"Não! Dilma não tem saída!", sobre a crise com a compra da refinaria da Petrobrás

Publicado em 21/03/2014 16:08 e atualizado em 06/06/2014 13:26 1371 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Não! Dilma não tem saída!

beco sem saída

Idiotas falam e dizem idiotices e, por óbvio, isso faz deles o que são: idiotas. Se fizessem e dissessem as coisas que fazia e dizia Schopenhauer, então Schopenhauer seriam. É evidente! A canalha andou ruminando que eu estaria tentando relativizar isso e aquilo. Relativizar o quê? Ao contrário: eu estou dizendo que o comportamento de Dilma não tem desculpa. Ainda que ela e os demais conselheiros tenham sido levados, pelo conjunto de dados à época disponível, a aprovar a compra de 50% da refinaria de Pasadena, como justificar o que houve depois?

1 – por que Dilma, na condição de ministra-chefe da Casa Civil e, sim!, presidente do Conselho, nada fez quando ficou claro que a Petrobras havia caído numa armadilha?

2 – a compra foi aprovada em 2006; em 2007, a Astra já havia entrado na Justiça americana para obrigar a Petrobras a comprar a outra metade;

3 – em 2008, a Petrobras organizou a sua defesa nos EUA; no mesmo ano, enviou US$ 200 milhões à refinaria;

4 – o senhor Nestor Cerveró, sobre quem recaem as suspeitas de ter elaborado um memorial executivo incompleto, continuou à frente da diretoria da Área Internacional da Petrobras;

5 – Cerveró saiu da Área Internacional e virou nada menos do que Diretor Financeiro da BR Distribuidora, presidida pelo petista José Eduardo Dutra, um daqueles que Dilma chamou os seus “Três Porquinhos” na campanha eleitoral.

Relativizando? Não! Ao contrário: eu estou é deixando claro que, para Dilma, não há saída nesse caso e que a sua desculpa é muito fraca. Como afirmei na coluna de hoje da Folha, posta na vitrine, não vale R$ 1,99.

Se a conselheira Dilma não tinha como saber o tamanho do abacaxi em 2006, como asseveram outros conselheiros, a conselheira já sabia de tudo em 2007 e seguiu sabendo em 2008, 2009 e 2010. Depois, quem passou a saber de tudo em 2011, 2012, 2013 e 2014 foi a presidente da República.

E é justamente em 2014 que vamos encontrar o tal Cerveró como diretor financeiro da BR Distribuidora. Se Dilma foi enganada, como ela diz, transformou o logro de que foi vítima em omissão.

Ora, ela que venha a público contar a história inteira. Mas, nesse caso, suponho, terá de entregar os companheiros.

Por Reinaldo Azevedo

 

Congresso

Novo apelido

Refinaria de Pasadena: apelido

Refinaria de Pasadena: apelido

No Congresso, petistas e a base aliada se referem desta maneira à refinaria de Pasadena: PassaDilma.

Por Lauro Jardim

 

José Sérgio Gabrielli e aquele seu olhar…

Vi José Sérgio Gabrielli na televisão. Está com sangue nos olhos. Seu interlocutor, do outro lado da tela e dos recados que tem mandado por intermédio da imprensa, é a presidente Dilma Rousseff.

Gabrielli nunca foi um, como posso dizer?, presidente de estatal convencional — refiro-me já ao convencionalismo do particularismo: petistas à frente de outras estatais costumam ser mais discretos. Ele não! Nunca escondeu que era apparatchik; que estava no comando da Petrobras para defender os interesses do partido, não os da empresa.

Às vésperas da eleição, no dia 18 de outubro de 2010, concedeu uma entrevista à Folha afirmando que FHC havia tentado privatizar a Petrobras. Era mentira. Sempre foi mentira. Nunca ninguém tentou, INFELIZMENTE, privatizar a Petrobras. Alguém acha que uma empresa privada teria feito o negócio de Pasadena?

Quando Dilma não quis mais Gabrielli na Petrobras, ele foi se aboletar no governo Jaques Wagner, como secretário de Planejamento da Bahia. O plano original era disputar o governo do Estado pelo PT. Mas o seu, vá lá, “estilo” risca-faca não conseguiu se adequar nem mesmo à companheirada.

O ex-presidente da Petrobras veio a público para dividir as responsabilidades. Indagado sobre alguns detalhes, alegou confidencialidade — a mesma que fez  com que os acionistas privados da Petrobras se tornassem sócios involuntários de um mico.

Lá no “Partido”, Dilma está sendo execrada — e Lula já deu a senha: “Ela errou!”. Era para ter agasalhado a operação, mas preferiu tirar o corpo fora, coisa que companheiro não faz com companheiro. Pelos cantos, Gabrielli já disse que não aceita ser bode expiatório, daí aquele ar, deixem-me procurar as palavras, vingativamente vetusto.

De resto, sobra outra coisa de sua entrevista, até óbvia, mas à qual não se deu destaque: ele, inequivocamente, sabia de tudo. E tenta nos convencer de que um prejuízo de US$ 1,38 bilhão era um bom negócio.

Por Reinaldo Azevedo

 

Seguidores do Dom Sebastião da gramática alternativa usam Petrobras para tentar tirar Dilma do caminho

É evidente que a ala lulista do petismo, que sonha com a volta do Dom Sebastião da outra gramática possível, está usando o caso da Petrobras para desgastar Dilma. Quem sabe desta vez… É curioso. O negócio se deu durante o governo Lula. Quem comandava a empresa era um lulista de carteirinha: José Sérgio Gabrielli — este não tem por onde sair: sabia de tudo. E, não por acaso, diz que os outros também sabiam. Quer dar o abraço de afogados.

A estratégia para queimar Dilma chega a ser escancarada. Como noticia a Folha, os seguidores do Companheiro-Chefe saíram por aí a descer a língua na presidente, que teria tentando jogar a bomba no colo dos outros. O escândalo da Petrobras pode ser mais uma chance de tirar Dilma do meio do caminho. Afinal, eles estão certos de que, no Lula, nada cola.

Por Reinaldo Azevedo

 

A refinaria de Pasadena e a Petrobras: o que pode e o que não pode ser desculpável na atuação da conselheira e da presidente Dilma. Ou: Conta sobe mais US$ 200 milhões. Ou ainda: PT contra PT

Ainda se sabe pouco do incrível imbróglio de Pasadena. Mas algumas informações começam a vir à tona. Saibam, por exemplo, que a dinheirama gasta pela Petrobras foi ainda maior do que aquele US$ 1,18 bilhão: há outro espeto de US$ 200 milhões que ainda não foi mencionado. Já explico. Em primeiro lugar, cumpre notar que estamos diante de um fogo amigo nada amigável. Vale dizer: há uma luta explícita de petistas contra petistas. A presidente Dilma insiste na versão de que desconhecia o inteiro teor do contrato da Petrobras com a Astra, que obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria. José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e um dos queridinhos de Lula, espalha o contrário: segundo dá a entender, não havia como o conselho não saber de tudo. O preço pago pela Petrobras por 50% da refinaria também merece algumas considerações. Como se sabe, a Astra comprou a dita-cuja em 2005 por US$ 42,5 milhões e vendeu metade para a empresa brasileira, um ano depois, por US$ 360 milhões.

Começo por essa questão. A informação passada aos conselheiros é que o preço se justificava porque os belgas fizeram investimentos na refinaria e porque a empresa tinha um estoque de óleo cujo valor não estava computado naqueles US$ 42,5 milhões. Assim, segundo essa leitura, não haveria nada de errado com a compra inicial daquela metade da empresa. Lembre-se que, quando Graça Foster tentou vender a refinaria, no ano retrasado, encontrou um único comprador, que aceitou dar US$ 180 milhões — bem menos, é certo, do que os US$ 360 milhões que a Petrobras pagou por apenas metade, mas bem mais dos que os US$ 42,5 milhões pagos pelos belgas em 2005 pela refinaria inteira. Adiante.

Outros conselheiros da Petrobras à época, como o empresário Jorge Gerdau e o economista Cláudio Haddad, endossam a versão de Dilma. Segundo Haddad, quem fez a exposição de motivos e justificou a compra foi Nestor Cerveró, que era, então, diretor da Área Internacional da Petrobras e é hoje diretor financeiro da BR Distribuidora, comandada por José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT.

Agora ninguém quer ser pai da criança. Nesta quinta, os senadores Delcídio Amaral, do PT, e Renan Calheiros, do PMDB, trocaram farpas sobre a indicação do diretor. Delcídio diz que ele era um homem do PMDB na Petrobras; Renan respondeu que foi o petista quem o indicou para o cargo e ironizou: “O Delcídio tem de ficar despreocupado porque certamente não indicou o Cerveró para este roubar a Petrobras”. Sobre a permanência do diretor, afirmou: “Ele ter ficado é imperdoável. O Delcídio tem de pedir a sua saída”. Não sei, não! Neste caso ao menos, Renan me parece inocente.

Agora a dinheirama
Além daquele US$ 1,18 bilhão que a Petrobras gastou para comprar uma refinaria que não funciona, a sede da empresa, no Brasil, fez uma transferência eletrônica para Pasadena de outros US$ 200 milhões em 2008 — não dá para saber exatamente o motivo e a destinação do dinheiro. Assim, meus caros, a conta subiu para, por extenso, um bilhão, trezentos e oitenta milhões de dólares.

NOTA 1 – A Astra havia entrado na Justiça contra a Petrobras em 2007. Mesmo assim, em 2008, são transferidos para a refinaria os US$ 200 milhões.

NOTA 2 - No mesmo ano dessa remessa, a Petrobras começa a se defender na Justiça americana. Contratou um escritório de advocacia por US$ 7,9 milhões, ligado a um ex-integrante da cúpula da empresa.

Então vamos ver. Em algum arquivo se deve encontrar o resumo executivo elaborado por Cerveró. Se lá não estiver a informação de que havia a cláusula de compra obrigatória, então os conselheiros foram levados no bico — supor que leiam centenas ou milhares de páginas de cada caso sobre o qual opinam é ingenuidade. Escrevo isso porque Gabrielli me parece, como direi?, solerte quando afirma que essa cláusula é comum em contratos. Ainda que assim fosse, ela teria de constar do resumo executivo. Se lá não estava, houve trapaça.

Digamos que o preço, pela primeira metade da empresa, considerados os investimentos dos belgas e o estoque de óleo, fosse razoável. Até este ponto, Dilma poderia sustentar não ter nada com isso. Mas e depois? E quando a história inteira veio à tona? Em 2007, quando a Astra entra na Justiça, a presidente do conselho e ministra, Dilma Rousseff, já sabia de tudo. E seguiu sabendo de tudo em 2008 e 2009. Fez o quê?

A derrota final da Petrobras na Justiça americana se deu em 2012. Foi no seu governo que a Petrobras teve de pagar estupefacientes US$ 820,5 milhões pela outra metade da refinaria. E foi também no seu governo que Nestor Cerveró, o que fez o resumo executivo que ela considera omisso, foi nomeado diretor financeiro da BR Distribuidora.

Podem até existir coisas para as quais haja uma explicação razoável. Mas há aquelas que são certamente indesculpáveis. E é fato: a empresa em que a Petrobras torrou US$ 1,38 bilhão vale, no mercado, US$ 118 milhões — e há um só comprador. Pode-se perdoar Dilma por aquilo que ela eventualmente não sabia. Mas não se pode perdoá-la por aquilo que não fez mesmo quando já sabia de tudo.

Texto publicado originalmente às 4h58

Por Reinaldo Azevedo

 

Ibope: Dilma venceria no 1º turno se eleição fosse hoje. Só que não é! Ou: Sinal amarelo para a petista!

O Ibope divulgou uma nova pesquisa eleitoral nesta quinta-feira. A presidente Dilma Rousseff, do PT, pode comemorar? Até pode. Mas com muita cautela. Se a eleição fosse hoje, ela ainda venceria no primeiro turno. Por que, então, há motivos para preocupação?

Bem, em primeiro lugar, porque a eleição não é hoje; em segundo lugar, só que mais importante, porque a pesquisa captou uma enorme insatisfação do eleitorado com o governo. Vamos ver. No cenário mais provável da disputa, Dilma aparece com 43% dos votos, contra apenas 15% de Aécio Neves, do PSDB, e 7% de Eduardo Campos, do PSB. Se Marina Silva fosse a candidata em lugar de Campos, a petista venceria no primeiro turno do mesmo jeito: ficaria com 41%; o tucano teria 14%, e Marina, que já chegou a marcar 21%, aparece agora com apenas 12%. Num eventual segundo turno, Dilma venceria Aécio por 47% a 20%; Marina, por 45% a 21% e Campos por 47% a 16% (veja quadro publicado pelo Estadão Online).

Pesquisa Estadão Online

Até aqui, como percebem os leitores, tudo parece um mar de rosas para Dilma Rousseff. Ocorre que a presidente tem dois complicadores bastante sérios pela frente, que podem encher de esperança os corações oposicionistas. Prestem muita atenção ao primeiro.

Nada menos de 64% dos que responderam à pesquisa dizem que o próximo presidente tem de “mudar totalmente” ou “mudar muita coisa” na gestão. E agora o fator que deve deixar Dilma assustada: entre esses que querem mudanças, só 27% esperam que elas aconteçam com a própria Dilma. Nada menos de 63% querem mudar tanto o governo como a governante.

Então vamos fazer uma continha: de cada 100 pessoas, 64 querem mudar tudo ou muita coisa. Dessas 64, uma expressiva maioria de 63% — ou seja, 40,32% do total — querem mudar também de presidente. Repararam, ouvintes? A soma dos votos de Aécio e Campos, por enquanto, é de apenas 22 pontos percentuais. Mas nada menos de 40,32% dos que responderam à pesquisa revelaram que preferem Dilma fora da Presidência.

O que isso significa? Nem Aécio nem Campos encarnaram ainda o necessário espírito mudancista. E agora chego ao segundo fator que tira o sono de Dilma. O Ibope listou os  candidatos e quis saber, sobre cada um, se os eleitores votariam naquela pessoa com certeza, se poderiam fazê-lo, se não fariam isso de jeito nenhum ou se nem o conhecem. Os números são muito interessantes. A rejeição é praticamente a mesma para os três: 38% se recusam a votar em Dilma; 39%, em Campos, e 41% em Aécio.

Votam em Dilma com certeza 36% — um índice sem dúvida muito bom —; em Aécio, 11%, e em Campos, 5%. Até poderiam votar na petista 19%; em Aécio, 22%, e em Campos, 21%. Onde é que o bicho pega para Dilma? Só 7% não a conhecem ou não sabem quem é ela. Esse número chega a 27% com Aécio e a 35% com Campos.

Há um terceiro fator a ser considerado, que nada tem a ver com a pesquisa, mas com as circunstâncias. Dilma está todo dia na televisão; a oposição mal aparece. Quando começa a campanha, ainda que a petista vá ter um latifúndio no horário eleitoral, as condições da disputa ficam um pouco mais equilibradas.

Quando se considera que 40,32% das pessoas que responderam à pesquisa gostariam que Dilma deixasse a Presidência para que se pudesse ter um governo totalmente ou muito diferente desse e quando se verifica que mais ou menos um terço do eleitorado desconhece os candidatos da oposição, é evidente que se deve supor que muito dificilmente a presidente vencerá a disputa no primeiro turno.

Notem: 32% dizem querer um governo igual ou quase igual ao que aí está. Entre os 64% que querem mudanças, 27% — ou 17,28% do total — acham que elas poderiam ser feitas pela própria Dilma. Somando-se os dois grupos, chega-se a 49,28% — até superior ao desempenho de Dilma no segundo turno porque se deve supor que há pessoas que querem a continuidade, mas prefeririam outro petista — Lula, por exemplo.

No fim das contas, estes são os números que contam: os 40,32% que querem mudar tudo, inclusive Dilma, contra os 49,2% que ou não querem mudar nada ou aceitam mudanças, mas com a presidente. A diferença, como se vê, é muito menor do que se verifica na pesquisa de intenção de votos. Quando se constata que quase todo mudo conhece Dilma e que muita gente ainda desconhece seus opositores, o que parecia um cenário tranquilo para a petista esconde, na verdade, riscos nada desprezíveis.

Por Reinaldo Azevedo

 

Cartel – Aécio diz a coisa certa sobre o CADE, e Cardozo se irrita

Como vocês sabem, o CADE  (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) investiga a formação de cartel na compra de trens do metrô e da CPTM, em São Paulo. Há pelo menos oito meses, a imprensa é quase diariamente abastecida por informações vazadas por esse órgão. Durante um bom tempo, parecia que as empresas que fornecem trens também para estatais federais e para outros estados só recorriam a esse método em São Paulo — governado pelo PSDB. Só agora o CADE anuncia que está investigando também contratos feitos com o governo federal.

O presidenciável Aécio Neves (PSDB) disse o óbvio: finalmente, o conselho deixará de investigar apenas administrações da oposição, emendando que seu partido não passa a mão na cabeça de malfeitores e pune quem tem de punir. Na prática, o chefe do CADE é o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já que o órgão é subordinado à sua pasta.

Cardozo se abespinhou, chamou Aécio de mal informado e afirmou que sua crítica é “desqualificada”. Disse: “Parece piada. O CADE investiga independentemente de questões políticas ou partidárias. Não é que o CADE mudou. É que os ingredientes para a investigação surgiram a partir da busca e apreensão que foi feita e da própria representação do PSDB. Ninguém investiga o que antes não tinha notícia de crime. A Siemens revelou problemas ou indício de cartel em São Paulo e Brasília, mas não falou de outras situações”.

Com a devida vênia, piada é a resposta do ministro. E vou dizer por quê:
1: eu, eu mesmo, Reinaldo Azevedo, publiquei uma reportagem no dia 13 de agosto do ano passado demonstrando que, nos metrôs de Porto Alegre e Belo Horizonte, apenas um consórcio se apresentou, formado pelas empresas CAF e Alstom.

2: No metrô de Porto Alegre, sob o comando da estatal federal Trensurb, a Alstom ficou com 93% do contrato, e a CAF, com 7%. No de Belo Horizonte, comandado por outra estatal federal, a CBTU, as posições de inverteram: a CAF ficou com 93%, e a Alstom com 7%.

3: Isso foi publicado, insisto, há sete meses. Só agora o CADE sai da moita. O ministro vem com a desculpa esfarrapada de que o CADE só investiga se houver uma denúncia. No caso de São Paulo, ela teria sido feita pela Siemens, com o tal “acordo de leniência”, que é uma espécie de delação premiada.

4: O ministro omite a ativa participação do deputado estadual Simão Pedro, do PT — hoje secretário da gestão Haddad —, na denúncia contra o Metrô e a CPTM, de São Paulo. Omite ainda que Vinicius Carvalho, presidente do CADE, já foi funcionário de Simão Pedro, fato omitido de seu currículo.

5: Em suma, não resta a menor dúvida de que o CADE direcionou, enquanto pôde, a sua investigação para São Paulo. Também não resta a menor dúvida de que houve uma verdadeira indústria de vazamentos contra as empresas do estado administrado pelo PSDB. Agora, finalmente, o órgão teve de admitir que existem indícios de formação de cartel também em empresas estatais federais, cujo governo é comandado pelo PT.

Então encerro. Aécio disse o quê? Que o CADE deixará de investigar apenas administrações de oposição. José Eduardo Cardozo ficou bravo com o quê? Com a verdade?

Por Reinaldo Azevedo

 

“Independentes” querem que PGR apure papel de Dilma em compra de refinaria de Pasadena

Por Gabriela Guerreiro, na Folha:
Senadores do grupo dos chamados “independentes” vão apresentar representação contra a presidente Dilma Rousseff na PGR (Procuradoria-Geral da República) para que o órgão investigue sua participação na compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobras, em 2006. Na época, Dilma era presidente do Conselho de Administração da estatal que avalizou o negócio. O grupo optou por recorrer ao Ministério Público ao invés de pedir abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Senado para investigar o episódio. Em ano eleitoral, os “independentes” consideram que a CPI não terá o mesmo “êxito” que a procuradoria para apurar a compra da refinaria. Embora procuradores investigam a compra desde o ano passado, os “independentes” querem que o papel de Dilma no episódio.

“As CPIs não têm boas passagens por aqui. Recolher assinaturas para que a comissão seja instalada é a parte mais fácil. As conclusões da comissão de inquérito vão ao Ministério Público, por isso decidimos ir direto a ele”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Na representação contra Dilma, os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Ana Amélia Lemos (PP-RS) vão afirmar que a justificativa apresentada por Dilma para ter aprovado a compra da refinaria precisa ser investigada.
(…)
Convocações
Além da representação, os “independentes” vão apresentar requerimentos para convocar a presidente da Petrobras, Graça Foster, a explicar a compra da refinaria em comissões do Senado. O grupo vai apresentar o pedido nas Comissões Fiscalização Financeira e Relações Exteriores do Senado.

O grupo também vai tentar convocar o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para falar sobre a Pasadena. Como a oposição é minoria no Senado, terá que aproveitar um “cochilo” da base aliada de Dilma para aprovar os requerimentos com poucos governistas presentes na comissão –ou conseguir apoio de parte dos aliados do Palácio do Planalto. A Câmara articula instalar CPI com o apoio da oposição e de parte dos governistas. Para que a comissão seja criada com urgência, serão necessárias assinaturas de 257 deputados. No Senado, é preciso reunir assinaturas de 27 dos 81 senadores para que a comissão saia do papel.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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