

 

(no blog de Felipe Moura Brasil)

Tags: Barack ObamaBen Shapirobulliescapitalismocomunismoconservadoresconservadorismo,desigualdade socialesquerdaesquerdismoHarry Reidmoralsocialismo

Cultura

Che Guevara em “Amor à Vida”: é Carrasco demais para uma novela só

1.
 
Da série “O eterno ciúme entre psicopatas assassinos”:

Fidel Che Walcyr

2.
 
Frases singelas do novo herói da novela das oito, exaltado em livro “ótimo”, recomendado pela personagem Natasha ao escritor Thales:
 
“Fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte.” (Che Guevara)
Discurso na Assembleia-Geral da ONU, em 11 de dezembro de 1964
 
“Estou na selva cubana, vivo e sedento de sangue.” (Che Guevara)
Carta à esposa, Hilda Gadea, em janeiro de 1957
 
“O ódio como fator de luta. O ódio intransigente ao inimigo, que impulsiona o revolucionário para além das limitações naturais do ser humano e o converte em uma efetiva, seletiva e fria máquina de matar: nossos soldados têm de ser assim. Um povo sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo brutal.” (Che Guevara)
Revista cubana Tricontinental, em maio de 1967
 
“Até agora os camponeses não foram mobilizados, mas, através do terrorismo e da intimidação, nós os conquistaremos.” (Che Guevara)
 
“A ação mais positiva e forte, independentemente de qualquer ideologia, é um tiro bem dado, no momento certo, em quem merece.” (Che Guevara)
 
3.
 
Trecho da matéria de VEJA Há quarenta anos morria
o homem e nascia a farsa
, de 3 de outubro de 2007, que, na época, aliás, deixou o militante petista Luis Fernando Verissimo buscando motivos para a revista fazer isso, como se o jornalismo já não fosse o bastante:
 
(…) Nomeado comandante da fortaleza La Cabaña, para onde eram levados presos políticos, Che Guevara a converteu em campo de extermínio. Nos seis meses sob seu comando, duas centenas de desafetos foram fuzilados, sendo que apenas uma minoria era formada por torturadores e outros agentes violentos do regime de Batista. A maioria era apenas gente incômoda.
 
Napoleon Vilaboa, membro do Movimento 26 de Julho e assessor de Che em La Cabaña, conta agora ter levado ao gabinete do chefe um detido chamado José Castaño, oficial de inteligência do Exército de Batista. Sobre Castaño não pesava nenhuma acusação que pudesse produzir uma sentença de morte. Fidel chegou a ligar para Che para depor a favor de Castaño. Tarde demais. Enquanto dava voltas em torno de sua mesa e da cadeira onde estava o militar, Che sacou a pistola 45 e o matou ali mesmo com balaços na cabeça. Em outra ocasião, Che foi procurado por uma mãe desesperada, que implorou pela soltura do filho, um menino de 15 anos preso por pichar muros com inscrições contra Fidel. Um soldado informou a Che que o jovem seria fuzilado dali a alguns dias. O comandante, então, ordenou que fosse executado imediatamente, “para que a senhora não passasse pela angústia de uma espera mais longa”.
 
Em seu diário da campanha em Sierra Maestra, Che antecipa o seu comportamento em La Cabaña. Ele descreve com naturalidade como executou Eutímio Guerra, um rebelde acusado de colaborar com os soldados de Batista: “Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no lobo temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Seus bens agora me pertenciam”. Em outro momento, Che decidiu executar dois guerrilheiros acusados de ser informantes de Batista. Ele disse: “Essa gente, como é colaboradora da ditadura, tem de ser castigada com a morte”. Como não havia provas contra a dupla, os outros rebeldes presentes se opuseram à decisão de Che. Sem lhes dar ouvidos, ele executou os dois com a própria pistola. Essa frieza e a crueldade sumiram atrás da moldura romântica que lhe emprestaram, construída pelos mesmos ideólogos que atribuíram a ele a frase famosa – “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Frase criada pela propaganda esquerdista.
 
Como o jovem aventureiro que excursionou de motocicleta pelas Américas se tornou um assassino cruel e maníaco? O jornalista americano Jon Lee Anderson, autor da mais completa biografia de Che, escreveu que ele era um fatalista – e esse fatalismo aguçou-se depois que se juntou aos guerrilheiros cubanos. “Para ele, a realidade era apenas uma questão de preto e branco. Despertava toda manhã com a perspectiva de matar ou morrer pela causa”, afirma Anderson. (…)
 
4.

Captura de tela 2014-01-10 às 17.04.45

 
Se você não acredita em mim, nem na VEJA, nem na “direita”, nem nos historiadores, nem vê qualquer problema em tudo que Guevara disse, isto é, se você é um “idiota útil” da pior espécie, ouça então seus próprios companheiros de guerrilha falando dele, bem como os relatos de suas vítimas. Eis o imprescindível documentário “Guevara: Anatomia de um mito”, dirigido por Luis Guardia e produzido pelo historiador cubano e ex-preso político Pedro Corzo.
 

 
5.
 
E nunca é demais lembrar a entrevista em que a apresentadora e jornalista de origem cubana Marlen Gonzalez humilhou o ator Benicio del Toro (o Che, do filme-propaganda de Steven “Carrasco” Soderbergh), no programa Primer Plano, do canal “41 Noticias”, de Miami.
 
Destaque para o momento em que Marlen ensina a Toro, que também exaltara fora das telas o porco asssassino, o que realmente aconteceu à frente da prisão de La Cabaña, quando ele mandou fuzilar centenas de prisioneiros: “Noventa por cento eram presos de consciência. [Morreram] Simplesmente por discordar do sistema nascente, por pensar diferente”. E Toro: “Ah, não sabia disso”… Ela lhe dá o livro Guevara: Misionero de la Violencia, de Pedro Corzo.
 

 
6.
 
Pois é. Mas eu já disse e repito:
 
Não basta proibir os filhos de assistir à TV para protegê-los contra a perda total do senso dos valores morais, das virtudes, da realidade, porque eles continuarão respirando mentiras e distorções nas ruas, nas escolas, nas universidades, nos jornais, ou mesmo na internet, apesar dos sites, blogs e páginas pessoais dos autores que as refutam.
 
É preciso antes, para tentar educá-los de verdade, ter cada vez mais em mente o título memorável de um livro de Lionel Trilling, aquele autor americano para quem “a função primária da arte e do pensamento consiste em libertar o indivíduo da tirania da sua cultura e permitir-lhe erguer-se diante dela com autonomia de percepção e de julgamento”.
 
O título: “A obrigação moral de ser inteligente“.
 
Ou você a cumpre, ou arranja um controle remoto que desligue o país.
 
Felipe Moura Brasil – https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/

Tags: Che GuevaraCubaesquerdaGlobonovelapsicopataRevoluçãoWalcyr Carrasco

Tags:
Fonte:
veja.com.br

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário